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 Renascida como animal, a pessoa ficará nesse plano eternamente?

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AutorMensagem
LeonMatryovsk

Discípulos
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Local : Bahia
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 27

Mensagem Seg 7 Out 2013 - 21:20

E como fazer para reverter isso?
Para ser mais claro... 

Se uma pessoa, renasce num plano inferior -como um animal, por exemplo- ela vai continuar renascendo naquele reino eternamente? Tenho conhecimento de que não é possível extinguir todo o sofrimento que foi causado nas vidas anteriores, mas sim é possível " diminuí-lo plantando boas sementes para se colher no próximo renascimento "... Mas me surgiu uma outra dúvida: Como um animal poderia fazer isso? 

Ou melhor: Como alguém que renasceu em um dos três planos inferiores -inferno, fantasmas e animais - pode fazer para diminuir esse " sofrimento passado " para que possa nascer como um Humano?
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Convidado

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Mensagem Ter 8 Out 2013 - 17:00

No budismo se diz muito sobre anicca, que é uma das três características do mundo, e o quê quer dizer anicca? Anicca é um termo páli e significa impermanência. De acordo com o budismo todas as coisas que compõem o universo estão em constante mutação ou seja são impermanentes. Então agora parte da sua pergunta já está respondida: Se uma pessoa, renasce num plano inferior -como um animal, por exemplo- ela vai continuar renascendo naquele reino eternamente? não, porque tudo é impermanente.
Em algum momento o karma ruim produzido pelas ações inábeis iram se exaurir, e pouco a pouco acontecerá uma purificação cármica. Bom, o grande problema do renascimento nos reinos inferiores é que neles é praticamente impossível praticar o Dhamma ou Dharma pois estes seres estão sempre em estresse e conflito e o seu karma acaba se multiplicando mais. Então os nascimentos em tais reinos poderão se repetir por várias eras Triste .
Meditar sobre os reinos inferiores é muito bom pra nos estimular na prática Meditação, buscar está sempre praticando os cinco preceitos e as dez perfeições.
Com certeza esta resposta não é satisfatória e talvez nem correta, é só uma tentativa baseada em algumas que eu já li, tô esperando as outras também.
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Angely

Discípulos
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Feminino
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 29

Mensagem Qua 9 Out 2013 - 17:38

Concordo que tudo é impermanente, mas karma não significa intenção? se os animais agem por instinto, será que eles não produzem karma? Acho que eles ficam lá até o karma acabar, será que não? Pensativo
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Mensagens : 472

Mensagem Qua 9 Out 2013 - 20:40

Shaka e Angely, vocês fizeram considerações bem importantes!
Vou mostrar o que os Suttas dizem e, vale ressaltar, não devemos nos atar a nenhuma ideia sem termos visto algo por nós mesmos, porque há algumas afirmações do Cânone que são bem metafísicas, como aquelas que tratam da esfera da existência no Inferno. Além disso, Renascimento é bem mais complicado do que se pensa. É que nem Karma, não é apenas "Você colhe o que plantou", há vários detalhes e explicações completas no Cânone em Páli. Renascimento não é apenas "fiz coisas boas, vou renascer num lugar feliz", pode ser que não.
Primeiramente, a lei do Karma é imparcial. É como a Lei da Gravidade, logo, não adianta "implorarmos" alguma coisa, o Karma feito está feito. Mas como existem vários tipos de Karma e ações, existem várias possibilidades de um karma frutificar ou não, o que quero dizer, existem várias "combinações" e "misturas" de Karma. Devido a essa complexidade, o processo de Renascimento pode ser algo bem incerto, não rígido. Veja um Sutta e a explicação de Ajahn Brahm a seguir:
[Buda]: "Monges, esse samsara não possui um início que possa ser descoberto. Um ponto inicial não é discernido para os seres que seguem vagando e perambulando, obstaculizados pela ignorância e agrilhoados pelo desejo. Tal qual uma vareta que ao ser jogada no ar algumas vezes cai sobre a sua base, algumas vezes cai de lado, algumas vezes cai sobre a sua ponta; do mesmo modo, seres obstaculizados pela ignorância e aprisionados pelo desejo seguem transmigrando e perambulando, algumas vezes eles vão deste mundo para um outro mundo, algumas vezes eles vêm de outro mundo para este." - (retirado de Danda Sutta - acessoaoinsight)

[Ajahn Brahmavamso]: Em uma das histórias dos suttas, o Buda disse que o renascimento futuro é muito incerto. É como jogar um graveto no ar. Você não pode dizer com certeza qual extremidade vai bater no chão primeiro. Da mesma forma, você não pode saber com certeza após a morte, se você vai parar em um destino feliz ou destino infeliz!
[...] mesmo que você tenha uma vida muito virtuosa, mesmo que você seja um monge durante muitos anos nesta vida, se você não realizar o estágio de Entrada na Correnteza, então você não pode ter certeza de qual renascimento se seguirá!
Tudo que se pode conseguir fazendo muitos karmas benéficos é tornar uma extremidade do "graveto" mais pesada. Então a probabilidade da extremidade mais pesada do graveto bater no chão primeiro, e seu karma benéfico amadurecer em um renascimento feliz são maiores. Mas o sutta diz muito claramente que, apesar de uma extremidade ser mais pesada, de vez em quando, a extremidade mais leve do graveto bate no chão primeiro. Assim, mesmo se você fizer muitos karmas benéficos, o karma prejudicial que você realizou, seja nesta vida ou em vidas anteriores, ainda está lá. Por causa desse karma prejudicial, que não foi esgotado até o momento, sempre há uma possibilidade de ocorrer um renascimento muito infeliz. Esse é o terror do samsara. - (retirado de Eu sei, mas eu não sei: contemplação da Morte - acessoaoinsight)
É muito importante saber o que "o estágio de Entrada na Correnteza". De acordo com o Buda, existem quatro estágios de iluminação: Sotapanna (aquele que entrou na correnteza) - Sakadagami (aquele que retorna uma vez) - Anagami (aquele que não retorna) - Arahant (o iluminado, aquele que realizou Nirvana). Esses estágios são alcançados devido a Insights, porque compreendemos por experiência direta e penetrante certas realidades do Samsara. Quando conquistamos esses Insights, "mexemos" um pouco na rede da Origem Dependente, que é a rede que explica Ignorância dando origem a Apego, e Apego dando origem ao Sofrimento. O Iluminado consegue cortar todos os fatores dessa rede para acabar com o sofrimento. Até lá, vários Insights "mexem" nessa rede, e há certos Insights que provocam modificações irreversíveis nessa rede, fazendo com que a Iluminação seja algo inevitável. Aquele que alcança o estado de Sotapanna, tem certeza que alcançará a Iluminação em, no máximo, sete vidas, porque depois que se mexe numa certa parte dessa rede, quero dizer, depois que aquela pessoa consegue um Insight para enxergar com mais clareza essa rede, ou ela realiza a Iluminação logo através de esforço, ou com um pouco mais de tempo de vida o desapego pelas coisas condicionadas se desenvolve e ela realiza Nirvana de uma maneira mais "gradual".
Então, até que alguém conquiste esse Insight irreversível, que garante a realização de Nirvana, é incerto onde alguém vai renascer. É o funcionamento do graveto que Ajahn Brahm mostrou: sem bom Karma só engrossa uma das extremidades, o que torna provável que é essa extremidade, que o orientará a um bom renascimento, que cairá no chão. Mas, eventualmente, a vareta pode cair de lado, a ponta pode tocar o chão ou às vezes a base. Portanto, até a realização de Sotapanna, mesmo que realizemos bons atos Kármicos, pode acontecer de que renasceremos no Inferno. Isso foi o que o Buda disse sobre a complexidade do Samsara. Somente o Insight do Sotapanna garante que uma pessoa somente terá o destino Humano ou Deva até Nirvana. Somente Sabedoria, Virtude só pode "aliviar" a situação. De acordo com o Buda, é assim que funciona. Por isso que pode acontecer o que o Buda disse em outro Sutta para Ananda:
[Buda]: "Aqui uma pessoa mata seres vivos, toma aquilo que não é dado, tem conduta imprópria em relação aos prazeres sensuais, diz mentiras, fala com malícia, fala de forma grosseira, fala de forma frívola; é cobiçosa, possui a mente cheia de má vontade e tem entendimento incorreto. Na dissolução do corpo após a morte, ela renasce num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno.
Mas, aqui uma pessoa mata seres vivos ... e tem entendimento incorreto. Na dissolução do corpo após a morte, ela renasce em um destino feliz, até mesmo no paraíso." - (retirado de Mahakammavibhanga Sutta - acessoaoinsight)
Depois o Buda até cita contemplativos que ficam frustrados com o mundo, porque compreendem apenas parte do processo. Uns só veem pessoas boas renascendo num lugar ruim, e outras veem pessoas boas renascendo num lugar bom, mas é preciso calma para ver o processo inteiro, que não é apenas essa regra "fixa".
Então, o que acontece no caso dos animais?
O que a Angely disse está certo, Karma é Ação com Intenção. Se eu piso numa formiga sem saber, não gerei mau Karma, porque não a matei com intenção. Mas aqui há uma grande questão, porque todos nós estamos sofrendo e muitas vezes não sabemos bem o porquê. Às vezes estamos criando sofrimento sem nos darmos conta disso. O problema é que isso pode ocorrer devido a Avijja, Ignorância. Então, quando alguém comete atos ruins por ignorância, ela gera mau Karma. Ela pode não estar muito ciente da situação, mas ela faz coisas devido a ignorância, não a não-intenção. Um animal pode agir por instinto, mas seu instinto o faz matar outros seres e entrar em disputas devido a Karma mau passado, e de onde veio esse Karma ruim? Ignorância. Então, acontece que mesmo agindo por instinto, um animal não faz bom Karma e ainda faz Karma ruim. Os animais estão limitados pela sua capacidade moral, mas tudo isso devido a um Karma ruim, que dá origem a outro, que dá origem a outro. Não é porque agem por instinto que eles não geram Karma ruim. Somente alguém que tenha alcançado um Insight profundo em Anatta, Não-eu, já não gera mais Karma. Os Arahants agem com intenção de trazer benefícios aos outros, mas ainda assim não geram Karma, porque os processos foram compreendidos e a fonte para geração de Karma já não pode mais funcionar.
Então, um animal não faz karma bom e ainda faz karma ruim - como ele sai desse plano? É devido a o que vimos acima: eventualidade. Ou seja, um animal sai daquele plano por sorte, literalmente. O pior é que aqueles que têm essa sorte, geralmente retornam ao Inferno ou Reino Animal de novo, porque elas renascem em situações difíceis, e são poucos que, nessas situações, geram bom Karma para garantirem uma "recuperação" nos seus renascimentos. Isso foi explicado pelo Buda como mostrado a seguir:
[Buda]: “Suponham que um homem lançasse no oceano uma bóia com um único furo. Um vento do leste a empurraria para o oeste, um vento do oeste a empurraria para o leste. Um vento do norte a empurraria para o sul, um vento do sul a empurraria para o norte. E suponham que houvesse uma tartaruga cega. Ela viria para a superfície uma vez a cada cem anos. Agora o que vocês pensam: aquela tartaruga cega, vindo para a superfície uma vez a cada cem anos, colocaria o seu pescoço naquela bóia com um único furo?
[Monges]: Ela poderia, venerável senhor, uma vez ou outra ao final de um longo período.
[Buda]: Monges, a tartaruga cega demoraria menos tempo para colocar o pescoço naquela boia com um único furo do que um tolo, uma vez na perdição, demoraria para recuperar o estado humano, eu digo. Por que isso? Porque ali não há a prática do Dharma, não há a prática do que é virtuoso, não se age de forma benéfica, não se realizam méritos. Prevalece o devorar mútuo e o massacre dos mais fracos.
Se, uma vez ou outra, ao final de um longo período, aquele tolo retornar ao estado humano, será numa família inferior que ele irá renascer - uma família de sudras, cesteiros de bambu, caçadores, consertadores de carruagens ou lixeiros – uma família pobre na qual há pouco para comer e beber e que sobrevive com dificuldades, na qual a comida e roupas são obtidas com dificuldades; e ele será feio, antiestético, deformado, doente crônico - peticego ou com as mãos deformadas ou coxo ou paralítico. Ele não será um daqueles que ganham comida, bebida, roupas e veículos; grinaldas, perfumes e ungüentos; cama, moradia e lamparinas. Ele se dedica à conduta imprópria com o corpo, linguagem e mente. Tendo feito isso, com a dissolução do corpo, após a morte, ele renasce num estado de privação, num destino infeliz, na perdição, até mesmo no inferno." - (retirado de Balapandita Sutta - acessoaoinsight)
Já li sobre pessoas que se libertaram de Câncer depois que começaram a meditar. No Budismo se defende que Citta, a mente, interfere muito no cérebro e no corpo. Então, se essa mente estiver envolvida a um Karma ruim, é como se esse Karma ruim, no momento da concepção, interferisse no sequenciamento do DNA de um ser, e assim ele nascesse deficiente.
Então, um ser fica no reino animal por muito tempo. Consegue sair por sorte, mas geralmente decai de novo. Além disso, no plano do Inferno é um pouco diferente. No Inferno há muito castigo pelos Karmas passados, e o ser fica sofrendo castigos nessa existência até seu Karma ruim esgotar. Ele não tem tempo para praticar muito Karma, então fica sendo castigado até o Karma esgotar e ele ter uma oportunidade de renascer em outro lugar. Com os animais não: devido sua capacidade moral limitada, eles ficam muito tempo fazendo karma ruim e por sorte conseguem sair daquele plano uma hora ou outra.
Lembrando, outra vez, que os Suttas alegam que o Buda viu isso por si mesmo e, logo, podemos vê-lo por nós mesmos também:
[Buda]: “Monges, eu lhes digo isso não como algo que ouvi de algum outro contemplativo ou brâmane. Eu digo isso como algo que na verdade eu compreendi, vi e descobri por mim mesmo.”
O Shaka está certo ao dizer que isso tudo serve de bastante inspiração à prática, apesar de que poucos aceitam esses ensinamentos até que possam comprová-los com uma mente meditativa. Outros, no entanto, aceitam esses ensinamentos com base na fé ou com base em alguma experiência frágil, alguma pequena inferência ou porque estão desenvolvidos na prática - depois de um tempo de prática do Budismo, se uma pessoa percebe melhoras ela desenvolve muita fé no Buda.
Particularmente eu considero real os ensinos passados pelo Buda e mesmo que não os tenha visto por mim mesmo, pelo menos não nessa vida, eu os uso como inspiração para minha prática. Acontece que você pode usar isso para se incentivar de tal maneira que você avance e por fim enxergue por si mesmo. Então, uma fé inteligente, que não se agarre a teorias mas as use com sabedoria, pode orientá-lo a experiência direta.
Eu já até saí de uma meditação uma vez, olhei para o meu gato e disse que ele deveria buscar fazer o que eu estava fazendo na primeira vida em que ele encontrasse oportunidade rs. O Buda pode estar errado, ou alguém mal intencionado pode ter colocado isso nos Suttas! Mas se for real, fiz uma boa ação naquele instante rs
Na verdade esse ensinamento pode ser realmente poderoso. Através dele pode nascer compaixão pelos outros seres, às vezes de uma maneira muito fantástica. Meu pai, como exemplo, já me fez muito mal. Uma vez eu olhei para ele e senti muito receio por ele, porque os tantos atos ruins dele poderiam guia-lo para um péssimo renascimento se Buda estiver certo, e aquilo fez nascer uma sensação de compaixão. Isso também serve para a prática individual. Podemos perceber como é urgente não só fazer bom Karma, sermos gentis e não nos agarrarmos ao que é Impermanente, mas também praticar de forma ininterrupta e não abandonar a meditação para que possa surgir a Sabedoria que por fim compreenda pelo menos uma parte da Origem Dependente e nos garanta o estágio de Sotapanna, nos garanta a entrada na correnteza que flui inevitavelmente ao Nirvana por ter enxergado Anatta, de tal forma que não haja mais possibilidade de renascer em estados de privação os quais é difícil sair.
Por isso o Buda disse para sermos gratos por essa vida humana. Ele disse que é o "melhor estilo de vida para a prática", tanto que, ao que os Suttas apontam, os Budas surgem no mundo humano. Por que isso? Porque no Inferno há muito sofrimento e até um certo limite para a prática do bom Karma, ao passo que no paraíso dos Devas há muita felicidade e é difícil enxergar o sofrimento das coisas condicionadas. No mundo humano isso é bem equilibrado, temos a capacidade de escolha moral e conhecemos tanto felicidade como sofrimento. Portanto, que pratiquemos com diligência e gratidão e que ouvindo esses ensinamentos, estimulemos um senso de urgência para praticar, porque quem sabe se não morremos amanhã, ou mesmo daqui um instante? Quem sabe para onde renasceremos? Portanto, que pratiquemos. Mesmo que não se acredite nisso, que pratiquemos para não renascer num só dia nos planos da raiva, cobiça e delusão.
[Buda]: “Embora alertados pelos mensageiros divinos,
muitos são negligentes,
e as pessoas de fato sofrerão por muito tempo
uma vez que tenham ido para o mundo inferior.
Mas quando através dos mensageiros divinos
as boas pessoas aqui nesta vida são advertidas,
elas não permanecem na ignorância
mas praticam bem o nobre Dhamma.
O apego elas vêm com temor
pois este produz o nascimento e a morte;
e através do não apego elas são libertadas
com a destruição do nascimento e morte.
Elas permanecem com a felicidade pois estão seguras
e realizam Nibbana aqui e agora.
Elas superam todo o medo e a raiva;
elas evadem todo o sofrimento.”
(retirado de Devaduta Sutta - acessoaoinsight)
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Mensagem Qui 10 Out 2013 - 15:32

Muito bem explicado!
Fiz o meu comentário baseado em alguns textos que li mas ainda não tinha visto nada a respeito nos suttas ou vi e não prestei atenção, apesar de que também ainda tenho lido poucos.
Eu não sabia desse elemento 'sorte' no processo do renascimento, será que é como o milho de fazer pipoca? embora no momento do preparo todos estarem sofrendo a mesma temperatura dentro da panela eventualmente alguns chegam até a torrar mais não estouram?

Uma coisa muito boa no Budismo é que ele te impulsiona à pratica pra você poder ver por si mesmo, apenas perguntar e obter as respostas não adianta. Como a palavra do Buda que foi citada acima: “Monges, eu lhes digo isso não como algo que ouvi de algum outro contemplativo ou brâmane. Eu digo isso como algo que na verdade eu compreendi, vi e descobri por mim mesmo.” No budismo é possível participar e experimentar daquilo que está sendo ensinado e não apenas contemplar!
Num outro tópico com o vídeo de algumas declarações do Ven. Ajahn Chah ele disse: "Mesmo se o professor disser a verdade, não apenas acredite, porque você ainda não sabe a verdade por si mesmo."

Mesmo a melhor resposta ainda não é suficiente!
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Mensagem Qui 10 Out 2013 - 19:06

Shaka escreveu:
Eu não sabia desse elemento 'sorte' no processo do renascimento, será que é como o milho de fazer pipoca? embora no momento do preparo todos estarem sofrendo a mesma temperatura dentro da panela eventualmente alguns chegam até a torrar mais não estouram?

Sim, mas além de todos estarmos sobre a mesma temperatura, ou seja, a mesma "lei" de Karma, cada um fez atos diferentes, então, somos "milhos" diferentes rsrs. Apesar de que haja muitos milhos em situação propícia para estourarem, alguns poucos acabam não estourando. Da mesma maneira, apesar de muitas pessoas fazerem bom Karma, alguns poucos podem ter "má sorte", mas isso acontece com poucos. Entretanto, e se acontecer conosco?
Importante é não confundir "sorte" com "sem causa". Um ser fez coisas boas e tem o "azar" de renascer num plano inferior. Isso não foi sem alguma causa, teve sim uma causa: os poucos karmas ruins que ele fez prevaleceram sobre os vários karmas bons que foram feitos. Há de que se tomar cuidado para não se confundir!
O que você diz de praticar é muito verdadeiro, muitos, especialmente os ocidentais assim como eu, se atraem pelo Budismo por causa disso. Eu lembro de alguns Ajahns comentando de um texto antigo do Cânone, que nunca vi traduzido para o inglês ou português, em que o Buda estava dando uma palestra e então, de repente, ele se virou para Sariputta, o monge chefe, e lhe perguntou: "Sariputta, você acredita no que eu disse?". Sariputta respondeu: "Não, eu ainda não acredito pois ainda não experimentei isso por mim mesmo.". Apesar de poder parecer para muitos um insulto, Buda o elogiou, ressaltando que nenhuma pessoa sábia acredita em alguém sem pôr a prova o que foi ensinado.
Outra coisa que aumenta muito minha fé é ler os ensinamentos dos mestres. Eu acho incrível como cada um fala de acordo com sua própria bagagem e tendências de uma mesma coisa. Eles falam com suas próprias palavras, umas diferentes das do outro, mas você percebe que eles estão falando da mesma experiência. Isso incentiva a praticar, porque incentiva a fé de que o que o Buda ensinou faz sentido, e assim praticamos até estabelecer tal fé definitivamente e entrar na Correnteza, que não decai para os reinos inferiores. Feliz 
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