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 Porque os Buddhistas deveriam ser vegetarianos - Ajahn Sujato

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Mensagens : 88

Mensagem Ter 28 Abr 2015 - 10:12

Compartilho um texto que pode ser útil para melhor compreendermos sobre o vegetarianismo.

***

O que Ajahn Sujato tem a nos dizer é muito importante, profundo e verdadeiro. Em resumo ele nos chama a atenção para o fato de que não é ético simplesmente citar as Escrituras como uma justificativa para se fazer o mal. Que esta leitura possa então nos inspirar simplesmente a um melhor viver! (blog Dhammarakkhitta)



***


Porque Buddhistas deveriam ser vegetarianos

O Buddha comeu carne.  Este é um fato muito bem comprovado. A questão do vegetarianismo é abordada algumas vezes na Suttas, em especial no Jivaka Sutta do Nikaya Majjhima ([Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]). O Buddha consistentemente afirmou que os monges tinham permissão para comer carne, desde que não fosse de um animal morto intencionalmente para eles. Há numerosas passagens no código monástico buddhista - o Vinaya - que se referem ao Buddha ou os seus discípulos monásticos comendo carne, e a carne é regularmente citada como sendo um dos ingredientes-padrão.

Por estas razões, a opinião padrão no Buddhismo Theravada é que não haveria nenhum problema ético em comer carne. Se você quer ser vegetariano, esta é uma escolha puramente opcional. Mas Theravadins, sejam leigos ou monásticos, comem carne, e afirmam estar agindo dentro das diretrizes éticas dos ensinamentos do Buddha. Esta posição se enquadra dentro de uma aplicação direta da lei de kamma (karma em sânscrito), da intenção: se o ato de comer carne não envolve a intenção de fazer mal. Não havendo a intenção, não há kamma. Como não há kamma, não há um problema ético.

A situação no Buddhismo Mahayana é mais complicada. Os mahayanistas, especialmente no Estremo Oriente, abraçam o vegetarianismo, muitas vezes como uma medida temporária para eventos religiosos, embora os monásticos normalmente adotem uma dieta vegetariana o tempo todo. A motivação é, pelo menos em parte, uma expressão da maior ênfase na dada à compaixão na abordagem Mahayana. Na prática, porém, muitas vezes o vegetarianismo é adotado pelos Mahayanistas, da mesma forma que pelos Hindus, como um rito de purificação. Isto apesar de textos como o Amagandha Sutta do Sutta Nipata, relatarem o Buddha insistindo que comer carne não seria uma fonte de impureza espiritual. Os monges do Buddhismo Tibetano, por outro lado, costumam comer carne.

Apesar da situação aparentemente simples no Theravada, o problema não desaparece. Por razões óbvias: comer carne requer o abate de animais, e isso viola diretamente o primeiro preceito de treinamento moral (abster-se de tirar a vida). Comer carne é uma causa direta de uma quantidade imensa de sofrimento para os seres sencientes. Muitas pessoas, inclusive eu, lutam com a noção de que uma religião categoricamente contra a violência como o Buddhismo pode tão alegremente fazer vistas grossas ao sofrimento inerente de comer carne.

Olhemos então a questão mais de perto e busquemos discernir as raízes desse problema. Eu gostaria de começar por algumas considerações. Vivemos hoje em um mundo muito diferente daquele em que o Buddha viveu, e a ética buddhista, acima de tudo, deve sempre ser uma resposta pragmática às condições do mundo real, aqui e agora. Animais sofrem hoje muito mais do que 2500 anos atrás. Na Índia em que viveu Buddha, e na verdade em todos os lugares, até o advento da agricultura moderna, pode-se dizer que os animais tinham uma vida muito melhor: as galinhas viviam soltas nas aldeias ou eram mantidas em gaiolas ou cercados simples, as vacas pastavam livres nos campos. O advento da indústria agropecuária com as suas fazendas industriais mudou tudo isso. Hoje a vida dos animais dos quais obtemos carne é um sofrimento inimaginável. Não pretendo aqui entrar nos detalhes, mas se você não está ciente das condições em fazendas industriais, vale a pena conscientizar-se. Fazendas industriais passam incólumes, não por serem algo humano, mas por serem tão horríveis que a maioria das pessoas simplesmente não quer saber o que são e o que ali acontece. Nós nos abstemos de pensar sobre isto, e nossa falta de atenção permite que o horror continue.

Uma outra mudança enorme desde a época do Buddha é a escala da destruição antrópica do meio ambiente. Estamos todos conscientes dos danos causados pela produção de energia, pelo consumismo e pelo desperdício. Mas uma das maiores causas, mas menos conhecida em geral, do aquecimento global e a destruição ambiental é o crescente consumo de carne. O problema básico é que a ingestão de carne coloca-nos no topo da cadeia alimentar. Assim, quando comparada com a ingestão de vegetais, uma nutrição a partir de carne demanda muito mais recursos. No passado, isso não era um problema, como os animais eram alimentados tipicamente com coisas que não eram alimento para os seres humanos, como o capim, migalhas e restos. Hoje, a maior parte dos animais de abate são alimentados com com grãos e derivados, além de outros produtos intensivos em recursos. Isto significa que a carne consumida hoje requer mais energia, água, espaço e outros recursos mais. Além do peso maior sobre o ambiente, isso cria uma série de problemas localizados, devido ao uso de fertilizantes, ao despejo de grandes quantidades de resíduos de origem animal e assim por diante.

Um resultado totalmente previsível da agricultura industrial é o surgimento de novas doenças virulentas. Todos nós já ouvimos falar da 'gripe suína' e 'gripe aviária', mas a mídia raramente levanta a questão: por que essas duas novas ameaças são derivadas de dois tipos de animais que estão entre os mais utilizados na agropecuária industrial? A resposta é óbvia, e tem sido previsto pelos oponentes da produção industrial ao longo de décadas. Quando forçamos os animais a viver juntos em condições artificiais e de superlotação, surge a necessidade de alimentá-los com uma dieta regular de antibióticos, uma vez que doenças imediatamente espalham por toda a planta de produção. O resultado disto, tão inevitável quanto os princípios imutáveis da seleção natural, é o surgimento de novas cepas virulentas de doenças resistentes a antibióticos. Nos próximos anos, na medida em que as variedades limitadas de antibióticos gradualmente perdem sua eficácia, esse tipo de ameaça será observado mais frequentemente e em formas cada vez mais devastadoras.

Assim, em comparação com a época em que viveu o Buddha, comer carne nos dias de hoje envolve muito mais crueldade, danifica o meio ambiente, e cria doenças. Se abordarmos esta questão fazendo esta devida ponderação, então a balança aponta drasticamente para o lado de não comer carne. Às vezes, no Buddhismo Theravada o vegetarianismo é até menosprezado, sendo tradicionalmente associado com o 5 pontos do monge dissidente e vilão Devadatta. O monge Devadatta queria provar que era melhor que seu primo, o Buddha, então ele pediu a Ele fossem impostas cinco práticas ascéticas aos membros das comunidades de discípulos monásticos: alimentar-se apenas de alimentos esmolados pela manhã, viver toda a vida na floresta e ao céu aberto, usar somente mantos feitos de trapos remendados e abster-se completamente de ingerir carnes e peixes . Estas práticas são consideradas como louváveis e o erro de Devadatta não estava na promoção dessas tais regras, mas sim na tentativa de torná-las obrigatórias. Os relatos quase míticos da infância do Buddha enfatizam o quão piedoso que Ele era com os animas em comparação à crueldade de Devadatta, talvez pela associação de Devadatta com a tentativa de imposição do vegetarianismo mais tarde. Então em vez de depreciar os vegetarianos como "seguidores de Devadatta", pode-se inferir desta ponderação de que o vegetarianismo, assim como as outras práticas ascéticas, são louváveis e o Buddha apenas não queria tornar isto algo obrigatório.

Argumentar de tal forma, porém, seria entrar numa conversa de surdos. Há aqui um problema mais amplo que eu acho é geralmente evitado nas discussões entre os budistas sobre a questão do vegetarianismo. E a questão mais ampla é: comer carne é claramente prejudicial. Este o dano é uma conseqüência direta, mas não intencional de comer carne. Uma vez que não há intenção de causar dano, comer carne não constituiria um kamma ruim, insalubre, inábil. Portanto, existem duas possibilidades lógicas: ou comer carne pode ser considerado ético, ou o conceito de kamma pode não ser suficiente para definir o que seria ético.

Olhemos então mais de perto essa segunda possibilidade. A noção de que devemos nos abster de certas ações, mesmo quando não envolvem intenção prejudicial, é frequentemente encontrada no código de conduta monástico buddhista, o Vinaya. Por exemplo, em uma passagem um monge foi criticado por ter feito tijolos assando barro que continha pequenas criaturas, mesmo que ele não tinha conhecimento não intencionava nenhum mal a estes seres. Diante disto o Buddha estabeleceu uma regra proibindo discípulos monásticos de fazer tijolos.

Em outro caso, o Buddha estabeleceu como regra monástica que um monástico deve saber a origem da carne em um alimento oferecido antes de aceitá-lo. O contexto desta regra foi que um discípulo leigo (não monástico) havia oferecido a um monge carne humana (na verdade sua própria carne, uma longa história!) e esta regra é considerada só se aplicar em geral quando o indivíduo tem dúvidas se o alimento oferecido conteria carne humana. Mas não é isso que diz a regra – na verdade a regra diz que o monástico simplesmente deve indagar sobre a origem da carne no alimento oferecido, sendo uma ofensa ao código de conduta ingerir qualquer alimento contendo carne sem antes fazê-lo. Desnecessário dizer que esta regra acaba sendo ignorada por todo o Theravada.

Estes são alguns exemplos contextuais relacionados ao causar danos a outros seres sencientes. Existem muitos outros. Na verdade, existem várias regras no Vinaya que foram estabelecidas em resposta às ações de discípulos iluminados, arahants. Um arahant por definição não é mais capaz de agir de uma forma intencionalmente prejudicial, desta forma estas regras não podem ser consideradas implicar que a motivação por trás dos atos era errada. Os atos tinham conseqüências não intencionais prejudiciais, e é por isso que elas foram proibidas pelo Buddha aos seus discípulos monásticos.

Neste sentido, se o Vinaya está contido em sila (shila em sânscrito), ou ética, então o âmbito de sila é mais amplo que o âmbito do conceito de kamma. Isto é, quando você pensar sobre isso, tenha bom senso. A idéia de kamma lida apenas com a intenção e as conseqüências das ação intencionais. Isto é crítico por causa da relevância fundamental que a intenção tem no caminho para a libertação ou Despertar. Nós podemos mudar as nossas intenções, e, assim, purificar nossas mentes e, eventualmente, encontrar a libertação do renascimento. Esse é então o significado de kamma para nós como indivíduos. Mas a ética, sila, não é apenas uma questão de desenvolvimento pessoal individual. É também uma questão social, ou ainda maior, uma questão ambiental em um sentido amplo. Como podemos da maneira mais positiva e construtiva nos relacionarmos emo nosso contexto humano e natural?

Sugiro então que, enquanto a idéia de kamma trata daquilo que é mais pessoal, a ética aborda tanto o quanto indivíduo quanto o meio ambiente no qual ele se insere. Da mesma forma que devemos ampliar assim a ética, gostaria de sugerir que devemos também aprofundá-la. Ou seja, a ética não se limita apenas ao que é permitido. Claro, você pode argumentar que comer carne é permitido, e que você pode se afastar do ato de comer carne. Isso não significa automaticamente que isto seria uma coisa boa. E se fizermos diferente, ao invés de nos perguntarmos do que podemos nos afastar, nos perguntarmos o que mais podemos aspirar?

Quando recitamos o primeiro preceito, dizemos "Panatipata veramani sikkhapadam samadiyami", que quer dizer "Eu tomo o preceito de abster-me de matar seres vivos". Isto é um desafio, e contém em si de uma ética poderosa. No entanto, é apenas um breve resumo de um princípio mais amplo. Isto nunca serviu para descrever completamente a virtude da não-violência. E quando o Buddha falou deste preceito em mais detalhes, é isso que ele tinha a dizer: "Ao abandonar, abster-se de tomar a vida, o indivíduo se vê livre da violência, com a faca deixada de lado, escrupuloso, cheio de misericórdia, ele vibra em compaixão por todos os seres sencientes."


Esta não é apenas uma ética do que é permitido ou não. O Buddha não se limitava a estabelecer um padrão mínimo. Ele nos chama a atenção, e pede que aspiraremos a um senso de compaixão mais amplo, a uma ética que se sente profundamente pelo bem-estar de todos os seres. Mais do que apenas nos perguntar: "Será que esse ato vem de uma intenção de prejudicar?", podemos nos perguntar: "É este ato o melhor que posso fazer para promover o bem-estar de todos?" Em vez de simplesmente fugir do kamma ruim, inábil, insalubre, criamos kamma bom, hábil, salubre.

Uma crítica óbvia dessa abordagem é que ser vegetariano não significa que você não causa danos. Acabamos prejudicando de forma não intencional muitos seres ao dirigir carros, comprar produtos, enfim em quase tudo que fazemos. Se seguirmos este princípio à sua conclusão lógica, vamos acabar chegando ao extremo do Jainismo, tendo que andar por toda parte com um pano sobre a boca para evitar inspirarmos pequenos insetos, e um espanador macio para varrer as criaturas de nossos caminhos. (Note, porém, que até mesmo os Jainistas têm uma relação complexa com o vegetarianismo). É simplesmente arbitrário identificar o consumo de carne como a causa de todo o mal. Este é, afinal, o ponto da conhecida história (embora apócrifa) do boddhisatta Siddhattha como um jovem rapaz, vendo o arado girando acima do solo, matando alguns vermes, e deixando os outros para ser comido pelos corvos: mesmo comendo arroz nos envolvemos a destruição intencional da vida, a única solução é sair da roda do nascer e morrer.

O problema deste argumento é que ele confunde a ética com o próprio contexto existencial. Em um nível existencial, realmente, qualquer ser senciente, mesmo o mais escrupuloso, inevitavelmente causarará dano a outro. Esta é uma das razões pelas quais a única solução definitiva para o sofrimento é escapar completamente do renascimento. No entanto, enquanto isso não acontece, ainda estamos aqui. A ética então não está preocupada com a fuga definitiva de todo o sofrimento, mas sim com minimizar os danos e maximizar os benefícios que podemos causar aqui. A ética é relativa e contextual. Com certeza, ao adotarmos uma dieta vegetariana ou vegana ainda causaremos danos a outros seres. E é claro, existem questões de fronteira como o que seria realmente uma dieta vegetariana - como tratar o mel? As abelhas são mortas na sua extração. E o açúcar? Ossos de animais são utilizados para o processo de refino...

Mas o fato de não podermos fazer tudo não implica que não devemos fazer algo. O simples fato é que comer carne causar danos maciços e diretos para muitos outros seres. E este dano é, quase sempre, facilmente evitável. Uma dieta vegetariana não implica quaisquer grandes sacrifícios ou coragem moral. Apenas demanda um pouco de moderação e cuidado. Isto é ainda mais verdade hoje, quando existe à nossa disposição uma grande variedade de alimentos vegetarianos deliciosos, baratos, e nutritivos. A escolha de tornar-se vegetariano é, dentre todas as escolhas morais que podemos fazer, uma das mais benéficas e menos custosas para nós mesmos.

Para voltar ao problema básico. Como buddhistas, esperamos que o Buddha tenha mantido a mais alta conduta ética possível. E, na maior parte, ele assim o fez. Portanto, se o Buddha permitiu algo, tendemos a achar que não deve haver nada de errado com o que foi permitido. Não há nada de dogmático ou insensato sobre essa expectativa. Quando lemos a Suttas e o Vinaya, encontramos uma e outra vez que a conduta do Buddha foi, na verdade, da mais alta ordem.

Como, então, sendo comer carne um padrão inferior de ética, pode ser que o Buddha fez isso? Este é o cerne da questão. E eu não tenho uma resposta fácil.

Parte disso tem a ver com a natureza da vida mendicante adotada por Ele e sua Ordem, Sangha. O Buddha e seus discípulos caminhavam de casa em casa, simplesmente aceitando o que era oferecido de coração. É difícil recusar oferendas dadas em tal espírito. No entanto, esta resposta é incompleta, pois existem de fato muitos alimentos, incluindo vários tipos de carne, que são proibidos conforme o próprio código de conduta monástico, o Vinaya. Claramente os discípulos monásticos do Buddha tinham algo a dizer sobre o que entrava em suas tigelas.

Há outras considerações que eu poderia levantar. Mas eu não quero alongar demasiadamente o argumento textual longe. Por fim, temos um registro parcial e parcialmente compreendido da vida do Buddha e seus Ensinamentos. Para aqueles de nós abençoados o suficiente para ter encontrado o Dhamma nesta vida, descobre-se um um guia sábio e de aprimoramento para o viver.

E ainda: não podemos deixar que nossas escolhas éticas sejam ditada por textos antigos. O certo e o errado são muito importantes. As escrituras, como qualquer registro, não contêm tudo e não respondem a todas as perguntas. Como buddhistas, devemos sim levar a sério os textos, e não descartar ou fazer vistas grossas às lições que estes nos oferecem. No entanto, há uma diferença entre a aprender a partir das escrituras e limitar-se a estas.

Há algumas coisas que as escrituras simplesmente não conseguem abordar. O Suttas não fazem crítica à escravidão humana, por exemplo, e ainda assim, para nós este é um dos mais hediondos de todos os crimes.

Por que as coisas são assim? Eu não sei. Tenho dedicado uma parte considerável da minha vida a estudar e compreender as escrituras buddhistas, e sob quase todas as óticas estas se provam impecáveis. Mas meu estudo também mostrou-me os limites do estudo em si. Não podemos acessar a verdade através de escritura. Só podemos acessar certas idéias. Nossa compreensão e aplicação dessas idéias é necessariamente imperfeita. Fica sempre algo de fora.

Sendo assim, não é ético citar as Escrituras como uma justificativa para fazer o mal. Se o consumo de carne é prejudicial e desnecessário, continua a ser assim não importa o que dizem os textos. Nossos textos sagrados são sagrados, não porque eles determinam o que é certo e errado, mas porque eles nos informam sobre nossas escolhas e nos ajudam a fazer melhor.

O princípio da não-violência permeia todo o Dhamma, e se a sua aplicação neste contexto é problemática, o princípio em si não está em questão. Simplesmente significa que nossas escrituras são imperfeitas, e a prática da ética é um cultivo complexo e desordenado. Mas nós já sabíamos disso. Não é por desrespeito que devemos fazer a nossas escolhas, mas sim por respeito aos princípios mais profundos de compaixão e inocuidade.



O ensinamento foi retirado do blog Dhammarakkhitta.
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