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 É necessário acreditar no Renascimento?

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Administrador

Admin
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Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Dom 16 Mar 2014 - 23:29

É necessário acreditar no Renascimento?
Convido a todos a darem sua opinião - é necessário acreditar no Renascimento? Dá para praticar o Budismo sem esse ensinamento? Qual sua importância? Que diferença causa esse ensinamento no Budismo? O Budismo deixa de ser Budismo sem esse ensinamento?
Para quem souber inglês, houve um debate que envolveu muito essa ideia no vídeo abaixo:
Aquele que conversou com Ajahn Brahmali alegou que o Renascimento é desnecessário, considerando que ele funciona como uma "fé cega". Ajahn Brahmali alegou que o Renascimento é importante, e que ele não funciona bem como uma "fé", mas que se adquire uma confiança nesse ensinamento quando ele é analisado racionalmente e ouvido de pessoas virtuosas que nos inspiram admiração, felicidade e paz.
O que você pensa sobre isso?  Feliz 
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luciano tadeu

Discípulos
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Define-se budista? : Sim
Mensagens : 31

Mensagem Sex 28 Mar 2014 - 9:52

Particularmente eu considero ser extremamente importante para um praticante budista a fé no renascimento, quando tiramos esse ensinamento da doutrina budista perde-se muito, o Buddha em vários discursos deu ensinamentos fazendo conexões com essa doutrina do renascimento. Acho que é possível praticar sem essa crença, mas com ela a prática se tornaria normal, sem ela temos que fazer esquemas e jogos de interpretação para mudar, adaptar e tirar uma coisa que existe, enfim temos que fazer arrumações. Acho bom que as pessoas encarassem o budismo como uma religião e que como qualquer outra ele tem seus dogmas e artigos de fé.
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Administrador

Admin
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Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Seg 23 Jun 2014 - 18:24

Eu também acho que tirar a fé no Renascimento da prática tira muita força dela. Muitas vezes eu percebo que se eu não tivesse fé no Renascimento, eu não teria muita energia para praticar - para que sofrer tudo isso por ficar resistindo aos meus desejos se vou morrer? Melhor aproveitar dos prazeres do mundo já que eu vou morrer mesmo! rs
Essa é uma das armadilhas que Mara pode pôr para nós, mas se nos sentimos inspirados pelos praticantes do Dhamma (em especial os monges) e vermos que eles se embasam nessa fé para construírem a paz que os rodeia, nós mesmos acabamos aderindo a essa fé e ao enxergarmos os benefícios provenientes dela conseguimos, com o tempo, nos inspirarmos ao refletirmos sobre o Samsara em vários aspectos.
Às vezes olho para outras pessoas e penso que elas estão envolvidas no mesmo ciclo sem sentido que eu e que, portanto, estão enfrentando o mesmo tipo de sofrimento que o meu. Não importa se seus problemas são diferentes, ou se são pessoas muito diferentes de mim, pessoas de outras culturas ou outros interesses - todas estão, basicamente, passando pelo mesmo sofrimento de morrer e renascer que eu tenho passado. Quando reflito sobre isso, me identifico com todos os seres e isso me ajuda a cultivar Amor-Bondade (isto é, aceitação por todos os seres independente se eles são agradáveis ou desagradáveis para mim) e Compaixão por eles.
Ou, como eu disse, quando surge um Desejo. Essa fé é mais uma motivação potencialmente forte para nos impulsionar a resistir e permitir que o apego esfrie, caso contrário, podemos ter pouca motivação para suportar o sofrimento de ir contra nossos próprios hábitos e apegos latentes/ subjacentes.
Logo, concordo com você Luciano - a fé no renascimento traz muitos benefícios. Acho que adotá-la é mais inteligente e científico do que ficar questionando-a, porque, na prática (ciência se baseia nisso, não é?) ela prova ser muito benéfica, só que cada um precisa testá-la por um bom tempo, sem sustentar preconceitos negativos antidogmáticos.  Feliz 
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Valter Junior

Discípulos
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Define-se budista? : Sim
Mensagens : 1

Mensagem Qua 15 Abr 2015 - 6:03

Sou novo nos estudos Budistas, sou agnostico teista, entendo que o maior benefício do ensinamento de Buda esta quando deixamos de lado questões Metafísicas, e aplicamos os ensinamentos em nossa realidade, não sei se estou certo, mas ja li que Buda disse para experienciarmos os ensinamentos a fim de comprovalos como verdade, não há como experienciar o renascimento.
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Convidado

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Mensagem Sex 17 Abr 2015 - 16:46

Acredito que o ensinamento do Renascimento é imprescindível não pela sedução que oferece em relação a motivação da prática, mas por fazer parte da própria Realidade. Como parte da Realidade, como assim excluí-lo da prática meditativa e aceitação incondicional da realidade? Poderia haver de verdade aceitação incondicional da realidade sem o ensinamento do Renascimento? Como acessar à realidade das coisas sem entender o processo que administra a vida dos seres? Como compreender com sabedoria a própria estrutura e natureza de Kamma?

O Renascimento pode ser perigoso quando desperta na mente desejo ou aversão, mas não somente o Renascimento desperta estas coisas na mente. Outras coisas dentro do Budismo podem despertar isso também como, por exemplo, as próprias ideias de tranquilidade/paz ou inércia/desconforto relacionadas à meditação que podem servir, se pensarmos, como atrativas ou aversivas para quem pensa meditar ou iniciar esta prática. Mesmo assim não retiramos a meditação do Budismo e da prática budista diária. 

Acredito que o Renascimento é importante graças à sua participação na Realidade; ensinamento, inclusive, ensinado e repetidamente ensinado pelo próprio Abençoado.
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mattgtralli

Discípulos
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 16

Mensagem Sab 18 Abr 2015 - 13:27

Grato Quando fui apresentado pela primeira vez ao renascimento na visão budista, fiquei um pouco confuso, mas como estava focado em ter a mente mais aberta possível, prossegui sem PREconceitos. 
Meus estudos sempre são feitos em diversas fontes (é incrível observar os diferentes modos explicativos de um mesmo assunto), e isso sempre ajuda muito no entendimento, a fusão dessas explicações.
Meu caminho é o Tibetano, logo meus estudos sobre este tema estão mais focados em mestres deste caminho, mas sempre assisto palestras de outras linhagens.
Depois de um período estudando com muita dedicação, e sempre de coração, hoje posso dizer que "acredito" sim no renascimento na visão budista. (A palavra acredito está entre aspas pois vejo essa "crença" da mesma forma que acredito na gravidade ou no princípio fundamental da dinâmica de Newton).
Depois de ouvir Sua Santidade Dalai Lama dizer o quanto o Budismo vai ao encontro com a ciência, sempre tento aplicar o método científico nos meus estudos, e não é diferente com o renascimento (essa frase foi feita no presente porque acredito que os estudos budistas, o renascimento por exemplo, sempre pode ser estudado, podemos sempre conhecer mais e aprender mais, podemos citar Sua Santidade novamente, ele, mesmo sendo o Dalai Lama, e podemos dizer, um dos representantes do Budismo, está sempre estudando, e não só o Budismo, mas tudo que está em seu alcance, mesmo tendo a posição e o nome que tem). 
No meu entendimento, o renascimento anda junto com a ciência, assim como o Budismo como um todo.
Não só o "acreditar", mas o processo todo de estudo e aprendizagem é algo muito importante, uma verdadeira prática e aprendizado.
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AdrianaMaeda

Discípulos
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Define-se budista? : Não
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Mensagem Ter 7 Jul 2015 - 19:01

Acredito que a problema esteja no fato de se confundir, mesmo que sem perceber, o conceito de renascimento budista (ciente de anatta) com o de reencarnação ocidental.
Confesso que pra minha prática não faz a menor diferença se o renascimento é fato ou não é. Esperarei experienciá-lo(ou não), se for possível de experienciar, antes de qualquer coisa.
Administrador escreveu:
Muitas vezes eu percebo que se eu não tivesse fé no Renascimento, eu não teria muita energia para praticar - para que sofrer tudo isso por ficar resistindo aos meus desejos se vou morrer? Melhor aproveitar dos prazeres do mundo já que eu vou morrer mesmo! rs
Também isso não me desmotiva "sofrer em vão" pra depois morrer. A prática do Dhamma não é sofrimento, não é sacrifício. É, ao contrario, a busca pela cessação deste. A grande beleza do Dhamma é justamente enxergar que a cada pequeno sofrimento que nos livramos no dia a dia, já faz grande diferença na vida de um ser e o conduz pra mais perto da iluminação, mesmo que o caminho seja longo. E se eu morrer e não alcançar a iluminação? No mínimo, a minha vida foi menos penosa com a pratica do Dhamma.
Assim, cada um pode usar essa ferramenta da maneira que for mais proveitosa ao seu caminho.
Gostaria de saber a opiniao de vocês a respeito. :)
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Admin
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Ter 7 Jul 2015 - 22:24

AdrianaMaeda escreveu:
Acredito que a problema esteja no fato de se confundir, mesmo que sem perceber, o conceito de renascimento budista (ciente de anatta) com o de reencarnação ocidental.
Confesso que pra minha prática não faz a menor diferença se o renascimento é fato ou não é. Esperarei experienciá-lo(ou não), se for possível de experienciar, antes de qualquer coisa.
Administrador escreveu:
Muitas vezes eu percebo que se eu não tivesse fé no Renascimento, eu não teria muita energia para praticar - para que sofrer tudo isso por ficar resistindo aos meus desejos se vou morrer? Melhor aproveitar dos prazeres do mundo já que eu vou morrer mesmo! rs
Também isso não me desmotiva "sofrer em vão" pra depois morrer. A prática do Dhamma não é sofrimento, não é sacrifício. É, ao contrario, a busca pela cessação deste. A grande beleza do Dhamma é justamente enxergar que a cada pequeno sofrimento que nos livramos no dia a dia, já faz grande diferença na vida de um ser e o conduz pra mais perto da iluminação, mesmo que o caminho seja longo. E se eu morrer e não alcançar a iluminação? No mínimo, a minha vida foi menos penosa com a pratica do Dhamma.
Assim, cada um pode usar essa ferramenta da maneira que for mais proveitosa ao seu caminho.
Gostaria de saber a opiniao de vocês a respeito. :)

Olá AdrianaMaeda  Feliz
Lendo seu texto fiquei muito feliz, pois me pareceu que o Dhamma te inspira, e inspiração é uma qualidade muito importante.

Gostaria apenas de dar uma opinião a partir do que você disse e te convidar, ou melhor, te desafiar a olhar sob outra perspectiva, só que para olhar sob essa outra perspectiva é necessário um pouco de paciência com a prática da meditação, porque é ela que ajuda a ter essa outra visão que vou te desafiar a tentar experimentar. Então vou acabar falando mais da prática do que de renascimento, esteja a vontade se quiser ler. Sobre esse trecho:

"Também isso não me desmotiva "sofrer em vão" pra depois morrer. A prática do Dhamma não é sofrimento, não é sacrifício. É, ao contrário, a busca pela cessação deste. A grande beleza do Dhamma é justamente enxergar que a cada pequeno sofrimento que nos livramos no dia a dia..."

Concordo com você, porém gostaria de fazer um 'trocadilho' com as suas palavras rsrs...

Isso porque em muitos momentos da prática, nós não podemos nos livrar de um pequeno sofrimento - frequentemente sensações muito dolorosas parecem que se instalam na mente, sobrepondo-se a ela. E nesses momentos o Caminho do Meio é simplesmente estar ciente. Simplesmente estar ciente do sofrimento. Pode ser que algo no fundo da sua mente grite: "Eu não quero experimentar isso... Por que não estou fazendo alguma coisa? Se eu fizesse tal coisa, provavelmente experimentaria mais êxtase..." e nesses momentos nós temos que treinar o sabedor, o que os mestres da Tradição das Florestas da Tailândia costumam chamar de "aquele que sabe" (the one who knows), e nesses instantes não há nada o que saibamos/observemos, senão sofrimento. E é aí que fica difícil - como cultivar essa observação do sofrimento, enquanto arde em nós uma vontade de sair correndo, de sair gritando, chutando ou de sair fantasiando, sonhando, pensando ou ainda de morder a língua, forçar a mente a calar-se ou de puxar os fios de cabelos? rsrs E aí os ensinamentos vêm e dizem - "let it go, deixe cessar, deixe passar, abandone, abra mão, desapegue, apenas esteja ciente sem se envolver, não cultive o desejo nem por que permaneça nem por que desapareça - apenas deixe estar" - como deixar o sofrimento estar ali, sem interferir?

Mas nós queremos interferir, nós achamos que temos que fazer alguma coisa, nós achamos que somos "nós" que acalmamos a mente, que despertamos êxtase meditativo, que destruímos as impurezas da mente, mas essa interpretação que fazemos é muito presunçosa e repleta de apego. Não conseguimos "abandonar o controlador", como diria Ajahn Brahm... E por isso que a meditação costuma ser tão difícil... Como estar ciente do desconforto com amor? Como estar ciente da inquietação com Contentamento? Inquietação essa que é aquele obstáculo (um dos 5 Nivaranas - Obstáculos para a Meditação Profunda) que fica procurando em todos os cantos para ver se está tudo certo - é o "buscador de defeitos" rs. "Minha mente está calma? Tem algum pensamento surgindo? Estou sem cobiça? Estou sem aversão? Estou respirando confortavelmente?" Como é possível que ao mesmo tempo que há essa Inquietação, há um Contentamento por trás? Já sentiu isso? É como se houvesse uma consciência satisfeita com qualquer coisa, dizendo "Pode reclamar mente... Pode se agitar, mente... Não tem problema, não vou discordar de você, não vou concordar com você... Apenas siga o seu caminho rumo ao silenciar a seu próprio tempo, não irei interferir", e ao mesmo tempo há "algo separado" procurando algo errado. E você tem que manter essa ciência que não interfere! Às vezes a inquietação vai ficando pior e pior, e é como se Mara nos provocasse: "Huummm... Parece que esse Dhamma do Buddha não funciona, parece que observar sem se envolver não funciona... VocÊ tem que fazer alguma coisa, você tem que interferir, tem que PARAR esses pensamentos!" e aí caímos no Desejo/Apego de novo, desejando que os pensamentos sumam, que o êxtase venha, e que alcancemos meditação profunda, e não alcançamos.

E quando você começa a encarar essas sutilezas da prática, você se pergunta - por que ir mais fundo? Isso já está bom! Já sou uma pessoa mais calma, trato todos muito bem, não preciso mais ficar treinando esse "sabedor"... Não aguento mais ter que aguentar o Sofrimento sem interferir, não aguento mais ter que olhar para todas as minhas experiências como Impermanente, Insatisfatório e Não-eu, quero um pouco de diversão! - e nessas horas uma das coisas que nos faz refletir de novo é o Renascimento.

Eu acho que é nesses momentos que precisamos parar e pensar - será que o Renascimento realmente faz alguma diferença?
Porque esses momentos são citados pelos monges constantemente! Isso é muito importante, e as vezes lemos um texto ou ouvimos uma palestra deles, e eles citam esses momentos em que precisamos apenas estar cientes e não percebemos, porque não desafiamos os nossos hábitos, porque não nos atrevemos a sentar ali e aceitar qualquer coisa que venha em nossa mente e treinar esse "não se envolver"! Achamos que meditar é não pensar - o que é meditação, realmente?

Pode parecer que estou desviando do assunto, mas o que eu quero ressaltar é que pode ser que só reconheçamos a importância dessa "confiança" no Renascimento quando nos lembremos dos momentos em que genuinamente só observamos. E para todos nós, no começo, é muito difícil perceber qual a diferença entre "observar o pensamento fluindo" e "fluir junto com o pensamento". Em ambos os casos o pensamentos está correndo, só que em um caso estamos envolvidos com o pensamento, no outro caso o reconhecemos apenas como formação mental, apenas como impermanente, apenas como insatisfatório, e o deixamos correr de acordo com sua natureza até silenciar a seu próprio tempo. E no início da prática podemos não perceber essa sutil diferença.

Te convido a observar algumas coisas que os monges falam:

[Ajahn Brahmavamso]:  Sentemos e fiquemos num lugar só, observemos o sofrimento simplesmente desaparecer por si só, sem que tenhamos que fazer o que quer que seja. A melhor coisa a fazer quando enfrentamos dificuldades como monge ou monja, ou como anagarika, é simplesmente ficar quieto, sem se mover.

Façamos como o Buda no Bhayabherava Sutta (MN 4). Se ele estivesse caminhando e viesse o medo, ele continuava caminhando até que o medo desaparecesse e só então mudava de postura. Se ele estivesse sentado, não ficava em pé, ele ficava ali sentado até que o medo declinasse. Se ele estivesse deitado ou em pé, a mesma coisa. Faça o mesmo quando houver algum sofrimento na sua vida. Não mude de posição. O que quero dizer é, não faça nada de diferente, mantenha-se na mesma posição, e eu garanto que qualquer sofrimento que você estiver experimentando simplesmente desaparecerá. Você descobrirá que o sofrimento não tem nada a ver com a forma através da qual tentamos manipulá-lo. Não tem nada a ver com o monastério, com o nosso corpo, com a nossa saúde, com a nossa idade ou com qualquer outra coisa. Isso é simplesmente o que o sofrimento faz, ele vem e vai por si mesmo.
Não importa o que quer que sejamos, o que quer que façamos, é a natureza do sofrimento – ele vem quando tiver que vir. Ele virá sem ser convidado e partirá sem permissão. Partirá quando tiver que partir, não quando quisermos que parta. Na verdade, quanto mais quisermos que ele parta, mais tempo ele permanecerá. Ele é assim, perverso. Na verdade, se o convidarmos e permitirmos que ele fique, ele não mais nos agüentará e partirá. Essa é a natureza do sofrimento.
(http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/felicidade.php)


ou veja esse vídeo da Jetsunma Tenzin Palmo:


Nele, ela diz 2 coisas importantes:
- aceitar tudo o que surgir na mente e deixá-lo ir, como alguém na beira de um rio observando o rio fluir.
- quando ela cita Ajahn Chah, ela comenta mais ou menos que devemos residir "naquele que sabe", e não naquilo que é "o sabido", ou naquilo que está sendo observado. Agora, o difícil nisso é que não costumamos diferenciar as 2 coisas - observador x observado. Nós não conseguimos separar o observador dos pensamentos, nós achamos que nós temos que ir ali e calar os pensamentos - e por isso não aprofundamos a meditação. Então algo importante é diferenciar o sabedor, dos pensamentos, ou a mente das formações mentais. E nisso fica a questão - por que aguentar o sofrimento, se no final vamos morrer?

Em seu livro "Santi - Peace beyond Delusion" (Santi - Paz além da Delusão), Ajahn Liem diz coisas muito interessantes sobre isso. Tenho ele em PDF, em inglês, se quiser. É muito interessante porque ele diz que às vezes passava dias sentindo Piti (êxtase, o prazer profundo que vem da mente meditativa e desatada) e, de repente, surgia um estado escuro e depressivo na mente dele, mas ele sempre voltava simplesmente à Atenção Plena, estando ciente e continuando a fazer suas tarefas rotineiras, deixando que essas sensações e formações mentais se expressassem por seu próprio tempo e depois cessassem sozinhas. Agora, isso é muito difícil. Imagine passar dias sentindo o êxtase da meditação e de repente você fica depressivo, vendo defeito em tudo? Você consegue manter "aquele que sabe", sem querer interferir? Sem pensar "EU devo ter feito algo errado porque aquele êxtase sumiu! Eu o quero novamente!" - que EU é esse, afinal? rs

No Kaccayanagotta Sutta, o Buddha diz:

[Buddha]: “Kaccayana, em geral este mundo é aprisionado por adesões, apegos e preconceitos. Mas uma pessoa como essa [com entendimento correto] não se envolve ou se apega através dessas adesões, apegos, fixações mentais, inclinações ou obsessões; e ela não toma uma determinação com relação ao ‘meu eu’; ela não tem dúvida ou perplexidade que aquilo que surge é apenas o sofrimento surgindo, aquilo que cessa é apenas o sofrimento cessando. O conhecimento dela com relação a isso não depende dos outros. É com referência a isso, Kaccayana, que existe o entendimento correto."


Se for olhar mais a fundo esse trecho: "ela não tem dúvida ou perplexidade que aquilo que surge é apenas o sfrimento surgindo, aquilo que cessa é apenas o sofrimento cessando." o Buddha resume tudo a sofrimento. "Além de sofrimento surgindo e cessando, não há mais nada!" - e é reconhecendo isso que o sabedor vai sendo desenvolvido, vai se estabelecendo e se acalmando, de tal forma que conseguimos observar os fenômenos surgindo e cessando sem ir se envolver com eles. Essa prática é sobre fazer o que é benéfico e estar sempre ciente do sofrimento, porque o sofrimento é algo a ser observado, penetrado e compreendido.

Basicamente, muito resumidamente, a prática é fazer apenas coisas com intenções generosas (isto é, que sejam feitas visando a beneficiar os outros seres) e, INDEPENDENTE DA EXPERIÊNCIA, cultivar essa ciência amorosa e contente, que aceita qualquer experiência e a permite cessar a seu próprio tempo. Agora, a compreensão que vamos desenvolvendo disso vai de muito superficial a muito profunda. À medida que nos aprofundamos nisso, essa prática desafia nossas ideias e hábitos mais arraigados. Chega um ponto em que começamos a observar tudo o que fazemos e nos questionamos: "Será que tudo que eu faço é em benefício dos outros seres? Será que eu como apenas para sustentar o meu corpo e beneficiar a todos os seres, ou como porque tenho desejo pelo prazer de comer? Qual a minha intenção em assistir esse filme, em ouvir essa música, em ler esse livro? A intenção é generosa - é de fazer algo bom a todos os seres? Quando minha intenção é genuinamente generosa, e quando ela é corrompida pelo Apego, que quer experiência x mas não quer experiência y?", o que quero dizer é que os ensinamentos do Buddha vão muito fundo, desafiando tudo o que imaginávamos que era felicidade, sofrimento ou paz. E na tentativa de entender e praticar corretamente, as pessoas fazem todo tipo de coisas doidas.

Algumas pensam "Assistir filme é apenas por desejo sensual, eu não posso assistir mais filmes, tenho que destruir esse Desejo Sensual" e aí elas vão lá, lutar contra o Obstáculo de Desejo Sensual, mas vão alimentando Má Vontade (não quero sentir esse Desejo!), Inquietação (o Desejo sumiu? Estou calmo? Minha mente está extasiada?) e Remorso (o Desejo surgiu de novo... Não posso deixar que ele surja... Aquilo que pensei foi muito sujo... Isso não é digno de um budista) e só vão alimentando mais o seu Ego... Não é assim que a prática funciona. O Buddha elogiou Contemplação da Morte, Amor Bondade, Contentamento, Contemplação da Impermanência, não esses Obstáculos. Primeiro, se você reconhece que foi assistir um filme sem intenção generosa e que há apego em sua mente, primeiramente aceite isso. Não tente reprimir. Qualquer experiência é boa o suficiente para estar ciente - isso é algo que eu sempre repito a mim mesmo. Ou como o Buddha diz - "Naquele que não há agitação[...] não há preferência", ou como dizia Ajahn Chah "Se você está seguindo seus gostos e desgostos, você nem começou a praticar o Budismo.". Então, primeiro: busque fazer apenas coisas que você reconheça que sejam feitas com a intenção de beneficiar a todos. Se foi fazer algo inadequado, aceite, reconheça o erro e esteja ciente dele - sem querer (envolvendo-se com ele, pensando e fantasiando) e sem não-querer (tentando destrui-lo, fazendo-o sumir). Deixe-o cessar a seu próprio tempo. Veja-o por o que ele simplesmente é - apenas uma formação mental, apenas um desejo que surgiu, e deixe-o silenciar sozinho enquanto você faz algo generoso. Se surgir depois um êxtase na mente, apenas esteja ciente. Não vá se vangloriando e se achando melhor do que os outros por causa disso. E, se você começar a se vangloriar, reconheça esse pensamento inábil e esteja ciente. Se o êxtase acabar, e você se envolver em tristeza, abandone essa tristeza (Desapegue-se dela) e esteja ciente. Se você se envolver com ela de novo, solte e esteja ciente. Essa é a prática, sabe... Só que não é fácil... Uma hora chega esse momento em que você percebe que tentar conhecer a mente vai fundo demais... Desafia tudo o que acreditávamos ser verdadeiro...

E nessas horas percebemos como uma das qualidades que o Buddha mais elogiava é muito mal interpretada: Saddha (Fé). A gente tem um problema com essa palavra Fé, mas ela é muito importante na prática. Sabe, temos que tomar cuidado com essa "mania" de "Eu só vou fazer isso se a Ciência me provar que funciona.". O problema é que Paz Mental ou a prática budista de meditação não é algo que você possa pôr em teste e mostrar para um auditório rs. A única "amostra" visível são os monges que trilharam esse caminho. Aqueles que reconheceram a paz e felicidade deles, começam a despertar essa qualidade de Fé, e aí eles vão testar por si mesmos essa prática. 

E aí entra um ponto muito importante - o Budismo é algo que nós temos que testar e ver por nós mesmos. Não tem como eu mostrar para você: "quando você faz isso, a mente fica assim, ó, sinta como a mente fica." - não tem como eu passar a sensação para você. Você tem que criar na sua mente as condições para sentir o que os monges sentiram, ou para ver o que eles viram. E é aí que entra Fé. Como você vai sentir algo que nunca sentiu? Não adianta esperar a Ciência te provar para você ir lá praticar, vai ter que ir testar! 

E por que nós vamos ir testar? Porque começa a surgir essa Fé no Buddha quando observamos que aqueles que o seguiram são muito compassivos e contentes. Aí nós vamos lá e tentamos meditar. Percebemos que nos distraímos, voltamos à respiração. Distraímos de novo! - De volta à respiração. No início não entendemos direito porque isso. Os monges dizem: "Apenas esteja ciente dos 6 sentidos e da cobiça e aversão que surgir nesse ponto de contato e desapegue." - o que é desapegar afinal? Só quando começamos a entender que mente é uma coisa e formação mental é outra que começamos a entender o que temos de fazer - temos de estar ciente de ambos, felicidade e sofrimento, e deixarmos que passem a seu próprio tempo. Aí fica difícil, muito difícil, porque aí começamos a entender o que os monges querem dizer com "Não interfira!", "Se você deseja o êxtase meditativo, não o terá!", "Pare de tentar silenciar seus pensamentos, deixe-os silenciarem sozinhos!", "Não é você que acalma a mente - você permite que a mente se acalme por si mesma.", "Apenas saia do caminho!"... Porque no começo nós lemos isso e simplesmente não entendemos: ou eu vou lá e tento parar a mente, ou eu a solto e começo a ir junto com meus pensamentos! Nós enxergamos só esses 2 caminhos. Só quando vamos treinando um pouco a Atenção Plena que percebemos que a mente é algo separado dos pensamentos, e aí começamos a entender o que é que temos que fazer, o que é o Caminho do Meio afinal. É fazer aquilo que é generoso, e estar ciente de o que quer que surja. Se surgir uma sensação boa, reconheça-a como tal e deixe-a cessar, sem cultivar apego. Se surgir apego, reconheça-o como tal, e deixe passar. Enquanto isso, continue fazendo aquilo que é generoso - coma para sustentar o seu corpo, e lembre-se que deve comer com essa intenção. Vá trabalhar para servir aos outros seres e, em troca, conseguir o básico para viver, e reconheça a intenção benéfica por trás disso. 

E sempre tome cuidado com os 5 Obstáculos! Se surgir Desejo Sensual - o que você está desejando fazer ou sentir, é em benefício dos outros seres ou apenas do seu Ego, das suas preferências? 
Se surgir Má Vontade - por que é que você ficou com raiva do jeito que falaram com você? Largue essa raiva, esteja ciente dela enquanto ela cessa a seu próprio tempo, e vá fazer o que é generoso, não seguir suas preferências tolas! 
Se surgir Inquietação - pare de querer selecionar o que você está experimentando, porque qualquer experiência é boa o suficiente! Se o corpo estiver doente, a mente inquieta, repleta de desejos, tudo bem, sempre retorne a esse "estar ciente" e observe o sofrimento surgir e cessar. 
Se surgir Remorso - pare de se agarrar ao passado! Ficar lembrando dos seus erros e se torturando por isso não irá fazer com que você os evite no futuro. Se você tem um forte condicionamento para o Desejo, ele continuará surgindo muitas vezes ainda - você não pode acabar com esse condicionamento por força de vontade. Apenas reconheça o erro, perdoe-se e corrija-se no momento presente voltando a estar ciente, pacífico e contente. 
Se surgir Preguiça ou Torpor, pare de brigar com essa sensação! Pare de querer sempre estar disposto. Preguiça é apenas Preguiça, Torpor é apenas Torpor - não são o seu Eu, deixe-os passar de acordo com sua própria natureza, e questione-se com honestidade: comi demais hoje? Há motivos para meu corpo estar cansado? Se sim, seja gentil com seu corpo e lhe dê um descanso. Se não, continue seu trabalho e deixe que essas sensações passem a seu próprio tempo. 
Se surgir Dúvida - apenas esteja ciente. Dúvida sempre quer fazer você interferir com seus Desejos. Desnecessário - apenas esteja ciente.

Eu escrevi tudo isso porque eu acho importante olhar dessa perspectiva. A prática budista é sobre compreender o sofrimento, para então abandoná-lo. E para compreendê-lo, nós o atravessamos, nós o observamos, constantemente! E não é fácil ter de deixar o sofrimento vir, estar e passar sem interferir. Nós queremos fazer alguma coisa, mas temos que voltar a esse "estar ciente". Não é fácil, isso desafia fundo os nossos condicionamentos. 

E lembre-se, tudo isso começa com Saddha (Fé), que surge de ver os monges e vai surgindo pouco a pouco a medida que vamos desenvolvendo nossa Atenção Plena. E é assim que surge a Fé no Renascimento também. Porque, pouco a pouco, vamos enxergando os benefícios. Porque, pouco a pouco, vamos enxergando que não somos nós que fazemos a mente silenciar - é só quando paramos de desejar o silêncio que ele floresce. Só que isso é muito desafiador, porque um dia você só está ciente, vem o silêncio e você diz - "Uau! Agora entendi!". No dia seguinte você faz a mesma coisa e a mente não para. Aí você fica depressivo, fica com raiva, não entende nada, e aí perde todo o ponto - estar ciente. Você vê todo o sofrimento e questiona - qual o sentido dessa prática? Ou eu paro por aqui, ou eu vou mais fundo, mas para quê?

O ponto é: A mente está em êxtase? Esteja ciente. A mente está inquieta? Esteja ciente. Mantendo essa ciência com dias inspiradores e depressivos alternando-se é que, pouco a pouco, vamos tendo cada vez dias mais inspiradores e "satisfatórios" (MUITAS aspas rs) e alcançando o estado mental calmo capaz de penetrar a natureza verdadeira da realidade.

Mas esse estar ciente não é fácil, porque NÓS achamos que se estamos ciente então tudo tem que começar a se acalmar, mas as vezes só piora. Nos distraímos - voltamos a respiração. Nos distraímos - voltamos a respiração. Fazemos isso de novo e de novo mas a mente só se agita mais e mais. Pensamos: "Por quê? Isso funcionou antes! Quando fiz isso da última vez a mente foi acalmando e eu senti aquele Êxtase incrível, por que agora a mente só está pensando mais e mais?" é aí que perdemos todo o ponto da prática! Apenas esteja ciente.

É como Ajahn Brahmavamso diz: não importa o que você está experimentando, mas o que você está cultivando. Se há êxtase, isso é bom o suficiente - esteja ciente. Se há raiva, isso é bom o suficiente - esteja ciente. Se há desejo sexual, fome, alegria, paz, agitação, remorso, tristeza, euforia, prazer, dúvida, cansaço - isso é bom o suficiente - esteja ciente. Porque a medida que você alimenta essa ciência, ela cresce, e o resto vai acalmando - só que temos que entender que nesse acalmar, muitas vezes, as coisas pioram de vez em quando rsrs...
Mas a prática é só isso, estar ciente.

Olhe a frase no topo do site - "evitar o mal, cultivar o bem"... Eu tenho simplificado ainda mais - "Não fazer o mal, fazer o bem.". Fazer o bem é estar ciente, o resto é fazer o mal rsrs... Mas se estamos cientes do mal que surge em nossas mentes e deixamos que ele venha, esteja e passe de acordo com o seu próprio tempo, e volte de novo quantas vezes precisar, ele ficará cada vez mais fraco. É como um cachorro que sempre vem nos infernizar e nós o alimentamos para ele ir embora. Quando paramos de alimentá-lo, não adianta desejarmos "Que ele nunca mais volte", ele virá nos infernizar de novo e de novo. Pode ser que no 10º dia de jejum ele nos infernize muito mais do que no 3º dia sem comida - apenas não alimente-o de novo. Continue nisso, e uma hora esse cão não aguentará mais e desistirá.

Com nossas impurezas mentais é a mesma coisa. Não podemos querer que ao estarmos cientes, a partir dali a mente só ficará cada vez mais calma. Pode ser que no 10º dia após isso a mente fique muito mais ardente do que no 3º dia - não mude a prática, apenas esteja ciente e não vá se envolver. Se for se envolver, é prazer. Se for tentar destruir o pensamento, é desprazer. Apenas "let it come, let it be, let it go" - deixe vir, deixe estar, deixe passar.

Esse "querer" é que é o problema! Esse desejar que a raiva vá embora, que o Desejo Sensual diminua, que a mente perfeccionista se dê por satisfeita, que a Dúvida desista de seus questionamentos... é esse desejar que leva ao Sofrimento - essa é a Segunda Nobre Verdade! Largue todos esses desejos, e apenas esteja ciente.

É por isso que o Ajahn Brahm fala que o importante não é a experiência, é o que estamos alimentando! O importante não é se o cão está mais irritante do que ontem ou se a mente está mais agitada do que ontem, o importante é se continuamos a cultivar somente o sabedor amoroso e contente, sem alimentar o cão ou o pensamento.

E tudo de bom que o Buddha ensinou está nesse simples "estar ciente". Quando contemplamos o aspecto repulsivo do corpo, está esse "estar ciente". Não é para contemplar DESEJANDO "Que o Desejo Sexual suma, desapareça, saia!!!", mas contemple apenas para se lembrar do que é o corpo. Se só com isso o Desejo Sexual sumir, esteja ciente. Se ele não sumir, enfraqueça-o um pouco com essa contemplação e depois apenas esteja ciente dele, talvez ele dure o dia todo rs - apenas esteja ciente e abandone as preferências.

Como eu disse, às vezes Mara vem tentar nos confundir: "Parece que só estar ciente não acalma a mente - ela está agitando mais e mais. Melhor interferir... Melhor fazer alguma coisa... Melhor DESEJAR fazer algo, porque só observar não está adiantando... Só Atenção Plena não funciona... Só olhar corpo como corpo, sensação como sensação, não adianta...", eu gosto muito quando eu começo a vacilar e a duvidar do sétimo fator do Nobre Caminho Óctuplo, que é Atenção Plena Correta. O Buddha diz que consiste em ver forma como forma, sensação como sensação, formação mental como formação mental, consciência como consciência, ardente, plenamente decidido, abandonando prazer e desprazer pelo mundo (isso é, sem cobiça e aversão, sem desejo).
Então, estamos lá observando o pensamento (formação mental) e surge Cobiça. Aí ficamos tristes, revoltados - não, não consigo cultivar a Atenção Plena Correta! Não consigo olhar para o pensamento sem prazer ou desprazer pelo mundo!Nessa hora não percebemos que nós temos que olhar para a própria Cobiça sem desejo, sem prazer ou desprazer pelo mundo. Esse é um trocadilho legal: você consegue olhar para o prazer sem prazer ou desprazer pelo mundo? Você consegue olhar para o desprazer sem prazer ou desprazer pelo mundo?

Melhor ainda: você consegue olhar para o desejo sem desejo? Sem desejar "Eu não quero sentir desejo!" ou "Que desejo delicioso, queria ter isso e isso..."? Isso é possível, a medida que a Atenção vai separando Mente e Formação Mental - 2 coisas diferentes. Leia esses trocadilhos, reflita sobre eles e tente observar seus pensamentos com isso em mente, e aos poucos você vai separando o Observador do Observado, aos poucos você vai tirando a Mente dessa tempestade de pensamentos cobiçosos.

Essa é a prática meditativa. É sobre abandonar os desejos. Então, se seus condicionamentos dispararem e surgirem vários desejos, por favor, desapegue-se dos desejos pelos seus desejos. Permita que seus desejos venham, estejam e cessem. Esteja ciente deles. 
Ame o seu ódio. Sorria para o seu perfeccionismo. Entende?
Se surgir a mente perfeccionista, procurando defeitos, apenas sorria - tudo bem mente, tudo está bom o suficiente. "Não, tem alguma coisa errada, a mente não está muito calma..." - tudo bem mente, essa agitação é boa o suficiente para eu fazer aquilo que é benéfico. 
É isso que significa "Não importa o que você está experimentando, mas o que você está cultivando!". 

[Ajahn Brahm]: Não se trata do que é experimentado na meditação, o que muda é como a meditação é experimentada. Se estivermos aborrecidos, estaremos contentes com isso? Se realmente estivermos contentes, o aborrecimento não durará.
Toda inquietação é uma tentativa de fuga. Fuga através do que? Através do descontentamento. Se estivermos descontentes com a nossa inquietação, esta estará sendo alimentada. Se estivermos felizes por estar aqui com essa mente velha e estúpida, então a mente para.


Olhe todos esses trocadilhos! "Estar contente com o aborrecimento"... Você entende? Surge o Desejo na mente, e nós pensamos "Bom, nessa prática estamos buscando uma mente sem desejos, então, esse desejo que surgiu está errado!", e aí cultivamos mais desejo. Se surge raiva, cultivamos mais raiva. Se surge cobiça, cultivamos mais cobiça. Não percebemos que, se surge ódio, ame o seu ódio. Se surge perfeccionismo, cultive frugalidade (satisfação com pouco). Se surge remorso, cultive perdão. Se se distrair, volte a respiração! Se se distrair de novo, não vá alimentar desejos (Droga, não QUERO me distrair mais), apenas volte a respiração de novo. Continue treinando o sabedor, aquele que sabe, continue treinando esse "estar ciente", esse observador na beira do lago que flui.

No livro PDF do Ajahn Liem que citei, há um trecho em que ele diz que ele começa a treinar a sua mente para abandonar essa ideia de certo x errado - qualquer coisa que surgir, é boa o suficiente. Não desperte o desejo de "Isso posso experimentar - aquilo não posso experimentar" - ACEITE QUALQUER COISA QUE VIER! Não é você que controla os pensamentos que surgem, porque eles não são o seu Eu. Isso depende do seu condicionamento. O que vier, aceite, mas não tente destruir nem se envolver, apenas esteja ciente.

E cuidado com as armadilhas de Mara que tenta te confundir dizendo: "Como assim não há certo e errado? O Buddha não falou que tem certo e errado? Que certo é amor, compaixão e gentileza? Então você só tem coisa errada, olha quanta coisa errada surgindo - raiva, ódio, inquietação - não vai fazer nada?" não se engane! Não busque o certo e o errado nos pensamentos que surgem, busque na atitude/intenção que você tem para com eles. Não confunda. O problema não é o desejo que surgiu, mas o desejo que você passa a alimentar. É esse desejo por interferir, sempre querendo fazer alguma coisa, que estraga tudo.

Então, tudo isso é importante para lembrar: não somos nós que fazemos uma boa meditação, nós permitimos que ela ocorra quando apenas estamos ciente e reduzimos os desejos:

[Ajahn Brahm]: Você não alcança os Jhanas (meditação profunda) quando os deseja, eles ocorrem somente quando você constrói as causas para que eles aconteçam. A causa principal é o aquietamento da mente, mantido por longos períodos de tempo. A energia vai para o "conhecimento puro" (sabedor, aquele que sabe), e então a mente vai fundo no lotus, abrindo suas pétalas estágio por estágio - não de acordo com seus planos, não quando você desejar, mas de acordo com a sua hora natural. Isso acontece porque você está silencioso, e você está silencioso porque você está contente com pouco, facilmente satisfeito, sem demandar coisa alguma. Se você fizer isso em sua vida diária, você estará construindo as causas para meditação profunda.
Quando você não é facilmente satisfeito, quando você está repleto de demandas e desejos, você também fica inquieto. Quando você não consegue o que deseja, seus desejos aumentam, e você entra num ciclo terrível de desejos. Você sabe como é quando ficamos desesperados: você não quer caminhar, você não quer se sentar, você não quer dormir, e você pensa "Não há nada que eu queira fazer, e o que quer que eu esteja fazendo agora, também não queria estar fazendo.". É horrível estar nesta situação em que nada te satisfaz. Isso acontece porque você desenvolveu isso, porque você criou as causas para isso com as atitudes erradas e com atenção direcionada aos lugares errados. Mas se você desenvolver o silêncio e a calma por ser facilmente satisfeito e contente, você estará criando as causas para que meditações poderosas aconteçam. Se você apenas sentar-se, contente, silencioso, e aceitando que isto é bom o suficiente, tudo começará a acontecer. Você pensará 'Finalmente eu posso fazer isso!'.

Sempre lembre-se que não é que você pode fazer isso, isso ocorre porque você não está ficando no caminho. O processo acontece quando "você" desaparece. Quando você está demandando, "você" está lá. Quando você tem má vontade, "você" está lá. Quando você tem apego, "você" está lá. Quando você tem tédio, "você" está lá. Todas essas coisas criam uma ideia de "Eu" que pensa que possui as coisas e se envolve. "Você" é o problema. [...] Quando sua ideia de "você" desaparecer, não haverá má vontade ou desejo, porque eles são parte do Ego e da ilusão do Eu. Então só poderá haver paz e contentamento."
(Traduzido do Livro "The Art of Disappearing", de Ajahn Brahmavamso - pág 48)

Agora, quando surge o tédio, como exemplo, mas você volta a estar ciente, então essa ideia do "Eu" vai sendo deixada de lado, e o que há lá é apenas tédio. O que há ali é apenas raiva, apenas desejo, apenas má vontade. São apenas formações mentais. Vendo-as por o que são, impermanentes, insatisfatórias e não-eu, nós deixamos que cessem, e a medida que isso é feito, vai sobrando somente silêncio, paz, contentamento e amor-bondade. Isso deixa a mente poderosa, e é essa mente firmemente "concentrada" e unificada que passa a enxergar a realidade profundamente tal como ela é, dando lugar à sabedoria.

Se você for ver o vídeo de 20min mais ou menos do Matthieu Ricard, aquele monge tibetano considerado o homem mais feliz do mundo, tem uma parte muito interessante da palestra em que ele diz que o bem-estar de que trata o Budismo é uma paz que permeia qualquer coisa, até mesmo a tristeza. Ou seja, nessa prática conhecemos um Contentamento que é capaz de surgir junto até com a Tristeza. O que é isso? É o Contentamento de apenas estar ciente. Pare de desejar que o desejo vá embora - apenas esteja ciente dele cessando a seu próprio tempo. 


Agora, para se atrever a tentar isso e MANTER isso, tem que ter alguma fé. E essa fé vai surgindo junto com a prática. Aos poucos despertamos a fé no Renascimento também, e ela vai crescendo junto com a prática, até que alcançamos aquele nível em que a mente está maleável e muito calma - é aí que podemos ver vidas passadas por nós mesmos. No Pubbakotthaka Sutta, o Buddha diz a um dos seus destacados discípulos que um praticante iniciante precisa se basear na fé nos outros para crer que essa prática leva à Paz. Mas essa fé vai aumentando, junto com sabedoria (e aqui no Ocidente nós contrapomos fé VERSUS sabedoria) a medida que meditamos e vemos que um pouco de desapego leva a um pouco de paz. Então, o total desapego, deve levar a paz total, conforme esses ensinamentos pregam. Isso é algo que é visto por si mesmo, e não apenas por mero raciocínio, ou porque diz a tradição, ou porque disse um profeta - que é aquela estrofe que todos usam para dizer que Budismo é racionalista. Tem que tomar cuidado com essa afirmação, pois Buddha também tratou de coisas metafísicas, mas ele não pedia fé cega.
Então, aos poucos vamos percebendo que a prática é essa, e que para aguentar, precisamos de alguma fé, que vai crescendo junto com a prática. Aos poucos, a fé no renascimento também é desenvolvida.

Entender o Caminho do Meio é uma grande bênção. Abandonar os extremos da indulgência e da mortificação e seguir o desapego. Muitos de nós vamos pela mortificação, achando que a ascese do corpo ou mesmo da mente, tentando forçar a mente a calar-se é o caminho, mas como o Buddha disse no verso 184 do Dhammapada, a paciência é a maior ascese. Então, a prática é sobre "aguentar" estar ciente e deixar cessar, sem desejos, mas apenas estando ciente com contentamento.

Então, se você leu tudo isso achando que era tudo sobre renascimento e agora percebeu que escrevi tudo isso falando mais da prática do que o renascimento, e se isso fez surgir uma raiva em você, por favor, apenas esteja ciente e sorria  Rindo

Paz a sua mente. Eu sempre digo isso, mas se for olhar, não está muito certo. Melhor dizer "Paz em suas atitudes", porque mesmo que não haja paz em sua mente, tenha uma atitude pacífica. Mesmo que haja desejos em sua mente, tenha uma atitude simples, contente, leve, sem muitos desejos, sem muitas demandas.
E reflita sobre isso: quando vêm o sofrimento, nós sempre ou tentamos fugir dele através da fantasia, ou nos jogamos nele, caindo em depressão, ou tentamos mudá-lo por meio da força de vontade. O Budismo é sobre observar o sofrimento, compreendê-lo e reconhecer o desejo como sua causa para então abandoná-lo. Abandonando o desejo, abandonamos o sofrimento. Só então, Paz.  Agradecimento
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AdrianaMaeda

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Mensagem Qua 8 Jul 2015 - 16:58

Estimado Administrador (não sei seu nome rsrs)

Muito obrigada pelo texto tão cuidadosamente elaborado. Obrigada pelo tempo que você se doou a isso, no meio da semana, com tanta dedicação :)

Senti nas suas falas o relato detalhado da sua prática e fico muito grata de poder conhecer a sua experiência. Só temo que vc tenha compreendido a minha primeira mensagem como algum tipo de contestação ou agressividade. E temo que isso o tenha levado a fantasiar coisas a meu respeito e da minha prática (por favor, não interprete como ataque as minhas palavras, eu apenas acredito que a linguagem objetiva facilita o entendimento).
Quanto a sua mensagem, notei que usar os termos "nós" e "você" para se referir à "sua" prática mostra, talvez, um entendimento que o Caminho e os obstáulos sejam seja imutáveis para todos (por isso utilizarei só o termo 'eu' nas minhas descrições). O mesmo poderia ser aplicado a sua aferição gratuita de que isso faria surgir alguma raiva em mim (acompanhada da solução rsrs).
O que surgiu em mim foi uma gratidão muito grande pela seu texto. 
Queria que você soubesse que ja experienciei durante muito tempo isso de querer interferir. O que aconteceu comigo é que à medida que fui amadurecendo o entendimento, essa postura se tornou tão natural que hoje em dia eu penso coisas como "mas era tão fácil, pq eu não enxergava?", "era tão simples apenas deixar ir". Quando eu olho para trás, vejo que é muito mais fácil do que eu imaginei que fosse. E vejo que o que foi decisivo para a consolidação dessa postura foi perceber o apego a uma ideia fantasiosa de como as coisas funcionam. Isso é de uma sutileza tão grande que eu não me atrevo a tentar explicar. Eu costumo chamar a pessoa que eu era na época de 'grande conquistadora de objetivos' que via tudo como um jogo de esforço-recompensa.
No mais, se divido essas coisas íntimas de minha prática é com a esperança de que seja útil aos leitores do forum. E se não entro em detalhes é que percebo que por muito tempo a minha vaidade disfarçou-se de compaixão (tentando "ensinar" os outros).
Espero que estejam esclarecidos eventuais mal-entendidos sobre a meu posicionamento na mensagem anterior.
E reforço que estou muito feliz pela oportunidade de discutir estes temas com você, prezado admistrador, por quem tenho grande respeito.
Um abraço a todos!!
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Mensagem Sab 11 Jul 2015 - 10:29

Olá AdrianaMaeda, meu nome é William Feliz
Desculpe se em algum momento transpareci alguma intenção ou compreensão parecida, mas não entendi seu comentário como um ataque ou contestação rsrs...
Embora tendo lido seu comentário e depois relido o que eu escrevi, me parece que no momento em que fiz o meu comentário acho que me envolvi com intenções inábeis... Na verdade, o texto nem foi elaborado - fiz na correria - e pode ser que eu tenha escrito ele mais para mim do que para você, pois como pode ver, em alguns comentários eu estudo ao mesmo tempo, ligando um monte de links com várias ideias  Rindo
Quanto a minha aferição sobre sua raiva no final do texto, isso só evidencia minha falta de originalidade, pois copiei isso de uma palestra do Ajahn Brahm - intitulada no Youtube como "Loving your Sufferings", em que ele fala justamente sobre tratar o Desejo com Amor, Desapego - tratar a experiência com uma atitude "contrária" a o que costumamos cultivar diante de certas experiências, como desejo e aversão -, dizendo que devemos abandonar nossos desejos pegajosos e receber qualquer coisa que venha, "abraçar qualquer experiência e transformá-la". Ao final ele diz que se alguém não gostou da palestra, "por favor, abrace essa dor" rsrsrs... Então ele só faz uma brincadeira no final resumindo tudo o que ele disse, e eu copiei o mesmo trocadilho - dessa intenção eu me lembro claramente quando escrevi o texto. Mas é claro, é apenas uma piada  Sorridente

Apesar disso, o essencial do que eu escrevi é o que eu vejo como algo benéfico mesmo. Quando você pensa nesses momentos de sofrimento que duram o dia todo, ou até mais de um dia, e você pensa nessa ideia do Renascimento, isso traz energia, confiança, ou até paz... É algo interessante de considerar e, progressivamente, de acreditar ou até apostar. Essa é a qualidade de Saddha (Fé) no Budismo, que cresce junto com a prática.
É muito interessante lembrar disso quando vemos pessoas boas sofrendo, ou pessoas que fazem muitas coisas ruins mas "estão sempre levando a melhor" rsrs. Eu sempre lembro de como Ajahn Chah ficou totalmente incapacitado nos últimos anos de sua vida, e isso nos estimula quando pensamos que mesmo Arahants, que trilharam todo o caminho, ainda sofrem as consequências de Kamma/Karma passado, e portanto não adianta fugir - deixe vir, deixe estar, deixe cessar. Isso não é meu Eu, não é uma vontade de Deus, não é um acaso - é o Karma que fiz em alguma vida passada... Nem me lembro de quem fui, ou o que fiz, mas quando vamos pegando confiança nesse ensinamento por meio da prática e de nossas experiências meditativas, isso nos ajuda a estimular uma responsabilidade e uma paciência muito resilientes, que nos permitem tolerar qualquer coisa que venha sem esse "interferir". 
Mas é claro que alguns vão avançar gradualmente mais baseados em sabedoria do que em fé, outros terão ambos equilibrados, outros avançarão mais embasados em fé do que em sabedoria, mas a medida que avançamos, ambas qualidades chegam a um ponto muito belo de convergência. 

Então, como eu disse no início, concordo com o que você disse, mas acho interessante o trocadilho, a mudança de perspectiva e foco para refletir sobre os benefícios que essa confiança, essa fé traz a prática. A medida que avançamos na meditação, vamos construindo mais fé na cessação, no silenciar, no abandono, como diz Ajahn Brahm. Tudo o que experienciamos entregamos à natureza, ao silenciar, deixamos passar... E com isso reconhecemos nossas experiências no relato dos outros... Lemos os Suttas, ou o que os monges dizem, e reconhecemos nossa experiência ali. É claro que não precisa entender isso como "o caminho é o mesmo a todos". É, mas não é, não é? rsrs O caminho é o mesmo: o Nobre Caminho Óctuplo. Naturalmente cada um terá que utilizá-lo em circunstâncias diferentes, mas o que se descobre é a mesma Verdade. Isso mostra apenas mais um ponto de como a fé vai andando junto com a prática. Se achar benéfico, considere. Se não, desculpe-me, apenas desconsidere e muito obrigado pelos seus apontamentos  Piscadela
E desculpe a demora para responder, ou talvez uma futura demora, quem sabe rsrs...
Fico de olho nesse Fórum eventualmente, mas é meio difícil entrar para comentar... E como você deve ter percebido, é bom eu tomar cuidado para não entrar uma vez ou outra na correria, porque aí acabo me envolvendo com as coisas erradas  Calado 
rsrs, enfim, obrigado por o que você disse e paz  Feliz
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AdrianaMaeda

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Mensagem Seg 13 Jul 2015 - 15:17

Obrigada, Caro William!! :)
Uma ótima semana você e a todos do forum!
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