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 Por que existe sofrimento ?

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AutorMensagem
Letícia Torres

Discípulos
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Feminino
Idade : 18
Define-se budista? : Não
Mensagens : 6

Mensagem Sab 10 Jan 2015 - 11:35

Oi gente, eu gostaria de saber por que o sofrimento existe... Por que existe tanta injustiça no mundo? Sabe, quando estou triste eu tento fazer coisas que me deixam feliz, mas eu penso: será que não estou sendo egoísta? Sabe, como vocês conseguem ficar em paz consigo mesmos, sabendo que tem idosos sendo espancados, crianças levando tiros, animais sendo esfaqueados? Eu não consigo ficar em paz, porque se eu vou comer, eu penso nas pessoas que estão passando fome, se eu vou fazer carinho no meu cachorro eu penso nos milhares de cachorros sofrendo, sabe qualquer coisa vai remeter a um tipo de sofrimento, eu posso até tentar não ligar pra isso e tentar ser feliz, mas será q n estaria sendo egoísta... eu não entendo esse mundo, por que o mundo é um lugar horrível onde muitos sofrem muito, eu só queria que ninguém sofresse
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Mente Purificada

Discípulos
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Masculino
Idade : 27
Local : Teresópolis - RJ
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 88

Mensagem Sab 10 Jan 2015 - 13:37

Olá! Não sei ao certo como responder a sua pergunta. Penso que é muito difícil entender o 'porquê' das coisas. De acordo com o Budismo, a natureza de todos os fenômenos é vazia. Portanto, não há explicação para as tragédias e misérias do mundo.

Isso me fez lembrar de um belo ensinamento de Thich Nhat Hanh:
"Isto é porque aquilo é. Isto não é porque aquilo não é. Isto é deste jeito, porque aquilo é daquele jeito". Este é o ensinamento budista sobre a Gênese.

---
Rosa e lixo
 
Impuro ou imaculado. Sujo ou puro. Estes são conceitos que formamos em nossa mente. Uma bela rosa que recém cortamos e colocamos em um vaso é imaculada. Ela cheira tão bem, tão pura, tão fresca. Ela traduz a idéia de ser imaculado, O oposto é uma lata de lixo. Cheira muito mal e está cheia de coisas em putrefação.
 
Porém, isto é apenas quando você olha superficialmente. Se você olhar mais profundamente, você verá que, em apenas uns cinco ou seis dias, a rosa se tornará parte do lixo. Você nem precisa esperar cinco dias para ver isto. Se você simplesmente olhar para a rosa, olhar profundamente, pode ver isto agora. E, se você olhar dentro da lata de lixo verá que em uns poucos meses seu conteúdo poderá transformar-se em adoráveis vegetais, e até mesmo em uma rosa. Se você for um bom jardineiro orgânico e tiver os olhos de um bodhisattva, olhando para a rosa, poderá ver o lixo, e olhando para o lixo, poderá ver uma rosa. Rosas e lixo intersão. Sem uma rosa não podemos ter lixo; e, sem o lixo, não podemos ter uma rosa. Elas precisam muito um do outro. A rosa e o lixo são iguais. O lixo é tão precioso quanto a rosa, na mesma medida. Se nós olharmos profundamente para os conceitos de impureza e pureza, seremos remetidos para a noção de interser.
 
No Majjhima Nikaya, há uma pequena passagem sobre como o mundo surgiu. É muito simples, muito fácil de entender e, no entanto, muito profunda: "Isto é porque aquilo é. Isto não é porque aquilo não é. Isto é deste jeito, porque aquilo é daquele jeito". Este é o ensinamento budista sobre a Gênese.
 
Na cidade de Manila há muitas jovens prostitutas, algumas delas com apenas quatorze ou quinze anos de idade. Elas são mocinhas muito infelizes. Elas não queriam ser prostitutas. Suas famílias são pobres e estas jovens meninas vieram para a cidade procurar por algum tipo de trabalho, como vendedoras de rua, para conseguir dinheiro e remetê-lo para suas famílias. Claro que isto não ocorre apenas em Manila, mas na cidade de Ho Chi Minh no Vietnam, em Nova York e em Paris também. É verdade que na cidade você pode conseguir dinheiro mais facilmente do que no campo, então nós podemos imaginar como uma jovem menina pode ter sido tentada a ir até lá para ajudar sua família. Mas, depois de algumas poucas semanas ali, ela foi persuadida por alguma pessoa esperta a trabalhar para ela e ganhar talvez cem vezes mais dinheiro. Pelo fato de ser tão jovem, e não saber muita coisa sobre a vida, ela aceitou e se tornou uma prostituta. Desde aquele momento, ela carrega o sentimento de ser impura, suja, e isto lhe causa grande sofrimento. Quando ela olha para as outras meninas, belamente vestidas, pertencentes a boas famílias, um sentimento horrível cresce nela, e este sentimento de impureza transforma-se no seu inferno.
 
Porém, se ela tivesse uma oportunidade de encontrar-se com Avalokita, ele lhe diria para olhar profundamente para si mesma e para toda a situação e ver que ela está deste jeito porque outras pessoas estão daquele outro modo. "Isto é assim, porque aquilo é 'assado'." Então, como pode uma assim chamada "boa garota", pertencente a uma boa família, ser orgulhosa? Porque o seu modo de vida é assim, o da outra menina tem que ser daquela outra maneira. Entre nós, ninguém tem as mãos limpas. Ninguém pode afirmar que isto não é nossa responsabilidade. A garota em Manila é daquele jeito por causa do modo como nós somos. Olhando para dentro da vida daquela jovem prostituta, nós vemos as pessoas não-prostitutas. E, olhando para as pessoas não-prostitutas, e para a maneira como vivemos nossas vidas, nós vemos a prostituta. Isto ajuda a criar aquilo, e aquilo ajuda a criar isto.
 
Vamos olhar para a opulência e a miséria. A sociedade opulenta e a sociedade carente de tudo intersão. A opulência de uma sociedade é feita da miséria da outra. "Isto é assim, porque aquilo é como é." A riqueza é feita de elementos não-riqueza, e a pobreza, de elementos não-pobreza. E exatamente o mesmo que com a folha de papel. Então, nós precisamos ser cuidadosos. Não deveríamos nos aprisionar em conceitos. A verdade é que cada coisa é todas as demais coisas. Nós só podemos interser, não podemos apenas ser. E nós somos responsáveis por tudo o que acontece à nossa volta. Avalokitesvara dirá para a jovem prostituta: "Minha criança, olhe para você mesma e você verá tudo. Porque as outras pessoas estão daquele jeito, você está assim. Você não é a única pessoa responsável, então por favor, não sofra." Somente olhando com os olhos do interser é que aquela jovem menina pode libertar-se do seu sofrimento. O que mais você pode oferecer a ela para ajudá-la a ser livre?
 
Nós estamos aprisionados por nossas idéias de bem e mal. Nós queremos ser somente bons, e remover tudo que é mau. Mas isto ocorre porque esquecemos que o bem é feito de elementos não-bem. Suponha que eu esteja segurando um adorável ramo. Quando olhamos para ele com uma mente não-discriminativa, vemos este maravilhoso ramo. Porém, assim que distinguimos que uma ponta é a esquerda e a outra é a direita, nós temos um problema. Nós podemos dizer que queremos apenas a esquerda, que não queremos a direita - como vocês ouvem freqüentemente -, e imediatamente surge um problema. Se o "direitista" não estiver lá, como pode você ser um "esquerdista"? Vamos dizer que eu não queira a ponta direita deste ramo, só quero a da esquerda. Então, eu quebro na metade esta realidade e a jogo fora. Mas, tão logo eu tenha jogado a metade não desejada fora, a ponta que permanece se torna direita - a nova direita. Porque desde que a esquerda esteja lá, a direita deve também estar. Eu posso ficar frustrado e tentar novamente. Eu quebro o que sobrou do meu ramo pela metade e mesmo assim tenho a ponta direita aqui.
 
O mesmo pode ser aplicado ao bem e ao mal. Você não pode ser apenas bom. Você não pode esperar remover o mal, porque graças ao mal, o bom existe, e vice-versa. Quando você encena uma peça teatral relacionada a um herói, você precisa providenciar um antagonista para que o herói possa ser um herói. Assim, o Buda precisa de Mara para assumir o papel de mau para que o Buda possa ser um Buda, O Buda é tão vazio quanto a folha de papel; o Buda é feito de elementos não-Buda. Se não-Budas como nós não estivessem aqui, como poderia haver um Buda? Se os "direitistas" não estiverem ali como poderemos chamar alguém de "esquerdista"?
 
Na minha tradição, toda a vez que junto as palmas das mãos para fazer uma profunda reverência ao Buda, eu canto este versinho:
 
Aquele que se inclina e presta respeito,
E aquele que recebe a reverência e o respeito,
Ambos são vazios.
Por isso é que a comunhão é perfeita.
 
Não é arrogante dizer isto. Se eu não for vazio, como posso prostrar-me para o Buda? E se o Buda não for vazio, como pode receber minha reverência? O Buda e eu intersomos. O Buda é feito de elementos não-Buda, como eu. E eu sou feito de elementos não-eu, como o Buda. Assim, o sujeito e o objeto de reverência são ambos vazios. Sem um objeto, como pode existir um sujeito?
 
No Ocidente, vocês têm lutado por muitos anos com o problema do mal. Como é possível para o mal estar ali? Parece que é difícil para a mente ocidental compreender. Mas, sob a luz da não-dualidade, não há problema: Tão logo a idéia do bem esteja ali, a idéia do mal estará lá também. O Buda precisa de Mara a fim de revelar-se e vice-versa. Quando você perceber a realidade desta maneira, você não discriminará contra o lixo em beneficio de uma rosa. Você apreciará a ambos. Você precisa tanto da direita quanto da esquerda para ter um ramo. Não tome partidos. Se você toma partido, você estará tentando eliminar metade da realidade, o que é impossível. Por muitos anos, os Estados Unidos tentaram descrever a Rússia como o lado mau. Alguns americanos até mesmo tiveram a ilusão de que eles poderiam sobreviver sozinhos, sem a outra metade. Porém, isto é o mesmo que acreditar que o lado direito pode existir sem o lado esquerdo.
 
E este mesmo sentimento existe na Rússia. Os americanos imperialistas, é dito, estão do lado mau e devem ser eliminados para haver possibilidade de felicidade no mundo. Mas, esta é a forma dualista de ver as coisas. Se nós olharmos para a América muito profundamente, nós vamos ver a Rússia. Se nós olharmos profundamente para a Rússia, veremos a América. Se nós olharmos profundamente para a rosa, nós veremos o lixo; se nós olharmos profundamente para o lixo, veremos a rosa. Nesta situação internacional, cada lado finge ser a rosa, chamando o outro lado de lixo.
 
Então a idéia está clara de que "Isto é, porque aquilo é." Você tem que trabalhar pela sobrevivência do outro lado se você mesmo quer sobreviver. E realmente muito simples. Sobreviver significa a sobrevivência da humanidade como um todo, não só uma parte dela. E nós sabemos agora que isto deve ser consumado não somente entre Estados Unidos e Rússia, mas também entre o Norte e o Sul. Se o Sul não puder sobreviver, então o Norte vai sucumbir. Se os países do Terceiro Mundo não podem pagar suas dívidas, haverá sofrimento aqui no Norte. Se você não cuidar do Terceiro Mundo, o seu bem-estar não vai durar muito e você não será capaz de continuar vivendo da mesma forma por muito tempo mais. Isto já está ficando mais do que evidente.
 
Então, não espere eliminar o lado mau. E fácil pensar que estamos do lado bom e que o outro lado é mau. Mas, a opulência é feita de miséria, e a miséria é feita de opulência. Esta é uma visão muito clara da realidade. Nós não precisamos ir longe para ver o que temos de fazer. Os cidadãos da Rússia e os cidadãos dos Estados Unidos são apenas seres humanos. Nós não podemos estudar e compreender um ser humano apenas por estatísticas. Você não pode deixar a tarefa somente para os governos e cientistas políticos. Você mesmo tem de fazê-la. Se você chegar a uma compreensão dos medos e esperanças de um cidadão russo, então você poderá compreender os seus próprios medos e esperanças. Somente a penetração na realidade pode nos salvar, O medo não pode nos salvar. Nós não estamos separados. Estamos indissoluvelmente inter-relacionados. A rosa é o lixo, e a não-prostituta é a prostituta. O homem rico é a própria mulher pobre e o budista é o não-budista, O não-budista não pode deixar de ser um budista porque nós intersomos. A emancipação da jovem prostituta virá assim que ela puder ver dentro da natureza do interser. Ela saberá que está carregando o fruto do mundo inteiro. E, se nós olharmos para dentro de nós mesmos e pudermos vê-la, nós carregaremos a dor dela, e a dor do mundo inteiro.

Esse texto está disponível aqui.
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Isso também me fez lembrar da segunda nobre verdade, a causa do sofrimento é o desejo e a ignorância.
Encontrei um texto que possa ajudá-la, de autoria de Achaan Budadasa, (A Causa do Sofrimento na Perspectiva Buddhista) :
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Na segunda nobre verdade, Buda ensina que o sofrimento não surge ‘por acaso’, nem é um castigo imposto por um ‘ser superior’ em decorrência de nossos ‘pecados’. Sua origem não está em coisas externas como a sociedade, a política e a economia; estas são causas secundárias, reflexos externos de nossas delusões internas. Para Buda, o sofrimento é causado pelo apego ao desejo e ao intenso ‘querer’ do ser humano, a sede de prazeres físicos, uma ânsia que nunca pode ser plenamente saciada e que, portanto, sempre irá provocar um sentimento de desprazer. O desejo deludido faz com que nos apeguemos à falsa idéia de um ‘eu’ ou ‘ego’, que possui grande apego por felicidade, ganhos, elogios e fama – e não consegue mantê-los – e uma aversão pela tristeza, perdas, críticas e difamação – e nem sempre consegue evitá-las. Para Buda, até mesmo o desejo de sobrevivência do ser humano contribui para manter o sofrimento. Enquanto ele se apegar à vida – e continuar acreditando que tem uma alma -, irá perceber o mundo como sofrimento. O desejo de não existir também causa dor e confirma a ilusão da existência de um ego, pois é baseado na sua existência que a pessoa, frustrada e cansada, deseja aniquilá-lo ou paralisá-lo.

Para o budismo não há nada de errado em ter prazer ou desejos. O erro é nos subjugarmos a eles através do apego, e em vez de sermos senhores de nossa situação, sermos apenas escravos deste apego/aversão. Por exemplo: ao obtermos algo que desejamos ficamos felizes. A realização daquele desejo, preenchendo-o e finalizando-o é a experiência da felicidade. Pela lei da impermanência, esta experiência tem um fim, e pelo apego gerado desejamos reviver aquela felicidade. Só que este desejo pedindo imediata satisfação cria tensão, angústia, medos. Ficamos presos então a uma roda viva de desejos-satisfação-apego-aversão-outro desejo.

Algumas emoções negativas que causam sofrimento: desejo, cobiça, ambição, luxúria, avareza, ganância ou apego (sânsc. kama-raga, páli lobha); raiva, ódio, cólera, agressão, má-vontade ou aversão (sânsc. dvesha, páli dosa); ignorância, confusão, dúvida, ilusão ou delusão (sânsc. avidya, páli moha).

“O ‘querer’ sábio não pode dar origem ao apego. Desta forma, não há apego ao conceito ilusório de ‘eu’ ou ‘meu’ e não há a existência do ‘ego’, nem nascimento do ’ego’. Não há ‘ego’, nem ‘eu’ ou ‘meu’ a surgir. Nada pode, desta maneira, entrar em contato com o ‘eu’, pois sem ‘eu’ não há problema algum na mente”.
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Mensagem Dom 11 Jan 2015 - 14:39

Letícia Torres escreveu:
Oi gente, eu gostaria de saber por que o sofrimento existe... Por que existe tanta injustiça no mundo? Sabe, quando estou triste eu tento fazer coisas que me deixam feliz, mas eu penso: será que não estou sendo egoísta? Sabe, como vocês conseguem ficar em paz consigo mesmos, sabendo que tem idosos sendo espancados, crianças levando tiros, animais sendo esfaqueados? Eu não consigo ficar em paz, porque se eu vou comer, eu penso nas pessoas que estão passando fome, se eu vou fazer carinho no meu cachorro eu penso nos milhares de cachorros sofrendo, sabe qualquer coisa vai remeter a um tipo de sofrimento, eu posso até tentar não ligar pra isso e tentar ser feliz, mas será q n estaria sendo egoísta... eu não entendo esse mundo, por que o mundo é um lugar horrível onde muitos sofrem muito, eu só queria que ninguém sofresse

Olá!  Feliz
Puxa, sua pergunta é muito profunda! rs
Mas sabe... É difícil responder a sua pergunta com o Budismo, porque a visão budista sobre isso é um pouco complexa... Além disso, você está esquecendo de ver que há muita coisa bonita nesse mundo... Já parou para olhar quantas pessoas estão fazendo coisas boas nesse mundo? Já parou para pesquisar sobre os projetos comunitários que estão sendo feitos, sobre as várias pessoas que estão sendo ajudadas por pessoas de muito longe? Há muitas coisas bonitas nesse mundo, não só tristes.
Mas de onde vem essa felicidade e essa tristeza? Vem de dentro das pessoas. São as pessoas que fazem isso. Experimente sentar-se diante de uma janela e olhar para o céu lá fora. Primeiro, simplesmente olhe. Qualquer pensamento que surgir, deixe-o de lado - simplesmente olhe o céu. Depois, imagine-se vendo esse céu com amor, reconhecendo imagens nas nuvens. Depois, imagine-se vendo o céu com raiva, tendo ódio do tempo - esteja frio ou calor -, dos pássaros fazendo barulho, ou da chuva que não vem. 
Agora pense - cada forma de ver vem de dentro de você. O céu continua sendo simplesmente o céu. As nuvens continuam se desmanchando no ar, o planeta continua girando, mas você pode ver tudo das mais variadas formas - com admiração, com amor ou com raiva. As coisas no mundo simplesmente são como são. Nascem, crescem e morrem. Não há problema nisso - nós é que tornamos isso um problema. O problema está dentro das pessoas.

Então, se você quer mudar o mundo, vocÊ está olhando as coisas da perspectiva errada. Não é o mundo o problema, é como as pessoas se relacionam com o mundo. E não dá para uma pessoa mudar cada uma das outras pessoas de dentro para fora. Esse desejo que você tem só vai te trazer sofrimento e vai te imobilizar. 
O Tipo de Desejo que o Buddha disse que traz sofrimento é esse desejo que quer algo que o mundo não pode te oferecer. Desejar que as pessoas sejam de determinado jeito é querer frustração, você não acha? É um desejo que vai terminar em frustração, porque é querer algo que não depende só de você - depende de cada um que aí está! O sofrimento está dentro de cada ser vivo, e você não pode entrar dentro de cada ser e mudá-lo de dentro para fora - você só pode começar a partir de si.

Então, comece a mudar a si primeiro, e olhe de novo. Há tantas coisas boas acontecendo. Por que numa folha A4 branca com um pequeno risco preto, você insiste em olhar apenas para o pequeno risco? Olhe todo o branco que há ao redor. Você está formando o hábito da sua mente olhar apenas para o sofrimento no mundo, mas não é só isso que aí está. Há muitas coisas boas sendo feitas.

E essas coisas boas vÊm de pessoas que começaram mudando a si mesmas para irem lá e ajudarem outras pessoas. Então, mude essa sua forma de insistir que só há sofrimento nesse mundo para depois começar a ajudar a mudar o mundo, ou melhor, a mudar a forma como OS SERES VIVOS se relacionam com o mundo.

Você pergunta como eu posso estar em paz sendo que há sofrimento no mundo? Mas essa é justamente a maneira de ajudar a amenizar o sofrimento no mundo. O sofrimento no mundo vem do sofrimento dentro de cada um, e se cada um não encontrar a paz dentro de si, continuará acreditando que sua felicidade está em forçar as pessoas a serem como elas querem que sejam, a forçar as pessoas a terem suas ideias, a achar que prazer é ser melhor que os outros, abusar dos outros, roubar os outros, entre tantas outras coisas. O sofrimento que está aí foi criado por pessoas que não tem paz dentro de si, e somente encontrando a paz dentro de si podemos inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Buddha e Jesus são exemplos. Inspiram até hoje pessoas a serem generosas e a fazerem serviços comunitários. Isso não leva paz a esse mundo? E de onde veio isso? Da paz e da alegria no interior de cada voluntário desses serviços. Portanto, qualquer coisa que você vir nesse mundo, vem de dentro das pessoas. Se você quer mais paz nesse mundo, precisa despertar de dentro de si para fora.
Agora, se ficar despertando esse desânimo e sofrimento em si, achando que só vale a pena viver quando as outras pessoas mudarem e pararem de colocar sofrimento no mundo, você não vai conseguir sair do lugar.

Compaixão é uma coisa complicada, sabe? Significa colocar-se no lugar do outro, sentir o sofrimento do outro e querer ajudar. Só que Compaixão requer Sabedoria. Compaixão SEM sabedoria só cria mais sofrimento. Eu já tive isso com a minha mãe.
Minha mãe já colocou muito sofrimento no mundo por ter sofrimento dentro de si. Eu, querendo ajudá-la, já tentei lhe ensinar o Budismo muitas vezes, porque o Budismo me ajudou a encontrar alegria dentro de mim para então levar essa alegria ao mundo, e eu queria que ela pudesse fazer o mesmo. Mas o problema é que eu tentei FORÇÁ-LA a conhecer o Budismo, e essa não a intenção apropriada, não é?  Feliz
Quanto mais eu tentava FORÇAR, mais aversiva ela ficava ao Budismo - menos vontade ela tinha de conhecê-lo. Eu acabei piorando a situação! Tentando ajudar a reduzir o sofrimento no mundo, eu apenas aumentei o sofrimento no mundo. Minha mãe simplesmente não queria conhecer o Budismo - o que eu posso fazer? Parei rs. Até hoje acho que ela seria mais feliz se vivesse de outra maneira, mas como ela não quer me ouvir, não insisto em falar. As vezes a melhor maneira de ajudar é não fazer nada.

O que eu quero dizer é que Compaixão não é tão simples quanto parece. Você não pode ir lá e acabar com o sofrimento no mundo. Não é assim que funciona. O sofrimento está dentro de cada um, e embora possamos inspirar as pessoas a acabarem com esse sofrimento dentro delas, cada um precisa fazer isso por si mesmo. E cada um tem o seu tempo de crescimento. Então, pare de esperar que todas as pessoas sejam iluminadas, sejam repletas de paz dentro de si, para começar a viver a sua vida, a buscar a sua felicidade NOS LUGARES CORRETOS. Comece a buscar a sua felicidade nos lugares corretos, e só assim você ajudará a reduzir o sofrimento nesse mundo, porque o sofrimento no mundo começa a partir do sofrimento dentro de cada um.

Pessoas felizes não esfaqueiam animais, não abusam de outras pessoas, não roubam, não espancam idosos, não fazem guerras, não mentem, não caluniam, não querem ser melhor do que alguém... Pessoas felizes não fazem isso. São pessoas infelizes que levam essas infelicidades no mundo. Portanto, se quer ajudar a melhorar o mundo, encontre a Paz em si mesma. Percebe o problema da sua pergunta? "como vocês conseguem ficar em paz consigo mesmos".

Agora, olhe um pouco da perspectiva do ensinamento do Buddha. O Sofrimento vem o Desejo Ininteligente. Esse Desejo que quer mudar o mundo, as pessoas ou a natureza da mente. O problema não está em nenhum desses lugares - está na forma como nos relacionamos com as coisas. Na nossa intenção, atitude. O Buddha ensinou que devemos parar de buscar prazer mudando as pessoas ou nossa experiência. Busque felicidade nas coisas que você faz, porque você faz. Dessa forma, o mundo pode estar em guerra, as pessoas podem estar com raiva, mas você poderá estar ali, repleto de paz para colocar no mundo, porque sua paz não depende do mundo, nem das pessoas - mas da sua atitude. Se quiser entender melhor, explico melhor depois, mas esse é o ensinamento do Buddha.

Então - por que existe sofrimento? Essa pergunta é perigosa. A natureza é assim. As coisas são como são. Se sua paz depender da resposta a essa pergunta, você não estará em paz, porque não tem bem uma resposta satisfatória - pelo menos não para você. Só será satisfatório para você quando o sofrimento em cada pessoinha nesse mundo sumir. Olhe o que você está desejando. É daí que vem o problema! Do Desejo Ininteligente. Tome cuidado com o que vocÊ deseja, tome cuidado com o lugar no qual você pensa que sua Paz está. É devido a esses desejos perigosos que as pessoas estão levando sofrimento ao mundo.
Então, eu te aconselho a deixar essa questão de lado e passar a se perguntar - onde estou buscando a minha Paz? Afinal, por que existe sofrimento? Porque você está buscando a Paz nos lugares errados!
Por que existe sofrimento no mundo? Porque as pessoas que vivem nele estão buscando a Paz nos lugares errados!
Se você quer ajudar as pessoas a buscarem a Paz nos lugares corretos, você precisa fazer isso primeiro. Isso não é Egoísmo! Percebe que se você não buscar a sua felicidade, não poderá ajudar outras pessoas a serem felizes? Mudando a si mesma, você poderá mudar um pouco algumas pessoas a sua volta, e assim por diante. Não espere também mudar o mundo inteiro num piscar de olhos, e lembre-se que a questão nem é tanto mudar o mundo, mas mudar os seres, o interior de cada um deles.  Feliz

É por isso que muitos monges quando vão meditar, refletem - que essa meditação possa beneficiar muitos seres. Enquanto estão meditando, guerras podem estar ocorrendo, pessoas podem estar sofrendo, mas também existem outras pessoas meditando, algumas fazendo serviços voluntários, outras executando campanhas solidárias de combate à fome ou à pobreza... E tudo isso vindo do interior de cada um... Tanto Paz como Sofrimento, vem do interior de cada um. Guerras vem de pessoas cujo interior está repleto de raiva. Meditação vem de pessoas que querem cultivar, em seu interior, a Paz. O seu problema é que você está cultivando, em seu interior, uma visão triste. Como eu te disse, essa não é a visão completa. Também há felicidade nesse mundo, e o ponto é que nem felicidade nem sofrimento estão no mundo, mas vêm das pessoas para o mundo. Então, só se as pessoas mudarem a si mesmas, é que o mundo pode mudar. Por isso, mude a si mesma primeiro. Busque sua felicidade. Isso acabará sendo não Egoísmo, mas uma grande ajuda, não é?  Piscadela

"Ajudando a mim mesmo, eu ajudo aos outros. Ajudando aos outros, eu ajudo a mim mesmo." - Buddha

"Seja a transformação que você quer ver no mundo." - Gandhi
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