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 Novos Questionamentos- Budismo e Psicologia

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AsmitaNoVirgo

Discípulos
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Idade : 27
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 15

Mensagem Qui 10 Mar 2016 - 21:22

Observando a sociedade moderna do ponto de vista psicológico, e até mesmo psicoanálitico vemos que estamos entrando em uma era de decadência em todos os níveis, mental, emocional, cultural, físico, moral e por ai vai. No mundo ocidental perdemos o mito e dai a identidade, criando um processo de crise de falta referência em cadeia, gerando o famoso século da depressão e seus derivados. No ponto de vista budista este mundo é um mundo de sofrimento ou seja sempre haverá sofrimento. Dentro dessas duas premissas venho a meses observando a realidade, as pessoas e principalmente a min mesmo com o objetivo de chegar a um alivio das minhas próprias angustias, aliás somos seres inerentemente em maior ou menor grau angustiados.
1-A teoria da psicologia tem como base o EU e dai o desenvolvimento da personalidade e suas estruturas que Freud vai definir e conceituar. Como O ego, o super ego, alter ego, o id, o consciente e o inconsciente. O budismo parece negar uma ideia de EU, mas em contraponto muito dos ensinamentos budistas convergem com as teorias freudianas. Por exemplo O Contentamento com a realidade, seria para Freud suportar a dor diante da frustração do indivíduo como forma de se chegar a causa do sofrimento. Ou seja até que ponto o Budismo converge e diverge da psicologia/psicanálise. É possível por exemplo ser um psicólogo e budista ao mesmo tempo, sem que pise em um caminho de contradição? Digo isso por que estou estudando bastante a psinanálise e o budismo ao mesmo tempo e tenho receio de estar indo por via opostas...
2-Quando leio sobre este mundo ser um sonho, vacuidade, o vazio de existir, O Nirvana, morrer e cessar o renascimento eu me pergunto algumas coisas já que a mente traz referenciais automaticamente, sensíveis e inteligíveis as palavras. Essas palavras que citei acima infelizmente estão me confundindo muito por estar vivenciado um espectro sintoma da ansiedade a despersonalização\desrealização que por não ser muito comum de acontecer em níveis altos de estress, irei explicar abaixo: 
"A despersonalização é a alteração da sensação a respeito de si próprio, enquanto a desrealização é a alteração da sensação de realidade do mundo exterior sendo preservada a sensação a respeito de si mesmo. Contudo ambas podem acontecer simultaneamente. A classificação norte-americana não distingue mais a desrealização da despersonalização, encarando-as como o mesmo problema.
Contrariamente ao que o nome pode sugerir, a despersonalização não trata de um distúrbio de perda da personalidade: este problema inclusive não tem nenhuma relação com qualquer aspecto da personalidade normal ou patológica.
O aspecto central da despersonalização é a sensação de estar desligado do mundo como se, na verdade, estivesse sonhando. O indivíduo que experimenta a despersonalização tem a impressão de estar num mundo fictício, irreal mas a convicção da realidade não se altera. A desrealização é uma sensação e não uma alteração do pensamento como acontece nas psicoses onde o indivíduo não diferencia realidade da "fantasia". Na despersonalização o indivíduo tem preservado o senso de realidade apesar de ter uma sensação de que o que está vendo não é real. É comum a sensação de ser o observador de si próprio e até sentir omovimento de saída de dentro do próprio corpo de onde se observa a si mesmo de um lugar de fora do próprio corpo"
Referências retiradas do site wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Despersonaliza%C3%A7%C3%A3o#Sintomas
E ainda é bom ressaltar:
"O diagnóstico desse transtorno dissociativo só pode ser feito se outros transtornos foram descartados como as síndromes psicóticas, estados de depressão ou ansiedade, especialmente o pânico. Nessas situações as despersonalizações e desrealizações são comuns constituindo-se num sintoma e não num transtorno à parte."
Referências retiradas do site wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Despersonaliza%C3%A7%C3%A3o#Sintomas



Ou seja; este um sintoma que modifica um percepção da realidade, de parecer estar em um sonho. A mente quando exausta diante de um fato muito estressor por exemplo a morte de um ente querido, pode desencadear esse processo para proteger o individuo de uma dor ainda maior ou não acreditar que passou no vestibular. Diante disso há pessoas que como eu passa a se preocupar com essa sensação (neurose) a fazendo permanecer na mente por dias, meses e até anos. Onde quero chegar é que quando leio nos ensinamentos que "temos que acordar desse sonho" desapego do EU,e não-existência me causa uma sensação de estranheza. Algumas vezes confesso que me assusto com essa ideia de este mundo ser mera ilusão no sentido literal, já que o sintoma ( a despersonalização) já me faz sentir assim. O que é correto então perceber? Estou fazendo uma leitura muito literal do budismo? E confundindo isso com o estado da minha mente ansiosa, quais cuidados devo tomar com esses termos e aspectos de sintomas neuróticos ansiosos em relação as noções de realidade do budismo?
3-Com respeito a causalidade das coisas no Budismo o que dizer sobre a teoria da aleatoriedade? Por exemplo os acidentes,o budismo não crê que nada é por acidente? Convergindo  com a causalidade de Freud que diz que todo comportamento humano é advindo de uma causa? Se um homem atravessa a rua e um carro está prestes a atropela-lo mais assim o desvia salvando o homem porém matando o motorista, poderiamos dizer o que sob o aspecto budista, que o karma de um ou dos dois indivíduos influenciou a situação toda? Em outras religiões por exemplo, o cristianismo, diria que foi obra de deus salvar o homem e matar o outro. No budismo poderíamos traçar a consequência do karma para ambos, tanto o motorista como para o pedestre? Isso não seria ainda uma visão determinista das coisas? Eu posso práticar ações hábeis a vida inteira e ser este homem que foi salvo ou o condutor que foi morto . O contrário também poderia ser aplicado á situação, eu pratico mais alções inábeis na minha vida e poderia ter sido o pedestre salvo do ocorrido. Eu sei que a Lei do Karma é Imparcial, mas a minha reflexão é se realmente temos controle da nossa vida já que este mundo nas palavras de Buda, é um mundo de sofrimento, não importa o que fazemos ou deixamos de fazer vamos sofrer. Como não cair no niilismo da aleatoriedade, da perda do sentido da vida, se diante da causalidade podemos estar sei lá, sendo guiados por um fluxo de karma negativo e positivo, desculpe o adjetivo, mas isso não seria sadismo?
4-Até que ponto podemos ou não fazermos relações dos fatos, por exemplo as vezes tenho a sensação de que algo apareceu na minha vida por que tinha que estar ali, uma oportunidade. Ou as vezes tenho a sensação de estar sendo castigado por algo (talvez karma negativo) enfim como balizar os acontecimentos da vida sob aspecto budista de não estar interpretando tudo como se fosse causal, ou seria tudo aleatório e partirmos disso para agir...
5- Para a psicologia chorar até determinado ponto, desde que não impeça a pessoa de agir, pode ser benéfico. Ou seja é um ato de externalizar dores aliviando angústias por meio das lágrimas. O que o budismo pensa sobre chorar?
6-Buda recomenda não matar intencionamente mas no mundo que vivemos hoje há muitas complexidades e fatos que nos fazem rever este tema constantemente...Como já havia dito eu tenho projeto de livro que ilustra uma personagem psicopata. Aos olhos das pessoas este tema não é apropriado, um tabu,assim como coisas como morte, suicídio etc Me interesso pelos temas da psicologia e a psicopatia me chama atenção pelo histórico de vida e sofrimento dessas pessoas. Os serial killers sentem prazer em matar, para externalizar dor, isso me assusta. O Karma desse individuo não deve ser lá dos melhores, a patologia ainda está muito recente para a psicologia concluir algo muito concreto seria tolice. Enfim lidar com arte sob o prisma da violência, da doença como estou fazendo é acumular ruim mesmo que esteja através disso me ajudando e outros a compreenderem nossa mente melhor? A pouco tempo comecei a sentir remorso e pausei minha escrita...
Espero não ter sido muito complexo de entender... desde já agradeço a oportunidade.
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Define-se budista? : Sim
Mensagens : 488

Mensagem Sab 12 Mar 2016 - 21:19

AsmitaNoVirgo escreveu:
1-A teoria da psicologia tem como base o EU e dai o desenvolvimento da personalidade e suas estruturas que Freud vai definir e conceituar. Como O ego, o super ego, alter ego, o id, o consciente e o inconsciente. O budismo parece negar uma ideia de EU, mas em contraponto muito dos ensinamentos budistas convergem com as teorias freudianas. Por exemplo O Contentamento com a realidade, seria para Freud suportar a dor diante da frustração do indivíduo como forma de se chegar a causa do sofrimento. Ou seja até que ponto o Budismo converge e diverge da psicologia/psicanálise. É possível por exemplo ser um psicólogo e budista ao mesmo tempo, sem que pise em um caminho de contradição? Digo isso por que estou estudando bastante a psinanálise e o budismo ao mesmo tempo e tenho receio de estar indo por via opostas...

Olha... vou falar até onde meu conhecimento chegar Lendo  rsrs
Tem muitas coisa que Freud disse que de fato coincide com os ensinamentos budistas - me lembro de ter visto um monge budista theravada falando sobre Freud certa vez, mas nem lembro que monge era, faz um tempo que eu vi.
Enfim, há correspondências de fato, só que ao mesmo tempo há divergências fundamentais, essenciais... O que quero dizer é que embora ambas as doutrinas possam coincidir em algumas conclusões, nas premissas ou nas ideias iniciais há coisas que não batem. É engraçado que a partir de ideias diferentes se chegue a conclusões similares rsrs...
Agora falar detalhadamente eu não vou saber falar muito, porque tenho pouco conhecimento. Mas, até onde eu sei, uma das ideias de Freud é que o sofrimento decorre, geralmente, quando o ser humano reprime a sua natureza e seus instintos (o mal-estar na Cultura, não é isso? rs)... Isso fica meio estranho no Budismo porque... o que é natural para um ser humano no Budismo? É difícil dizer porque depende do nível de realização da pessoa. Alguns dizem que o natural do ser humano é o estado de iluminação, mas é meio complicado colocar assim a meu ver... Acho melhor falar que o estado natural da mente é que é assim, agora o que é natural do ser humano acho complicado, porque como ser racional e de grande potencial, um humano pode fazer todo tipo de coisa, viver em situação selvagem ou altamente espiritual. Mas, se considerarmos que o Buddha ensinou que uma pessoa pode alcançar a Iluminação e erradicar todo o sofrimento por ter abandonado todo o desejo, então dizer que uma pessoa sofre porque reprime seus desejos e instintos naturais não confere - porque o Buddha ensinou que quando a pessoa abandona certos tipos de desejos (considerados naturais para Freud) ela alcança a serenidade e uma felicidade maior.
De início é mais fácil acreditar em Freud rsrs... Porque quando começamos a estudar e mexer com nossos desejos, a mente se agita. E aí parece que seremos felizes se atendermos os desejos da mente, mas quando olhamos para pessoas que viveram muito tempo não parece que é assim. Basta olhar para alguém que elogia uma vida espiritual, de renúncia e de contentamento com pouco e compará-la com alguém que tem todo conforto, riqueza e luxúria mas não tem sabedoria no coração. Quem parece verdadeiramente mais feliz? Com esses exemplos da vida nós começamos a ficar desconfiados.
Mas por que que, na experiência, nós pensamos que não tem como alcançar a paz abandonando os desejos? É porque não entendemos o ensinamento completamente, da forma correta, e não aprendemos a lidar com a mente de forma gradual e hábil. É necessário tempo e prática para aprender a por os ensinamentos em prática. E como o Buddha diz no Dhammapada, a mente é teimosa e difícil no começo mesmo:

Tal como um peixe tirado da água
e jogado na terra,
esta mente se debate
enquanto está abandonando o reino de Mara.
                                                       Dhp 34
A mente é difícil de ser controlada,
é sempre veloz, ela se inclina àquilo que deseja.
É bom o treinamento da mente,
uma mente bem domada traz felicidade.
                                                       Dhp 35
Esse é só um exemplo. Freud diz que o sofrimento vem de reprimirmos nossos desejos e instintos naturais. Buddha diz que o sofrimento vem do desejo. Logo, no Budismo, desejo sexual, desejo sensual, desejo por ser-existir entre outros, não são coisas naturais - são impurezas que envolvem a mente, mas não são naturais dela. Para Freud são instintos naturais. Então há uma diferença aí.
Não vejo problema em estudar Psicanálise também, porque uma doutrina pode agregar à outra, mas vá vendo aos poucos que princípios fundamentais de uma diferem da outra.

Questão 2 - Há que se tomar cuidado quando doutrinas como o Hinduísmo e o Budismo falam do termo "maya". Alguns dizem que o mundo é maya, é ilusão... Não é bem assim. O próprio Buddha dizia que seu ensinamento era o Caminho do Meio, e um dos sentidos disso é que seu ensinamento rejeita tanto a ideia de Existência Eterna, Absoluta e Inerente; como a ideia de Não-existência, Ilusão, Vazio, Nada.
Em vez de falar Ilusão é mais interessante falar Delusão. Não sei se você já percebeu que Delusão é bastante usado no Budismo. Isso porque podemos colocar uma diferença entre essas duas palavraS: Ilusão é quando vemos uma coisa ali, mas não há nada ali (como uma miragem no deserto). Delusão é quando vemos uma coisa ali, mas o que há é outra coisa (no escuro, vemos uma bola e quando acendemos a luz descobrimos que era só um boné, por exemplo rs). O que ocorre conosco é Delusão: olhamos para a vida, olhamos para os fenômenos e há uma coisa ali, EXISTE alguma coisa ali se manifestando, só que a forma como vemos isso está distorcida, está errada. Não é que tudo é vazio no sentido de que nada existe, ou de que nada tem valor, ou de que tudo é ilusão e vai desaparecer sem mais nem menos... As coisas que estamos vendo existem sim, só que nós não entendemos COMO elas existem. Isso era algo que o Buddha sempre repetia: que precisamos compreender como as formações surgem e como elas cessam.
Mas por que se diz tanto no Budismo que as coisas são vazias? São vazias no sentido de que nada existe de forma autônoma, independente, autossuficiente. Isso não significa que as coisas sejam uma ilusão. Significa que tudo existe suportado por uma condição. E mais: só há fenômeno material/mental se há uma consciência para perceber isso. E a recíproca é verdadeira: só há consciência se houver algo a ser percebido. Isso é um negócio meio difícil de se falar, e nem adianta falar muito sobre isso, porque aí a mente começa a querer especular e criar teorias, mas isso é um dos fundamentos dos ensinamentos do Buddha: só há materialidade-mentalidade, se há consciência; só há consciência, se há materialidade-mentalidade. Quando o indivíduo reconhece a insatisfatoriedade em ambos, ambos são abandonados e assim não há mais renascimento.
Agora o ponto é que tudo é vazio, não-eu, porque é impermanente. Então, o que há são momentos de consciência. Só que nós vemos como um continuum, e aí enxergamos a realidade como uma linha ininterrupta, e não como pontos, instantes um do lado do outro. A cada momento a realidade se manifesta suportada por condições, mas ela não é autossuficiente no sentido de que é uma coisa que existe independente de tudo de forma constante e ininterrupta... Mas a nossa percepção não saca isso, a menos que ela seja treinada... Mas é meio difícil e confuso falar sobre isso, porque é algo para ser entendido por uma mente silenciosa e meditativa, e não especulativa Rindo Então não adianta falar muito sobre, mas leia este texto:
"Na matemática um ponto é um conceito derivado da ciência da vida. O ponto descreve os aspectos de fenômenos reais. No entanto, um ponto não tem tamanho. É menor do que qualquer medida que possa ser sugerida, no entanto é maior do que nada. Em certo sentido, não se pode dizer que um ponto é, porque o ponto não persiste, não continua no espaço. No entanto, não se pode dizer que não é, visto que é claramente diferente do nada. O ponto é semelhante à natureza momentânea da experiência consciente. Nada continua sendo, por isso, não pode ser algo. Algo surge, portanto, não pode ser nada. A solução para este paradoxo, o meio, é o processo impessoal."
Se quiser ler o texto todo, o que seria bem interessante para você que quer saber mais sobre o ensinamento sobre o que é mente, o que é vida, o que é sofrimento e o que é realidade para o Budismo, leia: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/paticca_samuppada.php

3- Karma é um negócio difícil de entender, cada um só poderá entender completamente por experiência própria investigando a própria mente. Mas o Buddha nunca ensinou fatalismo ou determinismo, o que ele disse é que nossas ações e intenções geram Karma, que geram condições e situações em nossas vidas. A questão é que alguns tipos de Karma frutificam e outros não. Dos que frutificam, alguns são determinantes, outros não. Pode haver um tipo de Karma que fará você renascer com uma deficiência na próxima vida, independente do que você fizer até morrer nesta vida, esse Karma vai frutificar - isso é determinante, é fatal. Aí você renasce com essa deficiência numa família rica e que te mima, devido a um Karma antigo, misturado com um que você fez antes de morrer, ou seja lá o que for (Karma é assim, é um processo complexo e multicausal). O Karma que você fez antes de morrer foi fazer caridade para um projeto nobre e ético, como exemplo, apesar de ser muito pobre. Aí, no seu novo nascimento, sua família perde tudo e você fica pobre de novo. Isso pode ser devido a um Karma antigo , pode ser devido a incompetência de alguém da família, ou pode ser devido a causas biológicas (um desastre natural). Diante dessa situação, você tem tendências tanto para a depressão quanto para o ânimo e o trabalho. Qual você vai cultivar, depende um pouco do seu Karma, um pouco de você, um pouco do que você aprendeu quando criança nesta vida, entre outros.
Então, não é que TUDO é Karma. Acontecem coisas que não são devido ao Karma, ou que envolvem parcialmente Karma. Mas isso não significa que existam acidentes, porque não existem rs. Tudo tem uma causa, só que essa causa não precisa ser sempre Karma Rindo
Leia:
"Embora o Buddhismo diga que uma pessoa pode eventualmente controlar sua força kammica, ele não afirma que tudo é devido ao kamma. O Buddhismo não ignora o papel de outras forças da natureza. Para o Buddhismo há cinco ordens ou processos de leis naturais (niyama) que operam no mundo físico e mental.

1. utu niyama (leis periódicas) relacionadas à ordem física inorgânica, por ex., fenômenos periódicas de ventos e chuvas, etc.
2. bija niyama (leis biológicas) relacionadas à ordem de germes e sementes,
3. kamma niyama (lei kammica) relacionada à causação moral ou à ordem de ação e resultado,
4. dhamma niyama (fenômenos naturais) relacionados às forças elétricas, movimento das marés etc., e
5. citta niyama (leis psicológicas) que governam os processos da consciência.

Dessa forma, o kamma é considerado apenas uma das cinco leis naturais que justificam a diversidade nesse mundo." https://noqueosbuddhistasacreditam.wordpress.com/2010/04/12/outros-fatores-que-sustentam-o-kamma/

É por isso que quando o Buddha foi perguntado sobre isso, ele respondeu:
“Mestre Gotama, há alguns contemplativos e brâmanes que possuem esta doutrina e entendimento: ‘Tudo aquilo que uma pessoa experimentar, quer seja prazer, dor, ou nem dor, nem prazer, tudo é causado pelas ações passadas.’ Agora, o que o Mestre Gotama diz disso?”
“Produzidas por distúrbios da bílis, Sivaka, surgem certos tipos de sensações. Que isso acontece, pode ser compreendido pela própria pessoa e também no mundo é aceito como verdadeiro. Produzidas por distúrbios da fleuma … dos ventos… de um desequilíbrio [dos três]… pela mudança de clima… pelo comportamento descuidado … pela violência … pelos resultados de Kamma – por meio de tudo isso, Sivaka, surgem certos tipos de sensações. Que isso acontece, pode ser compreendido pela própria pessoa e também no mundo é aceito como verdadeiro.
“Agora quando esses contemplativos e brâmanes possuem esta doutrina e entendimento: ‘Tudo aquilo que uma pessoa experimentar, quer seja prazer, dor ou nem dor, nem prazer, tudo é causado pelas ações passadas,’ então eles vão além daquilo que conhecem por si mesmos e daquilo que é aceito no mundo como verdadeiro. Portanto, eu digo que esses contemplativos e brâmanes estão equivocados.”

4- Simplesmente não adianta nós especularmos porque algo aconteceu nas nossas vidas. Como diz Ajahn Brahm - se aconteceu, então está certo, era para acontecer. Mas o ponto é que qualquer coisa é boa o suficiente para treinarmos a nós mesmos. Então, não importa o que a vida traga - acolha e transforme. Não importa qual foi a causa, importa qual será a nova causa (o novo Karma) que geraremos a partir desse efeito que se manifestou. Copiando um e-mail que enviei a uma pessoa esses dias:
"Que você acolha tudo o que a vida lhe trouxer
e tente fazer o melhor uso que você puder.
As coisas na vida nem sempre dão certo,
mas o essencial é que cultivemos, no coração, o que é certo, o que é adequado, o que é benéfico.
Como diz Ajahn Brahmavamso:
"You can't always cure, but you can always care."
Nem sempre você pode curar, mas você pode sempre cuidar/se importar."

5- Qual a intenção ao chorar? O ponto base é sempre intenção.
Há momentos na prática que as lágrimas simplesmente vêm, e se você tiver atenção plena e sabedoria, será capaz de deixar que isso ocorra naturalmente e pare a seu próprio tempo, estando ciente daquilo sem muito envolvimento.
Mas eu imagino que a partir de um certo nível só há como chorar por felicidade rsrs... Muitos monges falam sobre como já choraram com meditações extasiantes.
Digo isso porque a partir de um certo ponto, a pessoa muda totalmente de visão. Quando ela percebe que certas coisas não são dignas de serem desejadas, não haverá nada mais a ser externalizado, porque não haverá mais preocupações ou remorsos. Até lá, não vejo problema em chorar... Só que tem que tomar cuidado com a intenção... Se for provocar o choro e ficar alimentando pensamentos ruins nesse processo, não é hábil. Agora, se o choro vier quase como que se fosse uma limpeza automática do coração, então devemos ficar espertos para estar cientes daquilo sem cultivar algo prejudicial.

6- É, Buda pediu para não matar ou mesmo incitar que outros matem, então isso não é muito bom Pena Só que você não vai sair disso com remorso, ou ouvindo pregações do tipo "Não faça isso ou você irá para o inferno!". Como você mesmo disse, você faz isso porque isso te ajuda, porque funciona como uma válvula de escape para você. Então, o melhor seria você buscar outras fontes de prazer... O problema é que às vezes encontramos dificuldades para ter prazer com coisas boas, só temos prazer com coisas ruins rsrs... Nesses casos, temos que ir devagar, porque se você abandonar totalmente a sua escrita e não tiver outro alicerce ou refúgio para se sustentar, você pode enlouquecer e acabar fazendo na realidade o que você escreve nos livros! rsrs... Às vezes as pessoas tentam remover uma fonte de prazer de uma vez sem substitui-la por outra, e aí enlouquecem de desejo reprimido e explodem, por assim dizer. Então, tem que ser feito aos poucos...
Tente buscar outras fontes de prazer, de consolo, de refúgio para você... Tente depender de outras atividades, busque outros tipos de lazer que sejam mais hábeis e benéficos, porque como você já declarou, você escreve para imaginar a realização dos seus desejos de ferir aqueles que te feriram. Isso é intenção prejudicial ou benéfica? Um dos desafios no caminho espiritual é respondermos a raiva com amor; porque quando respondemos com raiva, fazemos o que não gostamos que o outro fez conosco... não é paradoxal? rsrs Aí afundamos junto com o outro, mas se somos capazes de responder de outra maneira, então estamos em posição muito melhor Feliz
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Mensagem Ter 15 Mar 2016 - 21:35

Em parte consegui entender a questão do termo "Maya" a delusão achei tudo muito interessante de se pensar e me lembra o filme Matrix hahaa.. enfim surgiu mais questionamentos que queria debater. Por exemplo a questão da Identidade.


1-Hoje os consultórios estão cheios de pessoas doentes e precisando de ajuda mental e emocional. Levando em conta que a maioria dos adoecimentos vem dos problemas psiquicos podemos pensar como a psicanalise ajudou a compreender lá atrás o que era um sinal, hoje uma realidade: a falta de identidade. Ainda não li nada sobre identidade no budismo. Sabemos se perguntarmos pra qualquer um na rua "Quem é você" as respostas serão esquivas, superficiais e confusas, acabamos em uma era que matou o mito e disso venho a morte da referencia identidária. Não temos mais naquele em nos inspirar, mesmos os heroís ocidentais não suprem. Estamos fadados a viver buscando identidades em posses, relacionamentos e outras coisas externas que não suportam essa falta de referencia. A maioria das doenças psicológicas advem da falta de identidade (crises existenciais), falta de auto conhecimento. Se ninguém sabe quem é, mente-se para si e para os outros aquilo que se acha que é; E no meio disso estou eu também tentando achar minha identidade, mas não sei se irei pisar em alguma negação do budismo sobre esta questão., se por acaso eu "me achar" em uma identidade, o que seria correto discutir sobre esse tema no budismo?
2-Sobre Freud e a psicanalise eu sou suspeito pra falar até por que suas teorias explicam muito do nosso mundo contemporâneo, não há como negar. As famílias disfuncionais estão ai, o resultado da violência e da depressão coletivas advindas delas só comprova isso. Então de fato eu teria que escolher entre o budismo ou a  piscologia pra fazer uma leitura dessas necessidades no mundo atual no fim das contas? Por exemplo deixar de acreditar em um Eu, de fazer terapia tratar da minha saúde mental da "forma ocidental ortodoxa" e abraçar uma nova ideologia que seria os ensinamentos do Buda? Ou isso seria uma postura muito extremista, o interessante seria pensar em um forma de integrar sentido a isso tudo flexibilizando conhecimentos ou eu acabaria sendo um hipócrita universalista, essa é minha aflição atualmente. Estou pensando em fazer mestrado em psicologia para tentar compreender mais o ser humano e ajudar os outros que passam pelo mesmo problema que eu estou passando.
3-Essa é uma questão muito particular da minha área, mas jamais exigirei uma resposta completa ok, apenas curiosidade mesmo, se não souber tudo bem... Como estudo museus e irei trabalhar com eles durante um tempo (terminando graduação em museologia  Feliz) ai pensei: os museus não seriam uma forma de apego ao passado? Claro aquele museu antigo pensado no tradicional , por que hoje pensamos um museu "vivo" dinâmico que contrasta não só o passado mas como o presente e pensa o futuro. Aquela história de que "Lugar de coisa velha é no museu" é ultrapassada. Mas no fim estudamos preservação, conservação de bens patrimoniais materiais(e imateriais)e pensando nisso vi e li um pouco sobre a questão patrimonial na ásia, uma relação completamente diferente. Ou seja lá se destrói para construir o novo e isso faz parte da cultura! Sob este aspecto eu fiquei meio confuso haaha.. estou "empalado" em várias questões percebe? Parece que eu querer ser budista o tempo todo me faz parecer uma pessoa contraditória e me sinto mal, perdido confuso. Será que eu deveria repensar minha vida toda? Hahahah... Indiferente
4-Eu mudei muitos comportamentos, morro de medo de matar insetos, ando na rua olhando pro chão pra ver se não estou matando formigas. Realmente pensei com mais profundidade na existência e importância desses seres e minha compaixão por eles tomou certamente outra dimensão. Pelos animais também, crio um gato de rua maltratado, troquei o sabonete de barra pelo liquido. Enfim fiz algumas intervenções pequenas, que mudaram e me fizeram me sentir melhor. Mas as vezes não consigo impedir maus tratos, há momentos que realmente não posso fazer nada, pessoas realmente querem matar, querem bater... será que estou praticando um karma ruim, quando penso que o karma é daquele agressor? hahaa acho que essas perguntinhas de "é karma ruim ou bom" já deu não é mesmo?... entendo a questão da intenção, já entendi. No entanto nós ocidentais saímos de uma cultura tao dependente de um regulador externo moral (tipo bíblia, deus, santos etc) que bate insegurança quando a questão é karma entende xD
5-Questão monetária, demorei a chegar a essa questão até mesmo por que eu não queria me auto enganar me resumindo a necessidades materiais, mas de fato precisamos de dinheiro... isso é um fato hahaha Ou seja precisamos de dinheiro, seja pra ir ao médico, comprar comida, ser independente. Mas também temos nossa TV a cabo de cada dia, nossas seres series, as roupas, a moda (essa particularmente aprecio muito) enfim vários atrátivos para nos afastar da essência humana, mas que ao mesmo tempo pode nos fazer refletir sobre essa mesma essência do que é ser humano. Então indo direto ao ponto , eu não sei o que pensar sobre um monge rico (desculpe a usabilidade da palavra) gurus famosos (Tipo o polêmico Osho) enfim a questão do dinheiro está ai, direta iou indiretamente estamos sustentando o mercado escravagista,a exploração de mão de obra seja por causa do capitalismo, neoliberalismo, globalização enfim a solução seria ir pro mato, ou não, podemos morrer rápido a natureza é muito poderosa e nossos anti-corpos modernos muito frágeis. O que pensas sobre isso?
6-Sobre o nirvana, achei um texto interessante aqui mesmo que relata um estado de iluminação(desculpe esqueci o nome!) em que não renascemos mais nos temidos mundos de sofrimento,mundos inferiores. Bom, até aqui entendi, mas me fez pensar sobre meu medo existencial do sofrimento pós morte, não mais do sofrimento eterno, "inferno ocidental globalizado" hahaha mas de ficar preso no sofrimento. Sem querer hipócrita aqui é claro que essa questão foi uma das fundamentais para me aproximar do budismo, que por acaso um dia li uma matéria e dai continuei até hoje. Mas não sei se esse medo pode estar me enganando e me motivando a me forçar a ser budista só por isso, ou se estou indo por boa vontade também... Na verdade eu morro de medo de descer pro mundo inferior hahahah e fico questionando isso,e me policiando. E de certa forma fico ansiando fortemente a ir pra um lugar melhor do que sofrer pós morte, isso é só meramente apego ou faz parte anseio de todos os praticantes iniciantes, ninguém sabe em que mundo vai parar, ou sabe, os monges sabem?
7-O que dizer sobre o desejo, na perspetica freudiana, o desejo muitos deles devem ser realizados para um bem estar minimo, como comer, beber, dormir, sexo enfim necessidades básicas. Depois vem os desejos do EGO ou seja da auto estima, desejo de ajudar,de se colocar. E surge uma duvida, as vezes quero criticar, sou muito critico, analiso e critico, quero expor minha opinião. Mas ultimamente tenho me policiado, e sinto que o clima melhorou no meu grupo de trabalho ahhaa...mas me sinto as vezes censurado, reprimido. Não sei até que ponto devo me manifestar ou não para evitar causar mal aos outros, outro dilema...
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Mensagem Qua 16 Mar 2016 - 18:56

1- Questão de identidade no Budismo é bem difícil de entender... É bom considerarmos que aquele que entende definitivamente o que é ou não identidade, é somente aquele que alcançou ao menos o primeiro nível de Iluminação.
Lendo o que você escreveu, lembrei de uma palestra do Ajahn Brahm. Ele foi falar sobre as dificuldades que temos com baixa autoestima devido rejeição, críticas entre outras coisas... E então ele fez uma piada provocativa falando sobre autoestima. Autoestima em inglês é "self worth", e todos sabemos que no Budismo se ensina sobre não-eu "not-self", então ele disse algo mais ou menos assim: "Felicidade não vem nem de alta autoestima (high self worth) nem baixa autoestima (low self worth), mas de não-autoestima (not-self wort)". Muito preciosa essa piada, mas muito difícil de sentir no coração o que isso significa. Porque o que o Buddha ensinou basicamente é que não existe nada, absolutamente nada em nós que seja estável. O problema é que o Buddha está falando em termos de muitas vidas, e isso é longe demais para nossos olhos que não veem muito. O que nós conseguimos ver é 1 vida, e costumamos assumir que nela teremos uma personalidade x que se manterá mais ou menos estável ao longo da vida, e que é por meio dela que as pessoas poderão descrever a nós mesmos.
Mas no Budismo o ensinamento é de que somos seres instáveis - nossas personalidades, nossas consciências, nossas preferências, tudo é instável, e achar que nos formamos até certo ponto e que depois não poderemos mudar não é verdadeiro. Então não há eu, não há uma alma eterna ou estável aqui... mas então com o que me identificar? E o ponto é que não há necessidade de NOS identificarmos com algo, o ponto é que nós identifiquemos UM REFÚGIO no qual possamos encontrar alegria e paz para nós mesmos. E qual é esse refúgio? As intenções hábeis. Então, passamos a nos importar em cultivar generosidade, serenidade, tolerância, moderação, equilíbrio e outras qualidades... à medida que reconhecemos a alegria de cultivar isso, então a necessidade de uma identidade fica meio estranha, porque veja... enquanto for prioritário nos encaixarmos num grupo social, ser querido pelos outros, ter alguém em quem se inspirar ou o que quer que seja, então poderemos nos medir em baixa autoestima (quando fracassamos) e alta autoestima (quando temos sucesso). Mas quando as nossas referências passam a ser essas qualidades interiores - e quando entendemos que podemos nos alegrar cultivando essas qualidades, independente das críticas/elogios ou amor/ódio dos outros, então não há necessidade de ser alguém em especial. Com o que precisamos nos identificar para sermos generosos? Com o que precisamos nos identificar para sermos gratos? Com o que precisamos nos identificar para cuidarmos de nós mesmos com carinho e equilíbrio? Precisamos nos identificar com alguma coisa para cultivar o coração e a mente?
Quando essas qualidades passam a ser nosso refúgio e nossa fonte de felicidade e paz interior, só então entendemos o que é not-self(não-eu) worth (autoestima). É porque à medida que obtemos mais felicidade dessas qualidades internas, menos iremos desejar a felicidade mundana de ser querido pelos outros ou de ser elogiado, porque conhecemos uma felicidade que está disponível mesmo em situações difíceis onde as pessoas nos critiquem ou nos isolem - claro que isso vem com o tempo. Por isso a ideia de uma identidade perde sentido. É tudo questão de prioridade e de onde você tira a sua alegria, sua felicidade.
Lembrei de um texto da monja Ayya Khema que ilustra muito bem isso que estou tentando explicar, leia:
----------------"Um “alguém” nunca terá paz. Existe um símile interessante sobre uma mangueira:
um rei estava cavalgando pela floresta quando se deparou com uma mangueira
carregada de frutos. Ele disse aos seus serviçais: “Venham ao anoitecer e colham as
mangas,” porque ele queria as frutas para a ceia real. Os serviçais regressaram para
a floresta e voltaram ao palácio com as mãos vazias dizendo ao rei: “Desculpe-nos
senhor, todas as mangas se foram, não havia nenhuma manga na mangueira.” O rei
pensou que os serviçais tinham tido preguiça de ir até a floresta e assim ele mesmo
foi até lá. O que ele viu, ao invés da bela mangueira carregada de frutas, foi uma
árvore patética, dilapidada, que havia sido agredida e despojada das suas frutas,
galhos e folhas. Alguém, incapaz de alcançar todos os galhos, quebrou-os e levou
todas as frutas. Assim que o rei caminhou um pouco mais, ele encontrou uma outra
mangueira, bela no seu esplendor verdejante, mas sem nenhuma fruta. Ninguém
teve interesse de se aproximar dela, já que não havia frutos, e assim ela foi deixada
em paz. O rei voltou ao palácio, deu a coroa real e o cetro para os seus ministros e
disse: “O reino agora é de vocês, eu irei viver numa cabana na floresta.”
Sendo ninguém e possuindo nada, não há perigo de conflitos ou ataques, então
existe paz. A mangueira carregada de frutas não teve um momento de paz sequer:
todos queriam os seus frutos. Se realmente desejamos a paz, temos que ser
ninguém. Nem importante, nem esperto, nem belo, nem famoso, nem certo, nem no
comando de nada. Precisamos ser discretos e com tão poucos atributos quanto
possível. A mangueira sem frutos estava em paz em todo o seu esplendor e
proporcionando sombra. Ser ninguém não significa nunca fazer mais nada. Significa
apenas agir sem autopromoção e sem ambicionar resultados. A mangueira tinha
sombra para dar, mas ela não exibia os seus atributos ou se preocupava se alguém
queria a sua sombra ou não. Esse tipo de habilidade possibilita a paz interior. É uma
habilidade rara, porque a maioria das pessoas vacila de um extremo ao outro, quer
seja sem fazer nada e pensando, “vamos ver como eles se ajeitam sem mim” ou
assumindo o controle e projetando as suas idéias e opiniões.
Ser “alguém” parece estar muito mais enraizado dentro de nós e ser muito mais
importante do que ter paz. Então precisamos investigar com muito cuidado o que
estamos buscando na verdade. O que é que queremos da vida? Se queremos ser
importantes, queridos, amados, então também temos que tomar em conta os seus
opostos. Cada positivo traz consigo um negativo, tal como o sol que cria as sombras.
Se quisermos um, temos que aceitar o outro sem nos queixarmos disso."-------------------
disponível em: http://www.acessoaoinsight.net/livros/Todos_Nos.pdf

2- Vá devagar e não se apresse em fazer decisões. Como eu te disse, há muitas convergências entre as 2 ciências e, ao mesmo tempo, há divergências fundamentais. Fundamentais porque um ensinamento essencial no Budismo é Renascimento, e Renascimento NUNCA será algo científico. Científico é algo que você pode comprovar ou pesquisar sobre e reproduzir para outros verem que é verdade - não tem como fazer isso com Renascimento. É por isso, e outros motivos, que tem coisas que não vão bater... Mas há várias outras que coincidem.
Como disse, há muitos psicólogos bons e bons budistas ao mesmo tempo por aí. O presidente da Sociedade Budista do Brasil é psicólogo, como exemplo. Então, não precisa causar essa cisão. Vá com calma, conhecendo ambas as doutrinas aos poucos, lembrando-se que há tanto convergências quanto divergências Feliz

3- Calma AsmitaNoVirgo Confuso rsrs... Acho que você pode apenas estar sendo muito exigente consigo mesmo, ou tendo uma visão bastante rígida sobre o que seria ser um budista ideal. Lembre primeiro que a base para julgar se algo está de acordo ou não com os ensinamentos é julgar suas intenções, e vá tentando investigar a partir disso.
Penso que estudar o passado pode ser muito útil para auxiliar-nos no presente, e além disso há muitos patrimônios arqueológicos da época de Buddha ou próximos de sua época que são conservados com muita sacralidade rsrs... As coisas nesse mundo podem ser usadas por generosidade - o ponto é lembrarmos que mais importante do que as coisas desse mundo, são as intenções que cultivamos enquanto nos relacionamos com elas. Se usamos as coisas do passado para inspirar-nos em exemplos de generosidade antigos, para aprender sobre os ancestrais, para aprender sobre o clima do planeta milênios atrás, entre outras coisas - isso não pode ser de benefício a todos os seres?
Lembre-se que o quinto fator do Nobre Caminho Óctuplo é meio de subsistência correta, e nela o Buddha pediu apenas que não trabalhássemos com armas, carne, veneno... acho que tem mais alguma coisa rsrs... Enfim, o Buddha apenas nos pediu: não consigam o seu pão de cada dia com um trabalho que prejudique os outros seres, mas trabalhem com algo benéfico e com intenções corretas no coração.

4- Eu te entendo, mas pode continuar perguntando Feliz
Eu não sei se você viu aquele vídeo da Jetsunma Tenzin Palmo, mas ela fala justamente sobre um ponto importante para sua questão: que muitas pessoas têm uma compaixão tão grande às vezes, que elas acabam sofrendo em virtude disso porque há muito sofrimento no mundo.
Acho muito bom lembrarmos que o Buddha disse que existem 4 coisas imensuráveis que devemos cultivar: Amor-bondade, Compaixão, Altruísmo e, para equilibrar isso tudo, Equanimidade. Ser equânime é ser capaz de reconhecer que em certos momentos não podemos fazer nada. Eu também tenho muita compaixão por insetos... vivo salvando formigas também rsrsrs... Mas às vezes a gente salva e acaba matando, como vou contar: Lembro uma vez que fui tomar banho e tinha uma tesourinha na minha toalha. A ajudei a ir para a parede do banheiro e aí ela foi subindo até o teto. Só que aí ela ficou presa numa teia de aranha e aí, fim, a aranha enrolou ela todinha na teia Envergonhado Mas é claro que eu não fiquei chateado com isso, porque é a natureza. Não podemos fazer nada nesses casos.
Lembro de uma palestra em que o Dalai Lama disse que em um país, não lembro qual, ele viu muitos cachorros de rua magros e sofrendo, mas ele não tinha nada o que fazer naquele instante. Então ele disse: "O que podemos fazer é juntar as mãos e desejar que aquele ser encontre um bom renascimento e um caminho espiritual o mais breve possível". E é verdade. Nem sempre poderemos ajudar os seres - às vezes a melhor maneira de ajudar é não fazer nada, e deixar que cada um vá lidando com seu karma (entre outros fatores, conforme já conversamos rs) até que surja uma boa oportunidade. Mas é claro que se tivermos condições de ajudar, nós vamos ajudar.
E claro que uma das melhores maneiras de fazer isso, é cultivar o próprio coração. Porque quando somos um exemplo que ajuda a manter esse caminho de serenidade vivo, então à medida que os próximos seres forem renascendo (especialmente os animais forem renascendo como seres humanos), então ainda haverá exemplos vivos de que esse caminho pode ser seguido, e assim eles poderão fazer muito bom karma e, quem sabe, não decair mais para renascimento tão sofríveis Feliz Mas não se sinta culpado quando não puder fazer nada... E mesmo que numa dada situação você pudesse fazer algo mas não tenha conseguido, não se sinta mal por isso. Já há muitas religiões dizendo que qualquer coisa vamos para o inferno - isso não beneficia nenhum ser neste mundo. Estamos aqui para dar o nosso melhor, e não é por meio do remorso que poderemos ajudar uns aos outros, porque também cometemos erros. Mas tentar acertar já é uma grande massa de bom karma Piscadela

5- Penso que o único jeito de resolver isso é alcançar Nirvana e não renascer mais Rindo
Como disse um monge que não lembro o nome: Samsara é uma verdadeira zona de guerra.
Porque veja bem, mesmo um Iluminado, mesmo um Buddha que viva nas florestas pode atrapalhar muita gente. Só de mendigar alimentos numa vila, o Buddha pode estar comendo alimentos obtidos por pessoas que roubam, que furtam, ou seja lá o que for. O Buddha pode sentar-se num banco de madeira, que só está ali porque uma árvore foi derrubada. Ele pode usar um computador (na época dele não poderia rs) para dar um ensinamento a vários discípulos do mundo, e nisto ele estaria se envolvendo com uma tecnologia que envolve o gasto de não lembro quantos milhares de litros de água... Se formos seguindo essa linha de raciocínio, NINGUÉM escapa. Todos estamos atrapalhando, colaborando indiretamente para coisas más, não tem jeito. Exista, e você estará atrapalhando rsrs... Respirando o oxigênio que poderia ser de outro ser, tomando um banho quente e usando energia elétrica sendo que do outro lado do país alguém está sem luz... sei lá, dá para pensar um trilhão de coisas rsrs...
Então não tem como - mesmo um monge que viva na floresta atrapalha rs. Samsara não tem jeito. Se tivesse, não existiria esse caminho que o Buddha ensinou. Então, se for ver, está totalmente em conformidade com os ensinamentos que esse mundo seja assim.
Mas não adianta sentir-se culpado por isso, entende? O ponto sempre será intenção, motivação - qualquer ação que você tenha, qual foi a motivação? Qual a intenção? Qual a finalidade? O ponto é sempre esse. Então, tentamos usar esse mundo da melhor maneira possível, com as melhores das intenções, praticando generosidade e meditação até que sejamos capazes de conhecer a serenidade interior. Então poderemos ser exemplo a todos os seres de um caminho que leva a um refúgio que leva para fora do Samsara, porque é isto que é o Samsara: uma zona de guerra. Pode ser melhorado, mas não tem como ser solucionado.
Sobre dinheiro, é difícil discutir isso, não é? Acho que seria de uma intenção muito generosa tentarmos ver o que estamos financiando quando compramos produto x ou y. Será que os funcionários da empresa são bem tratados? Os gerentes são pessoas virtuosas? Se pudermos escolher os concorrentes com base nessas qualidades, serão intenções benéficas. Mas se não pudermos, não há porque sentir-se culpado - houve a intenção de financiar trabalho escravo, maus tratos, pessoas que usam dinheiro de forma ilícita ou seja lá o que for? Se fosse assim, todos nós que pagamos impostos estaríamos gerando mal karma sem parar, porque tem tanto dinheiro sendo desviado não é? rsrs
Então o importante é darmos nosso melhor e nos basearmos sempre nas intenções.

6- Isso o Buddha chamou de Samvega (Senso de Urgência). É o sentimento de desencantamento com o Samsara e de urgência que surge quando percebemos o perigo de renascer num lugar ruim, e com isso tomamos energia para nos esforçarmos nesse caminho. É uma boa qualidade, só que ela precisa ser equilibrada com outras qualidades como inspiração, êxtase e compaixão. Isso significa que não adianta só ver que o Samsara é perigoso, mas que precisamos também reconhecer que há um caminho, que esse caminho é inspirador, e que podemos nos alegrar em compartilhar esse caminho com os outros.
Veja o relato de Ajahn Brahmavamso:
-----"Em uma das histórias dos suttas, o Buda disse que o renascimento futuro é muito incerto. É como jogar um graveto no ar. Você não pode dizer com certeza qual extremidade vai bater no chão primeiro. Da mesma forma, você não pode saber com certeza após a morte, se você vai parar em um destino feliz ou destino infeliz! (SN XV.9) [NT2]
Isso me impressionou. Mas também me assustou, quando li pela primeira vez. Todos pensamos que se fizermos muitos e muitos kammas benéficos, então teremos a certeza de um renascimento feliz. E vocês fazem kammas benéficos, porque vocês todos são bons monges. Vocês mantêm os preceitos muito bem. Os noviços são bons, eles são ótimos noviços. Até mesmo os visitantes que vêm aqui são todos virtuosos. Eles são seres de bom coração em sua maioria. Comparados com os seres do mundo, vocês são a "nata". No entanto, mesmo que você tenha uma vida muito virtuosa, mesmo que você seja um monge durante muitos anos nesta vida, se você não realizar o estágio de Entrada na Correnteza, então você não pode ter certeza de qual renascimento se seguirá!
Tudo que se pode conseguir fazendo muitos kammas benéficos é tornar uma extremidade do "graveto" mais pesada. Então a probabilidade da extremidade mais pesada do graveto bater no chão primeiro, e seu kamma benéfico amadurecer em um renascimento feliz são maiores. Mas o sutta diz muito claramente que, apesar de uma extremidade ser mais pesada, de vez em quando, a extremidade mais leve do graveto bate no chão primeiro. Assim, mesmo se você fizer muitos kammas benéficos, o kamma prejudicial que você realizou, seja nesta vida ou em vidas anteriores, ainda está lá. Por causa desse kamma prejudicial, que não foi esgotado até o momento, sempre há uma possibilidade de ocorrer um renascimento muito infeliz.
Esse é o terror do samsara. Não é só o envelhecimento, enfermidade e morte nesta vida. É também o envelhecimento, enfermidade e morte em vidas futuras, em vidas menos prazerosas do que a que você está vivendo agora. Mesmo que você seja um bom monge, um bom noviço, ou um bom praticante leigo, ainda é incerto qual será o seu renascimento. Este fato faz com que você ponha mais esforço em seu caminho espiritual. Isso o torna mais diligente. De onde vem a diligência? [NT3] De onde que esse esforço surge? Ele só surge quando você vê quão perigoso é o renascimento."----
Disponível em: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/eu_sei.php

7- Difícil eu te dizer isso, acho que você vai ter que ir descobrindo por si mesmo... Mas veja bem, há coisas que dizemos com boas intenções (como críticas construtivas) que, embora a outra pessoa se magoe com isso, na verdade nao produzimos karma ruim, porque o problema foi o mal entendimento da outra pessoa.
Você pode ver como tratar sobre Karma não é fácil. O ponto não é sempre agradar os outros - o ponto é fazer aquilo que é generoso, e muitas vezes o mais generoso é alertarmos ou corrigirmos alguém. Não sei como responder essa sua pergunta, porque você precisará investigar isso em si mesmo e eu não te conheço pessoalmente, sei lá rsrs... Mas esse ponto que eu disse é importante.
Lembre-se sobre o que o Buddha disse sobre Linguagem Correta - ele diz que ele (Tathagata) só diz coisas verdadeiras, fatuais, benéficas e que podem ser simpáticas ou antipáticas para aquele que as ouve, e que ele tem o bom senso de dosar quando pode dizer uma coisa ou outra, porque NEM SEMPRE é bom falar algo simpático NEM MESMO algo antipático.
"[1] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que não correspondem aos fatos, inverdades, não trazem nenhum benefício ( ou não estão conectadas com o objetivo ), antipáticas e desagradáveis para os outros, ele não as diz.
[2] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que são fatuais, verdadeiras, não trazem nenhum benefício, antipáticas e desagradáveis para os outros, ele não as diz.
[3] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que são fatuais, verdadeiras, benéficas, porém antipáticas e desagradáveis, ele possui o bom senso do momento correto de dizê-las.
[4] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que não correspondem aos fatos, inverdades, não trazem nenhum benefício porém são simpáticas e agradáveis para os outros, ele não as diz.
[5] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que são fatuais, verdadeiras, não trazem nenhum benefício, porém são simpáticas e agradáveis para os outros, ele não as diz.
[6] "No caso de palavras que o Tathagata sabe que são fatuais, verdadeiras, benéficas, e simpáticas e agradáveis para os outros, ele possui o bom senso do momento correto de dizê-las. Por que isso? Porque o Tathagata tem compaixão pelos seres vivos."
Disponível no seguinte Sutta: http://www.acessoaoinsight.net/sutta/MN58.php

Foi uma alegria responder suas perguntas - estamos produtivos Risonho
Espero ter ajudado em alguma coisa, e desculpe qualquer coisa Feliz

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Mensagem Dom 20 Mar 2016 - 18:17

1-Essa questão de intenção eu estive repensando alguns aspectos e me coloquei a pensar. Não seria Intenção ambígua? Como por exemplo pessoas com graves problemas mentais, como assassinos que pensam estar fazendo o bem (intenção) ao matar suas vítimas. Policiais que matam o assassino para salvar a vítima (intenção) enfim em determinada situação esse conceito de intenção pode trazer algumas contradições penso eu. Obvio que se eu fosse a vítima eu queria continuar estar vivo e pra isso eu quero naquele momento me livrar do agressor, seja vivo ou morto, e se morto vou me sentir aliviado e grato pelo policial ter me salvado, mas se terminou em morte alguém teve que cometer o ato com intenção de matar para salvar o outro, mas mesmo assim violou uma das condutas pregadas por Budha, que é Não matar. Ou seja paramos em um dilema moral de qualquer forma, não? 
2- Podemos discordar de Budha? Quais as consequências?
3- Pesquisei mais sobre o assunto psicologia x budismo e achei alguns pontos muito problemáticos. A questão do EU por exemplo é incompatível com a filosofia de Budista e li por ai que a visão de um lama é "que os psicólogos estudam uma ilusão", e fiquei meio horrorizado... o sofrimento das pessoas é real, ou seja existem as doenças, e é isso que os psicólogos e psiquiatras estudam, a mente. Por exemplo, hoje temos mais doenças mentais do que a cinco mil anos atrás, o DSMV aumentou seu numero de diagnósticos em menos de décadas. Há de se pontuar claro que temos que tomar cuidado para NÃO "patologisar" qualquer comportamento como doença, mas a maioria dos diagnósticos são factuais. 
Os resultados dos tratamentos psicológicos são reais, e ajudam de certa forma as pessoas. A esquizofrenia, epilepsia e outras doenças incapacitantes necessitam de tratamento medicamentoso e psicoterápico para auxiliar essas pessoas e re-integra-las na sociedade. Relativamente o estudo dessas doenças pode se considerar "recente" se comparado com a medicina, mas é o que temos até agora disponível no ocidente. Enfim acho que seria de difícil acesso uma pessoa com tais diagnósticos graves, disciplinarem a mente com meditação, é possível mas não será a mesma coisa entende, e tão pouco essa pessoa deve abandonar o tratamento psicológico/psiquiatra Desculpe se estou sendo incisivo nesses aspectos, mas é algo que atualmente tenho pensando com frequência.
Eu sei que há uma aproximação da ciência e o budismo, e a psicologia entra ai. Mas me parece que os monges (minha impressão, me corrija se estiver errado) meio que subestimam a medicina ocidental (tratam como placebo hahaa), em particular a psicologia por ela carecer de teorias mais expansivas a cerca do seu recorte cientifico. O budismo tem uma profundidade teórica inegavelmente maior sobre a mente, mas que para o mundo atual e frenético que vivemos acaba por natureza não poder acompanhar ou não querer seguir o ritmo desse mundo louco e seus desdobramentos.
O que eu penso é que para min existe um EU sim, eu tenho ciência de quem eu sou, aprendi a me nomear, aprendi a ter a minha individualidade. Até mesmo irmãos siameses tem individualidade. Enfim, não consegui entender fundamentalmente essa história de Não-EU de todas as coisas e seres. Não consigo aplicar isso na minha realidade, e isso me deixa triste. 
É fácil abandonar a ideia de EU quando não se está passando por problemas dificeis de saúde e crônicos como os transtornos da mente e ansiedade, da qual desse último padeço, crises de identidade, crises existenciais, e outras psicopatologias. Onde tudo já é confuso demais. A angústia por fim é a raiz de todos os males e a psicologia não promete maravilhas e o budismo quer ir muito além de controlar sintomas e se auto entender, e sim esvaziar os consultórios de psicologia hahaa...
Para finalizar essa questão, eu entendo que não devemos polarizar as coisas (por mais que eu e muito estão viciados à isso xD) talvez, penso eu,para gerar uma sensação de segurança, de alivio de refugio mas me parece que o budismo é muito mais caos do que harmonia, ou cogita a idéia de ser os dois ao mesmo tempo. Bom é isso e perdoe minha ignorância....
4- Na questão 5 anterior você diz que o Samsara não pode ser solucionado, nisso eu acredito. A poucos dias soube de uma noticia terrível de um bebê de 7 meses que foi estuprado pelo pai. Logo eu fiquei parado  pensando e repensando essa situação do ponto de vista karmico... Não devemos tomar cuidado com certas explicações por exemplo... se eu dizer que o karma negativo daquela criança fruticou agora, eu estaria dizendo em outras palavras que ela foi merecedora daquilo? Isso não é muito sombrio de se pensar, ou posso por favor estar pensando errado a coisa toda! Mas se somos responsa´veis por tudo que acontece com nossa existência logicamente essa minha fala infelizmente faria sentido e isso me deixou meio abatido. Sei que um dos aspectos mais peculiares do Budismo é não tentar explicar o mundo, mas sim aceita-lo. Mas essa postura por exemplo neste caso de estupro infantil pode tomar uma dimensão conformista, pois pensando juridicamente p agressor merece ser punido aqui e agora e não esperar que o karma negativo dessa ação, sei lá seja frutificado daqui a cem encarnações, e mais poderá dar chance que ele abuse de mais crianças! Enfim eu não consigo conceber a ideia de que um bebezinho tenha culpa de ser abusado, acho que não devo estar raciocinando corretamente neste aspecto, mas espero que eu esteja errado....
5- Afinal é Desejo ou Apego? Leio em vários lugares alguns pontos de vista meio contraditórios e confundiram ainda mais minha cabeça. Será que meu amor maternal e paternal é apego, chorar no enterro deles, passar e vivenciar o luto no budismo é viável? Nem tudo que gosto sou apegado, e nem tudo que sou apegado eu gosto ( ai entra a questão inconsciente, ou seja eu faço coisas que meu consciente não compreende) nesse sentido desenhar, é algo que eu amo, me ajuda muito a me expressar. Com base no que eu entendi, no budismo eu devo ir devagar deixando de fazer isso e me dedicar mais a meditação (mente) e o Dharma se eu quiser alcançar os estados mais elevados e me livrar desse maldito Samsara, e em algumas tradições também me dedicar aos outros. Nesse caso eu não só estaria transferindo meus interesses por outros? Acho pouco provável alguém 100% imparcial que se envolva com algo ou alguém sem se identificar, amar, ou de alguma forma estar ligado, isso não é muito solidão e auto suficiência? Eu não preciso mais de nada neste mundo para sentir prazer, alcancei o nirvana ou seja, tudo que eu preciso é a meditação, esse mundo passa a ser sem sentido, inútil. Aliás eu desconfio que seja assim mesmo hahaha a vida é sem sentido e vazia, agora reconhecer isso é muito duro, e nem todos inclusive eu estão preparados para lidar com isso.
5- Premonição, causalidade e aleatoriedade, de novo...  uma vez sonhei que eu estava sendo assaltado e havia levado um tiro e meu amigo morrido, eu tentava ajuda-lo. Passa-se alguns dias e eu saio com esse tal amigo e sou assaltado. Essa experiência me marcou muito e até hoje reflçito a respeito disso, como o budismo vê o sonho, premonição? Existe causa, ou foi tudo aleatório, acho muito complexo essas posições e agora?  Indiferente AFinal é tudo causal, meu sonho e o acontecido tiveram relação, foi um tipo de aviso, ou foi só um acaso, mas ai como conciliar as duas idéias na mesma realidade, eu  queimo neurônios e não consigo responder á isso.
6- Peço desculpasse se fiz alguma observação impertinente, e queria agradecer sua atenção e tempo em tentar iluminar essas questões que permeiam minha cabeça grande xD
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Mensagem Dom 20 Mar 2016 - 21:59

1- Tem que tomar cuidado mesmo. Por exemplo: se seu animal de estimação estiver sofrendo, então você não pode sacrificá-lo? Não é bem assim...
O primeiro preceito é: "não matar nenhum ser intencionalmente". Mas há casos em que precisamos ver qual a intenção por detrás da intenção rsrs... Se houve a intenção de matar, matou por quê?
Matar em legítima defesa é meio complicado de discutir, prefiro não comentar porque o entendimento disso vai depender do nível espiritual de cada um rsrs... Mas matar para ajudar um ser em sofrimento, como exemplo, é uma QUALIDADE de intenção diferente, entende?
Só que veja, não vai adiantar ficarmos discutindo Karma porque as possibilidades são inúmeras - e para entender REALMENTE como isso funciona, só vendo por si mesmo com uma mente treinada. Mas é bom que tenhamos essa noção de que as coisas não são rígidas, senão se cai em ambiguidade mesmo.
No caso do assassino que mata pensando que está fazendo o bem, isso é meio complicado... é meio enganoso rsrs... O Buddha resumiu que há três raízes prejudiciais de Kamma: cobiça, aversão/raiva e ignorância/delusão. Cobiça e Aversão são mais fáceis de ver, de perceber, agora Ignorância é complicado, porque é justamente isso que você disse - nós fazemos o mal, pensando que estamos fazendo o bem. Lembra quando diferenciamos Ilusão de Delusão? O que é Delusão? É ver uma coisa, mas enxergar outra coisa. Isso significa que não estamos gerando Karma ruim? Percebeu algo errado Estamos sim!

"Portanto, bhikkhus, a cobiça é a fonte e origem de kamma; a raiva é a fonte e origem de kamma; a delusão é a fonte e origem de kamma. Com a destruição da cobiça, a fonte de kamma é extinta. Com a destruição da raiva, a fonte de kamma é extinta. Com a destruição da delusão, a fonte de kamma é extinta." - http://www.acessoaoinsight.net/sutta/ANX.174.php

Só que a qualidade de Karma varia de um caso para o outro, mas não adianta discutir muito essas nuances e aspectos profundos de Karma até que possamos ver por nós mesmos. Mas concordo que é importante compreendermos o básico para entender como não cair em ambiguidade, e é basicamente isso que falamos. Qual a intenção por detrás da intenção; e considerar que certas coisas são feitas baseadas na Ignorância/Delusão, de tal forma que nem sempre está claro para aquele que age a má intenção na sua mente. Além disso, a qualidade de Karma varia dependendo da intenção por detrás da intenção - se você matou porque cobiçava a herança, ou porque quis proteger a sua vida... a qualidade varia, mas como julgar as consequências, não adianta entrar nesse tipo de discussão, assim eu penso Confuso rs


2- Podemos. Nenhuma consequência. O Buddha pedia para ser questionado Feliz Você já leu esse post: http://sangha-online.forumeiros.com/t27-o-equilibrio-entre-a-fe-e-a-investigacao-no-budismo?tid=a881522f55660c27d1aa1972455c4c27 ?
Tem uma parte que eu coloquei isto:
"Veja como o Buda incentiva que o investiguem no Vimamsaka Sutta:
[Buda]: “Monges, um monge que é um investigador [...] deveria fazer uma investigação do Venerável (o Buda) para descobrir se ele é perfeitamente iluminado ou não.”
É muito interessante que o Buda quase sempre se refere a si mesmo como Tathagata, um título para quem alcançou o Nirvana (na verdade é um título complicado que será melhor explicado em outra ocasião), mas, nesse Sutta, ele se intitula como Venerável, ou seja, ele estava chamando a si mesmo da mesma maneira com a qual ele se dirigia aos outros monges. Então, ele mudou sua linguagem para se colocar de igual a igual com seus seguidores e convidá-los a investiga-lo, a questionar se ele seria digno de ser chamado de Buda, de Tathagata."


3- "li por ai que a visão de um lama é "que os psicólogos estudam uma ilusão", e fiquei meio horrorizado... o sofrimento das pessoas é real", é claro que é real! O que será que esse Lama pensa que os psicólogos estudam? rs
"Enfim acho que seria de difícil acesso uma pessoa com tais diagnósticos graves, disciplinarem a mente com meditação" - não se preocupe, pois muitos monges concordam com você. Vou postar uma orientação constante no site do Jhana Grove, que é o local onde o monge que sigo, Ajahn Brahmavamso, realiza retiros de meditação na Austrália:
"Meditation retreats cannot replace psychotherapy or psychotropic medication. Retreats should also not be seen as drug withdrawal programs with a spiritual aspect. If you have a history of psychosis, personality disorder, schizophrenia, severe depression, anxiety, panic attacks, phobias, have ever attempted to take your life or have a recent history of substance abuse/addiction you must consult your therapist/doctor before booking. If in any doubt or to obtain further information please telephone Bodhinyana Monastery on +61 (0)8 9525 2420. Please do this before you make a booking."
Traduzindo: "Retiros de meditação não substituem psicoterapia ou medicação psicotrópica." Adiante se diz que retiros não servem para abandonar tratamentos médicos, e que qualquer um que tenha histórico de doenças psiquiátrias como psicote, desordem de personalidade, esquizofrenia etc etc, deve consultar seu terapeuta/médico.

"Mas me parece que os monges (minha impressão, me corrija se estiver errado) meio que subestimam a medicina ocidental" - depende do monge... De fato, para quem avança num caminho espiritual, dá para se perceber que muitas vezes nós vamos aos psicólogos para tratar problemas que são originalmente espirituais, mas isso não significa que os psicólogos sejam inúteis, ou que a meditação pode curar tudo. Num post anterior eu te disse que tudo é bom o suficiente para cultivar o bom coração, mesmo deficiências, mas eu acrescentei: "apesar que algumas deficiências mentais dificultam a prática espiritual, mas cada um tem seu tempo..." e às vezes esse tempo vai além de uma vida. Feliz Mas não porque ficar triste com isso... Olhemos para um adulto que parece uma criança, porque é corcunda, não fala e gesticula de forma desequilibrada devido a uma deficiência cerebral... a semente da iluminação não está ali? Pode ser que ela não tenha condições de germinar nesta vida, mas isso significa que não está ali?

"O que eu penso é que para min existe um EU sim, eu tenho ciência de quem eu sou, aprendi a me nomear, aprendi a ter a minha individualidade." - existe um Eu, mas ele não é estável nem eterno.
Lembre-se que quando falamos em Anatta (Não-eu), queremos dizer que não há nenhum essência imutável ou estável em nenhum ser, em ninguém, em nada. Só há um processo. O que nós achamos que é uma identidade, uma alma, é um processo. Isso é o que quer dizer Não-eu. Não significa que você não tem uma individualidade ou ciência de si mesmo, significa:
"eu tenho ciência de quem eu sou" - tem, mas tanto essa "ciência" quanto "quem você é" são coisas impermanentes que vão mudar
"aprendi a me nomear" - eu acho que o Buddha diria que você aprendeu isso várias vezes, em várias vidas rsrs
"aprendi a ter minha individualidade" - todos somos únicos, mas essa unicidade não é estável, ela muda. Os monges também têm suas individualidades! Há os monges mais hilários, mais reservados, mais serenos, mais velozes, mais intelectuais... cada um é único, só que a individualidade de cada um não é algo que não se remodela momento a momento - é algo em constante mudança. Isso é que é Anatta: não existe um eu no sentido de que não existe uma alma, uma personalidade petrificada; o que existe é um processo, uma sequência de eventos em que um não é o mesmo que seu antecessor. Cada sequência de eventos é única - você é um processo mental-corporal, eu sou outro. Só que esses processos estão em constante transformação. As pessoas podem ter uma ideia de que sou calmo e tímido, mas pode ser que em 1 ano, na minha velhice ou na minha próxima vida eu comece a ficar estranho, agir de maneira extrovertida ou enlouquecer e sair nu pela rua rsrs... Pode ser que aquela minha personalidade introvertida seja remodelada, ou até mesmo abandonada... Porque personalidade é isso - não é algo eterno.
Acho que você está entendo a doutrina de Anatta (Não-eu) errado, ou não? O que você está entendendo? Feliz Ou não-entendendo? Rindo
"É fácil abandonar a ideia de EU quando não se está passando por problemas dificeis de saúde e crônicos como os transtornos da mente e ansiedade, da qual desse último padeço, crises de identidade, crises existenciais, e outras psicopatologias. Onde tudo já é confuso demais. A angústia por fim é a raiz de todos os males e a psicologia não promete maravilhas e o budismo quer ir muito além de controlar sintomas e se auto entender, e sim esvaziar os consultórios de psicologia hahaa..." - não, não é fácil não! Surpreso Quando a pessoa não está passando por problemas difíceis, mas está no bem bom, então ela se acostuma a sua boa fortuna e acha que aquilo é o Eu dela. Acha que aquilo é Dela. "Este sou Eu, uma pessoa tranquila, em paz, que tem tudo o que deseja, e que tem tudo de mão beijada". Que pessoa de alta autoestima! rs. Aí quando a Impermanência bate a porta, a queda é feia, porque a pessoa perde tudo aquilo com o qual ela se identificava. Aí fica com baixa autoestima.
É assim: se você quer um, vai ter o outro inevitavelmente. É por isso que não-eu autoestima é mais legal! rsrs... Como a referência de um contemplativo não são suas circunstâncias ou experiências, então não importa o que a vida traga, é bom o suficiente para cultivar a paz interior. Então, se ela tem tudo de mão beijada ou não, se ela tem dificuldade ou facilidades, ambos são bem-vindos! Isso é Alta Autoestima ou Baixa Autoestima? Nenhum dos dois! Piscadela Agora, que é mais difícil cultivar isso quando se tem problemas psiquiátricos ou psicológicos, como já dissemos, é sim - para alguns, é impossível até que se tenha um renascimento melhor Pena
E sim, o Budismo quer esvaziar o consultório dos psicólogos! Eu sempre gosto de dizer isso rsrs...

"me parece que o budismo é muito mais caos do que harmonia, ou cogita a idéia de ser os dois ao mesmo tempo." - vamos pensar no resumo do Buddha para seu ensinamento: “Bhikkhus, tanto antes como agora o que eu ensino é o sofrimento e a cessação do sofrimento." - http://www.acessoaoinsight.net/sutta/MN22.php#R21
Então, Budismo é sobre o caos e a cessação do caos. Mas não tem como ser os dois ao mesmo tempo! Feliz E lembre-se: não podemos trabalhar com aquilo que não acolhemos. Primeiro acolhemos o caos, investigamos o caos e, por meio de uma mente meditativa e investigativa, é que realizamos a cessação do caos. Por fim a paz!


4- Você lembra do Sutta que postei em outro post? Veja:
“Mestre Gotama, há alguns contemplativos e brâmanes que possuem esta doutrina e entendimento: ‘Tudo aquilo que uma pessoa experimentar, quer seja prazer, dor, ou nem dor, nem prazer, tudo é causado pelas ações passadas.’ Agora, o que o Mestre Gotama diz disso?”
“Produzidas por distúrbios da bílis, Sivaka, surgem certos tipos de sensações. Que isso acontece, pode ser compreendido pela própria pessoa e também no mundo é aceito como verdadeiro. Produzidas por distúrbios da fleuma … dos ventos… de um desequilíbrio [dos três]… pela mudança de clima… pelo comportamento descuidado … pela violência … pelos resultados de Kamma – por meio de tudo isso, Sivaka, surgem certos tipos de sensações. Que isso acontece, pode ser compreendido pela própria pessoa e também no mundo é aceito como verdadeiro.
“Agora quando esses contemplativos e brâmanes possuem esta doutrina e entendimento: ‘Tudo aquilo que uma pessoa experimentar, quer seja prazer, dor ou nem dor, nem prazer, tudo é causado pelas ações passadas,’ então eles vão além daquilo que conhecem por si mesmos e daquilo que é aceito no mundo como verdadeiro. Portanto, eu digo que esses contemplativos e brâmanes estão equivocados.”

Veja, algumas sensações podem ser causadas por kamma, ou por um comportamento descuidado ou por violência, como exemplos. Então, a resposta para sua pergunta é: pode ser que sim, pode ser que não! O bebê pode ter sofrido por Karma anterior, ou devido a violência de terceiros.
Veja que Kamma não é causa de TUDO. Podemos ter um comportamento descuidado devido a uma dificuldade de visão, devido à velhice; ou podemos sofrer uma agressão devido à raiva de outra pessoa. Mas pode ser Karma também... É difícil olhar essas coisas e pensar que o bebê pode ter culpa, de fato é difícil... Mas como eu disse, sobre esses ensinamentos de Renascimento e coisas que não podemos ver por nós mesmos - se é que de fato são verdadeiros -, é melhor não perder muito tempo pensando nisso. Apenas damos o nosso melhor se pudermos fazer alguma coisa, e se não pudermos, não adianta ter remorso por isso, e é só... Pode parecer maldade ou conformidade tentar simplificar as coisas assim: ou isso, ou isso e é só... Mas é só isso! Se sofrermos por algo que não podemos resolver, só estaremos piorando este mundo, em vez de melhorá-lo. Reverência

5- Oxe, preciso achar um Sutta aqui rs:
"Das seis bases dos sentidos como condição, o contato. Do contato como condição, a sensação. Da sensação como condição, o desejo. Do desejo como condição, o apego. Do apego como condição, o ser/existir. Do ser/existir como condição, o nascimento. Do nascimento como condição, então o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento." - http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNXII.15.php
Apego é consequência de Desejo. Porque desejamos algo, nos apegamos naquilo.
Sobre Luto, é um negócio meio complicado... Lembro de que muitos monges dizem que é cultural, porque em alguns lugares como na Tailândia, as pessoas não ficam de luto. Talvez chorem quando souberem da notícia, mas no velório as pessoas não estão tristes, mas homenageando alguém que se foi. A forma como cada um encara a morte depende. E a forma como nós encaramos o que seja Amor Verdadeiro também é muito perigosa. Você assistiu aquele vídeo da Jetsunma Tenzin Palmo sobre Amor Genuíno x Amor Romântico/com apego? É tão difícil enxergar isso no coração.
Minha mãe, como exemplo, muitas vezes diz que eu sou o sentido da vida dela. Eu acho isso tão perigoso rsrs... E uma vez eu contemplei a morte dela (não se recomenda meditação da morte para todos, não faça isso em casa rsrs) e foi engraçado, porque não é luto que surge ali. Antigamente eu tinha medo, mas hoje o sentimento, o entendimento, a compreensão é diferente. É como se existisse uma convicção no coração de todos nós temos o mesmo sentido da vida: treinar a mente e o coração. Se esse for o sentido da vida, então todos os seres são dignos do nosso amor. Então, o amor que dirijo a minha mãe não tem porque ser diferente do amor que eu dirijo a qualquer outro ser. Isso já choca a maioria das pessoas rsrs... Imagine uma mãe dizer que o amor que tem por seu filho é o mesmo que ela tem por uma pessoa desconhecida que vê na rua - as pessoas achariam isso algo horrível, que coisa feia! rsrs... É porque não é fácil de entender isso... Não é fácil desenvolver isso no coração, mas isso não significa que não exista. Feliz Isso é Amor Genuíno. Isso é Amar sem esperar nada em troca. Simplesmente não adianta eu escrever sobre isso, porque isso é algo para ser desenvolvido e cultivado, e não para ser discutido. Mas apenas considere isso: dirigir o mesmo amor a sua mãe e a todos os seres. Parece loucura? Há muitos seres por aí advogando isso. Por quê? Será que isso realmente existe? Questione-se a si mesmo: será que a minha crença de que "Acho pouco provável alguém 100% imparcial que se envolva com algo ou alguém sem se identificar, amar, ou de alguma forma estar ligado" é realmente verdadeira? E se não for?!
Uma coisa é você buscar aprovação dos outros, perder o chão com a morte de um filho ou se compadecer com o sofrimento de um cão... outra coisa é você olhar para todos os seres como seres que têm um potencial para desenvolverem uma mente iluminada. Alguns sentem essa convicção mesmo sem ver o Renascimento por si mesmos, vai se saber porquê rsrs... Outros vão desenvolvendo sem perceber, com cada um é de um jeito! Mas para quem tem esse tipo de visão, é como se diz no Budismo Tibetano: é como se todos os seres fossem nossos pais e mães. Não há nenhuma diferença: somos todos iguais, no sentido de que estamos aqui para treinar o coração e mente. Então, se alguém morre, não há nada de catastrófico: apenas desejamos a iluminação daquele ser, e agradecemos pela ajuda que ele nos prestou, pelos momentos juntos. Para quem tem esse tipo de convicção, o Luto é pura homenagem, reverência e gratidão. Leia por exemplo o relato de Ajahn Brahm sobre a morte de seu pai: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/morrer_alegria.php

"Eu não preciso mais de nada neste mundo para sentir prazer, alcancei o nirvana ou seja, tudo que eu preciso é a meditação, esse mundo passa a ser sem sentido, inútil. Aliás eu desconfio que seja assim mesmo hahaha a vida é sem sentido e vazia, agora reconhecer isso é muito duro, e nem todos inclusive eu estão preparados para lidar com isso." - nem todos? Quase ninguém está preparado para lidar com isso! rsrs... Esse ensinamento não é fácil, e só estou falando sobre ele abertamente porque sei que muitas pessoas são como eu e você - querem entender tudo a fundo antes de dizerem que "esse é o caminho que vou seguir". É por isso que eu posto tudo nesse Fórum de forma tão aberta, porque os monges, ao contrário, são muito seletivos - esses ensinamentos de desencantamento, abandono, abrir mão e desapego são dados apenas para praticantes avançados ou com boa sabedoria, porque não é todo mundo que está pronto para ler ou ouvir isso. Mas eu sei que se eu não disser qualquer um pode achar na internet mesmo hoje em dia, então eu já falo - o ensinamento é isso mesmo, difícil, não?rsrs Envergonhado
Quer coisa mais difícil do que dizer que Forma, Sensação, Percepção, Formações Mentais e Consciência são tudo sofrimento? Nem precisa ir longe para achar isso na internet - primeira nobre verdade é puramente isso. Já na primeira se tem esse choque. O ensinamento é este. Nada lá fora pode nos trazer plena satisfação. Para aqueles que encontram a plena satisfação dentro de si mesmos, nada lá fora realmente importa. Isso realmente não é algo para se sair divulgando por aí, mas está acessível - quem pesquisar Budismo a fundo vai ler isso, então não adianta rs...

Enfim... Isso que você escreveu me fez lembrar de uma palestra que Ajahn Brahm deu em um retiro de meditação. Veja bem - foi num retiro, com leigos mais comprometidos, nos últimos dias do retiro, quando suas mentes já estavam mais em silêncio. Ele disse algo assim: "If you know these deep states of meditation, sorry, but you will see that the world sucks". Traduzindo: "Se você conhecer esses profundos estados meditativos, desculpe, mas você verá que o mundo dói". Porque Meditação é justamente isso. À medida que você silencia o corpo, os pensamentos, a visão, a audição, o tato, o paladar, o olfato, a mente, a consciência... a medida que essas coisas vão sumindo, você sente um êxtase cada vez maior! E você está indo justamente no sentido oposto do que se diz que é a felicidade. O que se divulga é que felicidade está em ter mais momentos de prazer, mais programas de tv, mais paisagens belas, mais viagens, mais sabores, mais pratos deliciosos... mas quando você se senta e permite que essas coisas se acalmem ou até desapareçam, você sente uma satisfação mais profunda do que quando você fica agitando essas coisas. O que é isso afinal?
Agora, o problema é, de novo - que essa prática é gradual. Não queira entender algo que você ainda não consegue ver. Primeiro tente ver os indícios. Tente algum truque meditativo como o uso de mantras, e se em algum momento a sua mente sentir um pouco o sabor do silêncio, observe - qual a comparação da do prazer do silêncio em relação aos prazeres do mundo?
No começo, quando não temos muita sabedoria, assim é que investigamos. Pegamos o que temos para refletir e inferir qual o caminho. Já temos informações o suficiente para desconfiarmos que a felicidade está lá fora. Basta olhar para as pessoas, basta olhar para nós mesmos ou para nosso passado. Também podemos olhar para pessoas espirituais, ou que elogiam a meditação, e ouvir o que elas dizem. Outra coisa interessante é você ver que vários monges dizem coisas similares - aí você se questiona se realmente não tem alguma coisa nessa mente que você ainda não viu. Será que não tem um êxtase, uma paz aqui dentro que eu ainda não desenvolvi? São esses tipos de questionamentos que nos fazem pôr a mão na massa e tentar descobrir por nós mesmos o que essa mente realmente é, e o que felicidade genuína realmente é. E isso é sabedoria, afinal: ver por si mesmo.

Mas não tenha pressa em querer sentir algo que ainda não compreendeu. E aquilo que te inspirar, investigue: por quê? Precisamos trabalhar com o que tivermos no momento presentes, e precisamos subir a escada do caminho partindo do degrau em que estivermos Feliz Mas isso não significa que não podemos ouvir os comentários de quem subiu a escada e agora está descendo para ajudar os outros, desde que saibamos usar isso com sabedoria.

5- Há comentários sobre sonhos, premonições ou coisas do tipo, mas sinceramente não sei muito sobre isso. De qualquer forma, não é tão importante - mais importante é o que você vai fazer com isso. Lembro de monges falando de sonhos premonitórios, mas sempre evitei esses assuntos porque é coisa demais para pensar Confuso rsrs
Lembre-se que o Buddha reconhecia a existência de super-poderes, mas ele não estimulava o desenvolvimento dos mesmos.

6- Suas perguntas são muito desafiadores e boas para refletir, eu que agradeço rsrs... Mas siga devagar e ao seu próprio ritmo, e tente investigar os ensinamentos na sua própria experiência... Porém, alguns ensinamentos só podem ser verdadeiramente investigados ou entendidos depois de algum tempo de prática... Então, precisamos ter paciência e sabedoria para reconhecer o que vale pensar agora, o que vale testar agora, o que vale deixar sem resposta e assim por diante... Feliz
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