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 Peculiaridades e Diferenças entre as Escolas

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Júlio Melo .'.

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Mensagem Qui 19 Set 2013 - 17:25

Saudações à todos,

Segue algumas de minhas dúvidas e peço que usem do post tanto para responder como para lançarem suas próprias perguntas sobre o tema, caso algum dos colegas saiba responder às minhas indagações só tenho a agradecer...

.Quais são as principais diferenças no método de abordagem empregado entre o Budismo Theravada, Tibetado e Zen?

.Pelas pesquisas que fiz a internet, o budismo Theravada não faz uso de mantras e do mala, esta informação procede? 

.Dizem ainda que é o mais tradicional, ortodoxo e conservador, sendo muito pouco o ensinamento que chega aos ditos leigos, que não são monges e não passaram pela Ordenação.

.Os Devas e outros seres sencientes são observados em todas as escolas ou apenas na Tibetana?

.É verdade que o Zen Budismo não partilha da ideia contida no Renascimento ou Reencarnação, tratados nas outras escolas?

. Sendo o Zen Budismo uma linha que trata da busca pela realidade, onde os praticantes sempre estão a meditar, no caso de Soto a utilizarem a meditação voltada à parede e nos Rinzais utilizando os Koahs não é complicado para leigos que não possuam contato direto com um mestre/professor?

.As Escrituras e textos de cada escola são iguais ou cada escola possui seus escritos?

Enfim, foram muitas perguntas mas espero ansioso pelo auxilio de todos. Obrigado desde já!

Fraternalmente,
Júlio César Oliveira de Melo .'.
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Mensagem Qui 19 Set 2013 - 22:45

Olá Júlio! Responder essas perguntas será enriquecedor! Antes, porém, gostaria de compartilhar com você uma coisa que Ajahn Brahm disse uma vez: "Todas as Escolas do Budismo são o mesmo bolo apenas com coberturas diferentes." O que ele quis dizer é que a essência do Budismo (4 Nobres Verdades, Nobre Caminho Óctuplo, Impermanência, Origem Dependente) se encontra basicamente em todas as Escolas. A questão é que cada uma aborda de uma maneira diferente, e por isso muitos mestres gostam de dizer que as Escolas são como diferentes caminhos para se chegar a uma cidade, Nirvana. Apesar disso, acho que a cobertura conta muito, porque algumas Escolas distorcem ou complicam algumas coisas, o que depende de cada praticante também... De qualquer forma, você verá isso por si mesmo, mas espero que essa "introdução" seja útil. Tem outra coisa que preciso introduzir, apesar que parece que você pesquisou bastante, mas preciso estar seguro de que você sabe o contexto histórico do Budismo para responder algumas perguntas suas.
Basicamente, depois da morte do Buda em algumas reuniões com os monges, algumas divergências inicialmente nas regras monásticas e posteriormente nos ensinamentos dividiu os monges que formaram várias Escolas (isso uns séculos a.C.). Pouco depois do nascimento de Jesus, começaram a surgir as Escolas Mahayana, que alegavam que algumas outras (em especial a Sthaviravada) seguiam o caminho mais baixo, o caminho de Arahant, porque ele buscava a iluminação para si próprio deixando os outros seres para trás - isso é meio complicado, porque se para o Arahant não há Eu (Anatdta), como ele busca a iluminação para "si mesmo"? Assim, essas outras Escolas foram chamadas de Hinayana. Maha é Grande, Yana é Veículo. Hina é um termo bem pejorativo, significando baixo, vil, vulgar.
É importante ressaltar que a Theravada, contemporânea da Sthaviravada e de outras 15 Escolas, aproximadamente, não foi envolvida nessas "brigas", pois ela sequer é citada nos Suttas Mahayana que retratam essa época, na verdade, Theravada saiu da Sthaviravada. Uma parte da Sthaviravada foi para o Sri Lanka e lá o nome passou a ser Theravada, então não houve muito envolvimento. Bem, com o passar de algum tempo, praticamente todas as 17 Escolas Budistas a.C. desapareceram, exceto a Theravada, a única que se manteve até hoje.
Da Mahayana, surgiram várias linhagens que se espalharam na China e Japão, especialmente como Terra Pura, Chan/Zen, Nitiren, e a Vajrayana, no Tibete.
A Theravada, praticamente a única escola a.C. da atualidade, preserva o Cânone em Páli, os escritos mais antigos do Budismo que retratam vários discursos dados pelo Buda. O Mahayana veio com novos Suttas d.C. em sânscrito (língua contemporânea do páli), que não foram aceitos pelos Theravadins como palavras do Buda. Isso envolve o Sutra de Lótus (esse pode ter sido 100 anos a.C. a 100 d.C.), Prajnaparamita, entre outros. Bom, vamos às perguntas:
Júlio Melo .'. escreveu:
.Quais são as principais diferenças no método de abordagem empregado entre o Budismo Theravada, Tibetado e Zen?
Na forma de abordar a meditação essas três não apresentam muitas diferenças.
O Tibetano teve algumas influências porque se misturou com algumas culturas xamânicas e afins do Tibete, e por isso a Escola Tibetana é mais "esotérica" e a que tem mais coisas acrescentadas aos ensinamentos do Buda. Budismo Tibetano, Tântrico, Vajrayana ou Mantrayana é tudo a mesma coisa, porque houve uma mistura do Budismo com o Tantra, e Vajrayana significa Veículo de Diamante, isso porque alguns mestres alegaram que o Tantra acelerava o caminho do praticante budista à iluminação.  Mantrayana vem do fato do Budismo Tibetano fazer muito uso de Mantras. O Budismo Tibetano também usa muito das visualizações de Bodhisatvas e Devas (seres divinos que compartilham esse reino de existência conosco assim como animais, fungos e outros seres) para o desenvolvimento de sentimentos positivos, e de acordo com eles isso também acelera o caminho. Apesar disso, essa Escola enfatiza muito o caminho do Bodhisatva, aquele que adia sua iluminação para ajudar os outros seres, em vez do Arahant, que se dedica firmemente até alcançar Nirvana. Logo, um dos termos pelos quais os mantras, visualizações e ameditação gira é em torno de compaixão.
Muitos dizem que o Budismo Tântrico é peculiar por buscar transformar sentimentos negativos em positivos, mas penso que isso é um fundamento já colocado pelo ensinamento do Buda.
Quanto ao Zen e Theravada... Do Zen vou considerar a Soto. Bom, na minha opinião pessoal e particular, essas duas escolas abordam de maneiras muito similares, tanto que eu, que escolhi a Theravada, passei muito tempo entre essas duas para escolher qual Escola seguir. 
Apesar de ser perceptível as similaridades, a forma de passar a mensagem é diferente. O Zen usa muitos paradoxos e enigmas para mostrar como a linguagem e intelectualidade são insuficientes para se iluminar, visto que a prática é essencial. Apesar disso, o Theravada também faz bastante uso disso, só que o Zen realmente foca no uso de enigmas.
Exemplos disso são os famosos Koans, que parecem afirmações absurdas mas que na verdade guardam uma importante verdade por de trás da mensagem paradoxal. Elas ajudam o praticante a abandonar a mente intelectual que busca respostas para apenas meditar e deixar que  amente compreenda o enigma por si mesma.
Além disso, o Zen foca muito em meditação. O próprio nome já diz, Zen significa meditação. O Zen sempre foca na prática, porque apenas estudar não conduz ao Nirvana. Além disso, essa Escola preza muito pela atenção e consciência, sendo muito cerimonial (como é de costume no Japão, onde a Escola nasceu) com eventos cotidianos como comer e lavar roupas, induzindo o praticante a estar atento a toda a atitude, por mais simples que seja.
A diferença que eu vejo entre Zen e Theravada é que essa última é mais metódica. Ela dispõe de vários métodos e sistemas para ajudar o praticante de uma forma mais clara, enquanto o Zen deixa muitas vezes o praticante lidar com certas confusões com prática, prática e meditação.
Como eu disse, Zen foca muito em autoconsciência e meditação. Theravada é mais metódica, organizando assim: Virtude -> Concentração -> Sabedoria. Você precisa ser virtuoso para a meditação fluir, e na meditação a sabedoria floresce.
Júlio Melo .'. escreveu:
Pelas pesquisas que fiz a internet, o budismo Theravada não faz uso de mantras e do mala, esta informação procede?
Dizer que Theravada não faz uso de mantras é um equívoco comum, apesar de que, até onde eu sei, os malas são peculiares ao Budismo Tibetano, mas não os mantras, que já eram ensinados pelo próprio Buda, como pode ser comprovado no [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.].
A questão é que muitos gostam de distorcer a definição de Mantra, dizendo que Theravada só faz uso de frases ou pequenas orações. Em seu sentido etmológico, Mantra significa libertar a mente. Então, qualquer palavra, frase ou pensamento que seja orientado a pacificar a mente ou estimulá-la objetivando a paz pode ser considerado um mantra. Assim sendo, o Budismo Theravada faz uso de mantras sim, apesar de que nenhuma escola as enfatiza tanto como a Tibetana.
O mantra mais comum no Theravada é "Buddho", que é ensinado por muitos mestres como um acompanhamento a Anapanasati (Meditação da Respiração). Você diz "Bud" quando a respiração entra, e "Dho" quando ela sai.
Outro mantra theravada popular pronunciado em páli: "Sabbe satta sukhi hontu", que significa "Que todos os seres possam ser felizes". É um mantra geralmente usado na meditação de Metta, amor bondade. 
É comum os monges também fazerem recitações de alguns suttas, como aquele que se refere a contemplação do corpo. Enfim, os Theravadins também fazem uso de frases e palavras para ajudar no treinamento e libertação da mente.
Júlio Melo .'. escreveu:
.Dizem ainda que é o mais tradicional, ortodoxo e conservador, sendo muito pouco o ensinamento que chega aos ditos leigos, que não são monges e não passaram pela Ordenação.
Sim, como eu disse, é a única Escola de a.C., embora se diga que Mahayana foi citado a.C., só se estruturou mesmo d.C., mas isso não significa que Theravada seja uma Escola fechada e restrita, ela também se modernizou. É que a Theravada realmente é a que mais conserva as tradições dos tempos de Buda, como o uso do manto de cor ocre (nas outras Escolas as cores são diferentes), o hábito de pedir esmolas, a realização de retiros longos em florestas e cavernas, e a busca de isolamento. Apesar dessa seriedade presente no tempo de Buda, a Theravada também é muito aberta a comunidade leiga. Geralmente essas Sanghas têm um horário determinado para o recebimento dos leigos, porque ela preza pelo tempo de os monges poderem praticar, mas ela não isola os leigos como muitas fontes alegam por aí. Pegue o exemplo da Sangha de Ajahn Brahmavamso, na Austrália. Ajahn Brahm é o mestre que eu "sigo". Nos primeiros anos dele, ele era bem isolado, só praticava e não dava discursos - no Theravada, os monges iniciantes  ficam bem isolados justamente para praticarem. Hoje, 40 anos como monge, ele às vezes chega a dar discursos do Dharma em três países diferentes num só dia. Então, o que acontece? A Theravada preza muito que os iniciantes treinem muito e isoladamente no começo e quando estiverem desenvolvidos, eles podem sair à sociedade para divulgar o Dharma. De fato a Theravada preza pelo distanciamento da sociedade para uma boa prática, mas depois que ela é feita, não importa se se está numa floresta ou numa cidade grande, a mente já está bem treinada.
Não vejo os leigos como excluídos ou tendo acesso a poucos ensinamentos. Muitos retiros são promovidos a eles. Ajahn Brahm já ensinou mesmo vários leigos a praticarem os Jhanas que conduzem a visão de vidas passadas. Então, os leigos não são deixados de lado não rs, a visão da Theravada é essa: iniciantes praticam bem restritamente, monges sêniores podem sair mais à sociedade. Além disso, horário fixo para recebimento de leigos. Afinal, ensinar o Dharma é algo muito benéfico a prática de um monge, porque os Theravada não o fariam?
Júlio Melo .'. escreveu:
.Os Devas e outros seres sencientes são observados em todas as escolas ou apenas na Tibetana?
Depende do que você quis dizer com "observados". Toda e qualquer escola considera a afirmação do Buda da existência de Devas. O preceito de não matar nenhum ser senciente é seguido por todas as Escolas. Agora, induzir visualizações de Devas na meditação para o desenvolvimento de sentimentos benéficos é peculiar a escola tibetana e algumas outras Mahayana, se não me engano.
Júlio Melo .'. escreveu:
.É verdade que o Zen Budismo não partilha da ideia contida no Renascimento ou Reencarnação, tratados nas outras escolas?
Não, o Zen partilha sim da ideia de Renascimento. O fato é que o Zen é o mais "aqui e agora", é o que menos preza pelos assuntos metafísicos e cosmológicos. Então, ele não se preocupa muito em falar de Renascimento ou Nirvana, mas não é por isso que não partilhe dessa ideia.
Uma coisa comum no Zen, e mesmo na Theravada eu já vi essa abordagem, é falar do Renascimento "nessa vida". Veja como nós renascemos no mundo dos petas quando estamos com medo, e depois no mundo dos Devas quando estamos pacíficos, e aí no inferno quando estamos com raiva. Veja como nossos apegos nos orientam para vários renascimentos dia a dia e se liberte desse "Ciclo de Renascimentos". Ou seja, faz você ver o renascimento não como uma coisa pós-morte, mas no agora, no dia a dia. Apesar disso, não significa que o Zen e Theravada desconsiderem o Renascimento. Pelo contrário, estão apenas simplificando essa teoria até que o praticante seja capaz de entende-la por si mesmo.
Júlio Melo .'. escreveu:
. Sendo o Zen Budismo uma linha que trata da busca pela realidade, onde os praticantes sempre estão a meditar, no caso de Soto a utilizarem a meditação voltada à parede e nos Rinzais utilizando os Koahs não é complicado para leigos que não possuam contato direto com um mestre/professor?
Para isso não tem jeito... Todas as Escolas vão concordar que um monge tem mais tempo e dedicação a prática do que um leigo. Apesar disso, é comum no Zen os mestres serem bem acessíveis aos leigos, disponibilizando muitas vezes entrevistas individuais para responder as dúvidas dos mesmos. Além disso, os leigos do Zen regularmente participam de retiros e nisso vão aprendendo experiência suficiente para sua prática diária. Então, é mais "complicado" para os leigos do que para os monges em qualquer Escola do Budismo, não só no Zen, porque apesar dessa ser mais no aqui e agora, todas prezam pela prática. Budismo, independente da escola, é prática, não é filosofar ou crer.
Júlio Melo .'. escreveu:
.As Escrituras e textos de cada escola são iguais ou cada escola possui seus escritos?
Theravada só considera o Cânone em Páli, o que veio com o Mahayana é desconsiderado.
Tirando Theravada, sabe-se que todo o resto é encaixado no grupo das Escolas Mahayana, sendo que a Zen e Tibetana se destacam por várias peculiaridades e seguidors. Pois bem, praticamente todas as Escolas Mahayana seguem os Sutras novos, como o Sutra do Lótus - o Nitiren se baseia basicamente nesse.
Mas em algumas escolas dentro do grupo Mahayana há pequenas adições, como no Zen, onde há alguns escritos de mestres como Hui Neng.
Vale ressaltar também que cada Escola usa termos específicos de acordo com a língua no país em que nasceu. No Budismo Tibetano, há vários termos tibetanos, no Zen, japoneses, e assim por diante. Só o Theravada usa uma linguagem morta, o páli.
Apesar disso, as Escolas Mahayana usam vários termos em sânscrito, mas cada uma adicionou também termos da região em que nasceu.
Mas você pode resumir tudo em Theravada x Mahayana. Theravada é só o Cânone em Páli. Mahayana surgem novos Sutras. As Escolas também adicionam novos termos de acordo com a língua do país em que surgiram
Aí surge a dúvida: Mahayana acredita no Cânone em Páli? Basicamente, não tem como uma Escola Budista não acreditar no Cânone em Páli, porque é o registro dos ensinamentos de Buda mais antigos. Como disse o Dalai Lama, do Budismo Tibetano, as escrituras em páli conservadas pela Theravada consistem nos fundamentos dos ensinamentos do Buda.
Qualquer dúvida, à disposição! Espero ter ajudado em algo, respondi na medida do que soube Feliz


Última edição por Administrador em Seg 30 Nov 2015 - 10:18, editado 3 vez(es)
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Júlio Melo .'.

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Mensagem Qui 19 Set 2013 - 23:17

Muito, mas muito obrigado mesmo por cada letra que escreveu como resposta às minhas indagações. Só tenho a agradecer pois me farão pensar e analisar de forma mais precisa cada detalhe que minha mente se ateve a questionar.
 
Com relação à Theravada, acho que o que me influenciou "negativamente" sobre a mesma, foi a leitura que fiz de alguns posts no site que se diz da linhagem Theravada, porém se auto-denomina Budismo Aristocrático: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]. Textos que percebi não ter consistência alguma com qualquer escola que seja do Budismo.
 
Grato por tudo. Fraternalmente,

Júlio César Oliveira de Melo .'.
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Mensagem Sex 20 Set 2013 - 7:18

Júlio Melo .'. escreveu:
Com relação à Theravada, acho que o que me influenciou "negativamente" sobre a mesma, foi a leitura que fiz de alguns posts no site que se diz da linhagem Theravada, porém se auto-denomina Budismo Aristocrático: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]. Textos que percebi não ter consistência alguma com qualquer escola que seja do Budismo.

Eu também li muito esse site, e também fiquei muito inseguro na época.
Algo martelava na minha cabeça de que eu ainda não conhecia a Theravada direito, mas o que eu via era só críticas. Nessa época eu comecei a querer adotar o Zen, mas até essa Escola esse site critica rs.
O que penso desse site, e digo isso não com a intenção de ofender, mas de tentar retratar a realidade, é que o autor é muito crítico, o que o Ajahn Brahm chamaria de uma "mente procuradora de defeitos" rs.
Eu só comecei a conhecer o Theravada mesmo quando comecei a entrar em fontes em inglês. O jeito foi eu entrar em contato com vídeos com os mestres Theravada ensinando, e eu fiquei encantado, porque a forma deles ensinarem, sua forma de agir me remetiam ao que sabemos do Buda no CÂnone em Páli.
Se você quer fontes em português para Budismo Theravada:
[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] - aqui é mais o Cânone em Páli, mas tem textos de mestres Theravada.
[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] - vídeos dos ensinamentos dos mestres.
[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
Tem o Nalanda também.

Eu fiquei encantado com Ajahn Chah, tem algumas coisas dele aqui no Fórum rsrs...
Depois de muito tempo de pesquisa, passei a achar (claro, é pura especulação da minha parte) que ele era o exemplo de um Arahant, de um iluminado. A partir daí passei a seguir a Tradição das Florestas da Tailândia da Escola Theravada, seguindo atualmente um dos seus discípulos, Ajahn Brahmavamso. Você pode ler um discurso dado por ele que eu traduzi: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

O que eu penso é duas coisas: não temos certeza de quem escreveu o Cânone e nem do que é sér um Buda. Muitos Mahayanistas criticam o Theravada e acham o Cânone vulgar porque fala coisas como "mulheres não podem ser Budas perfeitamente iluminadas", ou seja, você pode ser mulher agora e numa vida futura ser um Buda, mas nessa vida de Buda será um homem...
Outra coisa é que há um sutta em que Buda diz que poderia viver muito mais tempo para ensinar... Mas aí acontecem algumas coisas e ele decide entrar em Parinirvana... E a história do Mahayana de que Bodhisatvas e Budas abandonam a própria iluminação pelo bem dos outros?
Eu penso que o Mahayana tenta suavizar muitas coisas, e isso a torna popular. Só que tem muitas coisas que não conseguimos entender... Mesmo os Arahants não podem entender completamente um Buda.
Eu olho para monges Theravada sêniores bem estudados e não vejo dúvida ou medo, vejo paz... Como grandes estudiosos do Cânone leem esses tipos de coisa e não se sentem confusos? Eu penso que certas coisas que podem parecer até "pessimistas" (adjetivo muito comum a Theravada) no Cânone não podem ser compreendidas por pessoas que nem tiveram o insight de Sotapanna, entrar na correnteza para a Iluminação. O Buda fez coisas muito enigmáticas que estão além de apenas "salvar os outros". No Cânone, o Buda diz que sua intenção não é bem "salvar todos os seres". O que ele disse foi que a porta estava aberta para aqueles que quisessem entrar, mas nem que ele viva vários Éons, podem existir seres que não se interessem por Nirvana.
Além disso, eu acho outra distorção dizer que Arahant é egocêntrico. Um Arahant só é Arahant porque desmantelou a ilusão de um ego, então como egocêntrico?
Há sim monges muito isolados no Theravada... Só que foi aquilo que eu disse, geralmente isso é só no começo. Ajahn Chah, como exemplo, que não só eu mas vários dos discípulos dele acreditavam que ele era um Arahant, passou anos vivendo em florestas e cemitérios, perambulava pelas selvas da Tailândia meditando. Depois disso, passou anos ensinando os outros e construindo Escolas, tanto que seus discípulos estão em Portugal, Inglaterra, Austrália... E muitos ainda dizem que a Theravada é ortodoxa e isolada? Esse isolamento é parte da prática...

O que eu penso é que há muita distorção, e que as Escolas Mahayana geralmente são mais atrativas porque suavizam muitas coisas, enquanto a Theravada deixa essas coisas na dúvida e só te passa o método para ver por si mesmo. Por isso que eu falo que Theravada e Zen são semelhantes, só que a Zen é menos metódica, como eu disse.
De qualquer forma, vá pesquisando e perguntando, só achei que seria útil compartilhar algumas coisas que concluí nos meus estudos dessas críticas contra a Theravada rs...
E como diz Ajahn Brahm, Bodhisatvayana e Arahantyana são o mesmo caminho, e não caminhos diferentes. A melhor coisa que você pode fazer por si mesmo é ajudar aos outros. A melhor coisa que você pode fazer aos outros é se iluminar. A melhor coisa para se iluminar é ajudar aos outros. É um ciclo. E também, se você alcançar um insight forte de Não-eu (Anatta) e alcançar o estágio de Sotapanna, não depende de você escolher quando vai se iluminar. A partir daí, de acordo com vários mestres, é inevitável.
Aí vem mestres e dizem que não sabemos quem escreveu o Cânone, apesar de os registros apontarem que foram Arahants. Então, por que mulher não pode ser Buda? Por que discriminação a outras castas? Aí fica difícil, porque precisa de muita interpretação... Além disso, e se foram Arahants que escreveram o Cânone mesmo?
O que quero dizer é que certas coisas só vamos entender quando alcançarmos certa sabedoria, não adianta suavizar, falar que mesmo um Buda é influenciado pelos preconceitos da sociedade e esses tipos de coisa... Isso é o que eu penso. Por isso que o Zen fala para você praticar. Não é distorcer sua intelectualidade, como já li no Budismo Aristocrático, é usar as orientações básicas dos Suttas para compreendê-los completamente na prática.

De qualquer forma, continue estudando pacientemente e vá perguntando. Ajudarei na medida do possível!
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Júlio Melo .'.

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Mensagem Sex 20 Set 2013 - 22:56

Nossa, é tanta pesquisa que termino me esquecendo de alguns detalhes que vi.

Criei um tópico a perguntar sobre dois sites e quando retorno para as suas respostas, vejo que o amigo já havia indicado os sites.

Mas reforço a pergunta de outrora:
Li que o Zen Budismo, por exemplo, traz consigo praticar intensar de meditação (o que é basicamente a estrutura da Escola), horários específicos para a meditação na manhã, tarde e noite, horários exatos para dormir e acordar, de certa forma praticas para melhorar o dia-a-dia do budista. Gostaria de saber se existem tais métodos na Escola Theravada, assim como a forma correta de meditar e em que posição se deve estar.

Não tenho outra palavra a dizer, se não, Obrigado!

Fraternalmente,
Júlio César Oliveira de Melo .'.
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edward

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Mensagem Sab 21 Set 2013 - 4:15

Fico muito inseguro com a escola ZEN o que fazer?
Muitos paradoxos,ê complicado quando nao consigo entender algo isso fica martelando na minha cabeca. :/
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Júlio Melo .'.

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Mensagem Sab 21 Set 2013 - 6:56

Saudações, meus amigos,

Penso que deve ser complicado inicialmente saber trabalhar com esse método, mas se é esta Escola que pretende seguir diariamente e pela vida deve começar a acostumar-se com a técnica. A diga de iniciante que dou (mesmo sem estar me dirigindo ao Zen como o amigo deve estar) é de não focar toda a mente nos paradoxos, pois como sabemos tais técnicas são utilizadas exatamente para mostrar que nem tudo pode ser respondido pelo intelecto, "martelar" isso na sua cabeça como disse que esta acontecendo, o amigo esta fazendo o caminho contrário. A meu ver, o amigo deve tentar deixar fluir a ideia contida no paradoxo, de forma que seu subconsciente e até sua consciência objetiva projete a ideia de que aquela resposta virá de forma intuitiva, natural e não por vias de raciocínio puro. Será resolvido pelo viés da meditação mente-corpo e não exatamente pelos processos mentais de raciocínio. 

Espero ter ajudado de alguma forma. Grande abraço!

Fraternalmente,
Júlio César Oliveira de Melo .'.
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Mensagem Sab 21 Set 2013 - 8:19

Quanto a relação da metodologia Zen e Theravada... a Theravada tem bastante horários certos aos monges, mas não aos leigos. Devido aos vários estilos de vida leigos, a Theravada não dá muitas exigências aos mesmos. Na meditação, é importante que no início se haja um certo comprometimento e esforço para que o praticante medite todos os dias, mas com o tempo é importante parar de ter apenas horários fixos e aprender a meditar por prazer, por gostar de meditar, senão a mente não se sentirá leve para progredir.
O ponto chave da posição meditativa é coluna ereta. Na verdade, praticamente todas as Escolas enfatizam as posições destacadas no vídeo do tópico [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]. A posição depende da condição física da pessoa. O ideal é sentar de pernas cruzadas, mas se não for possível pode se sentar numa cadeira. Na posição de pernas cruzadas, o ideal é posição de Lótus inteira: pé direito sobre coxa esquerda, e depois pé esquerdo sobre coxa direita. Senão, pode fazer Lótus pela metade: só o pé direito sobre coxa esquerda e a outra perna embaixo (no Zen acho que é o contrário, primeiro é o pé esquerdo sobre coxa direita, mas são meros detalhes).
Se ainda for difícil, você pode fazer a posição birmanesa. Sente numa almofada relativamente alta, e então dobre bem uma perna para colocar o calcanhar bem próximo da virilha, e depois a outra perna você coloca a frente, com o pé tocando o outro joelho. Essa é a posição birmanesa:
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Quanto a Escola Zen, basicamente foi o que o Júlio disse Edward. Não tente entender os enigmas com sua mente intelectual. Simplesmente diga: "Entendi" ou "Não entendi". Aquele que você não entendeu, você pode vir a entender depois.
O foco dos Koans é realmente você conseguir responde-los por "intuição". Uma coisa curiosa no Budismo é que as vezes você encontra a melhor solução quando não a procura, e isso é uma coisa ensinada no Zen. No Zen Budismo, você se senta para meditar e mentaliza um Koan. Depois, você solta o Koan, e apenas fica meditando, se desapegando, sem buscar a resposta para ele. A resposta pode acabar surgindo do nada, sem que você espere.
Por que isso acontece? Um bom exemplo é quando queremos nos lembrar de algo. Isso é um evento tão comum na vida das pessoas, e ninguém percebe o grande fato psicológico por detrás disso. Quando você quer se lembrar o nome de alguém, como exemplo, e você não se lembra, você começa a forçar a mente a se lembrar. E o que as pessoas dizem: "Quanto mais você tenta lembrar, mais difícil fica.", isso porque forçar a mente a se lembrar só a deixa tensa. O que acontece? Você desiste. E só quando você não quer mais se lembrar, aí de repente você se lembra. Por quê? Porque você parou de deixar a mente tensa e relaxou, desapegou. Aí a mente ficou mais pura e calma para analisar a situação, compreendê-la e encontrar a solução mais sábia e pacífica.
Então, os Koans servem para você se desapegar um pouco da sua intelectualidade, desenvolver sua paciência e a aprender a se desapegar. No Budismo, começamos a ficar conscientes de quantas pedras estamos carregando. Aí nos dizem para nos desapegarmos, mas não queremos: eu vou ficar sem nenhuma pedra? De jeito nenhum! Então, você continua as carregando, por mais torturante que isso possa ser. Você continua tentando responder aquela pergunta, e quanto mais você tenta, mais ela martela na sua cabeça. Só quando você desiste dos seus apegos e larga as pedras, aí você compreende o que desapego significa. Você se sente relaxado, e pode ser que de repente a resposta apareça. Então, uma coisa importante no Budismo é você aprender a praticar, a se esforçar, mas ao mesmo tempo aprender a relaxar de forma devida. Pare de forçar muito a mente, lembre-se do que o Buda disse: meditar é como afinar um instrumento musical. Você está forçando muito a corda do seu instrumento. Se continuar assim ela vai arrebentar. Desista disso e afrouxe-a um pouco. Relaxe e desapegue-se. Nirvana é justamente isso: você só o alcança quando o desejo por ele já não é forte. Aresposta de um Koan ou se lembrar de um nome de alguém é a mesma coisa.
Pare de ficar com medo de ficar sem nenhuma pedra. Esse é o medo de Anatta (não-eu). Não queremos ficar sem nada, queremos possuir algo. Mas uma hora você vai se cansar disso, então largue agora.
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edward

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Mensagem Dom 22 Set 2013 - 2:34

Muito obrigada gente, vou praticar e desapegar.
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Peculiaridades e Diferenças entre as Escolas

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