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GabrielSlash

Discípulos
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Masculino
Define-se budista? : Não
Mensagens : 2

Mensagem Seg 5 Maio 2014 - 15:42

Olá, prazer. Me chamo Gabriel e tenho 19 anos. Bem, não sou uma pessoa ligada à religião, muito pelo contrário, nunca tive a menor vontade de ir à Igreja e seguir " dogmas ". No entanto, andei me interessando pelo Budismo e seus preceitos. Sou uma pessoa reservada ,não me importo com as famosas " bebedeiras " e baladas, e possuo uma ânsia enorme sobre o fato de não conhecer o mundo como ele deve ser conhecido. Nos últimos meses, estimei a natureza e desejei estar em torno dela como nunca antes. Enfim, estou " perdido " mentalmente/emocionalmente com tais questões. 
Como já foi dito, não sou budista e não me considero católico. O Budismo me atrai , pelo que consegui pesquisar, por tratar a questão da natureza e da paz de espírito de maneira diferente,sem dogmas religiosos ; por tratar a mente e a alma, e por tratar o ser humano,em todas as suas esferas, de forma plana e esclarecedora.
Portanto, gostaria de entender melhor sobre o Budismo, sobre seus ensinamentos, sobre sua meditação e todo o resto. 

Obrigado, Gabriel.
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Administrador

Admin
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Dom 25 Maio 2014 - 11:49

Olá GabrielSlash, seja bem-vindo ao Fórum Sangha Online  Bem-vindo! 
Lendo o que você escreveu, me recordo das várias reflexões que empenhei, e continuo empenhando, em perceber como a cultura em que vivemos nos faz pensar que se sairmos do estilo de vida que ela ensina, somos alguém anormal, um "desvio social".
O Budismo me ensinou muito a olhar para o ser humano como ser biológico e espiritual, ou seja, como ele é em essência - as culturas são apenas manifestações variadas. Me lembro que Ajahn Brahm disse que na Tailândia as pessoas não sentem luto, tristeza por alguém que morreu - se agirmos assim aqui no Brasil vão dizer que somos loucos e sem sentimentos, não é?
A Cultura enfia muita coisa na nossa cabeça rs. E uma delas é associar felicidade ou à agitação ou à ausência de tarefas. No primeiro, as pessoas associam felicidade a uma pessoa "alegre", que fala muito, que vai a festas, viaja e vive uma vida extremamente social. No segundo, as pessoas associam felicidade ao conforto de não ter muitas tarefas (tarefa no sentido de "coisas que não gosto de fazer, mas tenho de fazer"), podendo realizar o que elas querem - comer o que gostam, assistir o que querem, terem "livre arbítrio aumentado" rs.
Gosto de confrontar essas visões com a vida dos monges, porque eles encontram o maior êxtase e paz com uma vida calma, mas repleta de tarefas - ou seja, o oposto das duas mentalidades básicas que nossa cultura tem para definir o que é felicidade. Os monges não buscam felicidade em muita sociabilização e conversa, mas vivem uma vida reservada e discreta, com poucos estímulos (não buscam prazer em TV, músicas, sabores, comidas) e poucas conversas. Além disso, eles têm muitas tarefas - construções de seus monastérios, aconselhamento de leigos, limpeza do monastério, cerimônias budistas, entre outros. Isso é, eles tem uma rotina - não fazem simplesmente o que querem fazer. Apesar disso, são, para mim, as pessoas mais felizes. Como isso?
Eu falo isso para enfraquecer nossa confiança no que a Cultura e a Sociedade nos ensinam. Nós temos uma grande dificuldade de encontrar felicidade fora dos padrões sociais, só que, atualmente, a felicidade maior está fora do que é feito pela maioria - caso contrário depressão, desânimo e melancolia não seriam coisas comuns.
Você já me parece ter dado um passo adiante, que é olhar um pouco fora do que te ensinam. O difícil é quando temos esse conflito de querer fazer o que vemos como espiritualmente benéfico, mas ao mesmo tempo não querer entrar em conflito com o que a sociedade define como normal ou aceitável.
O Budismo, como eu disse, ensina a ver as coisas de uma nova maneira mais real e a lidar com elas de maneira mais flexível. Eu digo que eu assisto filme com a minha mãe, vou a algumas festas dos meus amigos e ajudo a fazer pratos exóticos; mas que eu faço isso para não ficar extremamente fora do grupo em que vivo, porque para mim há felicidade muito maior do que essas coisas - aliás, ser capaz de abrir mão dessas coisas já é uma grande felicidade, porque você percebe que os impulsos habituais da mente em querer coisas novas, ou um prazer sensual, são apenas impulsos que surgem e passam. Você descobre que se não atender seus desejos ardentes, eles desaparecem. Aqui há outra associação errada: associamos felicidade à saciação dos nossos desejos. O problema é que quando atendemos nossos desejos, criamos a tendência de que eles voltem e de que nós os atendamos novamente, caso contrário eles ficarão nos incomodando por um longo tempo. Mas quando você não os atende e os permite cessar, descobre a incrível paz de não ter que ficar fazendo tudo o que quer e de ser uma pessoa com menos desejos.

A meditação é a base para realizar isso. A meditação é um processo de desapego progressivo, em que você abandona cada vez mais coisas, mais movimento, para se aprofundar em um silêncio cada vez mais profundo. Por isso meditação vem do termo Samadhi - samadhi significa a capacidade de sustentar a atenção em algo. Quando você sustenta a atenção em algo e se aprofunda nisso, a percepção do restante enfraquecer, você se "desapega" do resto. O Samadhi que conhecemos é o de assistir TV e ficar tão concentrado que nos desapegamos do que está acontecendo lá fora ou mesmo dentro de nossas mentes - assistimos TV de forma tão distraída que nem percebemos que pensamentos os programas de televisão despertam e alimentam em nossas mentes. O Samadhi Correto é aquele de sustentar a atenção cada vez mais fundo dentro de nossas mentes e percepção. À medida que mergulhamos dentro de nós, nossa percepção fica reduzida a um campo cada vez menor. O que acontece quando percebemos um campo menor do mundo? Percebemos menos coisas em movimento, porque tudo o que existe está em movimento. Portanto, quanto menos coisas percebemos, menos impermanência é percebida. Quanto menos impermanência é percebida, maior a tranquilidade, porque não temos que passar por várias ondulações. Quanto maior a tranquilidade, maior a felicidade e a paz.
Aí você diz: então Nirvana é quando não se percebe mais nada? Bom, o Buddha não definiu Nibbana como a cessação da forma, sensação, consciência e também da percepção?
Quanto a questão se existimos depois de Nibbana, isso é melhor deixar de lado. Só escrevi o que escrevi para você entender como meditação funciona como esse processo de encontrar a felicidade interna por ser capaz de permitir que os desejos e impulsos cessem. Você não os alimenta mais, mas os deixa arder - e isso requer paciência. Com o tempo, eles enfraquecem e você descobre a incrível paz de ter poucos desejos.
Com isso, existem menos impulsos que você têm de satisfazer. Isso é a liberdade - menos pensamentos famintos pedindo por comida, televisão, música, sexo, reputação, fama, elogios, e tantas outras coisas.
Sua felicidade passa a residir no silencio, na tranquilidade, em ajudar os outros, no abrir mão dos seus desejos egocêntricos, entre outras coisas.
O Budismo é várias outras coisas além disso. O que eu contei aqui é a base do porque o Budismo leva a uma felicidade interna, fora dos padrões sociais que você tem percebidocomo conflitantes a si por ser uma pessoa reservada.
Qualquer outra dúvida, comente!  Feliz 
Paz a sua mente  Reverência 
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GabrielSlash

Discípulos
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Define-se budista? : Não
Mensagens : 2

Mensagem Dom 25 Maio 2014 - 22:26

Olá Admin.Por favor, me diga o seu nome. Hahaha 
( Esqueci de mencionar minha região. Sou do interior de São Paulo. ) Rindo  Rindo 

Adorei a sua oposição entre a Cultura imposta sobre nós pelo mundo capitalista em que estamos expostos com a absoluta abstenção da mesma pelos monges. Realmente me fez pensar. 

Bem, ainda sou " dependente" , por assim dizer. Eu estudo, presto vestibular para Medicina. Logo, os livros ocupam praticamente 100% do meu tempo. Eu realmente associo felicidade à saciação de alguns desejos, tais como viajar e conhecer diferentes culturas e povos, como foi dito no meu primeiro Post. Mas, ao meu ver, não é um desejo imposto pela Cultura, e sim um prazer interno, algo que venho sentindo há um bom tempo e que está associado à conhecimento e percepção de mundo. Enfim, não sou a melhor pessoa para se definir tal desejo, acho que estou entrando em contradição com o Budismo já nesse parágrafo. hahaha

Pelo seu texto, pude associar o Budismo com o Epicurismo e o Estoicismo. Assim como foi dito pelo senhor e é pregado no Epicurismo, a amizade é necessária;e os desejos, quando exacerbados,são fontes de perturbação e danificam a paz de espírito.Com relação ao Estoicismo,pode-se inferir pelo texto que o homem consciente e sábio torna-se livre das influências externas, como é pregado pela doutrina filosófica.

Seu texto me fez abrir um pouco os olhos sobre essas questões. O Budismo realmente se assemelha à essas duas doutrinas ou foi um equívoco? Desculpe, estou questionando para meu próprio entendimento. 

Ainda não tive muito tempo para ler as sessões do fórum, mas prometo que irei buscar, com o meu pouco tempo, conhecimento sobre o Budismo, e com toda certeza, trarei minhas dúvidas.

Obrigado, Gabriel.
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Administrador

Admin
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 472

Mensagem Dom 8 Jun 2014 - 21:06

O meu nome é William, Gabriel  Sorridente 
Ah sim... É complicada essa questão dos desejos. Agora, o que me vem à cabeça é que dá para resumir os desejos em três grupos: desejos provenientes de impulsos biológicos; provenientes de influências culturais e provenientes das atitudes/ posicionamentos do indivíduo.
Os desejos provenientes de impulsos biológicos são interessantes - são aqueles que provêm da própria natureza humana e também da natureza do funcionamento cerebral. Hábitos são desejos que entram nessa categoria - aquilo que funcionou no passado ou nos trouxe algum tipo de prazer frequentemente se transformam em desejos que surgem sempre na mente, e quando não os satisfazemos, surge um desconforto que, se ignoramos, arde com tanta força que fica difícil não realizar o hábito. O problema é que muitos hábitos e outros desejos biológicos, como comer de acordo com o que fomos acostumamos (misturando-se com os desejos provenientes de influências culturais ou mesmo da família), precisam ser alterados para praticar de acordo com o caminho espiritual da frugalidade, simplicidade e contentamento com pouco. E o meio é justamente "deixar arder". Só que isso tem um jeito correto de se fazer. Primeiro que se destaca aqui o Parami (Perfeição) da Paciência, que foi definida justamente pelo Buddha como "Tolerância", como a capacidade de aguentar algo desagradável. É necessário se familiarizar pelo menos por um pouco de tempo com meditação para desenvolver esse parami de tal forma que você o reconheça como ele é na prática espiritual. O que acontece é que surge um desejo ardente e, ao mesmo tempo, persiste aquela "consciência", Sati, a Atenção que está observando o que está ocorrendo no agora sob a luz dos ensinamentos do Buddha, buscando se lembrar da impermanência das coisas e de não se entregar nem ao deleite nem a aversão, mas apenas ao cultivo do desapego, da compaixão e da simplicidade. Então, surge uma dualidade aqui - uma parte de você está consciente do desejo e o reconhece como fruto de um hábito que ainda não foi completamente abandonado e que, por isso, está te perturbando, pedindo para ser atendido. Com base nos ensinamentos e em alguma experiência passada, você sabe que se persistir em abrir mão disso e sustentar aquilo que é benéfico de acordo com os ensinamentos, aquele desejo irá sumir uma hora ou outra. Porém, outra parte de você não quer ficar aguentando isso - quer saciar aquele desejo para que o desconforto desapareça logo. Essa é uma das partes difíceis da prática rs
O essencial é que você faça uma reflexão ou permaneça paciente. Aqui entra o Esforço Correto. O primeiro (abandonar uma qualidade prejudicial que tenha surgido) pode vir de refletir sobre Samvega (Senso de Urgência - lembrar da morte), ou hiri-otappa (Medo e Vergonha de fazer algo errado). A partir dessa reflexão a pessoa abandona, conscientemente, o desejo de satisfazer aquele impulso e direciona sua energia a cultivar aquilo que é benéfico, como compaixão, frugalidade e paciência - se a pessoa puder cultivar a qualidade que funciona como antídoto ao impulso presente, será mais eficiente. Independente disso, o impulso cessa com o tempo, esfria, desaparece. Porém, ele reaparecerá várias vezes, mas se você for capaz de repetir esse processo de se desapegar dele e permitir que ele silencie, que ele cesse, ele irá vir com cada vez menos força até que você altere seus hábitos. Os impulsos biológicos funcionam mais ou menos assim.
Como eu falei, os desejos provenientes de influências culturais estão ligados com os impulsos biológicos, porque geram hábitos - na verdade, tudo fica ligado aos impulsos biológicos porque mesmo bons hábitos estão ligados a memória e ao funcionamento cerebral -, porém, os desejos culturais têm aquela pitada de que provêm de  pressão de outras pessoas ou do meio em que vivemos, e não apenas da nossa natureza ou das coisas gravadas no cérebro. Mas claro que a maneira como a cultura nos influencia também tem ligação com nossos hábitos - como lidamos com a pressão externa?
Os desejos provenientes das atitudes são aqueles desejos que despertamos e cultivamos tendo em base nossas reflexões, análises e interpretações do mundo. Quando o Budismo altera nosso Entendimento, podemos gerar novos desejos, sustentando-os e mantendo-os a fim de alterar nosso comportamento. Pensamentos alteram os comportamentos, que alteram as emoções (alteram os impulsos provenientes de hábitos). Por isso essa questão de desejos é difícil rs
O desejo estimulado pelo Buddha é o de ser pacífico, compassivo e simples - ter poucas necessidades. Aqueles que se dedicam ao máximo a isso são os monges, abrindo mão de muuuitas coisas para praticarem isso totalmente. Agora, nós leigos nos dedicamos a isso de acordo com o comprometimento de cada um. Alguns abrem mãos de jogos, outros de suas preferências, enfim, de vários desejos que visam apenas a entretenimento ou um prazer sensual. O desejo que realmente vale a pena, para o Buddha, é aquele de fazer algo bom para alguém ou o de cultivar as qualidades de desapego e contemplação da impermanência. Essa é a base para você comparar, só que é complicado mexer com isso, porque isso choca a opinião das pessoas. Pegue por exemplo o desejo de jogar um jogo de vídeo-game ou de ter um filho - como fica se você comparar com esse parâmetro? É difícil mexer com a ideia de que temos de o que seja um desejo "saudável" e um desejo desnecessário na prática espiritual dos ensinamentos do Buddha. Cada um se dedica até onde quiser. Alguns conseguem abrir mão de várias coisas espontaneamente, outros preferem "forçar um pouco mais" sua mudança de hábitos. O exemplo mais radical, mas ainda equilibrado, disso é a vida monástica.

Quanto ao Estoicismo e Epicurismo, há relações sim. Essa coisa de influências externas me lembrou hoje que a minha mãe fez provocações frequentes comigo, e eu ainda tenho o hábito de querer rebater me justificando ou mostrando como o que eu faço tem sentido. Mas como eu tenho me treinado para abandonar isso, na hora me surgiu o pensamento: "Esse é o momento de silenciar e permitir que a minha mãe ouça o que ela mesma me disse.". Fiquei quieto e não respondi nada, mas naquele mesmo instante surgiu um ardor, porém bem fraco, de querer responder. Ao mesmo tempo veio um pequeno turbilhão de pensamentos fantasiando o que eu poderia estar respondendo. É nesse instante que você precisa fazer aquela "ação mental" que de repente silencia a mente, ou usar um pensamento contra os pensamentos, do tipo: "Alguém que se dedica ao caminho do Buddha deve se abster da Linguagem Incorreta. Isso significa que eu só falarei aquilo que trouxer benefícios. Se o que eu tenho a dizer está embasado em atender a desejos mesquinhos da minha mente, não me submeterei a isso, porque se me inspiro nos monásticos que vestem o manto dos monges, essa ação não é digna de mim e ela me trará sofrimento se eu realiza-la." Isso é um exemplo de "Vergonha de cometer transgressões". Isso é basicamente o Esforço de Abandonar algo prejudicial que tenha surgido. Em seguida você já deixa esse desejo ali de lado, largando-o se ele grudar em você de novo, e passa para o segundo e terceiro tipos de Esforço Corretos, que é "evitar o prejudicial" e "estimular o surgimento de qualidades benéficas" - você cultiva a mente silenciosa, ou sorri e sente contentamento por ter percebido aquele desejo de responder com linguagem incorreta (o que aumenta as chances de que sua Atenção Plena perceba esse desejo de novo quando ele surgir), ou contempla a morte e como o prazer de saciar esses desejos de falar coisas inábeis é nada diante da morte, várias coisas. Com o tempo o desejo e o impulso somem e você deve permanecer no quarto esforço, cultivando as qualidades benéficas. Aí se surgir uma contaminação de novo, você volta ao primeiro tipo de esforço e repete o processo.
Eu citei isso porque mostra o que é a prática budista. É estar consciente em cada instante, buscando garantir que toda ação, pensamento e fala sejam embasados em compaixão e desapego - só isso. Então o Budismo implica mesmo em reduzir os desejos e se libertar das influências externas. Com o tempo, os eventos externos são ensinamentos e oportunidades constantes de você praticar. Depois, o praticante descobre, inclusive, que ele que influencia o ambiente ao seu redor, mas isso sem muito esforço - apenas o fato de cuidar da própria mente e de mudar o próprio comportamento altera as outras pessoas e suas reações. Minha mãe por exemplo não disse mais nada e a conversa que se seguiu foi amigável, desprovida daquela necessidade frequente de sempre provar um ao outro quem estava correto.  Feliz 
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