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AutorMensagem
frank Knarf

Discípulos
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Idade : 24
Local : sao jose do rio preto /SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 4

Mensagem Seg 13 Nov 2017 - 21:35

Olá pessoal, espero que esteja td bem com todos. Ultimamente ando vendo noticias bem estranhas sobre o budismo. Que ele (Buda) ressuscitou como Jesus, que há escrituras dizendo  que mulheres nao podem atingir a iluminaçao ou que se um homem fosse ruim reencarnaria como uma mulher, etc. Não estou falando sobre isso pra gerar atritos ou para dizer " me provem que isso nao é assim " . Apenas admiro muito o Budismo  pela coerencia e sabedoria dede as praticas cotidianas em nossa a vida até saber lidar com assuntos muito graves (correlacionados com o Real). E estas afirmaçoes ( sem fontes confiaveis) nao respeitam em nada as coisas que me fizeram amar o Budismo. Sei que há muita desinformaçao por aí acerca do que as pessoas nao conhecem, este dia cometi a burrice de discutir com um tatuador explicando que Buda não é um deus, até que as perguntas afirmativas ( isso existe, é serio kkk, perguntam afirmando " mas como nao é assim se eles fazem assado?!) dele me fizeram reconhecer que eu nao ganharia nada indo adiante ( eu nao briguei com ele, discutir só entre aspas). Entao é basicamente isso, nao sei se ficou muito confuso, queria contar essa experiencia e achei que este forum  fosse o local apropriado. desculpas pela falta de entendimento sobre o assunto, sou novo no Budismo, mas quero aprender de verdade. abraços a todos.
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William - Admin

Admin
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Masculino
Local : SP
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 504

Mensagem Qua 22 Nov 2017 - 21:02

Olá frank, obrigado por compartilhar sua experiência!  
E desculpe a demora em responder... geralmente demoro para responder, mas dessa vez não era para ter demorado tanto se não fosse problemas com a Internet... faz parte do Samsara, ora estamos por cima, ora por baixo  Linguarudo

Bom, tem muitas coisas estranhas sobre o Budismo rolando por aí mesmo rs... Especialmente no Budismo que é uma religião utilizada com as mais diversas finalidades aqui no Ocidente. Alguns adotam apenas por modismo, outros apenas porque buscam um estilo de vida saudável (e não um compromisso com uma vida espiritual), outros apenas para elevar seus conhecimentos intelectuais para debaterem, etc... E, assim como em outras religiões, também há muitos "budistas declarados", inclusive monges, que praticam atos muito prejudiciais, como luxúria, ganância, estupro, apego ao dinheiro, entre outros... Infelizmente, isso há em todas as religiões.

Na verdade, melhor dizendo, todos os seres têm ou, no caso dos Iluminados, já tiveram impurezas no coração. A corrupção não está nos governos, nas religiões, nos países ou nas empresas... está nas pessoas que governam, nas pessoas que praticam as religiões, nas pessoas que moram em países, e assim por diante...

Claro que para alguém que cultiva a pureza no coração, seria impossível participar de algumas religiões ou concordar com as políticas de alguns países totalitários... mas o que quero dizer é que as impurezas que surgem nessas instituições sempre vêm das pessoas, das mentes de cada um.

Então, assim como há pessoas ignóbeis praticando no Cristianismo, Judaismo, entre outros... infelizmente também há no Budismo. Então tome cuidado com as coisas que ouvir por aí! 

Dizer que Buddha renasceu como Jesus, como exemplo, é falar o oposto do que o Buddha ensinou. O Buddha foi o Buddha porque aquela seria sua última vida e não haveria mais de renascer, portanto isso não faz sentido  Confuso

Sobre o papel da mulher no Budismo, há controvérsias de fato, mesmo nas escrituras. 
E é muito importante termos consciência de que há controvérsias nas escrituras budistas, mesmo nas mais antigas, ok? Afinal, depois que o Buddha morreu... seus ensinamentos foram transmitidos somente oralmente durante um tempo, até serem de fato registrados por escrito. De lá para cá, há questionamentos sobre vários trechos do Cânone em Páli (conjunto de textos canônicos do Budismo mais antigos existentes hoje, que foram conservados pela Escola Theravada), questionamentos como se alguns trechos seriam adições posteriores e se realmente condizem com os ensinamentos do Buddha.

Inclusive há estudos comparativos entre os Cânones de diferentes Escolas do Budismo que indicam que constam textos no cânone em páli que não constam no cânone tibetano ou chinês, como exemplo, dando a entender que há adições no Cân

Por que estou dizendo isso? Porque se for você estudar as escrituras budistas, o Cânone em Páli, você vai encontrar indícios de que o Buddha buscou estabelecer uma Ordem de Monjas com muito zelo e empenho; bem como vai encontrar indícios de que o Buddha parecia dificultar a ordenação de monjas, ou que ele dizia que permitir a entrada de mulheres na Vida Santa iria "reduzir" a sobrevivência dos ensinamentos dele, o Dhamma-Vinaya ("Doutrina e Disciplina", como ele chamava, que nós chamamos de Budismo).

Por exemplo. O conhecido Sutta que mostra como o Buddha deu início à permissão de ordenação de mulheres na vida monástica é o Gotami Sutta. Acho que não tem em português, tem nesse site em inglês: https://www.dhammatalks.org/suttas/AN/AN8_51.html

Mahapajapati Gotami foi a tia do Buddha e madrasta também, pois quando o Buddha nasceu sua mãe morreu logo depois, de tal forma que foi sua tia quem cuidou dele durante sua infância. Esse Sutta conta que ela solicitou ao Buddha permissão para que ela, como mulher, pudesse se ordenar monja, ao que o Buddha recusou. Em virtude disso, ela distanciou-se e caiu aos prantos, sendo que o Venerável Ananda, monge assistente do Buddha, viu-a chorando. Ao descobrir o motivo, o próprio Ananda foi pedir ao Buddha que as mulheres pudessem ser ordenadas, ao que o Buddha recusou novamente.

Ananda então perguntou se as mulheres não teriam condições de alcançar a Iluminação, ao que o Buddha responde que elas têm sim condição de alcançar a Iluminação. Ananda então argumenta que Gotami cuidou do Buddha na sua infância, e que seria benéfico que as mulheres pudessem seguir a vida santa e ensinar assim como os monges. Então, o Buddha autorizou a ordenação de sua tia, bem como de quaisquer outras mulheres, porém sob algumas condições. Nesse Sutta, as condições que ele cita são as 8 regras de respeito (garu-dhammas) que geram muitas controvérsias entre os monges estudiosos, que questionam se este Sutta não foi uma adição posterior.

Tais controvérsias se devem porque nessas regras o Buddha passa uma percepção discriminatória, de que as monjas deveriam ser submissas aos monges. Por exemplo, este trecho:

“Ānanda, if Mahāpajāpati Gotamī accepts eight rules of respect [garu-dhamma], that will be her Acceptance [as a nun].
[1] “A nun who has been fully accepted even for a century must bow down, rise up from her seat, salute with hands palm-to-palm over her heart, and perform forms of respect due to superiors to a monk even if he has been fully accepted on that very day."


Uma tradução simples: "Ananda, se Mahapajapati Gotami aceitar 8 regras de respeito (garu-dhamma), isto implicará na sua Admissão (como monja).
[1] 'Uma monja que houver sido inteiramente admitida mesmo há um século deverá reverenciar, levantar-se de seu assento, saudar com as mãos palma a palma diante de seu peito, e desempenhar formas de respeito que seriam desempenhadas perante superiores para qualquer monge, mesmo que ele tenha sido inteiramente aceito naquele próprio dia.'"

Outros fatos que deixam dúvidas são, como exemplos:
- para os monges, o Buddha estabeleceu 227 regras que deveriam ser obedecidas. Para as monjas, 311.
- um monge pode ser preceptor de até três indivíduos que desejem se ordenar como monges. Já uma monja, só pode ser preceptora de uma mulher, sendo que a monja só poderá ordenar uma mulher a cada dois anos (esse limite não existe para monges).
- para que um candidato do sexo masculino seja ordenado, ele precisa passar por uma cerimônia em que haja a aceitação por parte de uma "assembleia" de 5 monges, desde que um deles seja suficientemente sênior, isto é, tenha experiência de no mínimo 10 anos. Já uma monja, para que seja ordenada, precisa passar por uma cerimônia em que haja a aceitação por parte de duas assembleias, uma com 5 monges e outra com 5 monjas, sendo que a sua preceptora (a monja que assume a supervisão pela recém-ordenada) deverá ter experiência de no mínimo 12 anos.

E há outros fatores. Por outro lado, alguns desses fatores, quando são contextualizados, passam a ser melhor compreendidos. Na verdade, se você for ler alguns Suttas, poderá verificar que em muitos instantes é perceptível que o Buddha se empenha para dar o melhor suporte possível ao crescimento da comunidade de monjas. Muitas das regras adicionais que ele estabeleceu, como exemplo, foi considerando características peculiares das mulheres e prezando pela sua segurança... regras como proibir que elas se locomovessem em florestas perigosas sozinhas, a menos que houvessem monges ou monjas por perto; regras considerando suas peculiaridades como menstruação; há a história de uma mulher que queria se ordenar, mas devido a alguns homens que queriam se apossar dela e impedir sua ordenação, o Buddha abriu uma exceção e a recebeu, pulando a etapa da cerimônia de ordenação sob duas assembleias com 5 monges e 5 monjas... Então, ao mesmo tempo, as escrituras evidenciam que o Buddha era flexível e considerava as circunstâncias.

Além disso, fica evidente que em seus ensinamentos o Buddha reconhecia que o potencial estava em todos os seres - latentes naqueles que não tinham como praticar, como animais; e disponíveis para aqueles que haviam nascido como seres humanos, fossem homens ou mulheres. Logo, há algumas controvérsias, mas dizerem que há suttas dizendo que as mulheres não podem alcançar a Iluminação, isso não tem nem resquício nas escrituras budistas.

Há um Sutta em que uma monja deixa um ensinamento de que "homem" e "mulher" são meras condições temporárias que não têm tamanha importância. O que importa é o cultivo de virtude e concentração. É o Soma Sutta. Nesse Sutta há a figura de Mara, não sei se já conhece. Ele é usado no Budismo tanto no sentido figurado, representando as impurezas da mente, como num sentido literal de um "demônio" (uma classe de renascimento dos seres, assim com oseres humanos, animais, Devas, etc) que sente prazer em viver fazendo com que os seres fiquem mais apegados ao Samsara. Nos ensinamentos do Buddha, ensina-se que qualquer ser pode renascer como um Mara.

Esse Mara tenta provocar a monja Soma, acusando-a de incapacidade de praticar e realizar os ensinamentos por sua condição feminina, ao que ela responde que o que importa é o cultivo de concentração e virtude, independente da condição sexual da pessoa. Essa é uma verdade que fica muito clara nos ensinamentos do Buddha.


Portanto, há sim controvérsias nas escrituras. Mas em geral, grande parte dos estudiosos, monges e leigos, compreendem que nem tudo no Cânone pode ser tomado literalmente e/ou sem contextualização.

Há muitas coisas nas escrituras que geram dúvidas. Um exemplo é o Abhidhamma, que é um conjunto de escritos com ensinamentos mais "profundos" sobre a mente, tratando num aspecto até mais "esotérico" e sutil sobre o que é a mente e como ela funciona. Alguns dizem que isso não teria sido falado pelo Buddha, outros dizem que consistem de ensinamentos mais avançados dados por ele.

É interessante estudar todos os escritos budistas, mas é sempre importante focar no essencial - naquilo que está muito evidente nas escrituras, que não gera controvérsias, que têm referências em vários textos, e que a maior parte das escolas budistas (legítimas) seguem, que são basicamente os ensinamentos sobre as 4 Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo, Karma, Renascimento e a Originação Dependente. Essa é a essência do ensinamento do Buddha. Os demais textos que causam dúvidas são analisados sob a ótica daquilo que se reconhece como essencial no que o Buddha ensinou. O que é controverso, ou "não confere" com a essência do seu ensinamento, é então relativizado ou não tomado "ao pé da letra" por vários monges e estudiosos. Mas sempre há debates - alguns dizendo que deve-se respeitar todos os escritos, outros não, e por aí vai rsrs... E é interessante frisar que o ensinamento sobre o renascimento é sim essencial nos ensinamentos do Buddha... alguns Suttas como contos místicos sobre o nascimento do Buddha e outras coisas geram dúvidas, mas ensinamentos como o Renascimento e Vidas Passadas é inerente aos ensinamentos do Buddha, e sem isso o essencial do que o Buddha ensinou não faria sentido. Mas pode-se praticar e investigar o Budismo sem acreditar piamente nesses ensinamentos logo de cara, porém, não se pode negar sua participação no cerne dos ensinamentos budistas.

Enfim, a questão da ordenação de monjas hoje ainda é uma grande dificuldade no Budismo.

Independente de todas as controvérsias, é fato que o Buddha ensinou que as mulheres têm o mesmo potencial para a Iluminação, e que ele autorizou a ordenação de monjas assim como de pessoas pobres ou em condições não-nobres, algo revolucionário no contexto da sociedade indiana em que ele viveu, em que o sistema de castas discriminava os mais pobres e as mulheres.

Mesmo assim, hoje há muitos conflitos sobre a ordenação de mulheres. No Budismo Zen, por exemplo, não há muito essa dificuldade. Felizmente há monjas inteiramente ordenadas na Coreia e em Hong Kong, como exemplo.

No Budismo Theravada, que segue basicamente o Cânone em Páli, já fica mais difícil, porque no Theravada o entendimento é de que a comunidade monástica feminina foi praticamente extinta por volta de 1000 d.C. no Sri Lanka. Não lembro exatamente o período, mas foi por aí...

Mas então, veja bem. O Buddha ensinou que para uma mulher ser ordenada uma monja legítima, precisa ser aprovada não só por uma assembleia de 5 monges, mas também de 5 monjas, sendo que a preceptora deve ter 12 anos de experiência. Se a comunidade monástica feminina do Theravada foi extinta, então não haveria possibilidade de mais nenhuma mulher ser ordenada monja considerando essas regras!

Porém, nos últimos séculos, houve vários estudiosos no Theravada defendendo que o Buddha não era inflexível desta maneira, e que as escrituras deixam margem para que haja a abertura de exceções a essas normas desde que a intenção seja benéfica e pura.

Além disso, há estudiosos que defendem que pode-se ordenar mulheres com as monjas de outras Escolas, das tradições do Mahayana. Como assim?

O Budismo nasceu no Nepal/Índia. Após a morte do Buddha, o Budismo foi se espalhando pelo sudeste da Ásia, Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Laos, Camboja... bem como para a Coreia, Japão, China, Tibet, de tal forma que o Budismo foi tomando diversas formas e dando origem a diversas escolas.

O Theravada basicamente é o que se estabeleceu e persistiu nos primeiros países que citei, e foi nessa escola que se considera que as últimas monjas viveram por volta de 1000 d.C. Mas nas outras Escolas, no Budismo Chines, Japonês, Vietnamita, que constituem o Mahayana (a maioria das escolas que não são do Theravada, a grosso modo)... houve a ordenação de monjas. E elas seguem basicamente o mesmo Vinaya, isto é, o mesmo Código de Disciplina e Regras do Theravada. Então elas seriam legítimas para restabelecer a ordem de monjas no Theravada.

Mas sempre há divergências, naturalmente.

De qualquer forma, a comunidade monástica feminina renasceu de fato no Theravada. No Sri Lanka, como exemplo, há diversas monjas. Ayya Khema, como exemplo, é de grande inspiração, pois é a primeira mulher ocidental a ser ordenada como Monja no Theravada, no Sri Lanka. Na verdade, ela foi ordenada por uma monja do Mahayana, mas atuou e foi treinada no Theravada. Mas em 1996, onze monjas foram ordenadas no Theravada por monjas coreanas, e a partir delas novas monjas estão sendo ordenadas no Theravada. Isso no Sri Lanja.

Porém, se no Theravada no Sri Lanka as monjas estão se desenvolvendo há alguns anos, na Tradição das Florestas da Tailândia, também da Escola Theravada (dentro de cada Escola - Theravada, Zen, Tibetana, Terra Pura etc - há tradições, ou "sub-linhas" da linhagem escolástica), isso tem sido mais difícil rs. Essa é uma tradição muito famosa no mundo todo, especialmente em virtude de Ajahn Chah, um monge que treinou vários monges ocidentais que construíram monastérios dessa tradição em diversos países como EUA, Nova Zelândia, Portugal, Inglaterra e Austrália. Inclusive aqui no Brasil o primeiro monastério da Escola Theravada deve ser dessa Tradição, o projeto está sendo dirigido com o monge brasileiro Ajahn Mudito que treinou na Tailândia. Mosteiro Suddhavari.

É uma tradição que realmente remonta ao estilo de prática monástica ensinada pelo Buddha, praticada com monastérios construídos nas florestas, com monges que não manuseiam dinheiro, que praticam uma vida de solitude, caridade e meditação... Porém essa tradição que está crescendo no ocidente, vindo da Tailândia, ainda está tendo problemas com a ordenação de monjas. Na Tailândia, as mulheres não podem ser ordenadas como monjas, mas apenas como Maechees, que são mulheres que vestem branco e tem um "estilo de vida mais dedicado" ao Dhamma, seguindo 8 preceitos de treinamento (e não apenas 5 como os leigos) mas nada que se aproxime do estilo de vida de um monge ou monja.

Os monges ocidentais que construíram monastérios no exterior, também tem ajudado na medida do possível. Em Portugal, como exemplo, eles permitem que as mulheres cheguem ao nível de Noviças, que usam manto da mesma cor dos monges e seguem 10 preceitos. "Noviço" é o estágio anterior ao de um monge completamente ordenado.

Porém, até 2009 nenhum monastério da Tradição das Florestas da Tailândia, da Escola Theravada, chegou a ordenar mulheres como monjas, até Ajahn Brahmavamso, discípulo de Ajahn Chah, fazer isso em seu monastério na Austrália, o que acabou gerando sua expulsão da "comunidade de monastérios da tradição tailandesa". 

Isso gerou muitas controvérsias na comunidade budista internacional. Houve diversos debates sobre. À época, os monges da Tailândia solicitaram um suporte e uma sugestão do venerável Ajahn Thanissaro sobre a legitimidade e validade da ordenação. Ele é monge da tradição residente nos EUA e muito famoso pelas suas contribuições ao Budismo, especialmente pela tradução de diversos Suttas. Devido a esse seu conhecimento escolástico pediram a opinião dele, visto que após o Ajahn Brahm fazer a ordenação, ele enviou tipo uma "ata de reunião" à Tailândia, expondo como o procedimento fora feito, a fim de que a ordenação de 4 mulheres fosse validada, e elas fossem reconhecidas como monjas.

Ajahn Thanissaro escreveu a seguinte carta na época, defendendo que o procedimento fora inválido: http://www.bhikkhuni.net/wp-content/uploads/2013/08/Thanissaro-Bhikkhu-Vinaya-Refutation-of-Bhikkhuni-Ordination.pdf.

Por favor, só não julgue nenhum dos monges que estou citando, especialmente o Ajahn Thanissaro, com base apenas neste assunto. O Ajahn Thanissaro contribuiu e contribui muito para o Dhamma, não alimente precipitadamente visões negativas sobre ele.

Mas o fato é que ele defendeu que a ordenação não era legítima, e por isso muitos monges escreveram respostas discordando dele.

O argumento básico do Venerável Thanissaro era que a ordenação feita com apoio do Ajahn Brahmavamso desobedecia duas regras estabelecidas pelo Buddha, conforme página 2 do link que citei acima:

Bhī Pc 82. Should any bhikkhunī sponsor [Acceptances—act as a preceptor] in consecutive years, it is to be confessed. 
Bhī Pc 83. Should any bhikkhunī sponsor [Acceptances—act as a preceptor for] two [candidates] in one year, it is to be confessed


Tradução básica rs, não sei se você sabe inglês  Feliz :
Bhi Pc 82. Se qualquer monja viabilizar (ordenações - agir como uma preceptora) em anos consecutivos, isso deverá ser confessado.
Bhi Pc 83. Se qualquer monja viabilizar (ordenações - agir como uma preceptora para) duas (candidatas) em um ano, isso deverá ser confessado.


"Bhi Pc" é "Bhikkhuni Pacittiya". Isso é Páli, que é a língua do Cânone do Theravada, língua falada na época do Buddha e próxima do sânscrito. Sendo que o Cânone Páli é reconhecido como o mais antigo (mas, como eu já disse, talvez não necessariamente 100% original. Talvez 90% digamos assim, devido possíveis adições posteriores rs). Bhikkhuni é monja, assim como Bhikkhu é monge (por isso você pode ler por aí, como exemplo: Thanissaro Bhikkhu). Pacittiya é um termo usado para representar uma ofensa, uma desobediência de um monge a uma regra do seu Código de Conduta ou Disciplina, sendo que Pacittiya é toda ofensa que pode ser "perdoada/eliminada por meio de confissão aos outros monges". É diferente de uma Parajika, que é uma ofensa que quando um monge comete, ele perde sua condição de monge. Na Pacittiya não: se o monge comete esse erro, esse "pecado", ele pode ser perdoado mediante uma confissão, e então ele está "puro" novamente.

Então, a carta do Ajahn Thanissaro gira em torno da ideia de que a ordenação que ocorreu em 2009, no Bodhinyana Monastery, no monastério do Ajahn Brahmavamso, era inválida porque desobedecia essas regras. 

Significa que uma monja não pode ordenar mais de uma monja a cada dois anos. 

Porém, na ordenação citada, foram ordenadas 4 mulheres de uma só vez (Ajahn Vayama, Seri, Hasapañña e Nirodha).

Várias foram as respostas divergindo de Ajahn Thanissaro basicamente porque:
- todos os demais ritos foram devidamente obedecidos;
- essas regras são regras menores (Pacittiya) que, se levadas ao pé da letra, impossibilitariam o restabelecimento da comunidade monástica feminina, haja vista que ainda há poucas monjas, o que inviabiliza ficar ordenando apenas uma mulher a cada 2 anos por preceptora.

De fato todas as demais regras foram bem seguidas. A ordenação se deu de acordo com o protocolo cerimonial. Houve assembleia de 5 monges + 5 monjas apoiando a ordenação. A monja preceptora foi Ayya Tathaaloka, que atendia os requisitos de ter experiência mínima de 12 anos como monja legítima. As candidatas tinham bastante tempo de treinamento como noviças ou algo próximo (inclusive uma delas, Ajahn Vayama, foi discípula próxima de Ayya Khema, a primeira mulher ocidental a tornar-se monja no Theravada, e treinou no Budismo por mais de 20 anos). 

Então, basicamente não haveria porque não apoiar a ordenação dessas 4 mulheres, a não ser pelo fato de não seguir essa regra de que a preceptora não pode ordenar mais de uma mulher a cada 2 anos.

Mas conforme as respostas de vários monges e monjas, seguir essa regra menor literalmente inviabilizaria o restabelecimento da ordenação de mulheres, bem como essa regra "menor" não invalidaria a ordenação como defende Ajahn Thanissaro, porque a Pacittiya não seria uma ofensa, neste caso, que invalidaria a ordenação.

O link a seguir possui as respostas de diversos monges para a carta do Ajahn Thanissaro: http://www.bhikkhuni.net/wp-content/uploads/2013/08/Buddhist-Scholars-Response-to-the-Validity-of-Bhikkhuni-Ordination-071209.pdf

Há várias ideias interessantes. Vou citar algumas, de qualquer forma, visto que não sei se você ou mais alguém vai saber inglês... 

Por exemplo: o Bhikkhu Bodhi cita que quando a desobediência de uma regra na Ordenação implica na invalidação da mesma, o Buddha deixava isso claro e explícito. Ele cita a regra de que os Bhikkhus (monges) não podem ordenar um homem menor de 20 anos, caso isso ocorresse a ordenação seria inválida, falha.

Nessas Bhikkhunis Pacittiyas citadas pelo Ajahn Thanissaro, o Buddha não deixa isso evidente. Além disso, são ofensas menores que se uma monja incorre nelas, ela pode (e deve rs) confessá-las, de tal forma a ser perdoada. Mas em nenhum momento isso significa que esse erro invalida a ordenação.

Como exemplo, nas regras para os Bhikkhus (monges do sexo masculino), não se pode ordenar um homem que tinha dívidas com o serviço público ou que tenha uma doença infecciosa, como exemplo. Nos textos, o Buddha deixa claro que caso a ordenação ocorra nesses casos, por engano, o monge preceptor incorre numa Pacittiya, mas ainda assim a ordenação é válida - o candidato ordenado não perde sua condição de monge - e o preceptor tem o dever de meramente confessar o seu erro, assim que tomar ciência dele.

Logo, é uma Pacittiya, uma ofensa menor que é perdoada com a confissão, e que não invalida a ordenação. O mesmo ocorreria com as Bhikkhunis Pacittiyas 82 e 83, visto que não há declaração explícita de que a incorrência nelas invalida a ordenação. 

Acho muito interessante também que Bhikkhu Bodhi e Ajahn Brahm, que também escreveu uma resposta, conforme link que coloquei, alegam que para essas questões do Vinaya (que é o termo em páli para o Código de Disciplina dos Monges) há casos em que é importante ser flexível e agir com base em intenções de compaixão, visto que a exceção é referente a uma regra menor de pequena relevância.

Isso porque há regras no Budismo que não devem ser alteradas de forma alguma, é claro... Mas há algumas normas que não adianta ser rígido e literal - não se pode ser inflexível de tal forma a impedir fatos que podem ser benéficos aos seres, estando de acordo com os ensinamentos.

Afinal, todas as regras que o Buddha estabeleceu sempre têm algum contexto ou explicação. Se você for ler sobre as regras para os monges por exemplo, vai descobrir que várias regras foram criadas pelo Buddha considerando eventos que ocorreram, os quais ele queria evitar ou apaziguar.

Por exemplo: a Parajika 4 (regra que causa expulsão e perda da condição de monge) surgiu porque à epoca do Buddha, um grupo de 5 monges executou um esquema em que um elogiava o outro para os leigos, alegando que o outro monge tinha poderes supra-mundanos ou grandes realizações espirituais, de tal forma a impressionar os leigos. Em virtude disso, os leigos faziam grandes oferendas de alimentos a esses monges com expectativa de estarem contribuindo para alguém espiritualmente elevado, sendo que na verdade esses monges estavam apenas mentindo para conseguirem mais comida. O Buddha, ao ficar ciente disso, repreendeu esses monges chamando-os de "os 5 grandes ladrões", e estabeleceu o Parajika 4, que diz que um monge que alega falsamente ter realizações supramundanas ou ter alcançado a Iluminação, quando não o fez, incorre numa ofensa que gera sua expulsão da comunidade monástica.

Então, todas as regras que o Buddha criou foram com base no contexto e sempre buscando combater as INTENÇÕES inábeis. A base do ensinamento do Buddha não é o que literalmente fazemos, mas as intenções por trás das ações.

É com intenção hábil que se impediria o restabelecimento da comunidade monástica feminina, com base numa regra menor como as Pacittiya 82 e 83, sendo que são ofensas que desaparecem com a confissão e que não foram explicitamente declaradas como possíveis de invalidar a ordenação?

Outro exemplo de contextualização das regras criadas pelo Buddha: ao perceber que algumas mulheres se sentiam constrangidas de responder as perguntas de monges durante as cerimônias de ordenação, o Buddha criou a "ordenação dupla de monjas", e assim surgiu a regra de que para ser ordenada ela teria que passar não só por uma assembleia de 5 monges, mas também de 5 monjas, sendo que uma das monjas poderia fazer as perguntas que ocorrem na Cerimônia de Ordenação, e não necessariamente um dos monges homens.

Então, esse é o cerne do ensinamento do Buddha. O cultivo das intenções hábeis e o estabelecimento de normas que favoreçam esse cultivo, e cerceiem circunstâncias que favoreçam o surgimento de intenções prejudiciais.

Como Ayya Tathaaloka diz na carta que ela enviou em resposta ao Ajahn Thanissaro, muitas vezes ela incorreu nas ofensas dessas Pacittiyas por ter ordenado mais de uma mulher a cada 2 anos, mas em todas essas vezes ela reconhece que a ofensa não foi das candidatas, e sim dela como preceptora. Então, ela assume isso e sempre realiza a confissão para eliminar a ofensa (a Pacittiya), mas o que realmente importa é que as mulheres foram devidamente ordenadas, e são monjas legítimas.

O importante não é que ela mantenha um "currículo límpido" em que ela seja uma monja exemplar sem ofensas menores rs... Ela pode incorrer e assumir em ofensas menores, mas com a intenção maior de ajudar a restabelecer a comunidade monástica feminina no Budismo Theravada.

Enfim... Ajahn Brahm foi expulso da tradição de florestas da Tailândia. Desde então, não houve outro monge nessa tradição que tenha feito a ordenação de mulheres como monjas, mas com certeza isso chacoalhou a comunidade budista Theravada tailandesa...

Enquanto isso, em outras linhagens do Theravada, como no Sri Lanka e na Indonésia, continua havendo a ordenação de mulheres. Logo, no Theravada, predominantemente em algumas tradições, as mulheres estão ganhando seu espaço, felizmente.


No Budismo Tibetano essa mobilização também é perceptível, embora há de se reconhecer que a condição das mulheres na cultura tibetana também é muito difícil. Mesmo para as mulheres comuns, como exemplo, há pouco acesso aos estudos, como exemplo. Depende também da região do Tibet. Também não é em todas as linhagens, mas em algumas delas, as mulheres tibetanas têm muitas dificuldades para se consagrarem como monjas... mas varia de linhagem para linhagem, visto que na Escola Tibetana há várias linhagens também.

Uma monja que admiro é a Jetsunma Tenzin Palmo. Se você pesquisar sobre ela, vai achar belos vídeos no Youtube com ensinamentos dela legendados em português, bem como relatos sobre as dificuldades que ela enfrentou por ser mulher. Ela era a única monja no meio de vários monges homens, e por isso foi desencorajada por muitos deles. Apesar disso, ela fez uma promessa para si mesma de "alcançar a Iluminação como mulher", e se esforçou muito no caminho, tendo praticado por diversos anos em uma caverna no alto do Himalaia, enfrentando condições de frio e gelo que colocaram sua vida à prova, o que a levou a escrever o livro "Caverna na neve".

Hoje, muitos a reconhecem como uma Iluminada ou no mínimo como uma monja com realizações espirituais relevantes, visto que os ensinamentos dela são muito profundos. Atualmente, ela busca ajudar outras mulheres que almejam a condição de monjas tibetanas. Caso queira, te aconselho a ver o vídeo dela, no Youtube, "O que aprendi no coração da vida". Especialmente quando ela diz que devemos separar o Dhamma, os ensinamentos essenciais do Buddha, de aspectos culturais. Há a cultura chinesa, a japonesa, a tailandesa, a tibetana, e assim por diante... mas cabe a nós saber discernir o que são aspectos culturais desnecessários, e o que refere-se essencialmente aos ensinamentos do Buddha. Talvez seja isso que tenha faltado a alguns monges da Tailândia...

O que acha?

Ajahn Brahmavamso, ao participar da comissão de 5 monges que apoiou a ordenação das 4 monjas na Tradição das Florestas da Tailândia, Escola Theravada, disse que por um momento ele hesitou em fazer a ordenação por ter sido ordenado na Tailândia. Mas ele refletiu e entendeu, do fundo do coração, que o compromisso dele era com o Vinaya e com os ensinamentos do Buddha, e não com as leis da Tailândia.

Mera opinião minha rs, mas penso eu que o Buddha surpreende uma vez que ele foi contra o paradigma da sociedade indiana em que ele vivia. Ele renunciou a sua condição de príncipe, autorizou que qualquer pessoa com interesse sincero virasse monge, fosse mulher ou homem, nobre ou pobre, mesmo estando diante de uma sociedade em que vigorava o sistema de castas sem mobilidade social. O Buddha reconhecia que o potencial para a iluminação não vinha de hereditariedade, da cor da pele ou da família que você nasceu... ele reconhecia esse potencial em todos os seres. Por isso que sempre reflito que a essência do ensinamento do Buddha é o treinamento da mente e do coração. É dentro de cada um que estão as impurezas, bem como a semente para o Despertar. Por isso que o que é essencial são as intenções que cultivamos no coração, independente se somos homens, mulheres, negros, brancos, heterossexuais, homossexuais, orientais ou ocidentais... isso tudo é superficial. O essencial está na mente de cada um.

Sobre a condição das mulheres, conforme te falei, há controvérsias. Em geral, nas escrituras budistas se percebe o empenho do Buddha em ajudar as mulheres no caminho, embora haja trechos que aparentemente inferiorizam as mulheres diante dos homens, embora, ao mesmo tempo, o Buddha reconheça que as mulheres têm a condição de alcançar a Iluminação tanto quanto os homens. Portanto, há trechos controversos nos Cânones.

Sobre as regras, elas são importantes, e devem ser contextualizadas. O fato do Buddha ter criado mais regras às monjas do que aos monges, em grande parte, também se deve às peculiaridades das mulheres e à intenção dele de ajudá-las, protegê-las e facilitar o seu caminho.

Além disso, sobre as regras menores, tem crescido a opinião de que elas não devem ser tomadas literalmente, se forem normas excessivamente formais sem grande relevância que poderiam impedir o restabelecimento da comunidade monástica feminina.

Basicamente é isso. Mas se você for tomar Suttas que têm maior credibilidade no Cânone, verá que o Buddha reconhece que seus discípulos dividem-se basicamente em quatro grupos: monges, monjas, leigos e leigas:

3.35. “Em vista disso, eu disse para Mara: ‘Eu não realizarei o parinibbana, Senhor do Mal, até que eu tenha discípulos bhikkhus que sejam sábios, ... (igual ao verso 3.7) … discípulas bhikkhunis... até que eu tenha discípulos leigos ... até que eu tenha discípulas leigas, que sejam sábias ... e que sejam capazes de ensinar o Dhamma que é eficaz. Eu não realizarei o parinibbana, Senhor do Mal, até que esta minha vida santa tenha se tornado bem sucedida e próspera, extensa, popular, expandida, bem proclamada entre os devas e humanos.’ - Mahaparinibbana Sutta

Mahaparinibbana Sutta é o Sutta que conta sobre a morte do Buddha. "Parinibbana" é quando um Iluminado morre.


Enfim, tome cuidado com o que algumas fontes dizem por aí.

Escrevi bastante sobre o assunto porque algumas coisas relevantes sobre o Budismo, infelizmente, ainda não estão traduzidas para o português. Por isso gosto de citar suttas e textos e vídeos de monges conhecidos, para que todos nós possamos trocar ideias aqui no Brasil com base em fontes mais fidedignas. Portanto, aproveite-se delas para que as dúvidas não habitem seu coração, e assim você poderá avaliar os ensinamentos do Buddha com bases mais confiáveis e, com isso, alimentar ou não a sua convicção nele.  Piscadela

Assim, quando você ouvir alguém falando algumas coisas estranhas ou até absurdas sobre o Budismo, você terá feito a análise e os estudos por si mesmo, e seu coração não precisará se agitar com as opiniões dos outros. Isso é "ver e refletir por si mesmo". 

Sobre a discussão e debates sobre o Budismo, é mais ou menos aquilo que compartilhei com você no seu primeiro post. Com o tempo vamos aprendendo que, muitas vezes, a melhor forma de defender esses ensinamentos, é ficando em silêncio mesmo... não indo adiante na conversa, que às vezes acaba apenas por alimentar intenções inábeis como arrogância, raiva e orgulho e até competição. O importante é investigarmos esse coração aqui dentro, sempre investigando e testando os ensinamentos do Buddha, e vendo por nós mesmos. Quando vemos por nós mesmos, então podemos treinar esse coração por nós mesmos. Quando fazemos isso, vamos abandonando as impurezas, inclusive aquelas relacionadas ao orgulho e à presunção... Logo, quaisquer intenções de mostrarmos nossa evolução espiritual, ou de mostrar a superioridade do Budismo, devem ser abandonadas...

Se apresentamos o Budismo a alguém, devemos, aos poucos, garantir que seja meramente com a intenção de trazer benefício para a outra pessoa. Se percebermos que não haverá possibilidade de trazer algum benefício por meio da fala, como você indicou ao perceber que a discussão não levaria a lugar algum, então silenciamos, por generosidade.

É como aquela pergunta que eu faço a mim mesmo antes de executar uma ação com a linguagem, corpo ou mente: isso é por generosidade ou por desejo? Se for por desejo, não devo fazer. Se for por generosidade, então eu faço.

É muito inspirador quando começamos a nos movermos no mundo apenas por generosidade. Porque, à medida que praticamos os ensinamentos do Buddha, descobrimos que quando corremos atrás dos nossos desejos, só encontramos frustração e sofrimento, porque as experiências mudam e nossas preferências também.

Agora, quando nos movemos no mundo visando a felicidade de todos os seres no Dhamma, no caminho espiritual, então descobrimos um prazer e felicidade maior que são os prazeres da caridade, da generosidade, da solidariedade e da serenidade. Quando o coração se sustenta nesses prazeres, vai se reduzindo aos poucos a demanda por prazeres sensuais como elogios, fama, dinheiro ou entretenimento... isso é uma mente mais pura, e mais preparada para as meditações profundas para que a sabedoria possa surgir e ver as coisas como de fato são. "Ver as coisas como de fato são" levam à Libertação, conforme os ensinamentos do Buddha... é mais ou menos assim, a sequência.

Então, lidar com as opiniões dos outros e com as discussões que surgem faz parte do caminho... Aprender a buscar as intenções hábeis e evitar as prejudiciais nessa situação faz parte das nossas tentativas em desenvolver Linguagem Correta.

Para ajudar nisso, é bom você ir estudando aos poucos esses assuntos que te causam dúvidas. Assim, gradualmente, você poderá investigar a credibilidade dos ensinamentos do Buddha e a convicção crescerá no coração. Com essa convicção, a mente sentirá menos necessidade de provar aos outros o que é o Budismo, ou não terá tantas dúvidas quando ouvir essas notícias e boatos. É um caminho que se trilha gradualmente, mas que vale a pena ser trilhado!

Sobre a parte esotérica ou metafísica do Budismo, ela existe, mas não é essencial de início. Conheça os aspectos mais básicos, aprenda com curiosidade, e depois você vai poder ir compreendendo a importância de ensinamentos mais "metafísicos" como vidas passadas... Na verdade o Buddha ensinou sobre muitas coisas mais, como o desenvolvimento de poderes supra-humanos, mas isso ele não valorizava tanto. Ele ensinou basicamente sobre purificar esse coração.

Enfim, busque ler os Suttas, sempre tendo em mente os ensinamentos essenciais do Buddha. Questione, reflita. Leia textos e veja vídeos de monges de diversas Escolas, e compare com os ensinamentos essenciais do Buddha. Busque monges do estrangeiro também, o que enriquece os conhecimentos. Você pode encontrar textos em portugues e videos legendados de diversos monges que citei acima, como Ajahn Brahmavamso, Tenzin Palmo, Ayya Khema, Ajahn Thanissaro, Bhikkhu Bodhi, entre outros. Busque também ícones do Budismo Zen, como Thich Nhat Hanh. Também há exemplos aqui no Brasil, como a Monja Coen, Ajahn Mudito, Lama Padma Samten, etc. Quanto aos diversos Suttas que te causarem dúvidas e forem mais complexos ou profundos, leia-os com os ensinamentos essenciais como pano de fundo. E, acima de tudo, tente pôr em prática esses ensinamentos e investigue os efeitos na sua mente, no seu coração. Esse é o caminho que o Buddha exortou que cada um de nós trilhássemos por nós mesmos, não é? O que acha? Feliz

Se alguma parte tiver ficado confusa, pode perguntar por favor... a internet caiu algumas vezes enquanto eu puxava as fontes ou tentava postar a mensagem, então pode ser que eu tenha me atrapalhado em alguns pontos da mensagem! Sorridente

Compartilho, caso queira:
Entrevista do Ajahn Brahmavamso meses antes dele participar da ordenação das 4 monjas: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/ordenacao_mulheres_2.php
Um vídeo curto de 4 minutos mostrando a realização do Kathina (festival do Budismo Theravada após o retiro de meditação das chuvas) no Monastério Dhammasara, na Austrália, que é conduzido pelas monjas que Ajahn Brahm ajudou a ordenar: https://www.youtube.com/watch?v=pN3BA3wdjvQ
Um artigo sobre 3 monjas: Monja Coen, Tenzin Palmo e Pema Chodron: http://nossacausa.com/conheca-3-monjas-budistas-que-vao-inspirar-sua-vida/
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http://sangha-online.forumeiros.com
 

preciso de um esclarecimento aqui, por favor

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