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 10 Conselhos de Dipa Ma

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Mensagem Seg 23 Dez 2013 - 0:05

Olá amigos,
Vi este texto no blog Folhas no Caminho e gostei bastante, são os 10 conselhos de Dipa Ma, uma grande budista que viveu no século passado. Acho que será útil pra quem não viu ainda.

10 Conselhos de Dipa Ma

Dipa Ma (1911-1989) foi uma mulher notável da região de Bengala. Segundo o Wikipedia: "Desde criança mostrou grande interesse pelo Buddhismo e preferia estudar do que brincar. Diferente de outras garotas da região, ela insistia em ir para a escola, mas com doze ano se casou e foi viver com seu marido em Yangon. Após a morte de seu marido, em 1957, ela passou a praticar vipassana, realizando um notável progresso. Em 1963 ela começou a estudar os siddhis, poderes espirituais. Em 1967, ela se mudou para Calcutá onde enisnou meditação para muitos alunos. Joseph Goldstein, Jack Kornfield e Sharon Salzberg (“Dipa Ma foi a pessoa mais amorosa que já conheci" - Sharon Salzberg), que mais tarde se tornaram proeminentes professores nos EUA, foram apresentados a Dipa Ma em 1970. No começo dos anos 80 ela ensinou no Insight Meditation Society in Barre, Massachusetts".

Tendo sido aluna de Mahasi Sayadaw, na Birmânia, Dipa Ma foi reconhecida amplamente por sua realização espiritual e poderes supranormais. Ainda assim tinha uma humildade impressionante. Era impossível não se sentir tocado por sua presença, onde metta simplesmente transbordava. Tive a grande fortuna de conhecê-la quando passei algumas semanas em Calcutá, em minha primeira viagem à Índia. Eu não sabia que ela morava em Calcutá, e quando Anagarika Munindra-ji me contou e, ainda mais, disse que eu poderia visitá-la, fiquei sem palavras. Passei uma tarde em sua casa, junto com sua filha, tomando chá e conversando sobre o Dhamma. Ganhei uma maçã de suas mãos, um dos melhores presentes que já recebi.

Aqui traduzo 10 conselhos de Dipa Ma. Impossível se perder se você segui-los:



  1. Escolha uma prática de meditação e se mantenha com ela. Se você quer progresso na meditação fique com uma técnica.
  2. Medite todos os dias. Pratique agora. Não pense que poderá fazer mais depois.
  3. Qualquer situação é trabalhável. Cada um de nós tem enorme poder. Isso pode ser utilizado para ajudar a nós mesmos e os outros.
  4. Pratique a paciência. Paciência é uma das mais importantes virtudes para o desenvolvimento da vigilância e da concentração.
  5. Liberte sua mente. Sua mente é todas as estórias.
  6. Refresque o fogo das emoções. A raiva é um fogo.
  7. Divirta-se no caminho. Sou muito feliz. Se você vier meditar você também será feliz.
  8. Simplifique. Viva de forma simples. Uma vida muito simples é boa para tudo. Muito luxo é um obstáculo para a prática.
  9. Cultive o espírito da bênção. Se você abençoar aqueles à sua volta isso o inspirará a ser zeloso a cada instante.
  10. Esta é uma jornada circular. A meditação integra a pessoa inteiramente.


Gratidão profunda, Dipa Ma!


http://folhasnocaminho.blogspot.com.br/2013/03/10-conselhos-de-dipa-ma.html
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Mensagem Seg 23 Dez 2013 - 10:33

Obrigado, Shaka! Praticantes como Dipa Ma podem ser grandes fontes de Pasaada, estimulando fortes sentimentos de inspiração, fé e determinação!  Reverência 
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AuroraVon

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Mensagem Seg 10 Fev 2014 - 14:46

Pessoal, como ter controle dos sentimentos? As vezes sinto tristeza ou raiva da minha vida, na verdade, de erros que cometo. As sinto uma confusão na cabeça, não sei explicar direito....Tenho momentos ruins, de me sentir só. Antes eu pensava que felicidade era ter um amor verdadeiro, amigos por perto e um bom cargo, mas o tempo e algumas reflexões budistas me fizeram mudar de ideia. Já que as pessoas e coisas agradáveis, como uma boa casa, um meio de sobrevivência melhor e conforto não são felicidades, então, o que é felicidade? Encarar as situações da vida sem ser levado pelas emoções? E desapegar de tudo? Mas como, por onde começar?

Um budista do Yahoo, que me indicou este fórum, me falou algumas coisas sobre isso, mas gostaria de ler mais sobre o assunto...
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Mensagem Qui 13 Fev 2014 - 0:23

Em breve posto uma opinião rs (um pouco ocupado Calado)
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Matheus

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Mensagem Qui 13 Fev 2014 - 21:57

Muito bacana os 10 conselhos! Em breve postarei uma dúvida também, quanto as emoções :o
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AuroraVon

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Mensagem Dom 16 Fev 2014 - 2:15

Eu espero Admin :)
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Mensagem Dom 16 Fev 2014 - 23:10

Aguardando sua pergunta, Matheus!  Feliz 
Aurora, de fato o Buddha alertou para o perigo de desejos como um bom cargo ou um amor conjugal. Ele chamou isso de Prazeres Sensuais, porque são prazeres provenientes dos cinco sentidos - visão, audição, olfato, paladar, tato (o corpo). Ele admitiu que há uma felicidade nesses prazeres, uma "gratificação", mas também há um grande perigo, porque a longo prazo, os prazeres sensuais não satisfazem, porque eles são sinais muito vívidos (alguns demoram mais tempo) da Lei da Impermanência e Instabilidade.
O problema é que em vez de olhar para isso corretamente, nós olhamos da forma errada - se os prazeres sensuais duram pouco, então vou buscar intensifica-los para que durem mais - e disso vem depressão, insatisfação, exigências e remorso. As pessoas buscam comidas cada vez mais gordurosas, refeições mais pesadas, mais horas em frente da televisão, mais maneiras de agradar aos outros, agradar alguém que se ama, buscar o "amor da vida", buscar o trabalho ideal, conseguir dinheiro, entre outras coisas. Isso é muito triste, e dizer isso não é pessimista.
As pessoas pensam que Budismo é pessimista, mas elas não analisam a situação. Pode comer comidas boas, mas não coma pelo prazer de comer - isso condiciona a mente, e a torna gradualmente mais exigente. Coma quando precisar de comer, e sinta-se contente por essa contenção, por essa consciência, por este cuidado: "Só vou comer para sustentar esse corpo, e com este corpo praticar pelo benefício de muitos.". O prazer de comer é efêmero, deixe-o de lado. Se você sintetizar alegria em ser Virtuosa e Atenta, e não porque a comida está boa, fica fácil gostar de muitas comidas, porque sua felicidade não depende tanto daquilo ali fora, mas do que você tem dentro.
Você pode buscar um bom emprego, estudar bastante, mas não se apegue a isso. Coisas dão erradas no trabalho, alguns chefes são desagradáveis, nem todos os colegas são amigáveis, às vezes um salário não faz jus ao seu serviço, muitas coisas acontecem... Mas seja cuidadosa. Eu vejo vários exemplos aqui, como: não se apegue a cargos, se vangloriando ou se inferiorizando - não se compare; não trabalhe apenas por obrigação ou dinheiro, tente enxergar a importância do seu trabalho - veja, somos seres humanos inteligentes, que construíram um incrível sistema de convivência social com várias convenções que facilitam nossa convivência, entre elas um sistema de trabalho. Como o seu beneficia muitas pessoas? Então faça-o com carinho e você terá de volta algo para se sustentar - essa é a convenção criada pelos seres humanos útil a muitos. Agradeça nesse sentido, e no que puder melhorar, melhore. No que não puder, seja paciente, mas sempre veja os motivos para agradecer.
Não busque trabalhos com colegas perfeitos. Isso é totalmente incerto. As pessoas são assim! Medite e olhe sua mente, e você vai ver porque as pessoas se deixam levar pela raiva, pela cobiça - você verá isso em si mesma. Quando você vir, você terá motivos para não se incomodar tanto quando alguém te magoar, porque você saberá como é a mente humana. Dessa maneira, você poderá refletir: "Aqueles que não treinam a mente são levados pelos seus humores. Se eu puder ajudar essa pessoa, ajudarei. Se não posso, ela deve cuidar de seu próprio problema. Ela está atrapalhando meu trabalho ou apenas tentando me magoar? Se só tentando me magoar, deixe isso ir. Se está atrapalhando no trabalho, usarei das convenções sociais para resolver isso..." fale com o seu chefe, com a pessoa ou sei lá.
Espere um mundo imperfeito, e assim ele não vai te decepcionar, pois assim ele é. Esse mundo é para ser usado para se chegar à felicidade além dele. Use-o com sabedoria. Não se apegue a ele, não busque prazer nele, mas não caia no outro extremo - não seja aversiva, com vontade de se isolar. Use as convenções nesse mundo como puder. Viva na sociedade em paz. Não exija um mundo perfeito, mas também não seja indiferente - melhore-o onde puder. Encontre o Caminho do Meio.
De qualquer forma, coloque tudo o que vem pelo olho, ouvido, nariz, língua e corpo sob o aspecto da Impermanência e da Morte, e você verá porque os Prazeres Sensuais não devem ser apegados. O prazer de ser virtuoso e meditativo é muito mais seguro.
Ter bons amigos é bom, mas as vezes eles são levados pelos maus humores da mente, não é? Se pudermos ajudar, ajudamos. Se não, esperamos outro momento. Seja sensata. Se alguém te ofender, não precisa ficar com raiva. O engraçado é que você não fica com raiva e as pessoas te acham louco rs.
Ofensa é algo totalmente relativo. Se você me disser algo e eu me ofender, isso é problema meu. Nunca será culpa sua. Ofensa é um movimento da mente que se deixa condicionar por um som externo. Você me elogia, a mente se movimenta. Você me critica, a mente se movimenta. Isso é tudo problema meu - eu que tenho que treinar a mente. Mas nós achamos que esse movimento é normal. Elogio? É normal ficar orgulhoso. Crítica? É normal ficar nervoso. Mas não é normal, é porque as pessoas não se atrevem a explorar a mente. Dá para mudar tudo isso.
Se uma crítica te traz algum aprendizado, use. Se não, jogue fora. Nenhuma mágoa, nenhum ressentimento. É por isso que um praticante budista acaba descobrindo que pode amar todos os seres - ter raiva para quê? Quando a raiva vier, deixe ela ir.
Os amigos mudam, porque também estão submetidos pela Lei da Impermanência. Mas ainda assim nos magoamos porque eles não são como eram quando nos conhecemos - como isso? É assim rs.
Se um amigo te trair e sua mente for treinada, você não guardará mágoa. Ela pode surgir, mas assim que a Atenção Plena percebe, ela larga. Não resta ressentimento. Se alguém te engana, você não fica magoada, a pessoa continua uma amiga. Continua uma pessoa que está enfrentando o envelhecimento como você. Continua uma pessoa com uma mente, como você. E continua uma pessoa que teve história com você, teve agora um "escorregão" mas que você reconhece que vem tudo de uma mente mal treinada. É só. Isso pode parecer frio, mas não é, na verdade é muito bonito, porque fica um sentimento de compreensão, compaixão e liberdade, porque não importa tanto se o clima está ruim, se o trabalho é desagradável ou se o colega profissional é traiçoeiro, você sabe que as coisas são assim quando há mentes não-treinadas. Só por saber disso você pode largar e não se incomodar muito.
Mas quando digo largar, digo largar na mente. No corpo, no mundo, você pode fazer o que puder para mudar a situação, mas você não carrega sentimentos como inconformismo ou indignidade que trazem sofrimento.
Pode ter uma boa casa também, mas a felicidade proveniente disso é bem instável, lembre-se. Eu adoro me lembrar que minha casa não é minha rs. As pessoas acham estranho isso, mas eu gosto rs. Se você for olhar, ainda somos "macacos nus" rs. Digo macacos por causa da questão de polegar e parentesco, e coisas da Biologia, mas enfim, somos macacos nus. Nossas roupas são coisas bem instáveis, não estamos certos sde até quando teremos trabalho e dinheiro para comprar nossas roupas, ou até quando nossa casa estará de pé. Se ficarmos desempregados e no dia seguinte nossa casa ruir, o que acontece? Vai ter dinheiro para roupas e comida? Quem sabe? Os amigos vão ajudar?  Tem amigos ou são só aparências? No fundo, no fundo, cada um de nós continua sendo um macaco nu que veio a esse mundo sozinho e vai embora sozinho com o próprio Karma. Roupas, casa, comida, estamos usando essas coisas, mas a qualquer momento podemos perder tudo. Que certeza temos de nossas posses? O que é verdadeiramente nosso?
Poderíamos pensar que este corpo é, não é? Perdemos tudo, mas mesmo que permaneçamos nus, ainda temos este corpo. Mas quando morremos ele não vai junto, vai? O que tomamos como sendo o Eu, afinal?
Não estou tentando apontar coisas ruins da vida. Como eu disse, quando penso que minha casa poderia ruir amanhã, sinto até uma sensação engraçada de liberdade, porque é assim! E não estou sendo mentiroso, pois tenho de ser honesto comigo mesmo, é assim rs. Se ruir, não vai adiantar chorar, ou pedir algo para Deus (os cristãos que me desculpem), vai lá trabalhar e tentar reconstruir ou vai morrer. Quantos de nós estamos prontos para morrer? Se estivermos realmente USANDO o mundo, e não SENDO USADOS por ele, estaremos prontos. Se não estamos preocupados com o que acham de nós, do nosso cargo, se compreendemos que nem sempre todos nossos colegas no trabalho são legais, ou que nossos amores não permanecem os mesmos, podemos desapegar disso e partir em paz.
É triste as pessoas pensarem que ter um bom trabalho traz felicidade. Pode ter um bom trabalho, mas não se apegue a isso. E se "ralar" na faculdade, se "ralar" para conseguir um bom emprego, não se prenda aquela ideia: "Lutei e venci!". Não se prenda aisso. Vença em todos os instantes. Conseguir um bom trabalho faz parte das conquistas mundanas - isso é para ajudar na prática espiritual. As verdadeiras vitórias devem ocorrer em todos os instantes. Quando você mostra algo a uma pessoa, qual a intenção? Trazer benefício ou chamar atenção? Você está alimentando bondade ou carência?
Quando você comenta algo - isso foi uma indireta? Quando você atende alguém correndo no trabalho, é porque está apegado a ideia de terminar o serviço externo ao atendimento, ou para auxiliar um cliente que precisa de agilidade? Quais suas intenções nas coisas do dia a dia?
As pessoas têm muito a ideia de Lutar e quando conseguir, ser feliz; mas não é assim. Seja feliz em todos os instantes. Não termine a faculdade e só depois seja feliz. Seja feliz durante todo o curso. É engraçado que quando estão num bom trabalho, as pessoas gostam de falar: "Foi difícil, mas eu fui guerreiro. Acordava hora tal, fazia não sei o que hora tal, eu me esforcei e consegui...", por que as pessoas dizem isso? Muitas dizem para chamar a atenção, pode não parecer, mas é rs. Na minha mente já vi isso. A luta que vale a pena é purificar a mente em todos os momentos. Mas se essas lutas forem exibidas com a intenção de se vangloriar, se perde o ponto de novo. Agora, se são compartilhadas como exemplos para ajudar alguém a ver meios de praticar, aí é diferente.
Contentamento é isso - sintetizar felicidade interior, por ser virtuoso, por compreender a instabilidade das coisas externas, por ser gentil. As coisas no mundo ora dão certo, ora dão errado. É normal, faça as pazes com isso. Não se incomode tanto com o tempo, ele é imprevisível. Pare um pouco de reclamar e sinta as sensações que te incomodam. Veja que elas são instáveis, e seja paciente, deixe elas ali. Quando a mente reclamar, coloque-a no lugar. Reclamando? Coloque-a no lugar de novo. Sensações vêm e vão. Pare de se incomodar.
Não dê tanto valor ao que os outros dizem. Quando você fizer algo e se preocupar: "Será que ele pensou isso?", olhe para o seu ato de novo e veja quantas coisas alguém poderia pensar. Nossas mentes são criativas rs. Às vezes nos preocupamos com o que os outros acharam de nós, mas podem surgir milhares de ideias na cabeça da pessoa. Deixe que ela cuide dos próprios preconceitos - preocupe-se em agir com intenções benéficas, e como tais atitudes parecerem externamente é outra coisa, preocupe-se apenas com o resultado dos seus atos, não com a aparência dos seus atos.
"Encarar as situações da vida sem ser levado pelas emoções...", yes! Isso é divertido! rs. Porque você vê as emoções, é como um desfile rs. Às vezes você entra no meio do desfile, mas com Atenção. Você não se distrai - você usa os pensamentos, o corpo, e tantas outras coisas com Atenção. Quando não precisa mais, solta tudo, e medita. Emoções vêm e vão.
Bom... Como praticar isso é a pergunta importante mesmo rs. Olha... Hoje eu percebi que a prática budista é realmente simples. No começo achava complicado, depois achei mais fácil, hoje eu acho muito simples. Aquele verso do Dhamma já diz o suficiente: "Evitar o mal, praticar o bem, purificar a mente.". Só isso rs.
Essa frase é muito importante, porque ela diz "Evitar o mal", não algo como "Combater o mal". Então, quando vier um pensamento ou ideia inapropriada, não tente destruir ou expulsar aquilo - solte, largue, desapegue, deixe ir, abandone, abra mão. Todas essas palavras estão para "Viraga", que o Buddha definiu como aquilo que é supremo, porque conduz a "Nirodha", que leva a Nirvana. Viraga é esse ato de largar e permitir cessar. Eu gosto de sugerir isso a minha mente: "Permita cessar, permita vir, permita estar, permita ir". Então é isso o que você faz. Só que Viraga vem de Nibbida, e Nibbida vem do que se traduz como: Conhecimento das coisas como de fato são. Então, tanto o Desapego supremo, quanto o Desapego mais superficial que praticamos no início, só podem vir de um pouco de Sabedoria. Por isso Entendimento Correto é o primeiro fator do Nobre Caminho Óctuplo.
Então, para desapegar, é preciso lembrar a mente o Entendimento Correto. Lembre a mente com energia, e aí será mais fácil soltar e permitir cessar. Por isso que o conselho de Dipa Ma da importância da Paciência é tão importante.
Alguém começa afazer algo que te incomoda. Agora, qual o sentido do incômodo, da raiva? A pessoa está fazendo só um som, como exemplo. Aquilo está realmente machucando alguém, ou é apenas a sua mente que está criando Dukkha? É a mente sofrendo á toa. Então pense: "Essa raiva não tem justificativa, é um sofrimento desnecessário.", "Essa pessoa está fazendo isso sem intenção de me incomodar. Na verdade essa pessoa é muito boa para mim, por que estou sendo tão mesquinho?", "Eu vou morrer. Nenhum som seguirá comigo. Por que atribuo tanto valor a isso agora?". Não sei, use sua criatividade rs. Se você tem fé no Renascimento, ajuda também rs. O importante é ver que pensamentos "sensibilizam" sua mente. Aí você lembra e solta, desapega. Se sua Atenção Plena tiver sido muito rápida, então a raiva some logo, porque você a pegou rapidamente. Se você demorou um pouco, provavelmente a raiva vai ficar ali um tempo, porque você já a alimentou um pouco. Ok, continue tentando fazer coisas com intenções benéficas, e deixe a raiva lá. Se a mente se desviar, volte-a a atenção a prática de algo útil. Quando fizer esse ato de "pôr a mente no lugar", sorria.
Sempre alterne entre: "Ver o perigo dos maus atos", "Ver a alegria nos bons atos". Surgiu um sentimento ruim, veja o perigo dele. Então, coloque a mente no lugar e fique feliz por ter percebido. Se a mente fugir, não recoloque-a extressado: "Pare! Cansei de ficar te educando!" - seja paciente! Recoloque a mente no lugar e seja paciente, ela requer tempo para aprender. Eduque-a com paciência e Contentamento. Agradeça pela Atenção Plena estar ali percebendo.
Resuma as dificuldades nos 5 Obstáculos. Se surgir Desejo Sensual, lembre da morte, como exemplo. Se você está preocupado com conforto sensorial, comida, o que as pessoas acham de você, dinheiro, reputação, ou qualquer coisa que venha dos 5 sentidos, lembre da morte. Lembre que você está usando essas coisas para a prática espiritual e que elas são impermanentes. Não se envolva tanto com elas. "No momento não tenho como conseguir um trabalho melhor, então vamos continuar a nos dedicar a esse serviço atual com gratidão. O que eu faço é benéfico a muitos. É difícil, mas a morte pode chegar a qualquer momento. Se eu ficar reclamando, posso chegar a morte com uma mente insatisfeita - qual será o meu renascimento nessa situação? Que eu pratique Contentamento no momento presente.". Use Reflexão para estimular a mente a ser independente das coisas sensuais.
Quando surgir Má Vontade, veja a tolice da raiva, ou as qualidades de quem te traz raiva. Veja que os outros seres enfrentam o envelhecimento como você. Veja que elas enfrentam contaminações mentais como você. Seja mais compreensível, e assim quando surgir raiva, a mente será compreensiva: "Não seja tolo. Ele não treinou a mente e por isso disse isso. Não tenho porque estar com raiva, só espero que ele possa treinar a própria mente de forma benéfica.". Seja compassivo.
Quando surgir Ansiedade e Inquietação, aha rs. Esse é o melhor obstáculo para fazer o "Permitir cessar". Simplesmente não tem o que fazer com Ansiedade e Inquietação, senão deixar ali. Ansiedade e Inquietação costuma surgir de Descontentamento, vontade de controlar algo. Então, quando perceber isso, pode fazer uma reflexão e soltar. Às vezes fica uma sensação de incômodo 30 minutos - seja paciente e deixe 30 minutos. Se a mente se incomodar, "coloque-a no lugar". Se ela desviar de novo, "coloquea no lugar" de novo. É como a meditação - se a mente desvia da respiração, volte ao lugar rs.
Preguiça e Torpor é um obstáculo que requer  cuidado. A maioria das vezes Preguiça e Torpor está ligado ou a Descontentamento ou a busca por Prazeres Sensuais. Às vezes comemos demais e ficamos com preguiça. Ou cansamos de praticar Atenção Plena e Virtude e como não sintetizamos mais felicidade interior, tentamos compensar isso assistindo um filme ou fazendo outra coisa sensual em excesso, e aí a mente fica preguiçosa. Não tem mais esforço para estar vigilante, tranquila, pacífica e satisfeita, agora só quer buscar a alegria da sensualidade. Nisso ela fica preguiçosa.
Ou quando se está numa situação desagradável. Em vez de educar a mente, perceber a impermanência naquilo e desenraizar a tendência subjacente da Aversão, nós tentamos não dar atenção aquilo e esperamos a situação ruim terminar. Temos que estar atentos, e não desanimar e deixar a mente solta. Assim, só vamos praticar quando tudo estiver bem, e não vai adiantar de nada.
Dúvida costuma ser tolice também. Dúvida só se justifica até que você entenda o básico de como praticar o Budismo. Depois que entendeu, deixe as outras dúvidas cessarem. Apenas tenha um "esboço mental" da prática, e as outras dúvidas serão respondidas ao longo do caminho.
Então, basicamente evite o mal e pratique o bem. Se há um sentimento ruim, deixe-o ali e continue fazendo coisas boas. Com o tempo, os sentimentos ruins sumirão, e os bons prevalecerão. O que você precisa fazer é se estimular para "colocar a mente no lugar" em que ela deixe os sentimentos ruins cessarem. Há uma diferença em a mente se misturar com os sentimentos e em ela se separar e deixa-los sumir. Só na prática para entender, escrevendo é estranho rs. Mas quando separa, a mente não está alimentando aquilo. Com o tempo some.
Raiva por exemplo. No começo é muito ardente. É necessário muita paciência. Você percebe a raiva, refletecom algum pensamento para estimular a mente a se desapegar e solta. Mas a mente é teimosa. Ok, continue colocando a mente no lugar e deixe a raiva lá. Nas próximas vezes a dificuldade é a mesma, até que um dia você percebe que a raiva já não te afeta tanto. Quando a raiva surge, parece que algo é ativado na sua mente e ela lembra: "Raiva é algo inábil. Deixe ir.", isso acontece porque você programou a mente. Então, a raiva surge e quando a Atenção Plena percebe, ela deixa a raiva morrendo de fome e vai alimentar algo que vale a pena, como ser Virtuoso, estar Contente por ter percebido a má atitude e ter colocado a mente no lugar, entre outros. Com o tempo raiva surge menos, e é essa mente com poucos sentimentos ruins que se aprofunda na meditação.

Por isso que o caminho todo é evitar o mal e praticar o bem. A diferença é que no começo o mal tenta atrapalhar muito, mas se deve continuar a deixa-lo lá e praticar o bem. Depois praticamos o bem e só há sentimentos bons, porque a mente tem novos hábitos.
Basicamente é assim. Não espere que depois do desapego vem êxtase. Às vezes vem, mas nem sempre é assim. No começo você desapega e aguenta. Até que seus condicionamentos ruins percam um pouco o controle sobre você, demora um pouco. Mas tem que fazer, e aí se percebem as pequenas diferenças ocorrendo na mente, e isso estimula a continuar.
Com o tempo, um pequeno pensamento já deixa a mente feliz. Você olha uma comida deliciosa e pensa: "Eu estou com fome? Não? Ok, estou satisfeito.", e aquilo é um sentimento muito bonito. É um sentimento de liberdade. Você só age por intenções benéficas, e não porque está vazio e precisa de coisas externas para conseguir alguma felicidade ou prazer.
Ver a impermanência das coisas se torna motivo de alegria para você. Eu lembro de uma vez ter sentido cheiro de bolinho de chuva de uma casa. Eu lembrei naquele momento: "Não preciso comer agora, então está tudo bem. Esse cheiro faz contato no nariz, e a sensação proveniente é bem agradável, mas a mente não se apega. Ela reconhece como agradável, mas não apega." é interessante observar isso.
É engraçado também que quanto mais vezes você se lembra da Impermanência no dia a dia, melhor. Pensar na morte, na impermanência das coisas, isso é coisa de depressivo, não é? [rs]. Buddha ensina a usar isso para estar feliz e em paz.
Enfim, essas são algumas ideias  Feliz 
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AuroraVon

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Mensagem Sex 21 Fev 2014 - 0:23

Grandes ideias. Tudo que vc falou faz sentido pra mim.

E tem outras coisas que percebi em mim. Antes eu era uma pessoa determinada, persistente, hoje não consigo terminar algumas tarefas, como, por exemplo, estudar um assunto de uma matéria escolar. Eu começo uma coisa e paro no meio do caminho. Na maioria das vezes sinto uma indiferença com tudo. Se eu conseguir algo bom na vida, beleza, se eu não conseguir, beleza também. Eu não sei o que acontece comigo. Um amigo meu percebeu essa diferença em mim e eu ignorei, agora vejo que mudei. Desisto rápido das coisas. Faço uma coisa, chego no meio do caminho e desisto... Daí, qdo paro para pensar sobre isso, me entristeço. Eu pareço uma morta viva. Penso que esse estado que me encontro não é depressão. Não sinto tristezas constantes, me cuido, me arrumo. Sinto uma preocupação e não consigo me dedicar no meu objetivo. Acredito e não acredito no meu objetivo. É inexplicável, não consigo definir o que eu tenho. Parece que a minha cabeça está oca.
Leio muito, mas muitas informações da maioria das coisas que leio, esqueço. Talvez esta seja a causa, o que desmanchou a minha determinação, persistência...

Vou praticar meditação regularmente, vai me ajudar a perder esses sentimentos "sem nome" e me acordar...



Agradeço muito pela atenção!! :) Vou reler mais vezes o seu texto, rs
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Mensagem Dom 23 Fev 2014 - 20:46

Parece que você tem muitas tendências aversivas. No Budismo é importante saber ser equânime e pacífico, mas é preciso saber diferenciar isso de aversivo e indiferente. Como eu disse, use as coisas desse mundo. Às vezes podemos meditar muito sobre a morte e chegar ao ponto de pensar: "Puxa! Vai tudo acabar. Posso construir uma casa, conseguir dinheiro, ter uma bela história de amor, ter um filho, fazer uma viagem, ficar famoso, ter um corpo bonito... Mas tudo vai terminar. Então, por que estou vivo?". É preciso ter cuidado aqui. É bom enfraquecer tendências cobiçosas, de querer buscar muito prazer no mundo da sensualidade, mas se isso fortalecer tendências aversivas, continua praticamente a mesma coisa. Cobiça e Aversão são extremos opostos, mas seus efeitos são idênticos - continuam nos prendendo ao sofrimento e, de acordo com o Buddha, ao ciclo de nascimento e morte. Aversão é não-querer, mas se não se quer alguma coisa, se quer o oposto daquilo. Então, onde há Aversão há Cobiça, se você for olhar. A diferença é que um sentimento se sobrepõe ao outro. Se você quer comida boa, basta vir uma comida ruim para a aversão surgir. É um ciclo.
Como eu postei, você tem que achar o caminho do Meio. Aquilo que conduz ao Desapego é Desencantamento, só que isso é diferente de Aversão. A felicidade da prática budista é ser capaz de usar as coisas desapegado e quando não precisar usá-las, permitir cessar. Essa palavra "permitir" é muito importante. Significa que não há Cobiça - não há um querer manter aquilo mais do que aquilo pode permanecer devido a sua impermanência. Mas também significa que não há Aversão - não há repulsão, não há uma tentativa de tentar destruir o que está ali. Você simplesmente não tem mais interesse naquilo, então deixa ali até que aquilo suma por si mesmo. Se aquilo permanecer tempo demais, não tem problema, porque você penetrou que tudo o que é condicionado não é eterno. Se você precisar usar aquilo, tudo bem também, você sabe que não será por muito tempo.
Então, reflita sobre a morte, não faça sua felicidade depender de coisas mundanas e sensuais, mas cuidado para não cair no extremo de não fazer as coisas necessárias para viver bem na sociedade, no mundo convencional. Enxergue que você precisa usar essas coisas para se manter viva, e que pode usá-las para auxiliar outras pessoas a viverem melhor, até que elas possam enxergar o caminho da Sabedoria.
Olhe para os Iluminados - enxergam o Incondicionado e já não tem mais nada que fazer. A melhor coisa para eles é Parinirvana - o Nirvana Final, que é quando o Iluminado morre. Já se desapegou do corpo e da mente, mas o corpo ainda está vivo. Então, o Iluminado aguarda até que a morte chegue e ele possa descansar de vez do Samsara. Enquanto a morte não chega, ele ainda tem que conviver com a Impermanência do clima, dos humores das pessoas, da própria mente, da comida, de tudo. Melhor morrer de vez, não é? Mas não, eles comem o suficiente para se manterem vivos por vários anos para ensinarem o caminho para outros seres. Eles podem mergulhar na felicidade de morrer e não renascer de novo, mas prolongam sua vida nesse mundo conturbado para ajudarem outros seres.
Eu faço Faculdade, e apesar de estudar muito, eu sempre me lembro que conhecimento é algo que não estará comigo para sempre. Eu lembro que eu vou morrer e que as gerações que vierem podem descobrir que o que a ciência acredita que hoje é verdadeiro, na verdade era falso. E aí? Para que estudar, afinal?
Eu também trabalho em uma farmácia. Às vezes vejo pessoas idosas pegando aqueles medicamentos e reflito: "É bom poder ser um meio intermediário pelo qual essas pessoas possam ter acesso a esses remédios para que prolonguem a sua vida, mas o que estão fazendo dessa oportunidade? Através desses medicamentos elas podem ter uma vida melhor, mas será que estão aproveitando isso para praticar virtude, meditação e sabedoria?", e eu vejo que muitos não estão. Chegam reclamando do calor, do governo, falando do vizinho que fez tal coisa... Tudo Linguagem Incorreta e sem intenção benéfica rs. Dá um Desencanto, não dá? Para que vão retirar medicamento para prolongarem sua vida, se o que estão fazendo dela é provocar intrigas? O problema é que as pessoas encontram prazer nisso. Há prazer na fofoca, prazer na crítica, prazer na intriga. A prática budista é dirigida para trocar esses condicionamentos - condicionar a mente a encontrar um prazer mais duradouro e conducente a sabedoria que é proveniente de falar pouco, falar o que é útil, estimular o que é benéfico, entre outros. Mas as pessoas não estão fazendo isso...
Isso é uma contemplação importante, só que você tem que aplicar a mente corretamente. Se você inclinar ela do lado errado, ela vai pensar: "Pra que essa farmácia afinal? Trabalho aqui só por dinheiro, porque essas pessoas que vêm pegar medicamento estão apenas gastando dinheiro do governo para viverem aguardando a morte!". É importante tomar cuidado. De fato a maioria é assim, mas pode ser que haja pessoas que estão fazendo bom uso do medicamento, ou outras estejam tendo mais tempo de sofrer o efeito de seu Karma até que compreendam o caminho correto. Então penso assim - "Talvez essas pessoas precisem de mais tempo até compreenderem. Portanto, continue trabalhando com alegria ajudando essas pessoas a prolongarem sua vida, até que elas comecem a enxergar o caminho correto.".
Eu fiz esse Fórum, e eu sei que ele vai terminar rs. Pode durar um tempão, ou só um ano, mas vai terminar. E pode terminar das mais variadas formas. Só que ele pode ser benéfico a muitas pessoas.
Monges que se dedicam a meditar, abandonar o mundo sensual e se aprofundar na mente, saem pelo mundo compartilhando o Dhamma e construindo monastérios. Por isso que eu sempre cito Ajahn Brahmavamso, ele é uma fonte de inspiração enorme para mim de como se deve conciliar Desapego com a Vida no Mundo Social. Ele é um monge muito conhecido pelo seu senso de contentamento, tranquilidade e sabedoria; e às vezes ele está em três países diferentes num dia só! Dá uma palestra na Austrália, vai para o Sri Lanka dar uma palestra do Dhamma e depois voa até Singapura para palestrar durante a noite. No dia seguinte volta a Austrália para fazer um retiro de meditação aos leigos, depois retorna ao seu monastério para estimular os monges discípulos no treinamento e continuar com a construção do seu monastério. E o que você vê ele ensinando?
Faça aquele esforço, que é abrir mão. Lembre-se, "isto não é meu". O corpo não é meu. Este monastério não é meu. Minhas cartas não são minhas. Minha família não é minha. Meu passado, minha história, não são meus, e nem mesmo o futuro é meu. [NT14] Você não possui nada neste mundo. A morte ensina o quão pouco você realmente possui. O corpo pertence à natureza. O passado pertence à fantasia. O futuro pertence à estupidez. Você não possui nada. Todos os seus pensamentos pertencem aos seus condicionamentos. Você não possui nada, nada, nada. Meus mantos apenas pertencem à terra. Todas as minhas posses em minha cabana pertencem à terra também. Tudo o que é meu, um dia, irá para o lixão. E será incinerado." - retirado de Eu sei, mas eu não sei - Contemplação da morte - acessoaoinsight
Depois você vê ele contando piadas, viajando para vários países para dar palestras, construindo monastérios, mas o que ele ensina é que nós vamos morrer e que precisamos fazer algo sobre isso. E é incrível que quando ele pode, ele vai meditar e passar noites em cavernas. Ele já passou 6 meses numa floresta sem ter contato com ninguém - só colhendo uma tigela de alimentos num lugar marcado que alguém deixava para ele todos os dias. Meditou e treinou durante seis meses sozinho numa floresta, e depois voltou e continua tão sociável e humorado como antes. Como? Porque ele sabe que tudo é impermanente. Ele sabe que um dia a humanidade vai se esquecer dos ensinamentos do Buddha, ou que ela será extinta, ou que seus monastérios serão destruídos - ou ruirão com o tempo... Ele sabe que irá morrer, que fama não é nada... Então, pra quê todo esse trabalho no mundo dos cinco sentidos se tudo acaba? Porque isso tudo ajuda na prática espiritual. Não tem como ir além do mundo sem o mundo.
Reflita sobre isso. É importante se lembrar que nada deste mundo ficará conosco, mas não podemos deixar que isso nos desanime, de tal forma que não trabalhemos por o que pode ser benéfico aos outros e a você mesma. Se pode construir uma casa boa para sua prática, construa. Você sabe que irá morrer, ou que ela irá degenerar? Sabe. Mas enquanto ela durar, qual o tamanho do benefício que ela pode gerar?
Use as coisas do mundo com alegria, com Contentamento. Você vai morrer, elas vão acabar, mas se você ficar sempre com essa aversão, o Buddha alerta, você não vai escapar do renascimento contínuo. Não adianta refletir sobre a morte e ficar aversivo, não é esse o caminho. É ser capaz de permitir as coisas irem quando chegar a hora e, até lá, ser capaz de usar as coisas de maneira desapegada somente com intenções benéficas.
Tente ver se o que você faz será de benefício para você e para os outros. Se for, reflita sobre isso sempre para gerar o estímulo para terminar alguma coisa. De fato, beleza se conseguir algo ou não - diante da morte, qual o valor da vitória e da derrota no mundo social, não é? Mas tente construir coisas que vão ajudar outras pessoas e você. Empenhe-se. Mesmo monges têm projetos mundanos, como construir monastérios.
Diante da morte, essas conquistas mundanas realmente não são nada, mas olhe para aquelas coisas que você pode usar em vida. O mundo precisa ser usado para a prática espiritual, então tente garantir a si mesma uma boa casa e boa comida, sem se apegar a isso.
Não sei se o seu problema é ser aversiva nesse sentido. Eu já tive problemas com isso, às vezes tenho ainda. Refletir da maneira correta é o primeiro passo para permitir esse desânimo cessar. Quando você o larga, então vá fazer o que for bom fazer, independente se há preguiça ou não. Não reflita corretamente e aguarde o Êxtase surgir para ir ao trabalho - trabalhe mesmo com preguiça. Toda mudança de hábito e condicionamento requer paciência. Você começa fazendo a coisa com relutância até que, devido a repetição da atitude, a mente aprende a gostar de fazer aquilo e, por desuso do hábito antigo, cria um novo hábito baseado nessa nova atitude que você vem repetindo. É um processo demorado, por isso tem que insistir com paciência. Nós não temos o hábito de ser virtuosos. É difícil ser uma pessoa que fala menos, só fala coisas úteis, não cria intrigas, e reduz os prazeres sensuais. No começo fazemos isso e sentimos meio confinados, fechados. Mas temos que insistir e refletir: "Com o tempo, a mente se acostumará. Esse é o caminho correto. Essa dor que eu sinto é porque eu estou indo contra meus hábitos, mas eles irão mudar.". De repente ser virtuoso será o hábito, e o que será difícil é ser vicioso. Será difícil contar uma mentira egocêntrica, ou agredir alguém, porque mudamos os hábitos da mente. Só que isso é difícil, porque o mundo nos inclina exatamente para o lado oposto, mas isso é possível.
O difícil é se habituar a encontrar felicidade no Caminho do Meio, porque o mundo nos ensina que só há os dois extremos. Mas é possível se condicionar corretamente. Refletir corretamente, desapegar, e estar contente por o que é correto. Praticar isso continuamente e com paciência. É mais ou menos assim que vai indo a prática de virtude. rs
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