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 Quando a prática fica estagnada

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AutorMensagem
Convidado

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Mensagem Sex 22 Nov 2013 - 11:19

Ola! Bom dia a todos.
Abri este tópico para relatar a vocês um pouco da minha prática, ou melhor não prática rsrsrs.
Já faz mais ou menos um ano que comecei a me interessar pelos ensinamentos de Buda, mas foi somente na metade deste ano que comecei a praticar a meditação e atenção plena observando também os cinco preceitos. Ocorre que em pouco tempo e gradualmente não mais evolui e estou um pouco parado na prática, mas não tô satisfeito com isso e precisando voltar, como voltar?
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Convidado

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Mensagem Sex 22 Nov 2013 - 13:08

Olá Shaka,


Assim como você também sou iniciante e enfrento os mesmos problemas, encontrei esse texto no Acesso Insight e acredito que ele possa te ajudar.
http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/abc_budismo.php


Posso meditar sozinho?
Não há nada que impeça alguém de começar a praticar meditação sozinho. É necessário ter um conhecimento razoável dos ensinamentos do Buda e com base nos textos disponíveis sobre meditação é possível ter uma idéia geral sobre como funciona a prática. Havendo oportunidade é recomendável que o meditador tenha o apoio de pessoas mais experientes e que participe de retiros de meditação para obter mais experiência e contar com o auxílio de um professor.
No entanto, há dois obstáculos que são enfrentados por todos os meditadores. Primeiro é a motivação e segundo, como lidar com as dificuldades que surgem.
A meditação como qualquer arte ou esporte requer continuidade na prática. Certo maestro de uma orquestra sinfônica dizia que se um músico da sua orquestra ficasse três dias sem praticar, a audiência perceberia; se ele ficasse dois dias sem praticar, os seus colegas na orquestra perceberiam; e se ele ficasse um dia sem praticar, ele, maestro, perceberia. Com a meditação é a mesma coisa. É necessário incorporá-la como parte da rotina diária, assim como escovar os dentes ou ir ao banheiro. Para fazer isso, no entanto, é necessário motivação. Num retiro de meditação, onde há um grupo de pessoas e uma rotina de atividades estabelecida, fica mais fácil manter a disciplina. Em casa, sozinho, é muito mais difícil. A pessoa tem de encontrar dentro de si mesma essa motivação. Desenvolver um senso de urgência, (samvega em Pali), é um dos principais fatores que ajuda a estimular a energia para a prática da meditação. Esse senso de urgência é despertado ao refletirmos sobre as inevitáveis vicissitudes da vida e o sofrimento gerado pelas enfermidades, envelhecimento e morte. O estudo, a leitura de textos Budistas pode servir como fonte de inspiração, e a participação num grupo que medite regularmente também pode ajudar. Ayya Khema dizia que as pessoas com tendência para aversão são aquelas que são motivadas com mais facilidade para a prática, porém são aquelas que provavelmente, pela própria aversão, irão encontrar mais dificuldades.
O segundo aspecto é como lidar com as dificuldades. Não que a meditação seja algo difícil. A meditação em si é muito fácil. As dificuldades são em geral criadas por nós mesmos devido aos hábitos mentais inábeis acumulados durante muito tempo. Isso é o que cria as dificuldades na meditação.
Qualquer prática de meditação terá mais chance de ser bem sucedida se for acompanhada por uma sensação de bem-estar mental. Isso não só cria um fator de estímulo para praticar a meditação, como é também a condição necessária para que a meditação transcorra com menos dificuldades. O objeto de meditação mais recomendado é a respiração, que inclusive foi o que o próprio Buda empregou. A respiração tem a vantagem de ser algo neutro, mas ao mesmo tempo capaz de condicionar a mente e o corpo. Dependendo da forma como a respiração é observada, ou seja, o tipo de atenção e intenção na mente ao observar a respiração, combinado com um ritmo de respiração que seja confortável e agradável, é possível com facilidade criar essa sensação de bem-estar no corpo e na mente. Esse será um bom ponto de partida, ao qual poderemos sempre recorrer.
Além disso é importante, como base para uma meditação bem sucedida, que o meditador observe certas regras de conduta, cujo conteúdo mínimo abarca os cinco preceitos e o ideal, a Ação Correta, a Linguagem Correta e Modo de Vida Correto do Nobre Caminho Óctuplo. A observação dessas regras de conduta visa evitar o remorso e a agitação mental e com isso, contribuir para o ambiente de bem-estar e tranqüilidade da mente.
Mas mesmo tomando todas essas precauções, é inevitável que as dificuldades surjam, e nesse aspecto, uma pessoa mais experiente pode ajudar bastante evitando que o meditador perca tempo em demasia com problemas de fácil solução. Por outro lado, o meditador tem de estar preparado para emoções fortes que podem se encontrar contidas dentro da mente e que devido à prática da meditação encontrem uma forma de vir à tona e assim impossibilitar que a mente se tranquilize. Nesse caso, o mais prudente é descontinuar a prática da meditação até que ele receba instrução adequada de como lidar com esse aspecto da prática, e para isso a ajuda de um meditador mais experiente ou de um professor será necessária, pois se essa emoção for demasiado intensa e perturbadora, a prática da meditação poderá alimentá-la.
No entanto, há algumas dificuldades que o meditador irá enfrentar e para as quais ele mesmo terá de encontrar a solução, pois as experiências das pessoas variam muito e nem sempre um meditador mais experiente, ou um professor, terá uma resposta satisfatória. Mesmo que o professor tenha tido uma experiência semelhante, as soluções para as dificuldades na meditação podem variar de pessoa para pessoa. Nesses casos o meditador terá que agir como seu próprio professor, ser aluno e professor ao mesmo tempo. Para conseguir isso é necessário ser muito observador e estar disposto a fazer experimentos, tentar diferentes alternativas para avaliar o resultado, é dessa forma que o meditador irá conhecer melhor a sua mente. O importante é não ficar frustrado com as dificuldades que forem encontradas, lembrando sempre que a paciência e a equanimidade são qualidades mentais importantes e que são justamente as dificuldades que fazem com que elas amadureçam.
Lembro de uma história do Ajaan Mun, um dos fundadores da tradição de florestas da Tailândia, que no início da sua carreira como monge, perambulando pelas florestas da Tailândia, ao meditar, com a mente concentrada, tinha a visão de um cadáver e não sabia bem o que fazer com aquilo. Ele recorreu ao seu companheiro monge para pedir ajuda mas este foi incapaz de ajudá-lo, pois as suas experiências meditativas eram completamente distintas. Ajaan Mun teve de encontrar a resposta sozinho através da própria perspicácia. Através da sua determinação e esforço Ajaan Mun acabou se convertendo num dos mais renomados mestres de meditação na Tailândia no século XX. Para aqueles que o conheceram Ajaan Mun era um iluminado. A tradição que ele estabeleceu se mantém viva até os dias de hoje, não só na Tailândia, mas em vários monastérios estabelecidos pelos seus discípulos em muitos países da América do Norte, Europa e Oceania.
Uma pessoa com a mente instável,
que não compreende o verdadeiro Dhamma,
que tem convicção hesitante:
a sabedoria não chega à sua plenitude.
                    Dhammapada 38


Agradecimento
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Robison

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Mensagem Sex 22 Nov 2013 - 20:58

Muito obrigado, Júnior!

O texto me ajudou a acumular mais motivação para seguir em frente com a prática.
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Administrador

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Define-se budista? : Sim
Mensagens : 473

Mensagem Dom 24 Nov 2013 - 8:40

Olá Shaka! Também já comecei e recomecei a prática algumas vezes... Para iniciantes, é normal passar minutos e até horas distraído até perceber que não se estava exercendo nenhuma Atenção Plena e bom recondicionamento; mas quando isso se torna dias e, especialmente, quando você está consciente disso, quer estar plenamente atento mas não encontra estímulo para isso, aí já não é normal! É um caso de Negligência e submissão às contaminações. Como Ajahn Chah dizia: "Se você faz uma coisa que sabe que é errada, mas continua fazendo - isso é contaminação.".
Vou tentar resumir a importância da prática diária, mas antes gostaria de destacar alguns pontos do texto que o Junior colocou que são muito importantes.
Primeiro que o criador do acessoaoinsight resumiu bem as duas coisas básicas a serem enfrentadas por aqueles que não se encontram com disposição para praticar: motivação e as dificuldades.
Motivação requer duas bases que podem parecer contrárias, mas que se complementam:
- contemplação do sofrimento
- fabricação de felicidade (isso é uma coisa que requer tempo para se aprender na prática do Dhamma, mas quando compreendido pode-se entender porque os monges dizem que o externo é tão pouco importante - você precisa 'criar' felicidade)
Contemplar o sofrimento ajuda a desenvolver o sentimento de Samvega citado, que é um Senso de Urgência por praticar quando você estabelece e lembra continuamente em sua mente que você vai morrer, que você não sabe quando vai morrer e que se você não fizer um esforço, continuará prisioneiro do sofrimento e dos seus hábitos. Nesses momentos pensar é muito útil - na verdade, se você souber pensar com habilidade no dia a dia, sua mente silenciará com facilidade na meditação. Então, pense: "A morte é inevitável e imprevisível.", se você tem muita admiração pelo Buddha, 'use-o': "O Buddha sempre exortou 'Um esforço precisa ser feito para ir além do sofrimento', portanto não é digno de mim me render aos meus hábitos e condicionamentos.", "Se eu não fizer um esforço aqui e agora, se eu não cultivar e manter um esforço aqui e agora, isso culminará em muito sofrimento para mim e aos outros seres instantaneamente ou por muito tempo.", esses pensamentos (que devem ser mentalizados com uma 'voz' rigorosa, porém com intenções de libertar sua mente) criam um sentimento que sustenta o segundo Fator do Nobre Caminho Óctuplo - Intenção/Aspiração/Pensamento Correto. É com a energia desse fator que você terá mais ferramentas para aplicar Esforço Correto e fazer todas as engrenagens do Caminho Óctuplo girarem, mas para isso começar a acontecer, é preciso estabelecer Entendimento e Intenção Corretos.
No Sañña Sutta o Buddha diz: "Quando um monge com frequência cultiva a percepção do sofrimento naquilo que é impermanente, uma aguçada percepção do perigo e temor é estabelecida nele em relação à letargia, indolência, preguiça, negligência, falta de determinação e desatenção, como em relação a um assassino com a espada levantada."
Então, tente FREQUENTEMENTE usar esses pensamentos para criar um combustível de Intenção Correta. Com esse combustível tente impulsionar o "carro do Esforço Correto". Não que "Ah! Quando eu tiver Intenção bem estabelecida a prática acontecerá sozinha.", não é isso, mas quando você tiver Intenção bem estabelecida, sua mente estará mais estimulada a fazer o Esforço Correto, mas ainda assim isso irá requerer muita vontade e persistência.
Fabricar felicidade é outro aspecto importantíssimo. Se cultivar Atenção Plena não for algo atraente, será uma atividade desgastante. Então, além de você ver a importância de estar plenamente atento, tente tornar isso divertido e prazeroso. É um pouco difícil falar disso. Mas tente encontrar o valor e os motivos do que você está fazendo e veja a importância das tarefas do dia a dia, tanto no sentido objetivo delas ("estou lavando a louça para que todos tenhamos pratos para comer") quanto no sentido da prática do Dhamma ("permanecendo plenamente atento nessas atividades, posso continuamente purificar minha mente e cortar qualquer pensamento discursivo que possa vir a surgir. Como o Buddha exortou, a purificação da mente deve ser feitas nas 4 posições: em pé, andando, deitado e sentado; assim, mesmo aqui lavando a louça permanecerei plenamente atento desenvolvendo qualidades benéficas e eliminando as prejudiciais"). Se você quebrar um copo, é uma oportunidade de lembrar a mente da Impermanência de tudo. Isso foi o que eu quis dizer na última Newsletter que enviei - tudo tem Natureza Buddha, potencial de nos despertar, de trazer energia e êxtase às nossas mentes que são Fundamentos da Iluminação. É interessante que a alegria proveniente desse "alimentar fundamentos do Insight", como perceber a Impermanência em coisas simples, pode trazer uma paz e alegria muito mais 'mágica' do que a felicidade que depende de posses ou de que lugar você está.
Se você não trouxer alegria a prática, Preguiça e Torpor, um dos 5 obstáculos, vai tomar conta da sua mente. Isso geralmente acontece quando vivemos misturados na Aversão e Cobiça porque encaramos as coisas como tarefas desgastantes. Estamos fazendo algo e queremos terminar aquilo logo. "Preciso correr com essa louça!", isso só desenvolve os cinco obstáculos (lembrando: Desejo Sensual, Má Vontade, Inquietação e Ansiedade, Preguiça e Torpor, Dúvida) na forma de Desejo Sensual (quero descansar! Quero deitar! Quero assistir TV! Quero comer!) misturado com Má Vontade (Não quero fazer isso! Estou cansado disso. Quando poderei descansar?)... E é interessante que essa mistura culmina em outros dois obstáculos: Ansiedade e Inquietação (porque surgem vários pensamentos discursivos reclamando), e você não combate esses pensamentos por quê? Preguiça e Torpor. Você quer terminar a atividade logo, não está interessado em perder tempo desenvolvendo alegria na mente, estar plenamente atento e condicionar a sua mente continuamente (isso é Preguiça) - você espera que fazendo isso só na meditação está bom, mas não está! É para praticar nos momentos bons e também trabalhosos.
Depois você pode ficar pensando: "Por que minha prática não está avançando? Por que não surge Atenção Plena enquanto lavo a louça? Preciso fazer mais esforço? Mas isso é impossível! Como fazer isso? Por que a alegria não surge sozinha?", pronto! Surgiu o último obstáculo - Dúvida em relação a como praticar e ao seu potencial. Uma coisa só desenvolve os 5 obstáculos um atrás do outro.
Isso só reforça os maus condicionamentos, e o Buddha deixou claro que é somente com bons condicionamentos que podemos enxergar o Incondicionado. Para isso, é preciso um Esforço duplo: estar plenamente atento e estar contente. Se a Atenção Plena não for uma atividade alegre, ela fica difícil. O contrário é óbvio: para criar alegria, é necessário Atenção Plena. Isso requer esforço e tempo, de fato. Mas contemple - até quando você viverá assim? Há muitas pessoas de exemplo por aí - isto é o Mundo: as tarefas nunca acabam. Se você colocar na cabeça que vai praticar quando estiver mais tranquilo, não vai funcionar - isso é Apego! Por isso Ajahn Chah dizia para conhecer ambos o bom e o mau e abrir mão, não ficar se envolvendo. Atenção Plena deve ser desenvolvida em ambas as situações. Contentamento em ambas as situações - ficar feliz porque se tem o que se quer é felicidade mundana. Seja contente por ter poucas necessidades. Seja contente por estar plenamente atento. Reconheça a importância disso - o Nobre Caminho Óctuplo é o caminho que pode nos salvar desse estilo de vida desatento, preguiçoso e oscilatório. É preciso esforço, e você deve tentar se estimular dessas duas maneiras: vendo o perigo e o sofrimento de se render aos seus condicionamentos e buscando meios de estar contente no agora, independente do que você tiver no agora.
Às vezes temos que fazer as coisas com pressa mesmo, estamos trabalhando no mundo, não é? Tudo bem fazer com pressa! Mas, sempre que possível, dê uma olhada na sua mente e, mesmo que esteja fazendo as coisas com pressa, isso não requer Aversão - "preciso terminar isso logo!". É um pouco mais complicado e um estilo de vida agitado até estimula os 5 obstáculos, por isso o Buddha criou a ordem monástica - para criar um estilo de vida que ajudasse na prática. Mas se não podemos ser monges, faça o que está ao seu alcance e isso não é impossível - continue tentando. Mesmo como leigos podemos fazer muitas coisas à respeito - muitos leigos mudam totalmente sua forma de vida (até suas profissões) para praticarem o Dhamma, depende de cada um. Mas sempre busque ampliar seus limites.
Também gosto de dizer que você pode olhar para a vida profissional na perspectiva do Dhamma. Por que você está correndo para cumprir os prazos no trabalho? Porque você precisa de dinheiro para se sustentar e praticar o Dhamma. Não faça uma separação - "agora é hora do trabalho, Atenção Plena Correta fica para depois". Concilie ambas as coisas! Sem trabalho, não há prática do Dhamma, então não separe! Praticar só quando está desocupado é Negligência, esteja atento mesmo nos momentos 'desagradáveis' ou cansativos. Pratique em casa e no trabalho, quando estiver descansando e fazendo tarefas domésticas ou profissionais, quando estiver em momentos bons e ruins! Esteja plenamente atento nas 4 posições.
Sempre que a Atenção surgir, faça o Esforço IMEDIATAMENTE. Negligência e Diligência se diferenciam bem aqui. Eu tinha a ideia de que se minha Atenção não fosse constante, eu estava fazendo algo errado. Então, a Atenção surgia e eu pensava: "Droga! Eu nunca estou atento!", mas isso era tolo. No momento em que a Atenção surgia, no momento em que eu tinha oportunidade para desenvolver Atenção, eu a espantava com raiva e Má Vontade. Na verdade, "não somos nós que fabricamos Atenção". Muita atenção a isso o que eu disse, porque é muito importante. É como plantar uma árvore. A única coisa que você faz é regar a semente e ela brota sozinha. Com Atenção Plena é a mesma coisa - a única coisa que você faz é programa-la, ensiná-la continuamente. Ajahn Brahm diz algo muito importante: "Atenção Plena significa que você cometerá um mesmo erro cada vez menos", ou seja, não é porque você percebeu um erro que não pode mais cometê-lo. Às vezes demora tempo, e você tem de ser paciente com isso. Nosso único papel é assim que tivermos Atenção, fazermos o Esforço Correto, e nesse momento os pensamentos são úteis: "Isso é grotesco, condicionado e impermanente.", então, programamos a Atenção Plena com hiri-otappa (vergonha e temor de cometer transgressões): "Isso não é feito pelos nobres. Isso não é digno de alguém como eu que deseja se juntar àqueles que praticam um caminho de Virtude. Se eu me apegar a isso, causarei muito sofrimento a mim e aos outros agora ou por muito tempo, porque isso é Impermanente e conduz ao enredamento e não ao desapego.", isso é frear a mente. Depois disso, você "solta o apego" e ele vai sumir sozinho, se você "manter" essa Atenção Plena consigo. Só que esse "manter" é complicado, porque Atenção Plena não é algo que você segura. Ela surge, você a programa e depois solta, mas ainda a mantém.
Vou tentar explicar: primeiro, cuidado com o que eu disse de "soltar o apego". Quer dizer que quando você faz essa prática, não tente eliminar o objeto de Apego, tente eliminar somente o Apego. Você está com raiva de alguém? Não tente tirar esse pensamento da cabeça, apenas tire a atenção a esse pensamento: "Isso é fútil. Essa Má Vontade não mudará a pessoa e ficar esperando que todos sejam como eu quero são expectativas que apenas orientam ao meu sofrimento.", feito isso, volte a estar plenamente atento a o que você está fazendo. Só remova o Apego, só remova a atenção ao pensamento, mas não tente remover o pensamento em si - sem Apego ele esvai sozinho. Se o pensamento ficar te puxando, contemple com seus pensamentos só uma vez e depois vá estabelecendo a Atenção Plena. Fica meio assim: Apego a raiva durante um tempo - Percepção da distração - Contemplação (a bronca na Atenção Plena rs) - raiva - Atenção - raiva - Atenção - raiva - Atenção - Atenção - Atenção... Ou seja, depois que você usa o pensamento hábil para se desapegar, pode demorar um pouco para o objeto de apego sumir - deixe-o lá, vá voltando a estar atento (que nem voltar à respiração! Isso é o "manter") e não tente pensar um milhão de vezes "Isso é impermanente, isso é impermanente, isso é impermanente"; pense só uma vez e solte. Tendo educado a Atenção Plena, agora você pode observá-la soltando e sendo puxada, soltando e sendo puxada até que o Apego vai se cansar e cessar. Use o pensamento só se você ficou distraído por muito tempo. Depois disso, fique voltando a atenção a o que você está fazendo até que o pensamento suma sozinho.
E não receba a Atenção Plena com aversão como eu fazia. Fique contente porque ela surgiu. Mesmo que ela demore a surgir, valorize-a, receba-a bem e use-a IMEDIATAMENTE para eliminar as contaminações.
[Buda]: "Quando, monges, um monge tem essa conduta e essa permanência, se alguma vez, devido a um lapso na atenção plena, memórias e intenções ruins e prejudiciais conectadas com os grilhões surgirem nele, a atenção plena dele pode ser lenta no seu surgimento, mas ele rapidamente abandona, remove, elimina e aniquila aquilo. Como se um homem deixasse cair duas ou três gotas d'água sobre uma chapa de ferro aquecida durante todo um dia, a queda das gotas poderia ser lenta, mas elas se vaporizariam rapidamente e desapareceriam ao tocar a chapa de ferro. - (retirado de Dukkhadhamma Sutta - acessoaoinsight)
Portanto, a Atenção Plena pode demorar a surgir às vezes. Se isso acontecer, não fique pensando "Como fiquei desatento! Puxa! Desisto dessa prática". Em vez disso, elimine imediatamente a contaminação que te prendeu, não vá criar novas contaminações como Má Vontade consigo mesmo. Assim, depois dessa recepção permeada por contentamento, você exerce o Esforço Correto: refreia a mente, insiste nas desvantagens do que você está fazendo de ruim (Você deve ter lido no acessoaoinsight que o Buda não via valor na renúncia até insistir nas desvantagens do apego - isso é tornar a prática atraente e de valor), veja que isso te causa sofrimento e que não é feito por monges e mestres que você admira, que te servem de inspiração para alcançar a Paz Interior.
Experimente. Depois, a Atenção some de novo e depois volta, então a programe de novo e solte. Você se sentirá atento durante um tempo, e, de repente, perceberá que se distraiu por um instante. Com o tempo Sati fica mais forte. Às vezes, depois de frear a mente você poderá perceber que, mesmo com o objeto de apego ainda ali latejando tentando te chamar a atenção, você não está se apegando - contemple como isso é bom, como o Dhamma é um grande "amigo", basta você fazer o Esforço.
Ao agir, sempre atente a Intenção. Dirija toda sua intenção a unicamente isso: fazer o benefício a si mesmo e aos outros. Abandone ideias de certo-errado, agradar- não agradar; apenas veja: "isso traz sofrimento ou felicidade a mim e aos outros"? Agradar, por exemplo, é algo extraordinário. Eu sempre fui tímido, logo, sempre me importei muito com o que diziam de mim. Depois que comecei a praticar, demorei tanto para entender Linguagem Correta (ainda tenho um pouco de dificuldade). Eu pensava que devia agradar, mas aí eu vi que eu devia largar isso e apenas buscar o benéfico. Eu comecei a observar as pessoas e, puxa, somos tão diferentes! Cada um fala de um jeito, e minha mente - que eu condicionei a buscar defeitos - interpretava o jeito das pessoas de uma forma negativa, mas todas eram muito diferentes! Então eu percebi: "Às vezes esses julgamentos nem estão corretos. Da mesma maneira, não importa a minha aparência aos outros, tantos julgamentos errôneos podem surgir! Devo parar de tentar aparentar simpático, e garantir que eu esteja falando com boas intenções. Apenas isso é o suficiente."
Outra coisa, seus condicionamentos vão te atormentar um tempão. Tem gente que pensa que é só fazer o Esforço-Atenção que eu falei e algum apego não volta mais, não é assim. Mas com o tempo você vai perceber que não será tão escravo. Só não caia na armadilha de: "Ah, essa contaminação de novo, o que eu fiz errado?", isso é Dukkha desnecessário.
Se você der esse alerta e o apego ainda estiver muito forte, investigue. Buda deu vários métodos úteis também. Para a raiva, tente praticar metta. Se for uma raiva muito forte, apenas aguente, deixe ela lá te queimando, aguente, mas não alimente. Se quer algo sensual, como comer além do necessário, e ver o sofrimento disso não for o suficiente, veja o lado aversivo disso - olhe para o alimento e veja bem, no que ele se transforma? Em fezes! O que acontece com o prazer de comer? Desaparece.
O Buda deu muitos métodos úteis para afrouxar o Apego e conseguir se desapegar dele. Se apenas a contemplação hiri-otappa não funcionar, investigue e experimente-as. Você mesmo vai começar a criar meios hábeis de acordo com seus próprios obstáculos. Nós pensamos que a prática é difícil, mas ela é muito simples, se resume basicamente ao Nobre Caminho Óctuplo. Então, junte a isso os conceitos de hiri-otappa e os métodos passados por Buda, como os "remédios dos cinco obstáculos", Contemplação da Morte, Contemplação do Repulsivo, Meditação de Amor Bondade, Desenvolvimento da Generosidade, Gratidão as 3 Joias do Dhamma entre outros.
O mais importante é não desistir da prática, investigue e tente encontrar o meio. Intenção de fazer benefício, apenas isso. Paciência com Atenção Plena. Pratique em todos os momentos, bons e ruins - só praticar nos bons é Apego, e o que diz a Segunda Nobre Verdade? Estimule sempre na sua mente o reconhecimento do valor do Dhamma, sempre que possível, demonstre sua gratidão em pensamento ao Buda, perceba como o Caminho Óctuplo te conduz à Paz, e isso o estimulará a se colocar na linha.
Para os condicionamentos difíceis, siga o conselho de Ajahn Chah: se não pode desapegar, aguente! Se o condicionamento é muito forte e os "remédios" não funcionam, aguente. Deixe ali queimando, só não alimente. Quando passar, só então tente investigar qual o problema. Afinal, só de aguentar sem alimentar, você já começou a "deixar o condicionamento com fome" - "Como assim? Ele sempre me alimenta! Por que não se apegou a mim dessa vez?". Com isso, só o aguentar pacientemente já afrouxa os condicionamentos mais fortes e aí fica mais fácil descobrir como se desapegar dessas coisas ruins.
Mas também não tente expulsar as contaminações, apenas afrouxe-as até elas cessarem (cuidado para não agir com aversão). Contemple com hiri-otappa, e solte. Se com o passar do tempo, a contaminação em vez de afrouxar, arder ainda mais, tente aplicar um remédio. Solte. Não funcionou? Contemple a morte (basicamente funciona sempre). Se não adiantar, solte e deixe ali. Observe de vez em quando, aguente.
Outra coisa - Ajahn Chah dizia: qualquer coisa que você fizer, coloque 100% de esforço nisso. Isso significa estar plenamente atento e fazer as coisas com Contentamento. Reconheça o valor das coisas que você faz como eu disse no caso da louça - isso torna não só a prática mas a vida algo mais agradável. A primeira vez que eu percebi como fazer isso foi lavando o quintal [?] rs. Eu estava meio irritado, e comecei a pensar: "Como praticar o Dhamma aqui? Como me sentir Contente em vez de irritado, teimoso e apegado ao conforto de não trabalhar?", então eu pensei "Por que estou fazendo isso? Se eu não limpar, quem vai limpar? É preciso manter o quintal limpo, para que as pessoas possam usá-lo, andar nele e manter um ambiente agradável. O que eu estou fazendo é importante, porque estou reclamando?". Então, veja o valor das coisas que você faz, veja a importância, quanta alegria e até Insight você pode tirar disso. Isso é Contentamento: ter poucas necessidades.
Reconheça o valor do que você faz. Reconheça o valor da vida. Reconheça o valor do presente momento. Reconheça o valor da Atenção Plena (não a espante como eu rs). Reconheça o valor do Dhamma. Mas, ao mesmo tempo, reconheça as desvantagens das coisas Condicionadas e Impermanentes. Faça isso para não se apegar a eles.


Você precisa estabelecer o Entendimento Correto, e na verdade isso envolve um pouco do Esforço Correto (por isso que a abordagem linear do Nobre Caminho Óctuplo é útil mas ainda é falha, porque a prática é cíclica) para você observar - o que o Buda quis dizer com "perigo dos prazeres sensuais"? Então, nós observamos porque o Buda alertou que o apego às coisas provenientes dos 5 sentidos não fazem sentido - eu gosto de dizer que são como círculos. Qual o sentido de um círculo? Não tem! Você nunca sai do lugar. Busca um prazer, desfruta e ele acaba. Busca outro prazer, desfruta e ele acaba. Você não sai do lugar. Percorre um círculo inteiro e onde você chega? Ao ponto de partida. Você quer terminar logo de lavar a louça - terminou, deitou e relaxou. Mas amanhã tem de novo! Vai ficar reclamando, relaxando, reclamando, relaxando até a morte? Que sentido sua vida terá? Aprenda a estar contente enquanto trabalha e enquanto relaxa!
Alguns círculos são maiores (isso é, alguns prazeres duram mais) mas são todos impermanentes, e mesmo assim nós continuamos alimentando essa tristeza quando eles acabam, e essa cobiça quando eles surgem. Então, precisamos observar isso, realmente olhar e realmente refletir - Reflexão da Renúncia. Observar isso continuamente faz surgir uma vontade de buscar algo melhor que isso - Intenção Correta. Mas aí temos que usar a energia dessa Intenção na forma de Esforço prático, e estimulando ambos: continuando a insistir que se apegar a prazeres sensuais é inútil e continuando a insistir em fazer o Esforço, vendo o valor disso, tentando se manter na prática não bem com força, mas com sabedoria - sabendo se estimular com o conhecimento do sofrimento dos prazeres sensuais, e não com força, caso contrário você não vai aguentar praticar por muito tempo. Ajahn Brahm diz - não apenas força de vontade, mas força com sabedoria. Faça um Esforço embasado em entendimento - se você ir contra um condicionamento sem entender o porquê, sua mente vai ficar mais teimosa: por que você quer que eu faça isso? Mas se você mostrar à Atenção Plena os motivos benéficos de "abandonar as chupetas", ela ajudará de uma certa forma porque saberá o motivo, apesar de ainda ser teimosa no começo.
E essa reflexão do sofrimento dos prazeres sensuais envolve muuita coisa, tudo o que vem dos 5 sentidos. No ouvido, ouvimos elogios, críticas, coisas que não gostamos, coisas que gostamos - veja como o apego traz o sofrimento nesses caso! Na língua, estamos sempre preocupados com o que há para comer, mas qual o motivo essencial pelo qual nos alimentamos? Com os olhos, ficamos nos distraindo com prazeres pequeninhos, que só nos prendem a mais círculos desnecessários (depois você aprende a não só estar contente com um belo pôr do Sol, mas também a tirar Insights de coisas com aparências desagradáveis). Com o corpo, estamos sempre preocupados além do suficiente com ele. E com o olfato, não suportamos odores ruins, mas não contemplamos que sem o ruim, não há o bom. Não contemplamos nem mesmo que nós, essencialmente, temos odores ruins - o nosso corpo produz isso, nós que disfarçamos rs. Devemos seguir o conselho de Buddha a Bahiya: no ouvido haverá apenas o ouvido, no visto apenas o visto - não vamos ficar distorcendo as coisas sentidas pelos 6 sentidos (estou incluindo a mente porque também devemos ver no conscientizado apenas o conscientizado) com Cobiça e Aversão, vamos vê-las de acordo com as 3 Características para estabelecer a Paz do Desapego.
É estranho falar disso, porque as pessoas não querem refletir sobre. Isso não é para criar aversão, porque aversão nada mais é do que cobiça rs. Se você está aversivo, você não quer algo - se não quer algo, você quer o oposto daquilo. Cobiça e Aversão são meio que a mesma coisa, só que funcionam de maneiras diferentes de tal forma que podemos separar na linguagem, mas são a mesma coisa: Apego, Apego, e Apego.
Então, com essa reflexão nós começamos a viver com Atenção Plena, descrita como "estar atento ao corpo, sensação, pensamentos e consciência abandonando a cobiça e aversão pelo mundo", ou seja, parando de basear nossa felicidade na realização dos nossos desejos. Nós começamos a separar a consciência das formações mentais, das sensações, percepções e forma (os 5 agregados), porque nosso estilo de vida desatenta mistura tudo e fala que é um Eu. Mas com Atenção Plena a gente começa a separar isso e observar - o corpo é uma coisa que muda constantemente. Doença faz parte da vida, ficar triste com ela simplesmente não faz sentido - virá de qualquer jeito, não é? As sensações também são intercambiáveis, se há sensação agradável, há desagradável. Nós tentamos observar que ambas são impermanentes, independente se gostamos delas ou não. Nós observamos a Percepção também, essa faculdade que fica julgando as coisas e rotulando-as de acordo com experiências passadas depositadas na memória. E os pensamentos - alguns, ou melhor, um monte, são grande perda de tempo. Muitos são até assustadores. Às vezes você ouve um barulho, daquele barulho imagina que foi fulano que fez, e que esse fulano é muito atrapalhado, aí lembra do dia anterior que ele te irritou, e blá, blá, blá... Um barulhinho cria uma corrente de pensamentos, mas quando a Atenção Plena percebe isso você pode cortar isso e voltar a estar consciente.
Esse é o Esforço. Esforço para abandonar as coisas que orientam ao enredamento, apego e Ignorância para trocá-los por aquilo que orienta à renúncia, desapego e uma mente leve que poderá enxergar a realidade com profundidade e nos levar a Liberdade.
Apesar de parecer um jeito de vida desanimador, não é. Enquanto eu estava escrevendo esse texto para você, minha mãe veio e me disse "Vai chover.". Eu disse que aquela era uma boa notícia, porque estava calor! (mas não disse isso com apego, se não chover, fazer o quê? rs Além disso, eu já disse que era uma boa notícia, isso é Linguagem Correta, uma conversa que traz harmonia, sentimentos positivos). Ela me disse: "Pois é! Aí podemos lavar a piscina que você lavou hoje de novo!", eu comecei a rir, porque é assim! O mundo é assim, foi disso que o Buda estava falando. Eu eliminei a aversão, a desarmei com Contentamento (felicidade de ter poucas necessidades), e ainda reconheci as desvantagens do mundo condicionado - buscar coisas nesse mundo e alimentar expectativas é fútil, então não reclame! Parece uma coisa tão boba, mas é até incrível, eu estou até sentindo um pequeno prazer na minha cabeça agora. Se você se dedica a prática budista, isso muda sua forma de viver. De uma pequena conversa, basta você cultivar a Intenção de trazer benefícios, uma linguagem verdadeira que oriente ao desapego, e você pode rir - tem gente que pensa que budista é mal humorado, não é? rs
Aquilo que eu disse de programar a Atenção Plena me ajudou muito, basicamente aprendi com Ajahn Brahmavamso, você pode ler sobre aqui: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/qualidade_sati.php
Ele fala sobre a Atenção Plena na meditação, mas você pode programar no dia a dia da mesma maneira. No começo usamos pensamento, fundamentado em hiri-otappa (vergonha e temor de cometer transgressões) e na percepção das desvantagens da existência condicionada. Com o tempo nós conseguimos "mover e reestabelecer a Atenção Plena" sem pensamentos, e com o tempo isso vai ficando automático por si mesmo.
Então, se você tem pouca Atenção Plena, é porque ainda não praticou e treinou muito. Pratique, e não desanime por ter pouca Atenção como eu - reconheça os pequenos lampejos de Atenção Plena. Eu digo que educar (programar) a Atenção Plena é como educar uma criança. Saiba apontar os erros sem agressão, sem Má Vontade. Converse (ou seja, pense com contemplação) com a criança (Atenção Plena) com franqueza, disciplina, rigidez mas ao mesmo tempo sem ser agressivo e impaciente. E não só isso, reconheça os pontos positivos também! Comemore com a criança quando ela fizer coisas certas (isto é, quando Atenção surgir e se separar dos Apegos) e ela entenderá melhor o que fazer e o que não fazer. Como dizia Ajahn Chah, precisamos ensinar a nós mesmos primeiro antes de ensinar aos outros. É como ensinar, como educar uma criança! rs
Mas espero que isso apenas aponte como praticar, porque é a prática que é importante, não quantos parágrafos se lê rs. Isso ajuda, porque reforça o Entendimento Correto, que constrói a Intenção Correta. Então, tente usar esse texto enorme para entender bem o ensinamento do Buddha e para sentir uma vontade e Intenção realmente forte de experimentar a felicidade da renúncia. Quando isso acontecer, use essa forte vontade para o Esforço, para realizar Linguagem, Ação  e Meio de Vida Corretos e estar plenamente atento - não deixe essa vontade de praticar que esse texto pode trazer esgotar sem esforço algum. E não leia com pressa de acabar, se não isso vira Cobiça com Aversão! Leia com calma. Eu sempre li Palestras do Dhamma com muita pressa. Quando comecei a desacelerar e ler com plena atenção e calma, comecei a experimentar Samadhi - o mesmo prazer que você sente na meditação. Leia com uma mente calma e receptiva e deixe o Dhamma fluir para dentro de você.
Lembre-se de tentar manter a meditação também todos os dias, sem ela o treinamento da Atenção no dia a dia não ajuda muito e fica desgastante. A meditação ajuda a repor as energias para nos esforçarmos a estar plenamente atentos. Mas tanto na Meditação quanto na Prática Diária é necessário fazer Esforço com entendimento - por que esse Esforço? Porque viver apegado as coisas impermanentes, triste nas tarefas e alegre no descanso constrói uma vida sem sentido. Como fazer esse esforço? Com alegria.
"Fabrique" muito combustível de Entendimento e Intenção Corretos. Com esse Combustível, faça um esforço para empurrar o "carro do Esforço Correto". Use esse esforço nos dois sentidos - contemple o sofrimento e crie alegria. O sofrimento alertará a mente - esteja plenamente atenta! A alegria ajudará a mantê-la - isso traz algo de maior valor do que a felicidade mundana. Atenção Plena é um amigo que se deve manter por perto. Tendo dado início a prática, busque sempre seguir a diante.


Última edição por Administrador em Seg 25 Nov 2013 - 21:08, editado 6 vez(es)
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Mensagem Seg 25 Nov 2013 - 19:23

Muito obrigado Junior e Administrador,
Realmente estou sendo negligente, pois acredito que a prática budista pode me ajudar a mudar muitos dos condicionamentos ruins da minha mente e me guiar à felicidade através da visão correta das coisas, mas tenho me afastado daquilo que eu acho que é bom.
A partir desse momento vou fazer o seguinte: Rever as Quatro Nobre Verdades, observar e entender todos os fatores do Nobre Caminho Octuplo: entendimento correto, pensamento correto, esforço correto, etc,. Separar um periodo do dia para meditar (todos os dias se for possível). E os Cinco Preceitos.
Isso já vai da uma melhorada e vai me ajudar a reorganizar tudo de novo já que eu estou perdendo o ritmo.
Cultivar a percepção do sofrimento naquilo que é impermanente é uma muito importante mesmo. E uma coisa que o Admin citou várias vezes: estar contente no agora!
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Mensagem Seg 25 Nov 2013 - 20:28

O seu último parágrafo basicamente resume tudo. Veja o sofrimento de aceitar apenas metade da vida - só quero o descanso, não o trabalho; só a luz, não o escuro; só o grande, não o pequeno. Mas tudo é impermanente, ambos esses opostos estão intercambiando, o que torna o Apego a um deles algo insatisfatório - isso são as Duas Primeiras Nobres Verdades.
Quando isso é continuamente estabelecido na mente, o Desapego se torna o nosso refúgio e a nossa segurança. Os momentos bons nos ensinam. Os momentos ruins nos ensinam. Tudo está mudando. Essa felicidade além do lugar em que você está ou do que você tem ou deixa de ter é a felicidade das poucas necessidades, o Contentamento; abandono do Apego - 3ª Nobre Verdade.
Por isso aquela frase do Ajahn Chah que eu lembro que você tinha destacado. Ele dizia para percebermos que ora há alegria, ora há tristeza, e depois dizia: "Tudo isso é Dharma! Contemple para remediar a causa do sofrimento.". Qual a causa? Apego a um dos lados. Apego a o que é impermanente. Crença de que podemos controlar algo. Crença em um Eu. A forma de acabar com esse Apego está na 4ª Nobre Verdade.
Então, ver o sofrimento do Apego e a alegria do Desapego te encorajará a abrir mão e praticar. Grato 
Aliás, é por isso que a prática é simples e difícil ao mesmo tempo. Simples porque basicamente se resume em 4 Nobres Verdades - o Budismo pode ser resumido em basicamente isso. Só que eu escrevi esse texto enorme para mostrar na prática isso, mas é basicamente isso! E dentro da 4ª Verdade, Nobre Caminho Óctuplo, Buddha colocou várias estratégias e algumas eu citei, como: desapego dos 6 sentidos, dos 5 agregados, Contemplação da Morte, Contemplação do Aversivo, Contemplação da Impermanência, Condicionamento da Atenção Plena por hiri-otappa, Meditação de Amor Bondade; entre tantos outros como os 4 Fundamentos da Atenção Plena, as 5 Faculdades Espirituais e os 7 Fundamentos da Iluminação. Mas tudo volta aqui: 4 Nobres Verdades.
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Mensagem Seg 25 Nov 2013 - 22:48

É isso mesmo Admin., acho que a simples observação das Quatro Nobre Verdades podem nos ajudar a resolver tudo. Na primeira resposta que você deu percebi que tudo que você falou direciona para elas, principalmente a quarta.

Junior escreveu:
Além disso é importante, como base para uma meditação bem sucedida, que o meditador observe certas regras de conduta, cujo conteúdo mínimo abarca os cinco preceitos e o ideal, a Ação Correta, a Linguagem Correta e Modo de Vida Correto do Nobre Caminho Óctuplo. A observação dessas regras de conduta visa evitar o remorso e a agitação mental e com isso, contribuir para o ambiente de bem-estar e tranqüilidade da mente.
Essa parte que o Junior citou é muito boa.
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