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 Sobre este Fórum: Dúvidas sobre o Budismo

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AutorMensagem
José P. S. Filho

Discípulos

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Mensagem Ter 10 Out 2017 - 16:02

Considerem essa passagem:

"Essas cinco coisas são bem vindas, agradáveis, prazerosas e difíceis de obter no mundo. Quais cinco? Vida longa ... beleza ... prazer ... status ... renascimento no paraíso. Agora, eu lhe digo, essas cinco coisas não são obtidas através de preces ou desejos, se fossem obtidas através de preces ou desejos quem aqui não as teria? Não é adequado que o nobre discípulo que deseja vida longa reze para isso ou se delicie agindo assim. Ao invés disso, o nobre discípulo que deseja vida longa deveria seguir o caminho da prática que conduz à vida longa. Agindo assim, ele obterá vida longa, humana ou divina... (Da mesma forma com beleza, prazer, status, e renascimento no paraíso)..."

-- AN V.43

Podemos entender que Buda consente com a busca pela beleza, prazer e status? Como essa passagem pode ser compreendida?


(Minha compreensão da passagem foi a de que ele critica a passividade, as preces e o mero ato de desejar como coisas que não trazem aquilo que se ambiciona, que não fazem acontecer o que se deseja. Ao invés de esperar, orar (pedir) ou cobiçar, a pessoa poderia trilhar um caminho que construísse e suscitasse aquilo que deseja e não somente ficasse no aguardo esperando cair do céu. Compreendi dessa maneira. Compreendi como sendo a ideia principal que ele quis passar. Contudo, admira-me que ele haja dado permissão para buscar a beleza, o prazer e status terrenos ou divinos de alguma maneira. Pode ser que isso alimente o desejo, a vaidade e a identificação com as formas. Como pensam?)
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Mensagem Sab 14 Out 2017 - 20:57

José P. S. Filho escreveu:
Meu querido Administrador, de fato, parece que a intenção é tudo ou, no mínimo, o foco principal a ser alvejado, não é? Se nos atermos à intenção, podemos, ao que parece, evitar muitos pensamentos e divagações sem princípio. Podemos ficar mais lúcidos e divisarmos com mais clareza o que deve ser feito e o que se deve ter cuidado. Se a intenção for hábil e benéfica, com certeza encontraremos, cada um segundo sua possibilidade, a melhor coisa a ser feita e acredito que isso já irá produzir frutos de paz e êxtase em nossos íntimos. Prática de desapego, não é? Penso também que já seria um treino de meditação e investigação dos fenômenos. Então é bom que sempre permaneçamos meditando nos ensinamentos, lembrando-se deles e, ao mesmo tempo, tentando colocá-los em prática. Agir com consciência, não é mesmo? Não permitir fazer coisas sem saber o que significam. 

Você me perguntou se vivencio algo do tipo, se se trata de um dilema meu nesse momento. Graças a Deus (é apenas uma expressão Sonolento ), ainda não é o caso, mas sinto que poderá ser a qualquer momento, entende? Em algum momento sinto que posso deparar-me com essa questão. Lendo os fatores do Nobre Caminho Óctuplo, deparei-me com essa descrição e senti o desejo de consultar mais a respeito. Posso voltar aqui a qualquer momento perguntando mais sobre esse assunto ou qualquer outro dos fatores. Parece que existem coisas que não percebemos ao lermos em um dado momento e que só mais tarde surge em nós. Muita coisa do que Buda diz, eu sinto, tem mais por baixo. Sinto que o que ele diz é algo ainda além e isso me instiga muito. Acende em mim um fogo, um desesperado desejo por alcançar a compreensão. Parece que Buda sempre instiga minha mente/vida... Sem parar... Incessantemente... Oferece-me um sentido para buscar, um trabalho para executar. Sinto-me feliz e abençoado.

Aproveitando também a oportunidade, quero deixar uma outra pergunta. Monja Coen falando sobre o suicídio, falou que ele é uma infração do preceito "não tirar a vida". Achei interessante, pois nunca tinha visto alguém pensar dessa maneira. O preceito de não tirar a vida sempre pareceu ser sobre o outro, mas ela o trouxe para a própria vida também. Nunca vi alguém fazendo isso. Chamou muito minha atenção. Então pensei comigo mesmo: "A consequência cármica de tirar a própria vida pode ser a mesma da de tirar a vida de um outro ser?". O que acha? Isso se equivaleria ao ato homicida e levaria, portanto, aos mesmos renascimentos de um?

Olá José!
Suicídio é assunto controverso... bem como os efeitos kármicos disso também o são.
Na verdade, qualquer coisa a respeito de Karma e Renascimento acho muito controverso  Sorridente São ensinamentos muito profundos, que alguém só entenderá verdadeiramente vendo por si mesmo, uma mente meditativa bem treinada fundamentada numa virtude bem estabelecida... então falar sobre isso é sempre complicado.

Se você for pesquisar, verá que, por exemplo, encorajar alguém a cometer um suicídio é uma Parajika. Parajika é uma transgressão que quando cometida por um monge, faz com que ele perda direito ao manto e a sua condição de monge. Logo, Parajika envolve a desobediência a certas regras que não podem deixar de ser mantidas por um monge pois, se quebradas, resultam em sua expulsão da sangha.

Veja no texto do Ajahn Brahm: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/parajika.php

As quatro transgressões que implicam Parajika, a pena de perda automática do manto são:
1 . Tomar parte em relações sexuais com outro ser de qualquer sexo.
2 . Roubar algo de valor (incluindo o contrabando, fraude ou deliberadamente evitar o pagamento de algum imposto).
3. Propositadamente matar um ser humano ou encorajar alguém a cometer o suicídio (isto inclui incitar alguém a assassinar outra pessoa e também inclui convencer uma mulher a fazer um aborto).
4 . Gabar-se de ter alcançado uma grande realização espiritual, sabendo que isso não é verdade. Por exemplo, alegar ter realizado a iluminação, de ser o Buda Maitreya, ter alcançado os Jhanas, ou a capacidade de ler a mente, quando a pessoa sabe que não realizou nenhum desses estados.

Nisso você vê que o Buddha tratava essa questão seriamente.

Porém, ao mesmo tempo, há relatos no Cânone em Páli de monges que se suicidaram e que, no momento do suicídio (entre o ato de agressão ao próprio corpo e a morte efetiva) o Senso de Urgência (Samvega) de se libertar do Samsara foi tamanho, que a Iluminação aconteceu.

No Cânone a expressão usada para suicídio é "usar a faca". Quando um monge se suicidava e, a partir disso, conseguia usar esse ato como um incrível estímulo para alcançar Parinibbana, morrendo sem renascer, o Buddha chamava isso de "usar a faca de modo puro". Veja dois exemplos:

http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNIV.23.php#R2

http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNXXXV.87.php

Então é um assunto muito controverso.
De novo vai de encontro com a questão de Karma. O essencial é intenção.
Há o preceito de que não podemos mentir, mas se mentimos para salvar uma vida, isso é mau karma?
Da mesma forma, se você considerar esses suttas, é possível refletir que há o preceito de abstenção de tirar uma vida intencionalmente... mas se alguém, vale destacar, com uma mente já bem treinada em meditação, conseguir se valer de um ato de suicídio para alertar a mente se alcançar a Iluminação, isso é mau karma?

São dilemas complicados. Porém, penso que se isso é possível, e se esses suttas são legítimos, somente uma pessoa já muito avançada no Dhamma conseguiria fazer isso... Mas ainda assim, vale destacar que fica implícito nesses suttas que a iniciativa para o suicídio veio de uma mente não iluminada. Somente após o ato de agressão ao corpo é que esses monges se esforçaram de uma tal maneira que alcançaram a Iluminação antes da concretização da morte.

Há por exemplo aqueles casos de monges que se suicidaram ateando fogo nos próprios corpos em protestos, não é? É complicado.

Penso que, conforme coloquei no último post, falar sobre Karma é muito difícil.
Ao mesmo tempo, acreditar que somos capazes de avaliar as intenções por trás de nossas ações de forma honesta e objetiva é um grande perigo. Estamos sempre sabotando a nós mesmos, muitas vezes acreditando que nossa intenção é benéfica, quando não é...

Então, em casos de dilemas como esses, melhor evitar tentar avaliar isso na própria mente rsrs... Somente um Iluminado, ou um Ariya (Sotapanna, Sakadagami ou Anagami) poderia ter uma tal confiança e honestidade a ponto de ser capaz de reconhecer suas intenções mais objetivamente, de tal forma a elucidar dilemas complicados como esses...

Além disso, cada caso é um caso. Cada mente está em seu nível, tem sua história, e cada situação é única... não vale a pena pensar nesses dilemas de tal forma a tentar generalizar, exemplo: toda mentira é mau karma. Karma é uma questão muito complexa para simplificarmos com generalizações, não é?

Então, o importante é darmos o nosso melhor em cada instante, e investigar nossas intenções da forma mais penetrante e profunda que conseguirmos. À medida que a sabedoria se desenvolver, a mente será capaz de entender melhor essas questões. Até lá, não é essencial ter uma posição sobre esses dilemas, bem como é irrelevante responder qual a origem do universo ou se ele é finito ou infinito, visto que isso não é essencial para seguir esse caminho de purificação. Feliz

Mas não deixa de ser uma discussão relevante e curiosa  Pensativo rs
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Mensagem Sab 14 Out 2017 - 21:09

José P. S. Filho escreveu:
Considerem essa passagem:

"Essas cinco coisas são bem vindas, agradáveis, prazerosas e difíceis de obter no mundo. Quais cinco? Vida longa ... beleza ... prazer ... status ... renascimento no paraíso. Agora, eu lhe digo, essas cinco coisas não são obtidas através de preces ou desejos, se fossem obtidas através de preces ou desejos quem aqui não as teria? Não é adequado que o nobre discípulo que deseja vida longa reze para isso ou se delicie agindo assim. Ao invés disso, o nobre discípulo que deseja vida longa deveria seguir o caminho da prática que conduz à vida longa. Agindo assim, ele obterá vida longa, humana ou divina... (Da mesma forma com beleza, prazer, status, e renascimento no paraíso)..."

-- AN V.43

Podemos entender que Buda consente com a busca pela beleza, prazer e status? Como essa passagem pode ser compreendida?


(Minha compreensão da passagem foi a de que ele critica a passividade, as preces e o mero ato de desejar como coisas que não trazem aquilo que se ambiciona, que não fazem acontecer o que se deseja. Ao invés de esperar, orar (pedir) ou cobiçar, a pessoa poderia trilhar um caminho que construísse e suscitasse aquilo que deseja e não somente ficasse no aguardo esperando cair do céu. Compreendi dessa maneira. Compreendi como sendo a ideia principal que ele quis passar. Contudo, admira-me que ele haja dado permissão para buscar a beleza, o prazer e status terrenos ou divinos de alguma maneira. Pode ser que isso alimente o desejo, a vaidade e a identificação com as formas. Como pensam?)


Olá José!

Acho importante observar que o Buddha fez essa declaração para Anathapindika, no contexto, um leigo. 
O Buddha costumava tratar o caminho espiritual como um treinamento gradual, e portanto ele ensinava em etapas de acordo com a capacidade dos seus ouvintes.

Era muito comum que para leigos o Buddha ensinasse mais sobre virtude e generosidade, colocando como meta o renascimento no paraíso; ao passo que para monges ele ensinava o caminho completo, incluindo meditação e sabedoria, colocando como meta o Nibbana.

Porém, dependia do indivíduo.

O Buddha ensinou para leigos o caminho completo, de tal forma que alguns alcançaram o nível de Anagami e até de Arahant, como Bahiya; bem como o Buddha recorreu a "ensinamentos inferiores", como a busca pelos prazeres do paraíso, para ajudar monges a se desenvolverem na sua prática, conforme ele fez com o seu primo Nanda. Já leu esse caso? Nanda era um monge que não conseguia tirar sua ex-mulher da cabeça. Então o Buddha o levou ao mundo dos Devas onde Nanda ficou encantado com a beleza dos seres do paraíso, com a qual, em comparação, a beleza das mulheres da Terra não se comparava. Então, o Buddha usou isso como argumento, alegando que Nanda deveria se esforçar nos ensinamentos para conseguir renascer naquele lugar. Nanda se esforçou nos ensinamentos a tal ponto que ele renunciou não só aos desejos sensuais, mas também aos desejos pelos prazeres celestiais, tornando-se mais um dos Arahants.

O Buddha meio que canalizou o forte desejo sensual dele de tal forma a ajudá-lo a se desenvolver na prática. O Buddha era habilidoso a esse ponto  Rindo Caso queira ler o Sutta, segue: http://www.acessoaoinsight.net/sutta/UdIII2.php

Então, esse trecho é uma etapa do treinamento, mas não é o final do caminho. No final do caminho, o praticante renuncia a status, felicidade, beleza e renascimento no paraíso.

Mesmo assim, esses ganhos mundanos são ganhos que vale destacar como resultado de bom kamma, de tal forma a estimular muitos seres a praticarem os ensinamentos de generosidade e virtude.

Então, para muitos seres, esse é um ensinamento útil que também leva a um CERTO NÍVEL de purificação, mas não é o nível final. Outros praticantes irão além, talvez numa só vida; enquanto outros talvez renasçam no paraíso lá realizem Nibbana, ou talvez renasçam no paraíso e depois como um ser humano de novo (talvez mais bem afortunado devido ao seu acúmulo de méritos e bom karma), de tal forma a encontrar mais uma vez o Dhamma e ter uma vida mais confortável para a prática, podendo até renunciar a essa vida confortável para seguir a vida monástica e completar todas as etapas do caminho.  Feliz

Então, cada um tem seu próprio tempo.

A metodologia que o Buddha usava era basicamente a que está no Acessoaoinsight:
http://acessoaoinsight.net/caminho_liberdade/dharma.php

Para praticantes mais "rasos", ele ensinava Generosidade e Virtude, afirmando o renascimento no paraíso como recompensa.

Para alguns ele ia além, e ensinava as desvantagens dos prazeres sensuais, para então introduzir o indivíduo às 4 Nobres Verdades e todo o ensinamento de renúncia, contenção, treinamento da mente, purificação da sabedoria, meditação, contemplação da morte, dos aspectos repulsivos do corpo, as 3 marcas (impermanência, sofrimento, não-eu) e assim por diante... até chegar nos ensinamentos mais avançados, como os Jhanas e a Originação Dependente.  Lendo

O que acha? O Buddha era metódico!  Sorridente
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Nove

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Mensagem Seg 20 Nov 2017 - 22:21

Olá! Essa pergunta eu achei bastante básica quando estava estudando os fundamentos do budismo, mas ela é pertinente para mim e eu queria um esclarecimento sobre já que não consegui achar nenhum debate satisfatório, apenas o literal.

Sobre o Samma Vaca, a Linguagem Correta, eu pude notar em algumas traduções que diziam não ser aconselhável o falar sem que fosse necessário. Nesse fórum, eu encontrei traduzido como "fofoca".

Citação :
Terceiro: você precisaria de Linguagem Correta. O guia do túnel dizia que mentirosos, caluniadores, aqueles que falam rudemente e mesmo aqueles que fofocam perturbariam os ratos do túnel que o perseguiriam até você voltar para dentro de sua cela.

Eu gostaria de tirar a duvida do que é necessariamente essa fofoca.

Há muitas situações, desde que me conheço por gente, em que pessoas vem falar comigo sobre assuntos que eu não esteja necessariamente interessado na hora. Eu consigo me descrever como um ouvinte para todas as horas. Não importa o que seja ou quem seja, caso venha falar comigo eu o escutarei e demonstrarei interesse. Assim, eu sempre tento criar uma reciprocidade fazendo perguntas sobre o assunto, fazendo comentários, etc., etc..

Sobre a minha intenção, eu a acho benéfica pois eu acredito que as pessoas se sentem melhores ao serem ouvidas, principalmente quando era aquela garota excluída no canto da sala de aula na minha quinta série.

Estaria eu indo contra a Linguagem Correta por falar sobre coisas "fúteis"?
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William - Admin

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Mensagem Qua 22 Nov 2017 - 22:41

Olá Nove!
É uma questão controversa que depende muito da sua capacidade de discernimento no momento.
Se você for analisar suttas como o Abhaya Sutta, fica claro que o Buddha defendia que Linguagem Correta consiste naquilo que é dito:
- com verdade;
- com intenções benéficas;
- e que pode ser simpático ou antipático, sendo que a pessoa deve ter o devido discernimento de quando usar cada um. Às vezes falar algo simpático não é benéfico, bem como algo antipático pode ser benéfico.

É complicado praticar uma linguagem estritamente útil ou relacionada apenas ao caminho espiritual na vida social, não é? Afinal, não são todos que se interessam por um caminho espiritual. Então, nesses casos, é interessante termos um diálogo com os outros com intenção de generosidade, para dar atenção a outra pessoa, mas devemos na medida do possível evitar assuntos desnecessários, e de forma alguma dar continuidade em assuntos prejudiciais que impliquem em falar mal dos outros. Mas às vezes somos pressionados a falarmos algo rsrs... Sorridente

Primeiro, acho que dá para fazer uma distinção entre desnecessário e prejudicial, no sentido de que um assunto pode ser inofensivo, no sentido de que ele seria prejudicial apenas se o utilizássemos com a intenção de jogar conversa fora, nublar nossa atenção e nos distrairmos de algo que nos incomoda por meio de conversas que nos trazem entretenimento. Porém, seria um assunto que não consiste em falar mal dos outros ou prejudicar a imagem de alguém. Nesse sentido, é um assunto inofensivo, desnecessário porque não agrega nada de valor, e que seria prejudicial somente se não fôssemos atentos. Logo, pode ser uma conversa benéfica desde que não a utilizemos como fuga, e a alimentemos com a intenção generosa de dar atenção a alguém ou tratar de algum assunto mundano, que faz parte da vida social. Um praticante espiritual não fica sem vida social ou mundana, ele apenas aborda a vida mundana de outra maneira!

Outros assuntos, porém, não devemos dar continuidade. Assuntos que implicam em ter prazer de denegrir a imagem dos outros, de criar "panelinhas", de provocar discórdia ou de prejudicar alguém não tem como serem "levados a cabo" por generosidade, para dar atenção a outra pessoa. Neste caso é um assunto ofensivo, e não inofensivo. É um tipo de fofoca que acho difícil você conduzir por generosidade para dar atenção a outra pessoa. Mesmo falar mal de um artista da televisão, como exemplo.

Falar mal de alguém, que é uma linguagem antipática, geralmente só será benéfico se for com a intenção de advertir alguém sobre algo errado que ela fez, e que não deve ser repetido, ou mesmo de usar um exemplo infeliz de um terceiro para aconselhar aquele com quem se conversa.

Esse tipo de discernimento temos que fazer durante a conversa.

Se alguém te pede a receita de um bolo, como exemplo... Espiritualmente falando, isso, APARENTEMENTE, não tem valor nenhum. Mas você pode dar a receita com intenções de generosidade, de auxiliar a outra pessoa. Isso acaba sendo uma linguagem benéfica.

Agora, claro, isso pensando em nós, como leigos.
Se fôssemos considerar o treinamento que o Buddha prescreveu para os monges, seria mais restrito. Exemplo:

[Buda]: “’Enquanto alguns brâmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa fé, estão habituados a falar de tópicos inferiores como estes – falar sobre reis, ladrões, ministros de estado, exércitos, alarmes e batalhas; comida e bebida, roupas, mobília, ornamentos e perfumes, parentes; veículos; vilarejos, vilas, cidades, o campo; mulheres e heróis; as fofocas das ruas e do poço; contos dos mortos; contos da diversidade (discussões filosóficas do passado e futuro), a criação do mundo e do mar e conversa acerca de se as coisas existem ou não – o contemplativo Gotama se abstém de falar de tópicos inferiores como esses." -Brahmajala Sutta

Não é fácil, mas é um exercício interessante de fazer. Se observarmos as conversas que temos, quantas realmente têm utilidade para o caminho espiritual?

Das que não têm utilidade, quais são inofensivas, no sentido de que podemos usar com consciência para fins benéficos, mesmo que mundanos; e quais são ofensivas, no sentido de que não têm como serem usadas para fins benéficos?

O importante é sempre a qualidade da intenção mesmo. Podemos falar com intenções benéficas, no sentido de dar atenção a outra pessoa, ajudá-la em alguma tarefa (mesmo que mundana), compartilhar aprendizados terrenos ou dicas para aperfeiçoar a vida em família ou a vida doméstica, ou compartilhar notícias que podem ser de importante valia para fins de estudo ou de atualização.

Porém, assuntos que envolvem criar uma percepção parcial de "Fulano", ou de rotular "Cicrano", ou de diminuir alguém, isso dificilmente tem como ser falado com intenções benéficas.

Eu tenho muito esse problema com a minha mãe. Ela resmunga bastante de alguns parentes que dão muitos coices, falam coisas estúpidas, ou dão indiretas bem chatas... Às vezes ela está reclamando comigo, e eu só faço algumas expressões faciais rsrs... Às vezes ela se irrita e pede para eu falar alguma coisa, e eu digo: "Concordo que essa foi uma ATITUDE infeliz de "fulano"; ou que foi uma "AÇÃO incorreta de 'Cicrano'". Sempre que eu digo isso, eu busco despertar na minha mente a atenção para o fato de que não estou concordando em criticar a pessoa, mas a atitude que aquela pessoa tomou. Já passou por essa pressão? Confuso

Criticar uma pessoa é algo muito delicado. Todos nós somos uma grande complexidade de virtudes e vícios, karmas bons e ruins. Falar da pessoa em si é generalizar. Falar de uma ação isolada dela é outra coisa.

Como dizia Ajahn Brahm, uma mãe que diz ao seu filho "Como você é estúpido!" é diferente de outra que diz "O que você fez foi uma coisa estúpida!". Uma rotula a pessoa, outra ensina a inadequação de uma ação em especial.

Então, quando sou quase obrigado, devido às circunstâncias, a criticar uma pessoa, eu direciono a linguagem e a intenção para indicar a crítica ao ato, e não à pessoa.

Porque nesse caminho, é sempre benéfico cultivarmos duas coisas em relação aos outros seres: amor e benefício da dúvida. Amor é reconhecer que a semente da iluminação está em todos os seres. Não importa que besteira um ser faça em sua vida, a semente está ali. E benefício da dúvida é pensar que às vezes alguém fez algo estúpido porque não estava num bom dia, porque teve um problema sério, ou por alguma circunstância que muitas vezes não sabemos. É o benefício da dúvida. Em vez de termos raiva da pessoa, consideramos que ela pode ter algum motivo especial para agir daquele jeito.

Talvez tenha atravessado no vermelho devido a um caso de vida ou morte - talvez esteja indo para o hospital! É um exemplo rsrs...

Então, se as circunstâncias sociais me pressionam para que eu me expresse pela linguagem sobre um erro de alguém, minhas palavras vão sempre para focar no ato e não na pessoa.

E claro, como eu já disse, para quem precisa viver no mundo, na sociedade, falar sobre coisas mundanas é inevitável. O essencial é a intenção por trás.

Conforme o Buddha diz no Dananisamsa Sutta, um leigo dotado de generosidade não se esquiva de suas responsabilidades como um chefe de família. E entre as responsabilidades de um chefe de família, estão tarefas como pagar as contas, conduzir uma empresa por exemplo, atender clientes, relacionar-se com outras pessoas, etc... Nesse meio, ter uma linguagem simpática vez ou outra ajuda a estabelecer um diálogo agradável com outras pessoas, serve para viabilizar a resolução de problemas ou melhorar o clima rsrs... Externamente, pode ser uma conversa fútil... Mas internamente, podem haver intenções hábeis ali, intenções maiores, mais "inteligentes" do que meramente jogar conversa fora.

Logo, fofoca não significa necessariamente sobre o que se fala, mas porque se fala. Você pode falar sobre algo mundano apenas para se distrair, ou para um propósito maior.

Lembro de uma palestra do Ajahn Brahmavamso em que ele fez uma piada com meditação rs... Ele disse que uma vez estava meditando na Tailândia muito focado na respiração, quando uma mosca pousou sobre os lábios dele. Ele disse que se manteve em silêncio, sem se mover, focando na respiração, embora as cócegas o incomodassem muito. Então ele diz: "Então, eu tive um insight! Eu percebi que a mosca gostava de andar mais sobre o lábio superior do que o inferior!", e a plateia riu. Pode parecer uma conversa besta - que valor espiritual tem isso? Porém, se você for ouvir as "estratégias" de vários monges "palestrantes", eles dizem que humor é muito útil por dois motivos:
- você torna os ouvintes mais receptivos e despertos para o ensinamento;
- coisas engraçadas são mais fáceis de serem lembradas.

Então, parece um assunto fútil, sem utilidade, mas na verdade a intenção por trás pode ser muito utilitária!
Logo, não adianta julgar uma pessoa apenas pelo assunto que ela dialoga. A intenção por trás pode ser muito benéfica, embora o assunto seja inofensivo e não trate nada sobre o caminho espiritual, o que acha?

São algumas formas de pensarmos em praticar a Linguagem Correta no dia a dia, e no mundo especialmente... Feliz
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Nove

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Mensagem Qui 23 Nov 2017 - 19:48

Obrigado pelo esclarecimento, Administrador! Agora tenho maior discernimento de quando estou praticando Linguagem Correta ou quando estou indo contra a Linguagem Correta.

Uma outra duvida é que, se devemos evitar coisas inúteis, o que Buda fala sobre nossos hobbies? 

Devo eu evitar hobbies como um esporte, por exemplo, que faço por fins recreativos sem apego à atividade?
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William - Admin

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Mensagem Sab 25 Nov 2017 - 21:46

Olá Nove! Quaisquer novas ideias que você tiver sobre Linguagem Correta, por favor compartilhe!

Hoje estive com familiares, sendo que entre eles estava um casal que tem um filho menor de 2 anos. É interessante pensar: qual a linguagem adequada para uma criança dessa idade? É natural que vá ser uma linguagem mais infantil, simplificada e até meio "boba" rsrs... Mas com a intenção de ensiná-la e apresenta-la ao mundo, não é? 

Mais uma vez, o conteúdo da conversa pode ser fútil, mas a intenção por trás é maior, é altruísta, e não meramente "jogar conversa fora", entreter-se ou distrair-se, não é? Acho outra perspectiva interessante para se refletir sobre Linguagem Correta.  Feliz

Sobre hobbies... depende do nível de prática que você quer assumir. Depende. 

Monges, como exemplo, não podem praticar hobbies rsrs... 
Para leigos, o Buddha não dá uma instrução específica, a menos que você vá participar de um retiro. Quero dizer: para os leigos, em geral, o Buddha prescreve os 5 preceitos. Mas, quando um leigo vai a um retiro de meditação, que é um período de geralmente alguns poucos dias, para dedicar-se exclusivamente à prática meditativa, o Buddha prescreve a prática dos 8 preceitos. Você pode lê-los no seguinte link: http://www.acessoaoinsight.net/caminho_liberdade/oito_preceitos.php

Observe especialmente o sétimo preceito:

"Eu tomo o preceito de abster-me de dançar, cantar, ouvir música, ver espetáculos de entretenimento,de usar ornamentos, usar perfumes, e embelezar o corpo com cosméticos"

Observe também que no terceiro, o Buddha proíbe qualquer comportamento não-casto, isto é qualquer comportamento relacionado à sexualidade (desde masturbação ao ato sexual em si).

Por que isto? Porque o Buddha ensina que à medida que a mente reconhece o "prazer maior" da caridade, generosidade e da serenidade e da meditação, ela vai renunciando naturalmente, em parte, aos prazeres sensuais (isto é, os prazeres por meio dos 5 sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato).

No retiro, é útil se abster dos prazeres sensuais para restringir a mente a um campo menor de estímulos, para que ela possa ficar serena e mais inclinada ao prazer meditativo. Porém, é comum experimentar muita agitação e sofrimento, porque depois de um certo tempo a mente fica demandando e até implorando prazeres sensuais, como comer, ouvir música, ter fantasias sobre o futuro, jogar futebol, jogar vídeo-game, ou o que quer que seja rsrs... Nesses momentos pode ser interessante estar num retiro e resistir a esses desejos. Muitos têm insights sobre o que é "desejo" quando atravessam essas "tempestades".

Em sentido mais profundo, o Buddha ensina que tanto nossas experiências como nossas preferências/sensações/sentimentos (em páli: Vedana) são impermanentes. Ou seja, nossas preferências mudam. Ajahn Chah costumava dizer que temos de parar de seguir nossos "gostos e desgostos". Ou como o Buddha diz no Nibbana Sutta:

"Naquele que tem apego, há agitação. Naquele que não tem apego, não há agitação. Não havendo agitação, há calma. Havendo calma, não há preferência. Não havendo preferência, não há ir e vir. Não havendo ir e vir, não há falecimento e renascimento. Quando não há falecimento e renascimento, não há nem um aqui, nem um ali, e tampouco entre os dois. Isso, justamente isso, é apenas o fim do sofrimento."

Para o Buddha, os prazeres sensuais são prazeres "menores", inferiores e que podem distrair a mente no progresso meditativo. E uma mente meditativa é o terreno ideal para que a sabedoria floresça. Basicamente uma ordem sequencial bem resumida da prática é esta:

Entendimento Correto -> Virtude -> Meditação -> Sabedoria -> Libertação

Então, renunciar aos prazeres sensuais é algo que faz parte da prática, mas isso deve ser feito gradualmente... se não a pessoa enlouquece!

Nos ensinamentos do Buddha, fica claro que ele reconhece que a mente precisa de prazeres... Isso é natural do funcionamento da mente: ela precisa de prazer. Então, faz parte desse caminho reduzir aos poucos a demanda da mente por prazeres sensuais, e trocá-los por "prazeres espirituais", que são basicamente o prazer da caridade e o prazer da meditação.

À medida que alguém se deleita mais nesses prazeres "superiores" e reconhece o valor e a energia sublime provenientes de uma vida de solidariedade combinada com o êxtase e serenidade de uma prática meditativa, aos poucos a pessoa é capaz de sentir menos necessidade dos prazeres sensuais.

É um fenômeno interessante nesse caminho: nós passamos a levar nossas preferências menos a sério. Porque vemos como nós mudamos, como os outros mudam, como as experiências mudam... e aos poucos vamos reconhecendo o que é verdadeiramente valioso. Com o tempo, a mente se torna até mais "lúdica", no sentido de que ela reconhece que não é importante que suas vontades sejam sempre satisfeitas, elas vão mudar de qualquer maneira... Mesmo que estejam sendo satisfeitas por um tempo, logo ou ela enjoa, ou quer outra coisa, ou a experiência satisfatória em si passa... Essas são verdades que vamos aprendendo à medida que praticamos maior Atenção Plena na vida, e em relação a nossas mentes. Com isso, a mente se torna mais tranquila, e mais contente. Como dizia Ajahn Chah, devemos aprender a usar a frase: "Isso é bom o suficiente". A mente aprende a ser menos exigente.

Se tomarmos como base o segundo fator do Nobre Caminho Óctuplo, devemos reduzir intenções/pensamentos de Desejo e Aversão, e trocá-los por pensamentos de Renúncia e Amor.

Assim, aos poucos, nossas escolhas são menos movidas por critérios do tipo "gosto ou não gosto?" e são feitas mais no sentido de "é benéfico ou não?". Isso é algo muito interessante para se investigar.

Quando você toma uma decisão, você se baseia no critério se aquilo te agrada, ou se aquilo é benéfico?

É um desafio quando percebemos que algo é benéfico, mas não queremos fazer porque não gostamos. Ou quando algo pode ser contraproducente, mas queremos fazer... é algo a se investigar.

Mas, mais profundamente, a mente vai reconhecendo, aos poucos, que os prazeres sensuais são para serem abandonados (não mais buscados), visto que a mente vai aprendendo a se saciar meramente com os prazeres espirituais.

Mas cada um deve fazer isso a seu tempo.

Também, não é todo mundo que concorda com isso. Pelo menos, deve-se buscar uma vida de moderação e equilíbrio, e aos poucos pode-se ir desafiando a conhecer esses prazeres espirituais e compará-los com os sensuais, para investigar: o que será que o Buddha quis dizer? Será que procede? Faz sentido?

Logo, não precisa abandonar seus hobbies. Caso queira, você pode reduzir um pouco... Ou pode participar de um retiro, e ver o que acontece quando você tenta fundamentar sua mente somente no prazer espiritual. Ela fica agitada? Por quê?

O Buddha pediu para investigarmos isso... é um tópico interessante. Mas, no fundo, ele disse que os prazeres sensuais são abandonados em prol dos prazeres espirituais. Por isso os monges renunciam a sexo e a entretenimentos. Faz parte do treinamento. Em que nível nós leigos vamos testar este ensinamento depende de cada um, e para isso é necessário bom-senso: não adianta querer renunciar a tudo de uma vez, se a sua mente não tem um fundamento nas alegrias dos prazeres espirituais. 

Se você tentar uma prática radical e virar um renunciante sério, sua mente pode enlouquecer e não aguentar, declinando do caminho que você selecionou. Então, temos de ter bom-senso.

O que você acha?

Apenas considere que, de acordo com o Buddha, é natural esse processo em que a mente não sente mais necessidade dos prazeres sensuais porque reconhece prazeres maiores e mais benéficos. 

Lembrei de um vídeo legendado, dica rs: https://www.youtube.com/watch?v=vEQIa5hlqSQ
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Nove

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Mensagem Ter 12 Dez 2017 - 23:00

Uma duvida que tenho é se as meditações guiadas são eficazes? Como eu me identifico bastante com o Zen, eu nunca as utilizei, mas gostaria de saber a opinião de outros sobre ela e talvez tentar uma experiência nova. Obrigado.  Grato
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William - Admin

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Mensagem Dom 7 Jan 2018 - 21:33

Olá Nove!
Meditações Guiadas são boas sim! É incrível como muitas vezes, fazendo uma meditação guiada numa sala com várias pessoas, ou mesmo ouvindo um monge pelo computador, a mente pode sentir muita alegria e êxtase. Pode ser uma outra fonte de muita sabedoria sobre a mente, porque você pode reconhecer como ela se comporta quando tem uma voz externa ajudando-a a meditar, comparado quando você é quem orienta... tem muita diferença? Por quê? Você está orientando errado? Pode ser uma nova fonte que pode levar a reflexões e compreensões.

Além disso, é muito útil para você trilhar alguns caminhos nas sessões de meditação sob as orientações dos mestres para depois traçar um roteiro próprio seu para você trilhar em meditações solitárias. Feliz
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