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 O Budismo é ateísta?

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Mensagem Qua 10 Jul 2013 - 12:21

O Budismo é ateísta?
O Budismo te dá orientações e não crenças ou filosofias às quais você deva se agarrar. Então, você coloca os ensinamentos de Buda em prática e enxerga as coisas por si mesmo. Logo, o Budismo não irá lhe dizer "Deus existe", ou "Deus não existe" - você precisará ver isso por si mesmo. Entretanto, a ideia da existência de um Deus com existência eterna, autossuficiente e independente, cujo poder se materializa numa imagem semelhante a de um ser humano não encontra apoio algum nos ensinamentos de Buda.
Muitas pessoas sentem que o Budismo é mal esclarecido porque não se declara nem teísta nem ateísta. Isso porque, como sempre é frisado, o Budismo não prega que seus seguidores se apeguem a palavras. Convenções e conceitos mundanos são para serem usados, mas a realidade se manifesta além deles. Doce pode ser uma palavra usada para qualificar uma maçã, mas ela de forma alguma traz esclarecimento semelhante ao ato de degustar a fruta. Da mesma forma, devemos sentir as coisas no mundo, não apenas tentar apontar com palavras.
Portanto, é comum dizer que o Budismo é não-teísta, ou seja, não faz menção a um Deus (perceba que eu não disse Ateísmo, que nega, eu disse Não-teísta, que não faz menção), afinal, o Deus propagado pela mentalidade humana vai contra os ensinamentos de Buda, que apontam para a efemeridade de tudo o que existe. Se nada dura para sempre, não há como mencionarmos uma entidade cuja existência seja eterna. Entretanto, nós também não negamos a sua existência, porque não devemos ir afirmando as coisas sem comprová-las em nossa própria prática.
Como o Buda recomendou no Kalama Sutta, não devemos acreditar em nada por fé cega, mas somente através das nossas próprias experiências:
(Buda): "Não se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, 'este contemplativo é o nosso mestre'.  Quando vocês souberem por vocês mesmos que, 'essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem e à felicidade' - só então vocês devem entrar e permanecer nelas". - (retirado de Kalama Sutta - acessoaoinsight)
Portanto, precisamos ver a Impermanência por nós mesmos, e perceber como ela está presente em absolutamente tudo, como nada está estático. Só assim podemos dizer que compreendemos, e não apenas que acreditamos, na doutrina da Impermanência.
Portanto, o Budismo não pode apoiar a existência de um Deus eterno e independente, mas também não pode negá-la por você. Apesar da existência de um Deus eterno e autossuficiente não poder ser confirmada pelos ensinamentos de Buda, estes não podem ser usados para negá-la, a menos que você penetre-os e os compreenda muito profundamente. Quando você tiver entendido a Impermanência e outras doutrinas budistas completamente, você estará em Paz e terá alcançado a iluminação. Entretanto, se você não a alcançou, então ainda há coisas que você precisa compreender na prática e, portanto, você ainda não tem todas as certezas para negar a existência de Deus ou, sequer, confirma-la. E não é através de Filosofias, especulações ou Dogmas que você adquirirá a resposta correta - pratique! Apegar-se a definições de coisas indefiníveis, seja o Nirvana ou Deus, limita a realidade.
- Mas se o Budismo prega a Impermanência, então ele nega a existência de Deus. Ele é ateísta sim!
Na verdade, Buda nunca se posicionou sobre a existência de um Deus, por isso que sua religião é qualificada como não-teísta, e não como ateísta. Ele ensinou a Impermanência, e dava os devidos conselhos para que víssemos isso por nós mesmos. A questão sobre a existência de Deus era deixada de lado.
- Por quê?
Porque para responde-la, você precisaria compreender a Impermanência e Interdependência que rege o universo. Quando você entender isso, você saberá por si mesmo e a pergunta não precisará ser feita. Então, o Buda não fazia menção sobre Deus. Ele ensinava sobre a Impermanência. Entendendo isso, você não precisará depender da resposta de ninguém e, portanto, não ficará aprisionado a crenças ou filosofias. Veja a Impermanência em sua vida, na prática, e deixe essas questões para depois. É como se você perguntasse ao Buda se um bolo de chocolate é bom e, em vez de lhe dar uma resposta pronta, ele te desse a receita para que você fizesse o bolo e obtivesse a resposta por si mesmo.
- E quanto aos Devas falados no Budismo?
Às entidades divinas existentes em planos superiores aos dos seres humanos tratadas por Buda são muito diferentes do Deus Cristão ou Judeu. Deva é um ser mortal, não com existência eterna - isso porque tudo é impermanente. Eles se encontram em locais divinos, vivem mais e melhor, mas eles também morrem e estão sujeitos a renascerem como seres humanos ou ainda mesmo como animais. Portanto, um Deva é como um ser dotado de uma existência mais prazerosa e bela, mas de forma alguma ele existe independente de alguma outra coisa ou para toda a eternidade. Apesar de Buda ter alegado que eles possuam poderes supra-humanos, eles igualmente estão sujeitos ao sofrimento, assim como nós. Somente aquelas pessoas ou Devas que tiverem alcançado o Nirvana que não estão sujeitas à Insatisfação.
- Não é engraçado que uma religião que se dê bem com a Ciência fale sobre existências divinas e poderes acima dos feitos humanos?
Pode parecer ironia, mas, afinal de contas, a Ciência tem alguma prova para negar a realidade da existência de outros seres ou de poderes supra-humanos? O Budismo não pede para você acreditar neles, mas para que você conheça a si mesmo. Buda viu tais coisas com a própria mente e nos disse como devemos purificar as nossas para que também sejamos capazes de vermos por nossas habilidades. Então, não adianta filosofar sobre o Budismo: se você quiser responder suas perguntas acerca da existência de poderes paranormais ou mesmo de alienígenas, também referidos no Budismo em alguns escritos, precisará conhecer primeiro a si mesmo e deixar essas questões em aberto até que você possa responde-las. Como observou bem o monge Ajahn Brahmavamso certa vez, podemos ter telescópios muito avançados para observar o universo, mas o que sabemos sobre quem está olhando no telescópio? Albert Einstein provou que nossas percepções atrapalham em experiências científicas. Então, como podemos perceber o mundo da forma como ele de fato é para o conhecermos?
- Se não há fundamento para a existência de um Deus eterno e independente capaz de ter criado o nosso universo, como surgiu o mundo de acordo com o Budismo?
Isso será tratado melhor em outros Tópicos. Em suma, o que podemos ver pelos escritos mais antigos é que Buda fez afirmações muito intrigantes. Um exemplo é que ele disse que o universo está em expansão e contração constantes, que é uma das teorias mais aceitas pela Física: atualmente ele está em expansão e ficará assim até um ponto em que se contrairá e, depois, expandirá novamente num novo Big Bang. Disse também que o universo é feito de rodas, como se ele tivesse visto a forma das Galáxias. Atualmente nós falamos que elas são espirais, mas a palavra usada pelo Buda foi traduzida de uma língua antiga, então, mesmo que o termo 'rodas' soe estranho, acaba concordando com o que sabemos. Outras alegações intrigantes dele foram em virtude de suas lembranças, pois, no Budismo, diz-se que aqueles que desenvolvem meditações profundas podem se lembrar de suas Vidas Passadas. Buda disse que a sua vida mais antiga a qual ele se lembrou foi de 91 Éons atrás. Um Éon era definido como uma era de expansão. Então, o Buda lembrou de suas vidas em até 90 Big Bangs atrás. Entretanto, além disso, não há mais nada. Apesar de ter falado sobre muitas coisas que ele enxergou, o Buda não disse se ele sabia se o Universo havia tido um começo ou uma origem. Veja uma de suas alegações, em que Samsara se refere ao nosso Universo, onde renascemos seja como animais, humanos ou devas:
(Buda): "Esse samsara não possui um início que possa ser descoberto. Um ponto inicial não é discernido para os seres que seguem vagando e perambulando, obstaculizados pela ignorância e agrilhoados pelo desejo." - (retirado de Assu Sutta - acessoaoinsight)
Quando ele disse isso ele já havia alcançado o Nirvana, ou seja, ele não estava mais condenado a perambular pelo Samsara e renascer outra vez. Então, será que ele sabia qual era o início do Universo? Não sabemos, e não adianta filosofar e especular sobre. Como ele mesmo ressaltava, deveríamos nos dedicar a acabar com o nosso sofrimento. Independente se o mundo teve um início ou sempre existiu, estamos sofrendo, então devemos tomar as providências agora mesmo. Afinal, o universo começa em nossas mentes: é através delas que interagimos com o mundo seja por meio da Consciência, das Percepções ou dos 5 Sentidos.
Só com uma mente purificada, desapegada de especulações, livre de filosofias ou dogmas é que poderemos compreender se há uma entidade governando este mundo ou não. Para isso, primeiro saiba quem está governando você mesmo: discipline sua mente e penetre a realidade em suas experiências, não apenas com conceitos.


Última edição por Administrador em Qua 7 Ago 2013 - 9:45, editado 5 vez(es)
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Leo

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Mensagem Qui 11 Jul 2013 - 19:06

eu não entendi uma coisa, se o budismo acredita em devas, porque falamos não-teísta?
fica parecendo que é politeísta ou eu entendi errado? Pensativo
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Mensagem Qui 11 Jul 2013 - 21:47

Leo escreveu:
eu não entendi uma coisa, se o budismo acredita em devas, porque falamos não-teísta?
fica parecendo que é politeísta ou eu entendi errado? Pensativo 
Geralmente, temos a tendência de traduzir a palavra Devas como Deuses - só que o conceito de Deuses do Budismo é diferente do conceito de deuses que nós temos. No Budismo, esses Devas são seres vivos como nós, em existências impermanentes assim como nós. Deva é apenas um conceito para classifica-los, assim como Animal, Ser Humano, Fungo ou o que quer que seja.
Então, eles não são deuses que nós veneramos e pedimos coisas.
Eles são seres que coexistem no Samsara conosco, só que numa existência mais prazerosa.
Mas como a conceituação não se aproxima da que temos de Deuses, ou mesmo como os egípcios, sociedade politeísta, tinham - que era a de venerar e fazer oferendas para obter privilégios - então não seria correto definir o Budismo como Politeísta, compreendeu? ^-^
 


Última edição por Administrador em Dom 28 Jul 2013 - 10:10, editado 1 vez(es)
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Mensagem Qui 11 Jul 2013 - 22:06

Essa questão não-teísta é meio difícil de entender mesmo. Mas eu acho que os termos "não-teísta" e "ateísta" se referem a um Deus todo poderoso, onisciente, onipresente, criador do universo, e os devas pela descrição que li acima são mais parecidos com os espíritos. Então no budismo não há especulação sobre um Deus supremo, porém, cita seres diversos que vivem em graus variados de existência ou variadas dimensões. É por que nós ocidentais, pela cultura que nos foi ensinada não vemos lógica em existir Deus mas não existirem espíritos.
É apenas a minha opinião, não sou entendedor de nenhum dos assuntos citados.
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Mensagem Qui 11 Jul 2013 - 22:12

Shaka escreveu:
Essa questão não-teísta é meio difícil de entender mesmo. Mas eu acho que os termos não-teísta e ateísta se referem a um Deus todo poderoso, onisciente, onipresente e os devas pela descrição que li acima são mais parecidos com os espíritos. Então no budismo não há especulação sobre um Deus supremo, porém, cita seres diversos que vivem em graus variados de existência ou variadas dimensões. É por que nós ocidentais, pela cultura que nos foi ensinada não vemos lógica em existir Deus mas não existirem espíritos.
É apenas a minha opinião, não sou entendedor de nenhum dos assuntos citados.
É isso mesmo, Shaka!
O Budismo não concorda com a existência de um ser todo poderoso e eterno, mas concorda que existam seres vivendo em dimensões mais prazerosas do que a nossa. De fato são como espíritos - e nós mesmos podemos renascer como Devas, se nosso Karma for positivo e se nossas ações forem muito benéficas.
Mas, de acordo com o Buda, mesmo que conquistemos os prazeres elevados desfrutados pelos Devas, ainda entestaremos com a Impermanência e a Insatisfatoriedade porque mesmo os Devas morrem, mesmo os Devas desfrutam de prazeres que não duram sempre.

De fato, nossa mente ocidental nos bloqueia um pouco para esses conceitos. Nós vemos a palavra Deus como algo que defina alguém que virá nos salvar, e não como um ser que está vivendo na mesma situação que nós estamos.
 
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Leo

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Mensagem Sex 12 Jul 2013 - 18:24

ah. agora eu entendi, o budismo é uma religião bem diferente das outras mesmo.
acho a definição de deva bem mais interessante que de deuses. obrigado admin!Pulando e aplaudindo 
alias, é interessante ver que mesmo nós podemos ser devas Linguarudo
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José Santos

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Mensagem Qua 1 Jan 2014 - 21:32

Considerando os limites de meu conhecimento, Buda permitia que as pessoas acreditassem ou não em Deus, já que orientou algumas pessoas a praticar as Brahmaviharas (as moradas de Brahma), entre elas a compaixão.

Entretanto, mesmo uma divindade como Deus, Brahma ou Ishiwara, ainda que existam, tal como nós são seres gerados da própria interação da energia do universo, e portanto sujeitos à ignorância e ao sofrimento.

A natureza do Buda é diferente. O Buda é a própria base. Só pode ser compreendido pela interdependência de todos os seres. É na atenção plena à interdependência que podemos compreender sua natureza. Buda não é um "ser", como Deus. Buda é o Buda.
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pamlobo

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Mensagem Sab 15 Fev 2014 - 12:00

Legal saber disso. Muitos me disseram que o budismo é uma religião ateísta, estava com essa ideia fixa na cabeça. Por isso então que pessoas de outras religiões podem ser budistas, né? Ou estou erradas?!
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Mensagem Dom 16 Fev 2014 - 23:21

Essa ideia de pessoas de outras religiões serem budistas na verdade não é muito certa.
Budismo não é ateísta mesmo, porque não vai ficar tentando convencer alguém que Deus não existe. Tanto Teísmo quanto Ateísmo costumam surgir de ideias provenientes de mentes com apego, seja apego por alguém que está cuidando delas ou apego por ter resposta para o sentido da vida, ou apego a conhecimento científico, seja lá o que for. O Buddha desencoraja o Apego.
Mas você poderia dizer que ele ainda falava sobre Renascimento, só que o Buddha alegava que a consideração do Renascimento teria uma raiz diferente. Enquanto crer em Deus poderia vir da necessidade de acreditar que alguém cuida de nós, o que seria uma espécie de carência; ou de crer que não há Deus, porque se vê a necessidade de se ter respostas, dentre outros; considerar o Renascimento poderia vir de algo mais lógico - há uma justiça pós-morte. Porque para Teístas e Ateístas só há descanso após a morte, não é? rs Para os ateístas, morreu, acabou: descanso. Para os teístas, morreu: paraíso eterno. Mas as pessoas fazem coisas variadas em vida - não há alguma justiça após a morte? O Buddha alega que há, porque cada um carrega seu Karma.
O Renascimento atende a Lei da Impermanência, e também não diz "Não importa quantas coisas boas você faça, você vai apodrecer que nem uma pessoa ruim, e não haverá nenhuma diferença entre vocês depois da morte".
Então, considerar o renascimento em vez de vir de carência ou apego ao conhecimento, pode vir de uma mente sensata e até mais prática, porque usar o renascimento para educar a mente é muito efetivo. É algo que vale a pena você entender melhor.
Mas que pessoas de outras religiões podem ser budistas não funciona bem assim, porque no Budismo há Karma, Renascimento e Impermanência. Se você é teísta, a Lei da Impermanência e Karma não fará sentido. Se você for ateísta, você se fechará para a possibilidade de "algo além do corpo" que renasce após a morte. Então, pode até praticar meditação e vários ensinamentos do Budismo muito bonitos e importantes, mas se ainda está apegado a um dos lados do debate: eu provo que Deus existe x eu provo que Deus não existe; você ainda não está tendo uma atitude budista.
Esta é minha opinião: dá para praticar várias coisas bonitas do Budismo sendo de outra religião, mas praticar o Budismo e outra religião por inteiro é bem difícil.  Pensativo 
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Mensagem Ter 23 Set 2014 - 2:23

Do ponto de vista teológico monoteísta (do judaísmo, cristianismo e islam) o Budismo seria visto como ateísta. Mas de um ponto de vista politeísta ou pagão, o Budismo seria tachado de não-teísta. O Budismo é realmente o caminho do meio entre todos os extremos opostos, já que, mesmo não sendo teísta, consegue desenvolver uma profunda espiritualidade em seus praticantes. 

Interessante a colocação sobre os Devas. Já tinha me passado pela mente que estes devas/espíritos poderiam ser os mesmos mestres, guias, "anjos protetores" ou seres de luz descritos no espiritualismo moderno. O Buda chega a afirmar em alguns sutras do cânone Pali que os devas seriam pessoas virtuosas que haviam praticado algum tipo de religião/espiritualidade quando na vida humana. São descritos como sendo "os luminosos", que costumam aparecer no horário da madrugada. Segundo o ensinamento do Buda, algumas religiões que pregam a santidade, a caridade e a compaixão, como o cristianismo, por exemplo, conseguiriam conduzir muitos de seus adeptos ao "paraíso" ou estado dévico após a morte, porém, este estado não seria eterno, mas impermanente, já que, ao esgotarem os méritos de tais seres, estes voltariam a renascer e a consequentemente, girar na roda do samsara.

Algumas escrituras indianas antigas como o Ramayana, afirmam algo semelhante ao Budismo, quando dizem que mesmo devas como Narayana ou Vishnu, precisariam renascer como humanos devido ao karma gerado por terem desobedecido o Dharma ( a Lei eterna e universal). Assim sendo, o Dharma estaria mesmo acima dos "deuses" ou devas.

Atualmente existe uma tendência entre os hinduístas modernos de dizerem que o "deus" ou o divino que eles adoram é o mesmo "Deus" judaico-cristão, mas na verdade isto não passa de um erro grosseiro, ou de um tipo de apelação simplista para arrecadar fiéis entre os ocidentais que foram criados dentro da mentalidade teísta judaico-cristã. Para agradar os ocidentais até mesmo Jesus é mantido como um tipo de guru iluminado ou avatar.

Na verdade, as religiões de matriz aryana ou indo-européia são totalmente diferentes das de matriz semita. E quando a cabala ou o cristianismo começaram a falar deste mesmo "Deus" irado e ciumento do antigo testamento como sendo algo filosófico e transcendente, foi porque copiaram o "Brahman" indu de forma indireta, ao absorverem estes conceitos do neoplatonismo de Alexandria. Trocando em miúdos, os sacerdotes das religiões semitas estudaram a filosofia grega (que tinha muita influência indu e budista) e deram um UPGRADE no antigo "deus" semita.

Os antigos hinduístas não afirmavam que "Deus" ou o princípio criador/emanador do cosmos seria algum tipo de divindade pessoal antropomórfica, um tirano controlador preocupado em ordenar aos seus seguidores o extermínio de seus semelhantes, mas sim o "Brahman" impessoal e transcendente.
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Mensagem Ter 23 Set 2014 - 2:56

O Budismo é incompatível com a idéia de um "Deus" controlador ou "deuses" controladores (Ishvara), que controlariam todos os detalhes da vida e o destino de todos os seres, porque o Budismo afirma que todos os dhammas/dharmas (fenômenos), ou seja, tudo o que acontece no universo é um efeito que tem muitas causas. As vezes até centenas ou milhares de causas que devem acontecer em sequência ou concomitantemente para que algo ocorra. 

Por exemplo: Para que uma determinada plantação dê seus frutos é necessário boa terra, adubo, clima propício (Sol , ventos, humidade, chuvas, etc.) trabalho duro para plantar e colher, que o governo aprove o financiamento, insumos e sementes corretas, maquinário e ferramentas, pessoas que queiram realizar isto, dominar a técnica correta, plantar no tempo certo, etc.

Se as coisas fossem fixas, eternamente as mesmas ou precisasem do aval de um "deus" para acontecerem nós não poderíamos mudar nada com nosso esforço. Mas a nossa percepção e experiência direta demonstra que é possível mudar as coisas, as situações ou a nós mesmos se geramos as causas corretas para que isto ocorra.

Alguém pode rezar a vida toda a um "Deus" ou para os "deuses" para que um defeito seu desapareça como que por "milagre", mas isto não vai ocorrer, porque devido ao cultivo de determinados hábitos e maneiras de pensar/sentir nós tornamos tal tendência um traço de nosso caráter. Porém, se pararmos para refletir, quando éramos pequenos, não tínhamos este condicionamento. Portanto, estes podem ser mudados ao cultivarmos as raízes ou causas para que a tendência negativa desapareça gradualmente e para que outra positiva se estabeleça.

Por isso o Budismo não se alicerça na idéia de um "Deus"(monoteísmo) ou "deuses"(politeísmo). Não se importa com isso e nega a um criador ou a Ishvara. Assim como o mar tem um único sabor: O sal. O Dharma do Buda tem um único sabor: O da libertação de todo o sofrimento.
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Rafacamp

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Mensagem Ter 21 Abr 2015 - 13:31

Talvez os ensinamentos há muito arraigados na civilização ocidental "impeça" a grande maioria das pessoas de irem além da existência de um deus pessoal, de uma inteligência que rege e domina a toda a existência. Presos aos dogmas, a maioria das pessoas se apega a esta ideia até como forma de justificar o próprio sofrimento e de se resignar com as situações que lhes ocorrem. Entretanto, a partir do momento em que gradualmente se consegue a expansão da consciência e se passa a ter a visão correta de que nós somos responsáveis e criadores da nossa realidade, atingimos um nível de conhecimento que não nos permite mais retornar ao estado anterior, que é a conclusão de que somente a partir do abandono do eu egoico (formado pelos influxos sociais, culturais, pelos sistemas de crenças, etc.) seremos capazes de atingir o verdadeiro desenvolvimento espiritual e a iluminação, que talvez seja este contato puro com o Todo, com a divindade de que somos parte. E como são claros os ensinamentos, somente a partir do abandono dos venenos mentais, do egoísmo, da inveja, da raiva é que lograremos este estado de beatitude. Logo, posso até estar errado, mas no meu entender, diz-se o budismo não-teísta, não por negar a existência de Deus, mas por deixar que cada um atinja este estado de iluminação e, aí sim, possa definir, se é que ainda se fará necessário, a real essência desta "divindade" de que todos somos parte e para a qual todos caminhamos em constante processo de evolução espiritual.
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