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 Sobre este Fórum: Fale sobre sua Experiência Meditativa

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Mensagem Qui 1 Ago 2013 - 16:29

Desabafem e compartilhem aqui suas experiências com a Meditação! Está começando agora? Há quanto tempo você medita? Quais são suas dificuldades? Você sentiu diferenças com a prática da Meditação? Que tipo de Meditação você costuma fazer? O que você sente durante uma sessão? Houve algo diferente que aconteceu com você durante a prática? Conte para nós! Para isso você pode criar um Tópico específico ao seu assunto.
Imagem de um homem meditando, em que a luz do Sol sobre sua cabeça é proposital: de forma figurada, representa a Iluminação e purificação da mente.
Não há problema algum se você não for Budista! Conte a nós como é a Meditação da sua religião ou mesmo que prática meditativa você faz seguindo ou não alguma doutrina. Afinal, muitos conhecem a meditação numa sessão de Psicoterapia ou em outras religiões como no Hinduísmo - assim, estamos abertos a te ouvir da mesma forma! Esse Fórum foi criado especialmente para que todos possamos compartilhar nossas experiências além de qualquer diferença, porque aqui a Meditação é o que nos une uns com os outros assim como com as nossas próprias mentes.

Se quiser falar sobre sua prática Budista ou cotidiana fora da Meditação Sentada, use o Fórum Fale sobre sua Prática Diária, uma vez que este Fórum no qual você está trata da parte da prática relacionada à meditação sentada, ou seja, trata do treinamento da mente sobre a almofada ou cadeira e não fora dela.
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allanfelix

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Mensagem Dom 11 Ago 2013 - 15:37

Bom, irei resumir minhas experiências meditativas, para que talvez meu conhecimento até agora possa contribuir a algum membro do fórum! (:

Na minha primeira experiência meditativa, não obtive sucesso algum, eu apenas percebi o quanto minha mente era tumultuada por pensamentos inúteis, pensamentos passados e as vezes prevendo o que irá acontecer no futuro. Fiquei nervoso comigo mesmo por não conseguir. Além do mais surgia coceiras, e algumas dores no corpo, o que pra mim eu ja via a meditação como algo impossível de se lidar.

Eu sou uma pessoa que persiste e tem paciência com as coisas que desejo, então sempre continuava tentando. Só que dessa vez, em posições em que eu me sentia mais confortável, e com menos dores musculares.

Logo , houve uma vez que percebi que finalmente estava entrando em estado meditativo, finalmente tinha conseguido me livrar dos meus pensamentos...  Surgia uma paz e leveza no meu corpo, sentia uma sensação positiva. Pulando e aplaudindo 
Mas quando percebi que estava conseguindo, surgia uma ansiedade, e sentia algo no peito como se eu estivesse pensando "Uau, estou conseguindo!" ,então eu saia do "foco" e logo voltava a pensar novamente. Pena 

Sim, amigos, parece que para se conseguir a paz, é um caminho um tanto complicado. Mas sei que quando chegar ao meu destino vai valer tudo a pena (: 
Graças ao Administrador daqui que me deu algumas dicas, estou melhorando a prática cada dia mais. 

Se surgir uma coceira ou uma dor, não se coce, não desista. Apenas se concentre nessa coceira, igual faz com sua respiração. E logo perceberá que ela irá desaparecer, assim como a dor.

Em relação a Ansiedade, não se apegue a ela, não espere algo da meditação.
A ansiedade surge porque você está esperando que a meditação te traga algo, te traga alguma sensação, algum beneficio . Se desapegue a essa ansiedade, não espere nada, não deseje algo, apenas livre a sua mente e relaxe. Apenas fique numa posição confortável, sinta sua respiração, e não espere por nada, apenas relaxe. Se mesmo assim a ansiedade surgir, se concentre na respiração de novo e relaxe novamente 

A meditação exige paciência e gosto pela pratica. Não desistam pois vale a pena. (:

Vale lembrar que essas dicas que me ajudaram muito foram dadas pelo Administrador do fórum , então eu não mereço tais créditos caso isso vá ajudar alguém também. Feliz 

Boa sorte a todos e paz interior a vocês !

_________________________________________________________________________________________________
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Leo

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Mensagens : 25

Mensagem Seg 12 Ago 2013 - 18:05

legal, já eu não tenho muita ansiedade, o que eu mais sinto é sono Furioso 
o engraçado é que surgem vários pensamentos, e quando tento soltar eles sem brigar com eles, tem vezes que eu acabo ficando meio sonolento, desanimado... não consigo 'soltar' sem desanimar... mas também não adianta eu fazer esforço, porque eu fico totalmente o oposto de sonolento... as vezes me sinto bem, mas ainda tenho muita dificuldade com isso Confuso

mas acho que preciso tentar um pouco mais e logo chego lá Meditação

_________________________________________________________________________________________________
    “O tempo rapidamente se esvai e a oportunidade se perde. Cada um de nós deve
      se esforçar para acordar, para despertar. Não desperdice a sua vida.”



Última edição por Leo em Seg 12 Ago 2013 - 18:23, editado 2 vez(es)
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allanfelix

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Local : São Paulo
Mensagens : 10

Mensagem Seg 12 Ago 2013 - 22:45

Sim, realmente o sono é obstaculo pra mim também, mas é o menor dos obstáculos no meu caso.
Eu por exemplo sou uma pessoa que não consegue dormir se eu estiver sentado,por mais que eu estiver cansado, eu não consigo. Só consigo dormir deitado. 
Ando de onibus e vejo aquelas pessoas dormindo tranquilamente sentadas e com o onibus se mexendo de uma forma que parece que estou do lado de uma britadeira e fico "abismado" com aquilo hahaha.

Mas realmente, da um sono mesmo, não é porque eu não consigo dormir sentado, que quer dizer que eu não sinta sono, realmente da um sono. 

Tanto é que teve vezes que eu não estava conseguindo meditar, e só me dava sono, então eu via minha cama do lado e logo pensava "Ah, vou deixar pra tentar meditar de novo amanhã, vou dormir kkkkkkkkkkk"

Mas é questão de paciência mesmo e continuar tentando, mesmo que o sono surja . (:

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Angely

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Mensagens : 29

Mensagem Sab 14 Set 2013 - 11:12

Para mim não tenho muito sono, eu tenho mesmo é muita ansiedade!!! Percebeu algo errado 
Mesmo se surgir sono, eu fico pensando "não posso ficar com sono, tenho que concentrar!", e por isso não tenho muito tempo para sono, penso demais, falo demais, fico nervosa demais, às vezes fico louca!!! mas teve uma vez que parei de lutar e deixei os pensamentos lá, uma falação sem parar, até que de repente senti um alívio e uma suavidade na cabeça... faz um pouco de tepmo que não sinto aquilo, mas com isso percebo que devo continuar tentando!
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edward

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Mensagem Sab 21 Set 2013 - 4:08

Angely sei exatamente o que é isso, o mesmo aconteci comigo.
E tambem nao tenho paciencia é bem dificil :/
continuarei tentando.
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Júlio Melo .'.

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Mensagens : 11

Mensagem Sab 21 Set 2013 - 6:51

Muito legal o tópico e agradeço ao Edward por ter visto pois não havia encontrado esse assunto ainda no Fórum.
Pois bem, falarei um pouco de minha experiência...

Depois de meus 15 anos tive mais interesse pelo lado espiritual e busquei um caminho a seguir, dai comecei minhas primeiras tentativas de meditação e praticas semelhantes, porém não chegava a entender o porque daquela pratica e as vezes não conseguia completá-la por diversos fatores.Já faz alguns anos que fui iniciado em uma Ordem que visa o auto-conhecimento e desenvolvimento psíquico e é sobre a "meditação" utilizada nela que trago um pouco de minha experiência.

Escrevi meditação entre aspas, pois diverge um pouco das técnicas utilizadas no oriente para tal fim. Inicialmente o modo de sentar-se já é diferente, o praticante deve sentar em uma cadeira, manter as costas eretas, pés encostando ao chão e pés ligeiramente afastados. A técnica consiste em buscar uma concentração por meio de visualizações, ao fechar os olhos se continuaria a visão porém de forma imaginativa, criando novas telas visuais, como por exemplo, você se levantaria de onde estava sentado e sairia à ascender pelo seu em busca do que chamamos ser o Sanctum Celestial, de tal forma que ao sentir que esta próximo dele, o seu coração se encheria de alegria. Chegando ao Sanctum você optaria pelo que desenvolver lá, meditação, auxilio espiritual e etc, sabendo que ao atingir o Sanctum, você estaria em outro patamar vibratório.

Enfim, no inicio, como nas meditações budistas é muito complicado você manter quadros visuais, manter a imaginação frequente como se estivesse a criar um filme, porém com a prática fica cada vez mais fácil e mais nítido. E a consequência é fantástica, indico a todos. Desta forma, essa técnica é posta em nossa Ordem como um material aberto a não-membros, assim podemos compartilhar como farei nesse momento. Temos o livreto, mas como moro distante dos amigos, essa é a finalidade de nossa Sangha Online. Segue abaixo o link onde contém a técnica dá ída ao Sanctum celestial:

Liber 777 - Sanctum Celestial


Ao escrever tais linhas, me pus a refletir no quão complicado será manter dois modos extremamente diferentes de meditação, o Rosa-Cruz do Budista. Mas acredito que os dois serão de grande importância para meu crescimento. Agradeço novamente a oportunidade a todos e desejo uma boa experiência com o livreto que vos enviei, digo mais, tentem fazê-lo por no minimo 3x, uma vez por dia, um dia sim e outro não para dar um tempo e depois agradeceria pela exposição das impressões que obtiveram com a pratica.

Fraternalmente,
Júlio César Oliveira de Melo .'.
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Mensagem Seg 16 Dez 2013 - 13:13

Medito aproximadamente a 1 ano, o tipo de meditação que pratico é o da escola Soto Zen que consiste basicamente em sentar e observar o que se passa na mente, sem se envolver, sem negar, apenas observando, deixando que os pensamentos passem como as nuvens do céu. 

A maior dificuldade que encontro para meditar é a frequência, não a faço todos os dias, as vezes por não estar com vontade e outras por dormir fora de casa e não ter condições para praticar. 

Durante o tempo que venho praticando percebi que nenhuma sessão é igual, algumas vezes saia do controle e desistia logo nos primeiros 3 minutos, outras aguentava um tremendo sofrimento até o final. 



As melhores sentia um total domínio sobre a mente como se pudesse controlar alguém a distancia só que esse alguém seria eu mesmo, em outras sentia surgir uma felicidade muito grande como se pudesse compreender a vida como um todo, como ela funciona e que o quanto somos tolos diante da vida deixando nossas emoções e apegos nos dominarem.

 Meditação
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Bianco

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Mensagem Ter 31 Maio 2016 - 17:15

Estou iniciando, e minha dificuldade no momento  é quanto a posição, tenho uma hérnia de disco com compressão de nervo grave, a qual não deixa que eu me sente da maneira adequada, estou tentando deitada com dois travesseiros para que possa ficar o mais inclinada possível, mas assim acaba vindo o sono. Posso continuar nesta posição até aprender a dominar o sono, ou há outra posição que eu possa tentar?
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Mensagem Qua 1 Jun 2016 - 19:13

É difícil aprender a meditar deitado... Eu mesmo só consegui ter meditações inspiradoras deitado depois de um tempo de prática de meditação sentado e andando, mas ainda tenho cochilos de vez em quando  Confuso rsrs
Existem recomendações específicas para cada pessoa quando há a ocorrência de patologias físicas, estruturais, hernias, dor crônica dentre outras limitações... Nesses casos os monges costumam aconselhar a busca de orientação médica, porque cada caso é um caso e somente profissionais no assunto poderão dar uma ajuda mais qualificativa e específica.
Portanto, seria melhor solicitar recomendações de um médico sobre posturas alternativas - o que é desejável porque treinar na postura deitada é bem difícil para a maioria.

Essencial é ser generosa e paciente consigo mesma. O essencial não é a posição do corpo ou como cruzamos nossas pernas rsrs... Mas sim como cultivamos a mente e as nossas intenções e atitudes.
Podemos meditar andando, deitados, sentados ou parados... Meditar é um ato mental que se desperta e cultiva no interior.
A única diferença que deve ser feita é que meditação sentado ou deitado pode levar a níveis mais profundos e refinados de meditação que não se pode alcançar nas posições andando ou em pé, mas isso refere-se a níveis mais avançados que geralmente são cultivados por quem tem mais tempo para dedicar-se a retiros e coisas do tipo. Mas ainda assim, níveis de profundo êxtase, plenitude e serenidade podem ser cultivados mesmo andando - mas não no meio do trânsito, hein!  Sorridente
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Mensagem Qui 2 Jun 2016 - 10:54

Ontem consegui encontrar uma posição sentada na beirada da cama, com os pés no chão, coluna reta, polegar e indicador unidos, tentei me sentir o mais confortável e relaxada possível. De inicio senti algumas dores, coceiras, mas logo consegui me concentrar em minha respiração. Coloquei um mantra de fundo para me concentrar melhor já que moro em um local muito barulhento Rindo. Foi maravilhoso, consegui por 12 minutos, o relaxamento foi tão profundo que "custei" a me mover, foi a primeira vez que posso dizer que consegui bons resultados Muito feliz! Namastê.
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Mensagem Qui 2 Jun 2016 - 19:47

Fico muito feliz por você!  
Essa é outra coisa interessante sobre meditação e dor: muitas vezes, a melhor coisa é acolher a dor, deixá-la estar e passar a seu próprio tempo - e muitas vezes ela passa mesmo. Aí, o que sobra é paz e contentamento. 
Mas, discernir em que limiar uma dor é crônica ou inevitável daquela que é manipulável ou "trabalhável" depende de cada um. Por isso que cada caso é um caso. Cada um precisa investigar e testar a si mesmo para tentar descobrir as próprias potencialidades e, assim, cultivar a si mesmo.
Continue investigando e pode ser que você descubra um meio saudável de se treinar continuamente, de tal forma que o tempo sentada meditando vá aumentando com a prática.

Mas lembre-se sempre que o fundamento desse treinamento é paciência e acolhimento. Aceite as próprias limitações e trabalhe com elas na melhor das suas possibilidades. Testá-las e investigá-las faz parte desse trabalho, assim como não demandar resultados rápidos. O Buddha ensinou: a causa de sofrimento e frustração é desejo. O caminho para a paz é abandonar o desejo por meio da generosidade, do desapego, do abrir mão, do acolhimento e da libertação. Então, liberte a si mesma de qualquer desejo impaciente que possa surgir. Trabalhe consigo mesma no melhor que puder, seja generosa com o próprio corpo e deixe que os frutos venham a seu próprio tempo. Isso é "abrir mão sem esperar nada em troca". É ter a paciência e a caridade de oferecer tudo a essa prática: energia, dedicação e empenho; sem esperar resultados imediatos - é realmente fazer caridade sem esperar retorno. Quando fazemos isso com sinceridade e convicção, os resultados vêm a seu próprio tempo de uma maneira muito maravilhosa. Só então entendemos a terceira nobre verdade do Buddha: "o abandono do desejo leva à libertação do sofrimento". O que você acha? Feliz
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Mensagem Seg 6 Jun 2016 - 14:44

Concordo, só há paz onde há desapego, quando desejamos muito as coisas, principalmente coisas materiais e que foge a nossa realidade as chances de nos frustrarmos é grande, ai vem a decepção, o sofrimento, a culpa. Ao longo da minha caminhada aprendi com clareza que quanto menos esperarmos de tudo, mais felizes seremos. Não é facil, mas se temos essa noção, mais próximos a felicidade plena estaremos. A meditação é primordial nesse processo de desapego, nos ajuda a sermos mais pacientes, verdadeiros, a amar tudo o que nos cerca, e sobretudo a sermos gratos pelo que temos e recebemos tão generosamente, basta olharmos a nossa volta para reconhecermos isso.
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*Andranamum

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Mensagem Qua 31 Ago 2016 - 22:23

Eis o link de minhas experiências meditativas: http://yogadu.blogspot.com.br/
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Renata

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Mensagem Qui 2 Fev 2017 - 14:24

Olá,

Estou aprendendo a meditar, pouco a pouco... Hj qdo comecei a meditar brotou diversas memórias de infância, memórias boas, eu as deixei brotar, pq eram mtas. O que pode ser? Obrigada :)
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Mensagem Sab 4 Fev 2017 - 20:01

Renata escreveu:
Olá,

Estou aprendendo a meditar, pouco a pouco... Hj qdo comecei a meditar brotou diversas memórias de infância, memórias boas, eu as deixei brotar, pq eram mtas. O que pode ser? Obrigada :)

Olá Renata, seja bem-vinda ao Fórum Sangha Online!  Bem-vindo!
Acho que podem ser muitas coisas... mas nada de especial para se preocupar  Pensativo
Na meditação a mente repousa e desperta energia... com isso ela pode se lembrar de coisas antigas que uma mente sem energia meditativa não lembraria... ou ela pode associar o prazer meditativo a experiências prazerosas do passado... ou a mente pode simplesmente querer ficar vagueando em lembranças do passado mesmo, para se distrair  Sorridente
Podem ser muitas coisas...
O importante é observar, sem se distrair, e acolher e deixar passar tudo o que vier. É manter as mãos e os olhos abertos. Se passar algo bonito nas suas mãos (leia-se, na mente) não é para fechar as mãos e se apegar naquilo, com brilho nos olhos. Se passar algo feio, não é para tentar estabanar aquilo com as mãos, fechando os olhos para não ver rsrs... É sobre manter as mãos abertas, incondicionalmente, independente do que vier. Não importa se é algo que você goste ou não, o importante é manter a atitude de acolhimento, paciência e contentamento. Porque a intenção é aprender a fazer isso em nossas vidas.

É aprender a cultivar as boas qualidades, independente do que nós experienciarmos. Independente se estivermos com uma melancolia no coração, ouvindo palavras difíceis, comendo algo delicioso, ou ouvindo uma música eufórica, ou recebido uma notícia angustiante... a questão essencial é, o que faremos com isso? Que atitude vamos cultivar diante dos acontecimentos da vida? Vamos nos agitar, fechando as mãos para apegar ou apunhalar, ou seremos capazes de acolher todas as adversidades da vida com as mãos abertas, para transformar o que for possível transformar, e deixar passar o que não se puder aproveitar?

A intenção é mais ou menos essa. Deixar passar aquilo que não pode ser usado, e usar por generosidade aquilo que tiver utilidade, deixando que acabe quando for a hora.

Porque o Buddha ensinou que nossas experiências e preferências são impermanentes. Então, não se apegue a elas na meditação ou na vida. Valorize mais as qualidades que você cultiva no coração.

Meditação é justamente sobre treinar isso. Sobre treinar esse desapego sobre o que surgir na mente, e fortalecer essa capacidade de cultivar generosidade, paciência, tolerância e contentamento, independente do que aparecer na mente.  Por isso gosto de dizer - paz nas suas atitudes, mesmo que nem sempre haja paz nas experiências. Porque o que realmente importa não é o que você está experienciando, mas o que você está cultivando. Grato
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rogermercuri

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Mensagem Qui 16 Fev 2017 - 1:05

Olá! Ainda sou iniciante na meditação, e venho descobrindo o budismo por meio de um lugar qui em curitiba chamado CEBB. Eu venho usando vídeos para 'nortear' minha meditação, e tenho me sentido muito bem. Não sei explicar ao certo que tipo de meditação é, mas faço-as com estes tipos de vídeo  

Sinto um calor muito grande nas mãos após algum tempo meditando. Esses episódios são os mais gostosos e que me dão mais ímpeto por continuar meditando. Porém, em outros dias, simplesmente, mal consigo meditar de uma maneira correta, gostosa. 

Pratico muita atividade física e sinto-me quase como em uma meditação quando saio para correr, prestando atenção à minha respiração, deixando-a profunda enquanto pratico a atividade. Na minha opinião, é a maneira mais gostosa que encontrei de 'meditar' (não se se atividade física pode ser alguma espécie de meditação).
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Mensagem Dom 2 Abr 2017 - 22:26

Olá rogermercuri.
É normal que nem todas as meditações sejam prazerosas. A sua capacidade em aceitar e acolher isso influenciará no desenvolvimento das suas meditações posteriores.
De fato, algo que influencia muito no êxtase meditativo é nossa capacidade de acolher os fenômenos que se manifestam a cada instante. Porque o mais valioso na meditação é o contentamento INTERIOR. É a capacidade de estar contente com o que quer que aconteça. Esteja a mente raivosa, tranquila, inquieta, extasiada, preguiçosa, energética ou focada, nós acolhemos o que quer que se manifeste e tentamos voltar ao objeto de meditação, treinando a mente no descanso e repouso num objeto específico.

Atividade física pode ser um tipo de meditação. Meditação é Samadhi, ou Unificação. É quando a mente é unificada ou "focada" em alguma coisa menor... podemos unificá-la na respiração, num pensamento saudável, numa sensação corporal, ou em qualidades benéficas como paciência e amor... essa capacidade de unificação permite treinar a mente para que ela possa repousar em algo mais específico e se libertar da percepção do restante, até um nível em que ela começa a se energizar e a adquirir uma atenção mais calma e afiada que nos permite enxergar as coisas de uma maneira mais clara. É a partir dessa mente tranquila e atenta que podemos aprender mais sobre como nossas mentes funcionam, e como nossas emoções e pensamentos interferem na nossa felicidade ou sofrimento.  Feliz
De qualquer forma, busque ser acolhedor e receptivo em todas as suas meditações. Mais importante do que experienciar coisas boas, é ser uma boa pessoa. Esse é o foco do caminho espiritual. Independente do que a vida te trouxer, entregue a ela sempre algo bom em troca. Assim, mesmo que você não tenha (e nunca terá) SEMPRE uma felicidade baseada em coisas externas, poderá desenvolver o contentamento interior que pode permeiar qualquer experiência seja ela agradável, desagradável ou neutra. Esse contentamento é a alegria da tranquilidade, da bondade, de ser uma boa pessoa, de ser capaz de acolher e reconhecer a vida pelo que ela realmente é: incontrolável, impermanente e fluida.
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Ítalo B de M

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Mensagem Seg 17 Abr 2017 - 15:46

No tópico de apresentação eu falo um pouco sobre minha relação com o budismo.

Sobre a meditação:

Durante muito tempo, a minha experiência meditativa se restringia a observar o quão impotente eu era frente à minha mente.
Por mais que meditasse, aparentemente eu não estava evoluindo.
Esta frustração me fez ter uma relação conturbada com a prática meditativa.
No entanto, apesar dos desencontros, no fundo eu sempre soube que era ali que eu encontraria as respostas. Por isso, nunca deixei de estudar sobre budismo, conceitos e preceitos.

Certo dia, em 04/07/2016, tive uma experiência meditativa extremamente marcante.
Foi um momento divisor de águas, realmente.
Até hoje me faltam palavras para descrever o ocorrido.
Encontrei no budismo Zen uma definição que se enquadra perfeitamente àquele momento: Kenshô.
Ou seja, um breve momento de lucidez plena. Um lapso de "realidade". Uma amostra efêmera e limitada do que seria a iluminação.
Também no budismo tibetano, mais precisamente no Livro Tibetano dos Mortos, há um capítulo que traduz perfeitamente àquele momento de percepção diferenciada.

Foi um momento em que eu entendi. Simplesmente. Compreendi a natureza das coisas. Do mundo, da mente... Simples assim. Tentar descrever de outra forma seria rebaixar o que aconteceu. Foi algo que está além da minha capacidade de elaborar uma descrição.

A todo o momento me questiono sobre se teria sido apenas uma ilusão, tentando não me empolgar, sabendo que poderia ter apenas mais uma ilusão de minha mente. No entanto, não posso ignorar o que ocorreu, visto que os frutos deste dia continuam a contribuir com a minha prática diária e com a minha percepção da realidade e dos ensinamentos budistas.

Após este dia, tive outras experiências semelhantes, não tão profundas, mas similares.

Sigo meditando.
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Mensagem Sex 21 Abr 2017 - 13:08

Olá Ítalo, obrigado por compartilhar!  Feliz
Achei interessante você dizer que se questiona se não teria sido apenas uma ilusão...
O caminho espiritual, mais especificamente na parte meditativa, é cheio de etapas... e realmente temos que tomar um certo cuidado para não superestimarmos e também não subestimarmos uma experiência meditativa. 
O ponto é sempre buscarmos refletir sobre a meditação tomando como base os ensinamentos do Buddha. Ele ensinou que o desejo leva ao sofrimento, e que ao buscarmos a alegria das boas intenções, em vez das boas experiências, poderíamos descobrir uma paz interior que independeria das condições externas.
É assim que a prática da virtude leva ao contentamento, que leva ao êxtase meditativo, que leva à concentração, que leva a ver as coisas como de fato são, que leva ao desapego e então a libertação, conforme o Buddha diz no Kimatthiya Sutta. Nós trocamos a felicidade que depende de ter alguma coisa lá fora, pela felicidade de sermos algo diferente aqui dentro, e assim somos capazes de cultivar a alegria em todas as circunstâncias, mesmo naquelas que não sejam tão agradáveis.

Na meditação a essência é mais ou menos essa. Independente do que se manifesta na mente, o importante é cultivarmos algo que seja benéfico. Independente se houver raiva, inveja, desejo ou preguiça na meditação... o importante é cultivarmos serenidade, paciência, acolhimento e bem-querer. Assim, os primeiros vão morrendo de fome, e os demais vão crescendo. Assim a meditação vai se aprofundando e a mente fica mais clara.

E é com essa mente clara, internamente satisfeita, que podemos ver com agudez como é que o desejo leva ao sofrimento, e como o abrir mão leva à paz. 

Só que nesse trajeto há muitas armadilhas, e uma delas é o prazer meditativo. Muitos praticantes acabam se apegando ao prazer meditativo, ou fazendo meditação só porque é gostoso. Isso é benéfico, mas é limitado rsrs...  Sorridente É estagnar no meio da prática. Geralmente os mestres resumem a prática em: Virtude -> Meditação -> Sabedoria -> Libertação. Se parar na meditação, não adianta rsr...
Tem que ver que a finalidade da meditação não é só ficar extasiado, mas é também investigar a mente e purificar o coração. 

Tem textos de muitos mestres que chegaram a níveis tão profundos de meditação, que experimentaram prazeres profundos por dias, fazendo-os pensar que estavam iluminados, até que esses prazeres passaram. Aí vem o ensinamento do Buddha de novo na memória: tudo o que é condicionado é impermanente. Então, o que é Nirvana afinal? E aí continuamos investigando rsrs...

Mas os momentos de prazer e êxtase da meditação são muito bons, e fazem parte do caminho, conforme o Buddha colocou. Só temos que tomar cuidado para não pensar que o caminho é só isso, pois é mais do que isso. Não é só sobre experimentar coisas boas, é sobre cultivar coisas boas em todas as experiências. Isso é algo que sempre tento lembrar, pois as vezes quando a mente tem um prazer meditativo e aquele prazer acaba, então ela fica irritada, frustrada ou querendo mais de novo. É nesse momento que a gente percebe que a mente ainda não se libertou do desejo ou do apego. Êxtase ou alegria é um resultado de ser uma boa pessoa, de cultivar virtude, de praticar generosidade. Mas ainda assim não é algo que esteja livre da impermanência. Há algo mais além disso!  Feliz
Como dizia Ajahn Maha Boowa, não adianta nos desapegarmos dos prazeres sensuais, e ainda ficarmos apegados aos prazeres espirituais. Não adianta enxergamos não-eu ou o vazio lá fora, e não enxergarmos aqui dentro. É como esvaziarmos uma sala, olhamos em volta e pensamos "Compreendi Nirvana! Tudo é vazio!", mas ainda não vemos que nós estamos ali no meio da sala, que ainda estamos apegados a nós mesmos, a este eu, ou a esta mente.
Ou como diz Jetsunma Tenzin Palmo, meditação não é apenas ficar extasiado, mas é também usar a mente luminosa para questionar a si mesma: o que é a mente? O que é o pensamento? O que é o silenciar? Isso me lembra este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Fre6DWnc2Vc
Ou ainda o texto do Ajahn Brahm ("Tornar-se Iluminado"): http://acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/tornar_se.php

É por isso que é tão precioso navegar entre tantas escolas! rsrs
E por isso que fico muito feliz em ver pessoas como você vindo compartilhar experiências. É ver o Dhamma se manifestando em pessoas diferentes. Ou ver várias mentes compreendendo o Dhamma. Isso é algo que traz alegria no coração. Porque desejar a felicidades dos outros é algo de grande valor.  Grato
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Ítalo B de M

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Mensagem Seg 24 Abr 2017 - 10:32

Quanta sabedoria!

Muito feliz pela sua resposta sempre atenciosa!
Tenho vivenciado na prática estas suas palavras. A busca/apego pelo êxtase meditativo pode ter um efeito reverso. Pode ser um bloqueio na evolução espiritual.

Por mais intensa que tenha sido, já foi :)

Provavelmente, se eu relatasse esta experiência a um mestre Zen a resposta dele seria: Esqueça isso! kkk 
E, de certa forma, você concorda com isso em seu texto. De uma forma muito mais didática e eloquente.

Mas confesso que é difícil deixar de almejar por novas experiências meditativas profundas. Parece-me que só aquilo é real, que naquele momento estou defronte à realidade, livre de condicionantes.
É uma armadilha das mais perigosas... se por um lado me motiva a continuar na busca, por outro, pode limitar e colocar a minha prática/evolução em uma bolha formada pelo desejo.

Mas você fez uma colocação que me deixou curioso. Se o êxtase meditativo também é ilusão por ser impermanente e condicionado, o que não é ilusão?
Existe uma resposta?
A única coisa que não é ilusão é o caminho em si? É a busca?
E aí vem a sua pergunta: o que é o Nirvana? O que é a iluminação? É possível alcançar? É uma busca fadada ao fracasso?
Nossa única opção seria, então, desenvolver o nosso Contentamento?
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arnon.cardoso

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Mensagem Seg 24 Abr 2017 - 18:42

sou novo na meditação, estou praticando a um mês mais ou menos
as vezes minha mente está tão perturbada que acabo desistindo da pratica 
más também percebo que estou evoluindo nesta questão de apenas observar o que se passa na minha cabeça, e quando consigo apenas observar o que se passa e não me envolver com os pensamentos sinto uma enorme alegria e satisfação
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Mensagem Seg 1 Maio 2017 - 21:58

Ítalo B de M escreveu:
Quanta sabedoria!

Muito feliz pela sua resposta sempre atenciosa!
Tenho vivenciado na prática estas suas palavras. A busca/apego pelo êxtase meditativo pode ter um efeito reverso. Pode ser um bloqueio na evolução espiritual.

Por mais intensa que tenha sido, já foi :)

Provavelmente, se eu relatasse esta experiência a um mestre Zen a resposta dele seria: Esqueça isso! kkk 
E, de certa forma, você concorda com isso em seu texto. De uma forma muito mais didática e eloquente.

Mas confesso que é difícil deixar de almejar por novas experiências meditativas profundas. Parece-me que só aquilo é real, que naquele momento estou defronte à realidade, livre de condicionantes.
É uma armadilha das mais perigosas... se por um lado me motiva a continuar na busca, por outro, pode limitar e colocar a minha prática/evolução em uma bolha formada pelo desejo.

Mas você fez uma colocação que me deixou curioso. Se o êxtase meditativo também é ilusão por ser impermanente e condicionado, o que não é ilusão?
Existe uma resposta?
A única coisa que não é ilusão é o caminho em si? É a busca?
E aí vem a sua pergunta: o que é o Nirvana? O que é a iluminação? É possível alcançar? É uma busca fadada ao fracasso?
Nossa única opção seria, então, desenvolver o nosso Contentamento?

Olá Ítalo!
Sabe que quando li você dizendo "é difícil deixar de almejar por novas experiências meditativas profundas" logo lembrei do Ajahn Brahm, que diz para não temermos o prazer meditativo, e sim mergulharmos nele.

Controverso, não é? rsrs
É porque justamente por muitos praticantes estudarem e adquirirem essa compreensão sobre o perigo de se apegarem ao prazer meditativo, muitos ficam com medo quando sentem um êxtase no coração, ou ficam com remorso por terem "desfrutado demais", ou ficam se perguntando: "me mantive plenamente atento? ou fiquei só babando?"  Sorridente

É bem complicado... a gente não entende como fazer na prática. Fica de um lado ao outro, ora se apegando cegamente ao prazer, ora sentindo remorso por desfrutá-lo... Temos que investigar pacientemente, diversas experiências, diversas vezes, e entendermos que o prazer meditativo faz parte sim do caminho, embora não seja a meta final, ou um fim em si.
No próprio Sutta que compartilhei com você o Buddha fala como o êxtase leva à tranquilidade, e que essa mente tranquila e feliz é aquela aberta ao Insight e à sabedoria, não é? Portanto, não podemos negar que o prazer meditativo faz parte do caminho. Isso é até contrário ao que muita gente pensa ser um caminho espiritual, não é? rsrs... Muitos pensam que prática espiritual é só ascese, disciplina, sofrimento... é também, mas não é só isso!

No começo há muita dificuldade por termos de ir contra nossos hábitos e desejos... mas À medida que a mente conhece a alegria da virtude, e depende menos dos prazeres externos, então essa felicidade que vem da unificação e aquietamento da mente é natural. O ponto é nos lembrarmos que isso é um meio, e não um fim.

Então, não faz mal ter experiências prazerosas. A mente precisa de prazer, porque prazer é energia. Se a mente não puder colher energia da alegria interior ou da virtude, vai ter que buscar energia em alguma outra coisa como comer, dormir, sexo, fofocas ou qualquer outra coisa que ela goste rsrs... Então, prazer é algo natural.

O importante é não ficar meditando tentando repetir a experiência prazerosa, ou tentando experimentar o êxtase de novo. Apenas reflita do fundo do coração que aquela experiência de êxtase foi consequência de uma mente virtuosa e que estava cultivando o desapego. Então, você não deve buscar o efeito, que foi o prazer... mas buscar continuar cultivando as causas: que são o desapego e a virtude.

É isso o que a gente sempre tem que buscar. Se houver barulho ou raiva na mente, não é saudável pensarmos: "Ah, não consigo mais experimentar aquele prazer.", na verdade devemos compreender como cultivar paciência e contentamento nas situações difíceis também. O ponto não é o que estamos experienciando, mas o que estamos cultivando.

O importante não é o que a vida nos traz, mas o que fazemos com aquilo que ela nos oferece.

O importante não é ter paz a todo o instante, mas cultivar a paz a todos os instantes.

Ou ainda: o ponto não é TER sempre boas experiências, mas SER bom em todas as experiências.

Quem pratica isso está mais próximo de Nirvana. Quem pratica isso, naturalmente conhecerá o êxtase que vem da mente virtuosa, contida, calma e pacífica. E esse êxtase, mais do que ser desfrutado, é para ser usado... usado para ver o que acontece com a mente quando se afasta do mundo, quando ela volta para o mundo de novo, quando ela se move, quando ela deseja, quando ela está internamente satisfeita... uma mente pacífica é melhor preparada para a investigação, ou para despertar sabedoria.

Por isso que Sabedoria e Meditação andam juntas.


Sobre o prazer meditativo ser ilusão, não acho que seja bem essa a colocação... o que você acha?
No Budismo, os mestres gostam de discernir delusão de ilusão.
Ilusão é ver alguma coisa, quando não há nada. Como ver uma miragem no deserto. Não há absolutamente nada ali, mas você está vendo alguma coisa. Isso é ilusão.

Agora, delusão é ver algo da forma errada ou distorcida. Ou é ver algo como uma coisa, sendo que é outra coisa.
Nas palavras do Buddha:

Percebendo permanente no impermanente,
prazer no doloroso,
eu naquilo que é não-eu,
belo no feio,
os seres são destruídos pelo entendimento incorreto,
loucos, desvairados. (retirado do Vipallasa Sutta: http://www.acessoaoinsight.net/sutta/ANIV.49.php)

É o que o Buddha chamava de distorções cognitivas. É quando a gente conhece algo, porém o reconhece de forma incompleta ou distorcida. Vemos as coisas impermanentes como permanentes. Ou vemos coisas majoritariamente dolorosas como majoritariamente prazerosas. Isso é delusão. É não enxergar as coisas completamente como verdadeiramente são.

É dessa ignorância, dessa compreensão incompleta, dessa falta de visão plena, que vem o Desejo. E daí o sofrimento.

Então, não é que o prazer meditativo seja ilusão. Não é ilusão: de fato há êxtase ali, e é real! O ponto é que a satisfação dessa êxtase é muito pequena se comparada a toda a frustração e sofrimento que vem depois que esse êxtase passa. Porque nos agarramos a pequenos prazeres impermanentes, ficamos atados a mais e mais momentos de oscilações, sobe-desce, incertezas e mudanças... Focamos apenas num ponto de uma figura muito maior. Não vemos que quando agarramos um prazer impermanente, não estamos agarrando só um prazer impermanente, estamos agarrando todo um pacote que vem junto (em resumo: preferências que vão mudar, e experiências que vão mudar). O êxtase pode ser bom agora, mas ele vai passar, ou seu gosto por ele vai se esgotar, ou você vai usufruir dele diversas vezes até enjoar... isso é Samsara.

Só que quando agarramos o prazer, a gente só enxerga o prazer. A gente não reconhece esse pacote todo. Isso é Delusão. Isso é Ignorância.

O Buddha ensinava que mesmo uma vida longa no paraíso, o Iluminado vê que é insatisfatório. Mas isso porque ele adquire uma visão mais completa do que são as experiências/preferências, bem como uma visão mais específica de cada desejo que se manifesta na sua mente.

E a mente que consegue captar, investigar e penetrar isso a fundo, profundamente, é uma mente internamente satisfeita e pacífica e atenta. 

Lembrei desse trecho do texto do Ajahn Brahm (o mesmo monge que citei acima):
A mente, então, se torna auto-suficiente, auto-reconfortante, e auto-sustentável, de modo que a porta da mente para os cinco sentidos externos é cortada, e a mente não vai para os cinco sentidos. Em vez disso, a mente continua imersa em si mesma, na felicidade luminosa. Se experimentarmos isso, nos deleitemos com isso, deliciar-se com isso é sábio e é bom. Temos fé no Buda, que disse ser essa felicidade isenta de qualquer tendência subjacente ao desejo e paixão.
Os Primórdios do Desejo
Assim que saimos desses estados de concentração, podemos experimentar os primórdios do desejo, a mente começando a sair para buscar satisfação. Tal como estender a mão para uma xícara de chá (ou qualquer coisa que pensemos trará alegria), vemos o quão estúpido é o desejo. O desejo tem a sua medida de prazer: a antecipação, a alegria da atividade, o fazer, o vir a ser, e o controle. Mas isso é alegria delusiva. Vemos o desejo sair e também vemos os seus resultados.
Quando desenvolvemos o insight baseado nesses poderosos estados de concentração, algo como o desejo, em vez de aparecer como uma idéia ou conceito, aparece como um animal ou criatura que emerge da mente para sair. Vemos isso muito claramente; também podemos entender muito claramente os perigos. A mente grosseira pode ver apenas o que é grosseiro e superficial. A mente sutil, no entanto, pode ver o sutil. (fonte: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/presenca_nibbana.php)


Esse é o caminho que o Buddha indicou. Quem entende, por fim, a realidade completamente, desapega. Não alimenta mais o desejo. Transita pelo Samsara apenas por generosidade. Até que tudo venha a cessação. Isso é Nirvana.

Portanto, não é que as coisas condicionadas sejam ilusão. As coisas condicionadas são reais, só não as vemos como tais, como condicionadas. Não profundamente, pelo menos.

Esses textos sobre impermanência e desejo, se você for ver, todo mundo entende. Todo mundo consegue entender, até concordar, que os fenômenos são impermanentes, e que portanto não devemos cultivar apego e desejo a essas coisas. Aí lemos esses textos, nos inspiramos, acompanhamos o raciocínio... e dali a pouco já estamos nos apegando a um pensamento de raiva como se fosse o fim do mundo, ou nos pegamos quase dando a vida para poder tomar um sorvete, por exemplo. De repente a mente já se perde de novo. Isso é uma mente que não penetrou profundamente. Porque a mente que realmente vê como na verdade é, perde o interesse, perde o apego, perde a ignorância, não se engana mais. Essa mente que não se engana mais, se liberta. 

Portanto, Insight é muito diferente de raciocínio intelectual. Insight é algo tão marcante, que muda totalmente a forma da mente agir. É como se nos víssemos mendigando centavos, sendo que temos uma bolsa cheia de pedras de ouro. Qual o sentido em continuar mendigando? Simplesmente não faz sentido. Não tem mais porque continuar fazendo isso.

É mais ou menos a mesma coisa que acontece à medida que a sabedoria vai despertando no coração. A mente vê as coisas como realmente são, e então não faz mais sentido correr atrás delas. A mente simplesmente compreende que antes ela se apegava as coisas simplesmente porque não enxergava a figura completa.

Nada disso é esotérico. Conforme afirmam alguns monges categoricamente, "Iluminação existe" rsrs... Nada mais é do que uma mente que entendeu qual a dinâmica por trás do desejo que sempre nos tem enganado. O que você acha?

Nirvana existe. O caminho não é um fim em si mesmo. O caminho é um caminho, que leva a um fim. E esse fim só pode ser totalmente compreendido quando se chega até ele.  Feliz
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Mensagem Seg 1 Maio 2017 - 22:06

arnon.cardoso escreveu:
sou novo na meditação, estou praticando a um mês mais ou menos
as vezes minha mente está tão perturbada que acabo desistindo da pratica 
más também percebo que estou evoluindo nesta questão de apenas observar o que se passa na minha cabeça, e quando consigo apenas observar o que se passa e não me envolver com os pensamentos sinto uma enorme alegria e satisfação

Olá arnon. Realmente o ponto está não tanto no que você está experienciando, mas no que você está cultivando. É o tal do Amor Incondicional. Independente do que se manifestar na sua mente, seja carinhoso, seja paciente, seja acolhedor. 

Na meditação, temos de parar de ser reativos. Gosto de usar o símile de uma mão.

Reatividade é assim: quando vemos algo que gostamos, a mão vai lá e agarra. Quando vemos algo que não gostamos, a mão se fecha e soca, esmurra, tenta estabanar aquilo para longe rsrs... Assim somos mesmo quando queremos o silêncio. Se surgem pensamentos e distrações na mente, nos fechamos, tentamos forçar a mente a se calar, e vamos ficando mais raivosos e irritados. Isso não é meditação.

Meditação é desapego, ou abrir mão. É uma mão permanentemente aberta e acolhedora. Qualquer coisa pode passar por essa mão, que ela não vai se fechar para pegar ou socar. Ela simplesmente permanece aberta, receptiva, acolhedora. Podem passar pensamentos atraentes, repulsivos, irritantes, enfadonhos, tediosos, engraçados... não importa... a mão simplesmente permanece ali, aberta, deixando esses pensamentos virem e irem.

Porque o ponto não é o que se passa sobre a mão, mas é o próprio ato de manter a mão aberta.

Ou melhor: o ponto não é o que se passa na sua mente, mas qual atitude você cultiva para o que se passa na sua mente.

E sabe qual o efeito disso ao longo do tempo? O que você cultiva, se fortalece. O que você deixa passar, enfraquece. 

Assim, os pensamentos de ansiedade, de raiva ou de desejo vão enfraquecendo. E as atitudes de paciência, generosidade e atenção vão se fortalecendo. É assim que treinamos nossas mentes a serem mais gentis e também mais atentas, para o desenvolvimento de qualidades mentais bem como da sabedoria.

Outro símile interessante para compreender a meditação é do copo de água:
Postei nesse tópico do fórum: http://sangha-online.forumeiros.com/t21-video-o-simile-do-copo-e-da-mente


Uma frase que as vezes coloco no final das minhas mensagens é: paz na suas intenções, mesmo que não haja paz nas experiências!  Grato
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Ítalo B de M

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Mensagem Ter 2 Maio 2017 - 9:54

Ola!

Realmente, admin, o caminho espiritual não é tão simples como parece. 
Creio que isso que tu colocastes corrobora a importância de um guia, um mestre.

Alguém que te oriente e "te de um tapa na cara" se estiveres muito deludido e que possa ajudar a abrir os nossos olhos para as ilusões.

Seus textos me ajudaram muito. Acho que eu estava muito me fixando nos dois extremos do êxtase meditativo: ou te-lo como um norte ou esquece-lo e considerar, isto também, uma ilusão.
Foste brilhante ao afirmar que devemos cultivar as causas virtuosas dessas experiências: o desapego e a virtude. Consequentemente, a boa prática meditativa virá, e, se não vier, não tem problema :)

É a primeira vez que me vejo em uma especie de bifurcação no meu caminho espiritual dentro do budismo.
Creio que a sua explicação venha de encontro com a linhagem budista na qual você se abrigou, o Theravada.
Vejo diferenças na forma com que o Theravada e o Zen (linhagem que tenho mais proximidade) abordam algumas questões.

Já conhecia algumas diferenças na teoria, mas, agora, estou vivenciando-as.
Parece-me que o Theravada, em se tratando da prática meditativa, traz um enfoque muito forte na importância da virtude.
É algo que eu nunca me atentei.

O Zazen, a meditação Zen, se atem mais naquele momento de silêncio. Na desconstrução das condicionantes mentais, buscando a compreensão completa do Vazio.

Mas como não se empolgar com um momento de Kenshô (êxtase meditativo breve, porém intenso)?
Realmente, sem a orientação direta de um mestre, fica muito dificil reagir a tal situação (inclusive identificar o que realmente ocorreu), podendo acontecer o que, talvez, tenha acontecido comigo: este Kenshô me colocou em um ciclo, por conta da minha própria ignorância e da minha incapacidade de lidar com isso.

Muito interessante a sua diferenciação entre ilusão e delusão. Achei perfeita a sua colocação e concordo com ela. Talvez a delusão possa ser ainda mais perigosa que a ilusão, não é? :)

No fim, é tudo uma questão de sabedoria, de percepção, compreensão perfeita. A medida que o tempo passa e a prática evolui, fico mais certo disto.
Não é uma busca por algo, um momento, ou um estado de espirito. Nem mesmo é uma busca pela felicidade. Felicidade também é momento  Feliz
E momentos são impermanentes, assim como toda a vida.

Creio ser uma busca pelo despertar para a realidade. Algo muito maior do que almejar a felicidade ou uma boa meditação.
A felicidade é triste, pois passa.
Assim como a tristeza  Sorridente

Vejo no budismo um caminho para uma nova forma de percepção. Perceber a realidade como ela é. Livre de condicionantes, apegos ou desejos.
Livre de sofrimento.  Muito feliz
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