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 Como iniciar-se no budismo? Quais são os primeiros passos?

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AutorMensagem
giovannaf

Discípulos
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Feminino
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 1

Mensagem Sex 31 Jan 2014 - 20:35

Olá a todos! Eu me identifico e simpatizo muito com o budismo e tenho uma grande vontade de tornar-me budista, mas não sei como preceder! Como começo? Há algum ritual de inicialização ou alguma restrição?
Também tenho dúvidas sobre a conduta, no budismo é permitida a prática sexual ou o pensamento sobre sexo? E a sexualidade do indivíduo é considerada como no cristianismo, é permitido o homossexualismo e o bissexualismo? É preciso tornar-se vegetariano para a prática do budismo? (apesar de que já sou ovolactovegetariana ^^)
Para ser budista é necessário obrigatoriamente, frequentar um templo, retiros e principalmente jejuar e comer pouco? 
São realmente muitas perguntas, eu leio muito sobre budismo mas ás vezes parece que quanto mais eu leio, mais confusa eu fico! Obrigada a todos que me responderem! ((:
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Convidado

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Mensagem Sab 1 Fev 2014 - 12:51

Ola!

Eu não sou a melhor pessoa aqui pra responder à suas indagações, porque eu também sou iniciante e também talvez a sua realidade e/ou o ambiente que você vive não sejam os mesmos. Eu moro numa cidade onde não há templos budistas, o mais próximo daqui acho que esteja a mais de 600 km e eu não tenho condições de me deslocar até lá, também por aqui não há budistas, não que eu saiba. Então eu me dedico a estudar pela internet, livros e conselhos de alguns amigos que conheci por aqui. Lendo 

Acho que para se iniciar no budismo em primeiro lugar deve-se procurar conhecê-lo, isso porque talvez não seja o que você está pensando, o que você pensa sobre o budismo pode ser bem diferente da realidade. Então você deve procurar conhecer o budismo e a forma melhor que eu acho é procurar vizitar alguns templos budistas se for possível, embora eu nunca tenha entrado em um, e observar os ensinamentos, se possível de escolas variadas apenas de início até que se familiarize com alguma.

Em relação com aos rituais, vai depender da escola onde você se firmar, no caso de você decidir frequentar algum templo.

No que diz sobre a conduta o que eu sei é que para os budistas leigos (budistas não monges) devem praticar os cinco preceitos (eu tomo o preceito de abster-me de matar seres vivos, eu tomo o preceito de abster-me de tomar o que não for dado, eu tomo o preceito de abster-me de comportamento sexual impróprio, eu tomo o preceito de abster-me da linguagem incorreta, e eu tomo o preceito de abster-me do vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência), esses preceitos são uma forma de harmonizar mais as nossas vidas, tornar a prática mais fácil e de crescimento espiritual. Pois para os budistas um ponto muito importante é o treinamento da mente e esse treinamento é feito com a prática de Sila (moralidade, virtude), samadhi (concentração) e pañña (sabedoria).

A respeito da sexualidade, isto está incluso no terceiro preceito:  Eu tomo o preceito de abster-me de comportamento sexual impróprio. Não sei te detalhar como seria esse comportamento sexual impróprio, posso dizer que acho que é evitar tudo o que quebre os outros preceitos, por exemplo o adultério, no qual alguém estará praticando a linguagem mentirosa e está prejudicando outro ou outros seres e também todos os comportamentos que prejudique a concentração e a sabedoria.

Para saber mais sobre o vegetarianismo visite o tópico: http://sangha-online.forumeiros.com/t16-preciso-ser-vegetariano

Bom, não respondi todas as suas perguntas com exatidão, é só o que eu estou aprendendo. Com certeza alguém vai falar mais coisas. Espero que tenha te ajudado em algo e que não tenha ficado muito confuso. Boa sorte e paz.  Feliz
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Administrador

Admin
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Dom 2 Fev 2014 - 13:01

Veja, há um "ritual" para iniciação no Budismo, mas não é necessário. Buddha dizia que uma pessoa poderia passar o dia inteiro com ele ou mesmo dormir ao lado dele, mas se tal indivíduo não praticasse Virtude, Meditação e Sabedoria, essa pessoa estaria distante do Buddha. Por outro lado, alguém que praticasse Virtude, Meditação e Sabedoria, mesmo que estivesse distante do Buddha ou, como nós, nem vivesse na mesma época que ele, estaria muito mais próximo dele. Portanto, se você quer ser budista, pratique Virtude, Meditação e Sabedoria tendo os ensinamentos do Buddha como base - isso já te define uma budista. Um ritual não é necessário.
Mas pode fazê-lo, ele é "A Tomada dos Cinco Preceitos" que o Shaka citou. É como uma cerimônia em que você assume a responsabilidade, diante de um monge, de que você cumprirá esses preceitos e buscará praticá-los e cultivá-los. Geralmente, com esse ritual você também recebe um nome, um "nome para budistas leigos" rs. Mas, como eu disse, não é essencial. Eu não vejo problema algum em uma pessoa que não passou por esse ritual se dizer budista, desde que ela pratique os ensinamentos do Buddha.
Não há problema algum com Homossexualidade ou Bissexualidade. Originalmente, não há nenhuma referência nos escritos antigos provando que o Buddha tivesse dito algo sobre isso, mas duvido que Buddha viria isso como um problema. Ele ensinou que para julgar se uma atitude é correta ou não, deve-se julgar se ela é realizada com intenções benéficas e se ela, de fato, traz benefícios, e não prejuízos, para si mesmo e para outros seres. Homossexualidade e Bissexualidade não trazem prejuízo algum a ninguém - se trazem, na verdade é culpa do indivíduo em questão que treinou sua própria mente para tratar tal assunto de maneira preconceituosa.
Mas falando de Sexo em geral... Não tem problema, mas provavelmente você vai me perguntar "Por que os monges são celibatários, então?". Bom, o Buddha disse que quanto mais você puder se desapegar (e até renunciar) aos prazeres sensuais (isso é, os prazeres que provêm dos sensos, dos 5 sentidos), melhor. Mas isso é delicado, porque com alguns, tal renúncia acontece naturalmente, outros decidem acelerar tal processo, e é aqui que entram os monges. Os monges tentam abandonar muitas coisas de uma vez só - mas, para isso, possuem o apoio da Sangha e de um mestre.
Mas qual o ponto de abandonar essas coisas? O ponto é que quanto menos sensualidade, mais espiritualidade. Quanto menos distrações sensuais, mais profundo e extasiante é o prazer meditativo, o prazer interior. E o Buddha apontou que o prazer espiritual, além de ser mais duradouro e vantajoso (porque não depende muito de coisas externas) é conducente a ver as coisas como elas de fato são, enquanto os prazeres sensuais não são capazes de conduzir à Sabedoria. Então, o Buddha dava preferência a - sensualidade, + espiritualidade.
Mas é preciso muito cuidado com essa questão, porque alguns tentam abandonar sexo e outros entretenimentos e ficam loucos, porque tiraram objetos de prazer para a mente e não colocaram outro no lugar. A prática envolve focar a beleza do prazer meditativo e, assim, a necessidade de prazeres sensuais se reduz por si só. É por isso que muitos budistas leigos se tornam celibatários "sem querer" - eles avançam tanto na prática meditativa, descobrem tanta felicidade interior, que os prazeres dependentes do mundo externo, do mundo dos cinco sentidos, já não lhes são mais tão necessários - sequer fazem muito sentido.
Mas é preciso honestidade para saber escolher como lidar com Sensualidade. Como eu disse, alguns abandonam muita Sensualidade de uma vez, mas se você fizer isso sem uma certa habilidade para com o prazer Espiritual, a sua mente vai entrar em depressão, porque você está suprindo uma coisa sem por outra no lugar, não é assim que funciona. À medida que a mente encontra um refúgio de maior valor no interior, ela abandona o exterior lentamente. Aqueles que preferem acelerar o processo geralmente são monges ou praticantes que se dedicam muito à vida espiritual ou que já possuem uma certa familiarização com a prática de Virtude e Concentração, portanto, seja cuidadosa aqui.
Não sei se você entendeu. O que quero dizer é que, para Buddha, o melhor é reduzir o prazer proveniente dos sentidos do Tato, Visão, Audição, Paladar e Olfato e elevar o prazer proveniente da Mente, que é o sexto sentido. Mas tente cultivar esse processo com Paciência e cuidado.
Mas, no final das contas, ninguém vai conseguir abandonar os prazeres sensuais por completo rs. Todos precisamos comer (prazer proveniente do Paladar), e como leigos, é muito difícil escapar da mídia, da TV, de música ou dança (entretenimentos do mundo sensual, como diria o Buddha). O ponto chave é COMO você se relaciona com isso. Não fique obcecada com o O QUÊ, olhe para o COMO. Não pense "Não posso assistir TV, não posso ouvir música, não posso, não posso, não quero!", isso vai trazer Ansiedade e vai desviar da prática. Se puder deixar essas coisas de lado e elevar o prazer meditativo, eleve. Se você acha isso muito difícil porque ainda não avançou muito na prática, pegue mais leve e não se exija tanto, mas cuidado com o COMO - como você está se relacionando com os prazeres sensuais. O Buddha alertou para não ficarmos obcecados com a ideia de que felicidade está nos prazeres sensuais, porque quando ficamos obcecados, é como - um belo símile do cânone - buscar ossos lambuzados de sangue, mas desprovidos de carne. Aqueles obcecados por prazeres sensuais, são como cachorros correndo atrás de ossos lambuzados de sangue. O cão sente o cheiro de sangue, pensa que ali encontrará carne para se satisfazer e corre atrás daquele osso e o lambe, o cheira, tenta buscar prazer nele de diversas maneiras, e apesar de haver alguma gratificação ali, no final o cachorro continua vazio como antes, com fome como antes. O que acontece é que ele geralmente pensa: "Não, deve haver algum osso melhor em algum lugar", e é só ver outro osso lambuzado de sangue que ele corre atrás, mas termina tão vazio quanto antes. É exatamente assim que são os seres humanos obcecados por prazeres sensuais! Quantas barbaridades não vemos de pessoas fazendo sexo com animais ou objetos até perigosos, tudo na esperança de que vão encontrar um "prazer maior"? Mas nunca encontram verdadeira satisfação, sempre precisam de mais, mais! Sempre acreditam que o próximo osso lambuzado de sangue lhes trará mais plenitude, mas não traz!
Eu acho incrível como as pessoas não sabem ficar paradas rs. Quando eu estou na rodoviária, eu só vejo gente andando para lá e para cá, jogando jogos no celular ou reclamando do calor, ou tentando puxar conversa á toa com alguém porque não suportam o silêncio, ou olhando para as pessoas tentando achar algo engraçado para pensarem sobre - ninguém conhece o prazer de estar em silêncio, de simplesmente ser! É incrível como nós acreditamos que não existe felicidade sem prazer sensual.
Não estou dizendo para você ir viver numa montanha rs. Estou falando do "como" você se relaciona com os prazeres sensuais. Não têm problema conviver com eles, mas não fique obcecada por eles. E, muito importante, tente descobrir como felicidade não está nos prazeres sensuais. O Buddha disse que a Sensualidade tem uma gratificação, mas também tem um enorme perigo. Os prazeres sensuais são impermanentes, extremamente efêmeros, e se não formos cuidadosos, eles vão apenas aumentar a nossa fome e nossa crença de que existe algum prazer sensual que pode nos completar, mas não existe. NENHUM prazer sensual é um osso com carne - todos são apenas ossos lambuzados de sangue, nenhum prazer sensual é capaz de matar nossa fome por muito tempo.
Tente se lembrar de alguma música, de algum filme, de alguma comida ou alguma coisa relacionada ao mundo sensual que já te deixou extremamente encantada, que você achou que até dedicaria a sua vida àquilo, ou que você levaria o amor por tal coisa durante sua vida inteira, mas que hoje você nem liga mais. VocÊ deve ter algo assim, as pessoas geralmente têm algo da infância que despertava um incrível amor ou encanto e que hoje já não têm mais tanto valor - isso é Impermanência. Isso é a instabilidade dos prazeres sensuais - o encanto deles não é duradouro. Uma hora acaba. E o pior é que muitos de nós, ao nos lembrarmos desses objetos sensuais que já nos foram de inestimável valor, nos sentimos vazios. É como se pensássemos "Aquele osso lambuzado de sangue tinha um cheiro incrível, eu queria poder tê-lo de novo..." - é a mente nos enganando de novo. O que estamos fazendo é pulando de um prazer sensual para outro, porque nos entediamos com muita facilidade rs.
Não sei se você entendeu o que eu quis dizer, mas espero que você possa contemplar com carinho.
E não entenda mal - não é para abandonar os prazeres sensuais, é para não acreditar que a verdadeira felicidade e plenitude estão neles. A independência dos prazeres sensuais vem espontaneamente e lentamente, à medida que a mente descobrir que existe uma felicidade maior no mundo interior que no sensual. Não tente forçar muito isso. Ensine a mente aos poucos a buscar felicidade num lugar mais seguro e de maior valor. Se você conhecer o prazer meditativo, aos poucos o mundo sensual vai perder importância. Não faz mal se está muito calor ou muito frio - o mundo é assim, impermanente! Não faz mal se o sentido da Audição captou uma crítica ou elogio, apenas veja que valor você pode tirar disso, e se não pode nada, deixe ir, deixe cessar - para que ficar provando algo para outras pessoas? Não tem problema se você perdeu o seu programa de TV favorito, se comeram aquele doce que você queria, ou se sujaram aquela roupa - tudo isso é coisa do Mundo Sensual, e nele tudo é instável, impermanente, não busque segurança nele!
É meio difícil falar disso porque, geralmente, não queremos contemplar isso. Se estamos tristes, entediados ou cansados, geralmente é no mundo sensual que buscamos refúgio, não é? Alguns vão para o álcool, outros para o sexo, outros para comida (gente ansiosa costuma ser gordinha, não é? rs), outros para linguagem excessiva (ou falam bobeira demais ou coisas ruins demais), outros ficam só assistindo TV, e outros ficam fantasiando - sim, fantasias mentais ainda são Desejo Sensual! A questão é que tudo isso vai acabar um dia - o que vai restar? Vazio. E o que nós costumamos fazer depois? Buscamos outro osso lambuzado de sangue. É justamente isso que nos prende no Samsara, de acordo com o Buddha - ficar perambulando aqui e ali, buscando felicidade ali fora, buscando felicidade em coisas com as quais vamos nos entediar depois. Fazemos isso a vida inteira, e ainda assim continuamos buscando coisas que nós já sabemos que vão nos entediar futuramente, por quê? rs De onde tiramos isso? Porque gostamos de ficar nos distraindo com isso ou aquilo, em vez de estar em silêncio e mergulhar na mente? Por que gostamos de provocar as pessoas, dizer coisas ruins, em vez de contemplar o silêncio ou usar as palavras apenas para trazer benefícios?
Você pode comer boa comida, ver televisão, ter relações sexuais e outras coisas que envolvem os 5 sentidos, mas não fique obcecada por essas coisas. Ensine a mente, gradualmente, a encontrar refúgio no mundo interior, de tal forma que ela fique menos dependente do mundo sensual. O Buddha aconselhou que conhecêssemos a felicidade da Virtude e da Meditação, porque é estar contente com essas duas coisas que conduz a Sabedoria, que é, por sua vez, o que conduz a Libertação do Sofrimento. Mas não é fácil, é necessário comprometimento rs.
Mas também é muito bonito. Felicidade com Virtude é algo maravilhoso, porque às vezes as pessoas não valorizam virtude, mas isso não te incomoda! É um sentimento incrível, porque você está vendo o Contentamento que aquilo te traz, então, você não precisa provar para ninguém, porque você vê por si mesmo. As críticas dos outros, o som que vêm através da Audição não te incomoda, você pode desapegar, você pode deixar ir. E quando você senta para meditar, aquelas críticas não ficam ecoando na sua mente, porque você viu por si mesmo que atitudes vistas como antiquadas na nossa sociedade moderna foram, na verdade, muito benéficas.
Ser uma pessoa que não reclama, como exemplo, é algo visto como antiquado. É engraçado rs. Quando eu encontro alguém, a forma que a pessoa acha que começar assunto é dizer: "Que calor infernal, hein?" rs. Eu acho isso tão engraçado. Às vezes dá vontade de falar: "Poderia estar um frio insuportável agora, mas está calor, vai reclamar pra quê?".
Quando acontece uma coisa ruim, as pessoas dizem: "Se você tivesse me escutado e tivesse ido por aquele lado, isso não teria acontecido.". Tudo bem, mas se nós fôssemos por aquele lado, e se acontecesse isso? E se acontecesse aquilo? O futuro é incerto! Mas as pessoas foram treinadas para reclamar, é incrível rs.
Então, a forma como o Buddha ensinou a se relacionar com a Sensualidade é mais ou menos assim. Não fique obcecada em buscar felicidade no mundo Sensual - lembre-se constantemente da impermanência dos prazeres sensuais. Aprenda, aos poucos, a encontrar a felicidade interior, a felicidade de ser virtuosa, a felicidade de estar presente, a felicidade estar atenta, a felicidade de ser compassiva, a felicidade de estar em silêncio e falar apenas palavras que tragam benefícios.
Se você acha que é muito difícil, ou até estranho largar os prazeres sensuais, não force demais a si mesma, mas tome o mínimo que o Buddha deu como prática de Desapego, que são os 5 preceitos. Neles, ele já removeu a felicidade do álcool, de usar linguagem mentirosa, linguagem frívola e á toa, de roubar, entre outros. Aos poucos, a independência dos prazeres sensuais crescerá por si só.
Se você quiser entender e ver por si mesma se, de fato, vale a pena largar um pouco a Sensualidade para mergulhar no prazer interior, faça um retiro de meditação. Geralmente, num retiro se fala muito pouco, a comida é simples, não há muito entretenimento, não há TV, não há música, e há muita meditação. As pessoas costumam ter experiências incríveis num retiro, que mostram como nós carregamos um potencial de contentamento incrível dentro de nós mesmos e, ainda assim, estamos correndo atrás de prazeres aqui e ali.
Relações sexuais podem ser feitas sem problema, mas tenha o mínimo de independência que o Buddha pediu - não busque felicidade em ter muitos parceiros, em adultério ou em sexo agressivo, porque isso vai aumentar sua fome - lembre-se, obsessão por prazeres sensuais só nos deixam mais insatisfeitos e exigentes.
Numa relação sexual, pode aproveitar o prazer sexual, mas não fique se sentindo insatisfeita porque dura pouco e que, portanto, você deveria buscar novos meios de aumentar esse prazer, porque isso vai te deixar gradualmente mais vazia. Encontre a felicidade de ser gentil durante tal relação, de ser carinhosa, de ser compreensiva, de ser paciente.
Em suma: foque mais no Espiritual, menos no Sensual. Deixe que a mente se incline para o interior lentamente, não tente forçar demais se você não tiver muita determinação, paciência e apoio como de um mestre ou uma Sangha. É importante não se impor limites demais de uma vez, porque senão você vai criar Pecados, e esse conceito cristão é um pouco perigoso para nós, porque quando você se exige demais e não consegue cumprir o que exigiu, surge Ansiedade, Tristeza, baixa autoestima e você se desvia totalmente do caminho.
Portanto, tome os 5 preceitos como ponto de partida. Aprenda a encontrar a felicidade interior. Perceba como o mundo é naturalmente instável e que, portanto, buscar felicidade nele é algo incerto, não seja exigente com o mundo dos 5 sentidos, ele simplesmente é como é. Pare de ter tantas expectativas.
Aprenda a encontrar felicidade no interior, independente de como esteja o mundo a sua volta. Independente se estiver calor ou frio, se houver silêncio ou barulho, se houver paz ou guerra, perceba como a mente pode ser independente do mundo sensual.
Quando puder renunciar a coisas sensuais para aprofundar a prática meditativa, faça isso, e você verá que quanto menos distrações, mais incrível é a meditação.
Mas não se exija demais - permita-se desenvolver com o tempo.
O que eu disse que muitos leigos viram celibatários "sem querer" é real - simplesmente acontece. Portanto, seja muito sensata para ver até onde você pode exigir algo de si mesma.
Lembre-se que mesmo um Iluminado não pode evitar coisas como uma televisão ou uma música. O foco não é "o quê", mas "como" você se relaciona com os objetos sensuais. Seja capaz de usá-los quando necessário, de saber usufruir de sua gratificação sem se entristecer quando eles terminarem. Um filme dura duas horas - não precisa ficar criando fantasias demais, a tal ponto que durante a meditação você só fique pensando no filme que assistiu no cinema. Aprenda a encontrar a felicidade do silenciar, do simplesmente estar, e dessa maneira, você não chegará para a morte insatisfeita. Muitas chegam na morte insatisfeitos, porque todos os prazeres sensuais que usufruíram não estão ali. Prazer sensual é isso - surge, e depois passa. Se você quer ter uma felicidade para levar consigo no momento da morte, construa isso dentro de você.
As pessoas não dirão sempre coisas agradáveis, a comida não estará sempre boa, o tempo não estará sempre fresco, o parceiro sexual não poderá atender todas suas fantasias, o corpo não estará sempre jovem e saudável, a música não estará sempre alta, o mundo dos cinco sentidos simplesmente não pode ser como queiramos para sempre. O mundo sensual é como é.
Saiba aproveitar o mundo sem estar obcecada por ele, e quando você tiver uma oportunidade, permita que os sons, as visões, as fantasias, os cheiros, os sabores e os tangíveis cessem, para que você possa mergulhar na meditação e no prazer do silêncio.
Vegetarianismo não é obrigatório. Buddha disse que leigos não podem matar animais, mas podem comprar animais já disponibilizados. É uma questão um pouco complicada, leia o link que o Shaka deixou.
Não é obrigatório ir a templos, mas é algo muito benéfico para a prática, veja por si mesma!
O foco é a prática - se você pratica os ensinamentos do Buddha, você é budista. O foco é a prática, mas fique de olho nas coisas que ajudam a prática, como um ritual de iniciação, uma comunidade, a renúncia eventual das coisas sensuais, entre outras coisas. Perceba, não são coisas totalmente obrigatórias, são coisas que ajudam. Mas o foco é simplesmente a prática.  Feliz
Jejuar não precisa, mas comer menos é algo que pode acontecer naturalmente também. Aconteceu comigo, mas eu dei um empurrãozinho. Foi natural - como eu comecei a ficar mais atento, eu comecei a questionar o que eu comia e por que eu comia. Você percebe que come muitas coisas simplesmente pelo prazer de comer, e não porque você de fato precise comer para sustentar o corpo. Então, eu me desafiei a comer só quando eu sentisse, com honestidade, que eu precisava. Acabei emagrecendo, e descobri a felicidade de não ser dependente de comida e de se lembrar, todas as vezes, de usar esse corpo para ações que tragam benefícios - essa felicidade proveniente da Virtude tem se mostrado maior e mais duradoura do que a felicidade proveniente de comer coisas boas. rs
Vá perguntando. No começo, quanto mais conhecemos o Budismo, mais dúvidas surgem. Mas chega um ponto em que as dúvidas diminuem e a prática começa a fluir. Foi o que aconteceu comigo. O jeito é continuar a buscar entender, não só através de raciocínio, mas também através da prática.
Espero ter ajudado. Falei muito sobre Sensualidade rs. Se não tiver entendido, por favor, diga!  Oi/Tchau 
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