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 Uma Síntese da Vida de Buda

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Mensagem Dom 30 Jun 2013 - 17:04

Uma Síntese da Vida de Buda
Nesse Tópico será apresentada a vida de Sidarta Gautama, o Buda, de maneira cronológica e ordenada, tratando dos aspectos principais de sua vida - logo, curiosidades e afins sobre Sidarta serão postados em outros tópicos do Fórum. É recomendado que você saiba o básico sobre o Budismo - para isso, leia: Introdução ao Budismo, afinal, esse tópico apresentará uma perspectiva mais aprofundada da filosofia de Buda e de seus ensinamentos, mostrando muitos detalhes da sua vida que serão fundamentados com trechos dos escritos budistas mais antigos. Assim, vamos seguir a seguinte ordem:
1- Nascimento e Crescimento de Sidarta Gautama;
2- A busca de Sidarta pelo Nirvana;
3- Sidarta torna-se o Buda;
4- Seus ensinamentos e sua Morte.

Nascimento e Crescimento de Sidarta Gautama
Em meados de cinco séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, as sociedades indianas eram divididas em pequenas cidades, convencionando-se que cada uma era liderada por um Rei, residente no Palácio ao centro da tribo. Em uma dessas tribos, a Tribo Sakya, na cidade de Lumbini - antigamente localizada no atual Nepal - nasce o príncipe Sidarta Gautama (muitos dizem que foi em Kapilavastu, a capital da Tribo Sakya, mas na verdade Sidarta cresceu, e não nasceu, nesse lugar), filho do rei Sudodana e de sua rainha, Maya. Essa, por sua vez, morreu uma semana após o nascimento do filho que passou a ser cuidado por sua tia e, portanto, madrasta: Mahapajapati.
Arqueólogos encontraram uma pilastra construída pelo Imperador Asoka com escrituras num dialeto próximo daquele falado pelo Buda. As escrituras indicavam Lumbini, o local em que o Iluminado havia nascido. Esta imagem foi tirada do documentário da BBC sobre Buda. Para assisti-lo, clique aqui.
Entusiasmado pela vinda de um herdeiro, o rei Sudodana convocou diversos Profetas para que pudessem predizer o futuro de Sidarta. Um dos videntes do Palácio disse que Sidarta era alguém muito especial e que viria a se tornar ou um grande Líder Político-Militar, ou um Homem Santo. O pai, naturalmente, como um Rei, ambicionou que o filho se tornasse um grande Líder, e para isso o educou constantemente em artes militares como arco e flecha, ensinando-o tudo para que fosse o futuro rei da tribo Sakya.
Sidarta, entretanto, mostrava-se um garoto introspectivo à medida que amadurecia. Era muito reflexivo e observador, nunca perdendo uma oportunidade de dirigir sua atenção à natureza ou as pessoas que caminhavam em torno do palácio. Em uma dessas ocasiões, Sidarta se sentou debaixo de uma árvore e observou um agricultor arar a terra. Vendo algumas minhocas saindo da terra, Sidarta testemunhou quando um pássaro comeu uma delas. Ele ficou chocado: se o homem não tivesse arado a terra, a minhoca não teria sido comida. Entretanto, o pássaro precisava comer. Foi então que ele percebeu que todas as coisas do Universo estavam interligadas. No meio dessa sua reflexão, ele espontaneamente se sentou em meditação e contemplou tal realidade, tendo, sem querer, entrado em Meditação profunda num estado de muito êxtase e paz - o chamado Jhana, em Páli, ou Dhyana, em Sânscrito.
Essa personalidade introspectiva de Sidarta preocupava o rei - ele desejava ardentemente que o filho se dedicasse às artes militares e não a reflexões sobre o mundo e a vida, o que o conduziria a ser um Líder Espiritual. Foi por isso que Sudodana isolou seu filho no Palácio, segurando-o com todo o tipo de prazeres sensuais para encantá-lo e distrai-lo de suas reflexões.
O príncipe Sidarta em seu palácio.
(Buda): "Eu vivi em refinamento total. Meu pai mandou construir em nosso palácio um lago com flores de Lótus, tudo em meu benefício. Uma sombrinha branca era mantida sobre mim durante o dia e noite para proteger-me do frio, calor, poeira, sujeira e orvalho." (adaptado de Sukhamala Sutta - acessoaoinsight)
Por fim, o rei declarou que Sidarta devia se casar. Para isso, ele competiu com vários rapazes do palácio pela mão em casamento de Yasodhara, tendo se saído incrivelmente bem. A partir daí, Sidarta começou a desfrutar de prazeres sexuais com a nova esposa enquanto seu pai, enfim, se sentiu seguro acerca do futuro do filho.
Entretanto, Gautama não gostava daquele isolamento. Ele queria sair e conhecer o mundo - apesar dos prazeres que lhe eram proporcionados, ele continuava com seus questionamentos em mente. Depois de muita insistência, seu pai permitiu que ele saísse com Channa, seu cocheiro. Porém, o rei ordenou que tudo o que pudesse ser desagradável, como pobreza e a presença de mendigos, deveriam ser tirados do caminho pelo qual Sidarta seria levado.
Assim foi, e Sidarta saiu a cavalo acompanhado de Channa. Entretanto, o príncipe entestou com mais cenas do que seu pai pôde esperar. Nos Suttas, diz-se que esses foram os 4 Sinais que mudariam sua vida:
1- Um homem velho com um corpo muito envelhecido;
2- Um homem doente, com a face gravemente deformada;
3- Um defunto sendo cremado;
4- Um monge, um homem dedicado à vida espiritual e simples em busca da felicidade eterna.
Esses sinais chocaram Sidarta, porque seu isolamento era tamanho que ele sequer sabia que um dia envelheceria, ficaria doente e morreria. Channa explicou tudo a Sidarta, e uma angústia tomou conta do coração do príncipe. Que sentido fazia a vida, se tudo acabava? Mesmo ele, como príncipe, iria envelhecer. Mesmo seu pai, o rei, ficaria doente. Todos estavam sujeitos a morrerem e, o pior, o Brahmanismo - filosofia vigente na época - alegava que após a morte reencarnaríamos incessantemente, tendo de enfrentar todo esse sofrimento do mundo outra vez.
Sidarta ficou perdido em pensamentos: se ele ia envelhecer, ficar doente e morrer e ainda, nascer de novo, o que fazer? Foi quando ele se lembrou do monge, com expressão serena, em sua busca pela Paz Interior. A figura desse praticante espiritual foi decisivo para que Sidarta tomasse a decisão de seguir a Vida Santa, a vida como um mendicante que renuncia às coisas materiais para se dedicar ao treinamento espiritual.
Percebendo que, sujeito à morte, ele buscava coisas sujeitas à morte - prazeres em comida, que apodreciam; prazeres sexuais, pouco duradouros; entre outros - ele percebeu que precisava buscar uma solução para isso. Devia haver uma saída para essa Impermanência, em que tudo o que começava terminava. Para ele, sua única esperança era a vida como um contemplativo.
Assim, numa noite, ele dá uma última olhada para Yasodhara, sua esposa, e seu filho recém-nascido. Apesar de ficar receoso de abandonar sua vida real, ele lembra que mesmo sua esposa e seu filho morreriam. Ele percebeu então que o mais nobre seria buscar a solução para todo esse sofrimento.
Sidarta se despede silenciosamente de Yasodhara e de seu filho, Rahula.
Com a ajuda de Chana, ele escapa do palácio. Um pouco distante de lá, ele utiliza uma espada para cortar seus cabelos. Entrega todos os seus pertences e adornos a Chana ordenando que o mesmo avisasse ao seu pai que Sidarta estava saindo em busca da Paz Interior.
Abandonando seu cavalo, seu cocheiro, seu palácio, esposa, filho e os prazeres provenientes do luxo, Sidarta abandona sua vida familiar e real. Trocando suas roupas imperiais pelos mantos usados pelos mendicantes da época, mantos de cor ocre, Sidarta segue a Vida Santa. Estava com 29 anos de idade.


Última edição por Administrador em Dom 6 Mar 2016 - 9:14, editado 33 vez(es)
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Mensagem Dom 30 Jun 2013 - 22:36

A Busca de Sidarta pelo Nirvana
Decidido a não retornar e a manter-se firme na Vida Santa, Sidarta adentra às florestas da Índia sozinho, sem adornos, espadas nem arco e flecha - apenas com seu 'novo' manto de cor ocre.
Assim, Sidarta adotou o estilo de vida dos contemplativos da Índia. Como de costume das sociedades da época, em que tais praticantes que renunciavam à vida para buscarem a paz eram vistos como nobres, os moradores das Cidades e Vilas acabavam doando alimentos a tais contemplativos, na esperança de que tais atos trariam boas recompensas a si mesmos. Dessa forma Sidarta se inseriu no estilo de vida mendicante, sobrevivendo com a comida doada pelos outros, dormindo nas florestas e levando uma vida simples e espiritual na sua busca pelo fim do sofrimento.
Sidarta com seu manto de cor ocre característico daqueles que seguiam a Vida Santa.
Entretanto, ele não podia realizar tal busca sozinho! Se vendo necessitado da orientação de alguém, Sidarta procurou se reunir a grupos de praticantes de Meditação para aprender a tranquilizar a mente. O primeiro Mestre a quem ele se submeteu foi Alara Kalama.
Seguindo as orientações do mesmo, Sidarta rapidamente aprendeu a focar sua mente e a atingir estados de grande tranquilidade. Entretanto, ele achava que havia algo além daquilo ensinado por Kalama e, por isso, ele logo abandonou esse mestre.
Buscando professores mais avançados, Sidarta entrou na turma de discípulos de Udaka Ramaputta, que ensinou novas técnicas de Meditação que Sidarta dominou rapidamente, tendo mesmo superado as realizações de Ramaputta. Esse, admirado com a habilidade e a eficiência de Sidarta, o igualou a si mesmo como mestre de Meditação, convidando-o para ir com ele por toda a Índia ensinando a arte da Meditação a outros contemplativos.
Entretanto, Sidarta ainda não estava satisfeito. Ele percebeu que aquela bela sensação de Paz desenvolvida na Meditação logo desaparecia quando ele saía da atividade. Apesar de ser um prazer mais sublime e duradouro do que o sensual, o prazer espiritual ainda era impermanente - saindo-se da Meditação, ele não declinava tão rapidamente como o prazer sexual, mas ainda assim declinava. Portanto, quando ele se levantava, aos poucos o prazer desaparecia e o problema do Sofrimento Humano continuava lá. Vendo que Ramaputta também não sabia como se libertar totalmente da Insatisfação com a vida, Sidarta partiu.
(Buda): "Dessa forma, Udaka Ramaputta, meu companheiro na vida santa, colocou-me na posição de mestre e me concedeu a maior honra possível. Porém, o pensamento me ocorreu: 'Esse Dharma (no sentido de fenômeno e compreensão) não conduz ao desencantamento, ao desapego, à cessação, à paz, ao conhecimento direto, à iluminação, ao Nirvana.' Dessa forma, não estando satisfeito com esse Dharma, eu parti." - (retirado de Ariyapariyesana Sutta - acessoaoinsight)
Analisando esse trecho, podemos perceber que Sidarta possuía uma convicção intuitiva de que a Paz que buscava consistiria de desapego, quando alguém não é controlado pelos seus apegos, mas consegue viver em paz, satisfeito com o que possui, conhecedor de si mesmo e senhor de si mesmo.
Admirados com o que levou Sidarta a abandonar Ramaputta, alguns discípulos do mesmo decidiram segui-lo, visto que ele havia superado as realizações do próprio mestre. Dessa forma, Sidarta continuou buscando a solução para o sofrimento acompanhado de 5 alunos.
O novo meio testado pelo ex-príncipe foi o Ascetismo - prática muito comum entre os contemplativos da época. Ascetismo consiste em prática rigorosas de automortificação, em que o corpo é maltratado intencionalmente, na esperança de que isso possa purificar a mente e trazer a paz. Isso porque muitos monges acreditavam que o corpo era uma barreira para a realização espiritual. Assim, se se largasse o corpo e se se concentrasse somente no treinamento da mente e da alma, seria possível que a paz fosse alcançada.
Dessa forma, Sidarta e seus novos cinco discípulos adotaram práticas rígidas como dormir sentados, segurar a respiração até o ar sair pelas orelhas, beber somente a água da chuva, meditar sentados durante horas seguidas, não tomarem banho e comerem muito pouco - quanto menos melhor.
Mais uma vez, Sidarta se destacou pela sua eficiência se comparado aos seus discípulos na prática. Apesar de todos estarem se dedicando a mortificarem seus próprios corpos com esforço, Sidarta era visivelmente o mais raquítico - ele estava muito magro, com os olhos afundados, os ossos da costela nitidamente visíveis e a região do umbigo afundada em seu tronco. Seus membros estavam finos, sua barba e cabelos muito compridos - entretanto, sua mente ainda não havia encontrado o Nirvana, a Paz Suprema.
(Buda): "Enquanto eu fazia isso meu corpo ficou extremamente emaciado. Por comer tão pouco, os meus membros ficaram como segmentos articulados de uma videira ou bambu. As minhas costas ficaram como a corcova de um camelo. As projeções de minha espinha pareciam contas de um cordão. Por comer tão pouco, as minhas costelas se projetavam para frente tão frágeis como as traves de um celeiro destelhado. O brilho dos meus olhos se afundou dentro da cavidade do olho, parecendo com o brilho da água no fundo de um poço profundo. A pele da minha barriga se uniu à minha espinha; portanto, se eu tocasse a minha barriga encontrava a minha espinha e se tocasse a minha espinha encontrava a pele da minha barriga." - (sintetizado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
Estátua feita com o intuito de representar Sidarta durante a época em que ele se dedicou ao Ascetismo, à prática da automortificação.
O corpo de Sidarta estava chegando ao seu limite. Ele sentia-se muito fraco, com a visão turva e mesmo sua mente já começava a enfraquecer, ao invés de se tornar mais forte e concentrada. Logo, ele percebeu que o corpo e a mente eram interligados, tanto como os seres no universo que precisam uns dos outros para se alimentarem e sobreviverem. Portanto, maltratando o corpo ele não poderia purificar a mente - pelo contrário, isso só atrapalharia a prática!
Mas ele não conseguia entender, a paz não seria a liberdade dos desejos como pensara? Quando jovem, teve uma vida de luxo, cuidava deveras do seu corpo, sempre enfeitado, protegido e bem alimentado. Agora, praticando com rigidez numa vida simples, comendo pouco e cobrindo o corpo apenas com um pequeno tecido, ele continuava sofrendo tanto quanto estava sofrendo em sua vida de Príncipe. Foi então que ele ouviu um homem que tocava Cítara ensinando o seu aluno: "Se você deixar a corda muito frouxa, não haverá som. Entretanto, se você forçar a corda e deixa-la muita tensa, ela arrebentará. Portanto, para tocar de forma bela, você deve equilibrar a corda." - ou seja, ele devia não deixar nem muito frouxo, nem muito tenso.
Ouvindo isso Sidarta teve um Insight (uma compreensão súbita, um tipo de 'eureka'). Ele percebeu que por todo esse tempo estava iludido, buscando o sofrimento em caminhos muito extremos. Luxo e Ascetismo eram os dois extremos de estilo de vida (luxo era o estilo frouxo, e ascetismo era o estilo tenso), mas para alcançar o Nirvana ele deveria trilhar o Caminho do Meio, aquele que é equilibrado, aquele que não se converte ao luxo mas tampouco se converte à mortificação - um caminho sóbrio, simples porém suficiente para a boa sobrevivência do corpo humano. No final das contas, Sidarta estava sendo controlado pelos seus desejos. Apesar de não sucumbir mais ao desejo da sensualidade, ele estava focado demais na obtenção da paz e isso o impedia de estar em paz.
Após essa reflexão, Sidarta decide mudar sua prática. Entretanto, ele estava fraco até mesmo para se levantar. Foi então que ele recebeu a ajuda de uma menina moradora de uma vila próxima ao local em que os ascéticos meditavam. Ela lhe ofereceu uma tigela com arroz e leite e Sidarta, depois de quase 6 anos, comeu adequadamente.
(Buda): "E eu comi um pouco de comida sólida: um pouco de arroz doce com leite. Agora os cinco monges que estavam comigo pensaram: 'Se Gautama, nosso contemplativo, alcançar algum estado mais elevado, ele nos dirá.' Porém, quando eles me viram comendo comida sólida, eles sentiram repulsa e me deixaram, pensando: 'O contemplativo Gautama agora vive gratificado pelos sentidos. Ele deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo.'" - (adaptado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
Já há quase 6 anos longe de casa, tendo durante quase todo esse tempo se dedicado ao Ascetismo, Sidarta estava sozinho outra vez, mas resolveu continuar sua busca pela Paz Suprema com uma vida disciplinada e equilibrada. Ele continuou a comer pouco, mas o suficiente para que o seu corpo se mantivesse saudável. Se permitiu voltar a tomar banho e abandonou as práticas severas como a meditação que segurava a respiração. Assim, ele parou de sucumbir tanto aos desejos sensuais quanto aos desejos pela paz - agora ele seguia a natureza do seu corpo e disciplinava sua mente corretamente. Desde então, ele seguiu o Caminho do Meio.
Aos poucos ele foi recuperando o estado físico saudável de seu corpo. Nesse processo, ele se recordou de quando ele contemplou o pássaro que pegou uma minhoca na terra recém-arada, e se lembrou que naquele instante ele entrou num estado meditativo muito prazeroso, o Jhana. Então, ele refletiu se tal estado não seria o caminho para Nirvana. Entretanto, ele ficou em dúvida: como um estado prazeroso como aquele poderia conduzir à Paz, a qual ele via como um estado de desapego, em que não se está atado a nada? Como aquele prazer poderia conduzir à cessação do apego? Ele então refletiu:
(Buda): "'Por que temo esse prazer que não tem nada que ver com a sensualidade, nem com qualidades mentais prejudiciais?' Eu pensei: 'Eu não temo mais esse prazer já que ele não tem nada que ver com a sensualidade nem com qualidades mentais prejudiciais.' [...]
Agora, tendo comido comida sólida e recuperado as minhas forças, afastado dos prazeres sensuais e das qualidades não hábeis eu entrei e permaneci no primeiro Jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Mas essa sensação prazerosa que surgiu em mim não invadiu a minha mente e permaneceu." - (adaptado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
Então Sidarta buscou adentrar novamente àquele estado prazeroso chamado Jhana e ele percebeu que só podia fazê-lo quando ele se desapegava de muitas coisas, inclusive dos seus pensamentos, dos cinco sentidos e das 'qualidades não hábeis'. Ele percebeu que o prazer proporcionado por Jhana era 'nascido do afastamento', surgia com o desapego, com a redução da Cobiça e Aversão - ou seja, ele só podia entrar em Jhana quando não havia querer (cobiça) mas também quando não havia não-querer (aversão). Logo, ele só podia entrar naqueles estados sem estar sedento pela sensualidade e qualidades não hábeis, mas também não devia estar sedento pela paz em si, não devia estar apegado a obtenção de Nirvana e nem devia negar a vida. Quando ele a aceitava em sua essência, parava de querer pensar ou não pensar, parava de querer o Nirvana, ele adentrava a tais estados meditativos. Além disso, o prazer do Jhana não 'invadia a sua mente' - ele não se sentia atado àquele prazer. Ele vinha e ia normalmente, Sidarta não se entristecia com isso. Ele era capaz de deixar Jhana vir e ir de acordo com sua natureza impermanente - ele não estava apegado aqueles estados. Sentindo-se surpreso por esse caminho, Sidarta se aprofundou nesses estados meditativos e cultivou o Caminho do Meio, o caminho do desapego, o caminho que está livre da Cobiça e do Luxo e também da Aversão e Negação, o caminho que conduz diretamente ao Nirvana.


Última edição por Administrador em Sex 2 Ago 2013 - 20:30, editado 13 vez(es)
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Mensagem Seg 1 Jul 2013 - 13:14

Sidarta torna-se o Buda
Enquanto perambulava pelas florestas praticando o Caminho do Meio e penetrando os Jhanas, Sidarta meditou em vários lugares horripilantes como cemitérios e a floresta em si, repleta de animais selvagens. Ele percebeu que precisava lidar com o medo que surgia em sua mente para poder praticar os Jhanas - pois tais estados requeriam a libertação de qualidades não hábeis. Utilizando-se do Caminho do Meio, Sidarta percebeu que não só não podia atrair mais terror para si, mas que também devia esforçar-se de forma equilibrada, pois se se dedicasse deveras para expulsar o medo, ele aumentava. Então, ao perceber o medo surgir em sua mente, Sidarta continuava a fazer o que estava fazendo apenas percebendo aquele medo, sem cobiça-lo nem sendo aversivo a ele até que ele pudesse se desapegar daquele sentimento e subjuga-lo:
(Buda): "Enquanto eu caminhava, o medo e o terror vieram me encontrar; eu nem fiquei parado, nem sentei, nem deitei até que tivesse subjugado aquele medo e terror. Enquanto estava em pé, o medo e o terror vieram me encontrar; eu nem andei, nem sentei, nem deitei até que tivesse subjugado aquele medo e terror. Enquanto estava sentado [...] Enquanto deitado [...] nem andei, nem fiquei em pé, nem sentei até que tivesse subjugado aquele medo e terror." - (sintetizado de Brayabhevara Sutta - acessoaoinsight)
Logo ele chegou na floresta de Gaya - atual Bodhgaya, na Índia - e, percebendo que aquele era um lugar agradável para sua prática, sentou debaixo de uma árvore, uma figueira dos pagodes, para continuar sua prática meditativa.
(Nesse trecho, há a citação de Mara, geralmente apontado como um Demônio, Senhor do Mal. Apesar de haver trechos no Cânone que justifiquem a existência de uma entidade chamada Mara - com existência igualmente impermanente , ou seja, podemos renascer como um Mara -, a citação desse Demônio geralmente é usada como uma Prosopopeia, uma personificação das forças psicológicas que todos possuímos como seres humanos. A figura de Mara como uma entidade será tratada em outros Tópicos. Perceba, agora, como tal personagem é visto como uma personificação por muitas escolas budistas).
Então, Mara, o Senhor do Mal, percebendo que se Sidarta se libertasse do sofrimento, ele poderia ter muitos problemas, avançou com seu exército de demônios, atirando várias flechas contra o contemplativo que permaneceu sereno em sua meditação. Quando as flechas se aproximaram dele, elas instantaneamente se transformaram em Flores de Lótus que caíram levemente sobre seu corpo.
Sidarta utilizava o termo Flecha como uma metáfora para se dirigir ao Desejo e à Cobiça. Ele dizia que precisávamos remover a flecha do Desejo.
Sidarta provou que desenvolvera uma prática e esforço corretos, tornando-se capaz de converter as tendências inábeis de sua mente em Contentamento, Desapego e Paz. Ele era capaz de derrotar os exércitos de sua mente e de recondicionar suas emoções, purificando a mente:
(Buda dirigindo-se à Mara): "Sensualidade é o seu primeiro exército. O segundo é chamado Descontentamento. O terceiro é Fome e Sede. O quarto é chamado Desejo. O quinto é chamado Preguiça e Torpor. O sexto é chamado Medo. O sétimo é chamado Dúvida. Hipocrisia e Teimosia, o oitavo." - (retirado de Padhana Sutta - acessoaoinsight)
(Buda figurando os sentimentos incorretos como flechas): "Aquele que busca a felicidade deve remover a flecha que ele mesmo se meteu: a flecha das angústias, dos desejos, do desespero. Com a flecha removida, desapegado, com a mente em paz, tendo superado a tristeza, ele terá realizado Nirvana." - (sintetizado de Salla Sutta - acessoaoinsight)
Purificando sua mente e libertando-a de emoções inábeis, Sidarta se aprofundou nos Jhanas, que foram se tornando cada vez mais refinados e prazerosos até que ele atingiu o chamado Quarto Jhana - aquele em que há perfeita Equanimidade, com a ausência tanto de sofrimento quanto felicidade. Percebendo o quão poderosa estava sua mente com aquela prática constante de Jhana, o prazer nascido do Desapego, Sidarta dirigiu sua mente para compreensões supra-humanas.
(Ajahn Brahmavamso sempre frisa que a mente que obtém elevados estados de concentração e tranquilidade através dos Jhanas fica muito poderosa. Às vezes o praticante não vê necessidade de dormir nem de fazer nada, mas apenas ficar sentado observando a mente. Ajahn Brahm ressalta que com a prática, se se pede algo à mente como a recordação de memórias antigas, pode ser que o meditador consiga dirigir a sua mente para tais compreensões, mas isso requer anos de prática, de meditação e familiaridade com os Jhanas - coisas possíveis para todos os seres humanos que se dedicarem com digilência).
(Buda): "Quando a minha mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, eu a dirigi para o conhecimento da recordação das minhas vidas passadas. Eu recordei minhas muitas vidas passadas, [...] muitos ciclos cósmicos de contração, muitos ciclos cósmicos de expansão." - (sintetizado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
(Destacando aqui a intrigante afirmação de que Sidarta viu ciclos de expansão e contração - isso converge com a Física cuja Teoria mais aceita sobre o Universo é que ele está em ciclos constantes de contração e expansão. Atualmente, em expansão, chegará um ponto em que ele contrairá novamente e depois realizará outro Big Bang, ou seja, outra expansão cósmica).
Além de recordar de suas Vidas Passadas, Sidarta purificou mais a sua mente e a dirigiu para compreender como funcionava o processo de Renascimento. Ele então percebeu que os seres renasciam de acordo com as suas atitudes, de acordo com as suas escolhas e virtudes. Isso é, de acordo com o que ele intitulou Karma (ação intencional) - dependendo das intenções de um ser, que poderiam ser puras ou impuras, ele arcaria com as consequências de suas escolhas numa vida seguinte. Tendo agido de forma virtuosa, desfrutava de bons renascimentos. Agindo de forma viciosa, renascia em estados de privação.
Sidarta dirigiu também sua mente para compreender, enfim, o sofrimento. Ele se lembrou de suas percepções acerca da Impermanência de tudo, e viu que não havia como evitar tal Impermanência, que sendo aversivo a ela ele apenas sofria. Compreendeu a Interdependência, como tudo está interligado, proferindo a famosa estrofe:
"Quando existe isso, aquilo existe.
Com o surgimento disso, aquilo surge.
Quando não existe isso, aquilo também não existe.
Com a cessação disso, aquilo cessa."
Assim ele penetrou a própria mente e percebeu que não havia uma entidade em si mesmo. Se tudo dependia de alguma outra coisa para existir, não havia uma entidade intrínseca em si mesmo, capaz de existir sozinha. Ele era a reunião de várias partes: corpo, mente e o fluxo de consciência que portava os méritos de Karma acumulados. Não havia um eu que podia encontrar estadia em algum lugar eterno, porque nada era fixo. Logo não havia um eu para reencarnar, havia um fluxo de consciência que renascia, não reencarnava. Assim, ele caracterizou o mundo como Impermanente, Insatisfatório, Não-eu e Interdependente. Insatisfatório porque nada era fixo, nada é eterno, tudo é impermanente. Havendo nascimento, havia doença, envelhecimento e morte.
O mesmo com a sua mente: havendo o surgimento de um pensamento, havia o desaparecimento do mesmo. Entretanto, quando ele nem cobiçava seus pensamentos e nem era aversivo a eles, sua mente ficava silenciosa até que, por fim, ele podia adentrar os Jhanas, o prazer do afastamento.
Com isso, ele percebeu que o sofrimento, a Insatisfação com a vida se devia ao Apego e ao Desejo sedentos, ao querer e ao não-querer, ao sempre desejar algo, ao descontentamento no presente, à escravidão à sensualidade e às tendências da Mente. A mente deveria ser observada, compreendida e treinada corretamente. Ela deveria ser ajustada, pois ela se inclina como um pêndulo - ora por Cobiça, ora por Aversão. Ela deveria ser ajustada no meio, no Caminho do Meio, para compreender o mundo, ser purificada e se desapegar do mundo.
Quando havia esse desapego, havia o silêncio na mente. Sidarta, então, percebeu: silenciando o desejo e o apego, se desapegando, silenciava-se o Ciclo de Renascimentos, o Samsara. Abandonando a cobiça e o desprazer pelo mundo, não se renascia mais - não se sofria novamente pela impermanência, afinal, não havia um lugar no qual poderíamos estar para sempre, estávamos sujeitos a perambular incessantemente pelo universo a menos que cessássemos o desejo por isso. Assim, desapegando-se, havia apenas paz. Abandonando o apego ao pensamento, ou seja, a cobiça (querer) e a aversão (não-querer) pelos pensamentos, eles paravam de surgir incessantemente e o Silêncio, o solo fértil da Sabedoria, se estabelecia. Percebendo-se a tolice de ficar desejando coisas que não duram e percebendo que não possuímos nada, que somos como pássaros que não podem morar numa árvore fixa, ficamos livres, em paz e o Ciclo de Renascimentos seria cessado.
(Buda): "Eu compreendi que 'O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que devia ser feito foi feito, não há mais vir a ser nenhum estado.'" - (retirado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
Visto que tudo era interdependente, interligado e não existia sozinho, ele percebeu que a condição para a existência do sofrimento, que também não existia por si mesmo, era o apego, cuja condição era a Ignorância: somente aquele que não purificasse sua mente para perceber a impermanência de tudo, a falta de substancialidade e a impureza proveniente do desejo sedento e da aversão, permaneceria insatisfeito.
Mara sentiu-se arruinado e impotente, incapaz de influenciar Sidarta com suas seduções. Vendo Mara desanimado, suas três filhas, Tanha, Arati e Raga (que significam, respectivamente: Desejo, Desconcentamento e Cobiça) tentaram seduzir Sidarta tomando a imagem de vários corpos femininos atraentes, mas Sidarta permaneceu imóvel, purificado e equânime. Percebendo que Mara era um aspecto de si mesmo, Sidarta o abandonou, desapegou de tais pensamentos sedutores que, chegando ao fim, apenas trariam sofrimento. Assim, ele realizou a Paz Suprema.
Sidarta percebe que Mara é um aspecto de si mesmo, que o desejo estava em sua mente e que era de lá que ele devia ser retirado.
Mara ficou furioso. Ele expulsou as suas filhas e questionou Sidarta quem ele era, se Sidarta seria o seu mestre, o mais poderoso e sublime ser dentre humanos e Devas. Entretanto, Sidarta percebeu que aquilo seria apenas Orgulho e Presunção, o que seria mais um apego a algo que não existia, um eu que não estava lá, não havia um 'ser' dentre humanos e devas, apenas um conjunto de fenômenos interligados e impermanentes. Tendo penetrado completamente a futilidade de todo e qualquer apego que somente conduz a mais sofrimento, a mente de Sidarta não se exaltou com a ideia de ser mestre de Mara, ele simplesmente se desapegou daquilo. Mara questionou quem seria a testemunha de sua Iluminação, tentando atrair Sidarta para a presunção, para a carência de ser reconhecido pelos outros como alguém maior. Sem se deixar afetar pelas palavras do Ego, o contemplativo apontou para a terra e disse:
"A terra é minha testemunha."
Mais tarde, ensinando os seus discípulos, Sidarta diz que a mente deve ser purificada seguindo o exemplo da terra: apesar de tudo o que é jogado nela, sejam pétalas, flores, excremento, comida, restos, carcaça, água ou fezes, ela continua a mesma: equânime e desapegada. Assim a mente deveria ser treinada para que pudesse alcançar a compreensão perfeita, a estadia purificada no aqui e agora impermanente, a felicidade desapegada que não conduz a novos renascimentos e à presunção de 'eu sou', porque não há eu - tudo está interligado num conjunto de existências mútuas impermanentes.
Derrotado, Mara desaparece assim como as suas filhas e Sidarta realiza o conhecimento direto acerca da origem e fim do sofrimento.
(Buda): "(O Buda) abandonou as impurezas que contaminam, que causam a renovação de ser/existir, que causam problemas, que amadurecem no sofrimento e conduzem ao futuro nascimento, envelhecimento e morte; ele as cortou pela raiz, fez como o tronco de uma palmeira eliminando-as de tal forma que não estarão mais sujeitas a um futuro surgimento." - (retirado de Mahasaccaka Sutta - acessoaoinsight)
Dessa forma Sidarta cortou a raiz do apego, a ignorância, abandonou sua cobiça e aversão pelo mundo, desapegou-se dos extremos da mente e assim realizou Nirvana, a Paz Suprema, o fim do ciclo de Renascimento e da Ignorância. Tendo compreendido a verdade acerca do Sofrimento e do Mundo, Sidarta tornou-se o Buda, aquele que despertou.


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Mensagem Sex 5 Jul 2013 - 11:40

Seus ensinamentos e sua morte
Depois de passar dias sentado sob a figueira dos pagodes, sensível à paz do Nirvana, Sidarta, agora o Buda, ficou a se questionar se deveria ensinar o Dharma que ele havia compreendido, isso porque ele viu que o Nirvana era muito difícil de alcançar, algo que requeria desapego, disciplina, paciência e bondade, que eram virtudes raras nas pessoas. Ele ficou muito preocupado, descrente de que alguém se empenharia a purificar a mente para atingir a paz suprema que estava além da fé cega e do apego a filosofias especulativas e do mero raciocínio intelectual.
(Buda): "Este Dharma que eu alcancei é profundo, difícil de ver e difícil de compreender, pacífico e sublime, que não pode ser alcançado através do mero raciocínio, sutil, para ser experimentado pelos sábios. Porém esta população se delicia com a adesão, está excitada com a adesão, desfruta da adesão. Para uma população que se delicia com a adesão, excitada pela adesão, desfrutando da adesão, esta verdade, isto é, a condicionalidade isto/aquilo e a origem dependente (a doutrina da Interdependência) são difíceis de serem vistas. E também, é difícil de ver esta verdade, isto é, o silenciar de todas as formações, o abandono de todas aquisições, o fim do desejo, desapego, cessação, Nirvana. Se eu fosse ensinar o Dharma, os outros não me entenderiam, e isso seria fatigante, enervante." - (retirado de Ariyapariyesana Sutta - acessoaoinsight)
Em meio a sua reflexão, o Buda concluiu que na verdade haveria pessoas que entenderiam o seu Dharma. Apesar de serem poucas, ele poderia encontrar pessoas dedicadas a uma vida simples, dedicadas ao treinamento da mente e ao alcance da paz. De fato, a maior parte dos seres humanos era cobiçoso ou aversivo, mas alguns eram nobres, dignos e sábios. Em virtude disso, Sidarta decide ensinar aos outros como atingirem ao Nirvana. Mais tarde ele conta aos seus discípulos como ele relacionou essa minoria nobre na maioria mundana como flores do lótus na água. A maioria mundana seria como flores de Lótus afundadas na água, molhada por todas as qualidades ruins - logo a água representa qualidades inábeis. A minoria nobre seria como flores de Lótus sobre a superfície da água, pouco corrompida pelo mal, faltando pouco para alcançar a Sabedoria Suprema. E, por fim, aqueles que viessem a alcançar o Nirvana como ele, o Buda, seriam como flores de Lótus acima da água, sem serem atingidos sequer por uma gota de maldade e desejo.
(Buda): "Tal como em um lago com flores de lótus, algumas flores de lótus que nascem e crescem n’água florescem imersas na água sem sair fora d’água, e algumas outras flores de lótus que nascem e crescem n’água pousam sobre a superfície d’água, e algumas outras flores de lótus que nascem e crescem n’água sobem acima do nível d’água e permanecem sem serem molhadas pela água; assim também, inspecionando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira sobre os olhos e com muita poeira sobre os olhos [...]." - (sintetizado de Ariyapariyesana Sutta - acessoaoinsight)
(Você pode saber mais sobre a comparação das pessoas às flores de Lótus no tópico O que a flor de Lótus simboliza? )
Com essa decisão, aos seus 35 anos de idade, Buda passaria o resto de sua vida ensinando aos outros a como alcançarem o Nirvana.
Saindo de Gaya, ele reencontra os seus antigos discípulos ainda dedicados à prática da Automortificação. Inicialmente relutantes a ouvir aquele que havia abandonado o Ascetismo, os cinco ascetas permitiram que Buda falasse a eles o que havia descoberto e como havia atingido a Paz Suprema. Sidarta frisou que tanto os prazeres sensuais como o ascetismo deviam ser abandonados e, depois, ele deu o discurso chamado "Colocando a Roda do Dharma em movimento", que significou que o ensinamento do Dharma havia começado a ser transmitido.
O Buda reencontra seus discípulos dedicados ao Ascetismo.
Buda então deu o ensinamento primordial básico do Budismo. Ele compartilhou com os seus discípulos as4 Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo:
1ª Nobre Verdade: a vida é Dukkha (Insatisfatória) - nossas mentes buscam prazeres eternos, mas como tudo é efêmero e impermanente, ela não atende as nossas expectativas. Assim sendo, nascimento é insatisfatório, porque junto com ele vem a morte. A doença é insatisfatória, porque ela mostra como a saúde não é eterna. Velhice é insatisfatória, porque é o resultado da efemeridade da beleza do corpo. Morte é insatisfatória, porque estabelece o fim do corpo. Logo, tudo o que é Dukkha é incerto e imprevisível. Por isso a vida é Dukkha: ela é impermanente e, portanto, não podemos garantir como ela será e o que acontecerá com ela. Nunca estamos seguros do que vai acontecer e ficamos insatisfeitos.
2ª Nobre Verdade: a raiz de Dukkha é Tanha (Sede, geralmente traduzido como apego ou desejo), a raiz da insatisfação é o desejo por ser/existir ou o desejo por não ser/existir: por estarmos apegados aos nossos desejos, sempre buscando o que não temos, ou sendo aversivos ao que já temos, nunca nos satisfazemos com a vida no momento presente. A menos que paremos de ser cobiçosos por ganhar algo mais, ou aversivos por se livrar de algo que esteja conosco, nunca estaremos satisfeitos.
3ª Nobre Verdade: a cessação de Dukkha ocorre com a cessação de Tanha - para alcançar a Paz e a felicidade, libertando-se assim da insatisfação e sofrimento, acabe com aquele desejo sedento, dê um fim ao apego e pare de desejar que a vida seja como você quer. Entenda-a e aceite-a.
(Buda): "Agora, bhikkhus (monges), esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, abrir mão, descartar, libertar-se, desapegar desse mesmo desejo." - (retirado de Dhammacakkapavattana Sutta - acessoaoinsight)
4ª Nobre Verdade - para cessar Tanha e alcançar Nirvana, siga o Nobre Caminho Óctuplo:
1- Entendimento Correto: compreenda o sofrimento, como ele surge e porque ele cessa, conheça a mente e enxergue a efemeridade que há em tudo. Especialmente, entenda as 4 Nobres Verdades.
2- Pensamento Correto: condicione a sua mente de forma benéfica. Alimente-a com pensamentos de contentamento com pouco, de desapego, de bondade e compaixão. Esteja satisfeito com poucas coisas e aberto à realidade. Faça tudo com a intenção de se desapegar, de abandonar suas opiniões para poder ver as coisas como elas são.
3- Linguagem Correta: não use as palavras para os seus próprios desejos mesquinhos. Largue a linguagem mentirosa, fútil, maliciosa e prejudicial. Fale apenas se o que você tiver a dizer for verdadeiro, útil e necessário; tendo o bom senso de usar ambas as palavras simpáticas e antipáticas ao interlocutor nas situações devidas.
4- Ação Correta: não mate, não roube, não pratique o ato sexual de forma indevida e agressiva para satisfazer os seus desejos e nem sucumba ao álcool e outros embriagantes que venham a impedi-lo ainda mais de entender a realidade.
5- Meio de Vida Correto: garanta o seu sustento por meio de um trabalho digno que não faça mal aos outros. Não trabalhe com roubos ou assassinatos.
6- Esforço Correto: desenvolva um esforço equilibrado para se desapegar. Atender aos seus desejos é querer o ser/existir, mas ir totalmente contra eles é ainda querer o não ser/existir, ainda há desejo, ainda há apego, ainda há sofrimento. Esforce-se para abrir mão dos estados prejudiciais e desenvolver aqueles que auxiliam no desapego, na renúncia, como a bondade e a caridade.
7- Atenção Plena Correta: esteja concentrado no momento presente, consciente dos movimentos de seu corpo e da sua mente para estabelece-los corretamente no desapego e, assim, penetrar a realidade. Esteja sempre atento à efemeridade do mundo e tenha sempre isso em mente, lembre-se sempre - Atenção Plena também requer Memória constante, lembrar-se dos ensinamentos e lembrar de observar a si mesmo de forma que não seja nem apegado nem aversivo a si.
8- Concentração Correta: estabeleça a mente na satisfação com o desapego e a bondade. Silencie a mente e seus desejos. Abandone seus apegos para conhecer o prazer nascido do afastamento, os Jhanas.

Os cinco discípulos ficaram encantados com os ensinamentos de Sidarta que agora era o Buda, o Iluminado. Eles aceitaram Sidarta como o seu mestre novamente a abandonaram as práticas ascéticas. Com a sua ajuda, Buda prosseguiu por vários locais do norte da Índia ensinando as pessoas que ele encontrava em seu caminho a como desenvolverem a paz, abandonarem pensamentos que traziam sofrimento e a como controlarem a si mesmos sem muita tensão nem preguiça.
Ao retornar para o seu palácio, Buda foi bem recebido pela sua família e perdoado por ter fugido daquela maneira. Assim, Buda reencontrou sua antiga esposa, Yasodhara, e conheceu o seu filho, Rahula, que logo se tornou um monge.
(Buda ensinando Rahula): "Rahula, todos os sacerdotes e contemplativos no passado que purificaram as suas ações corporais, ações verbais e ações mentais, o fizeram através de uma repetida reflexão." - (retirado de Ambalatthikarahulovada Sutta - acessoaoinsight)
Por falar em monges, Buda viu que seria muito útil criar uma comunidade em que praticantes do Dharma para o Nirvana meditassem juntos e se ajudassem uns aos outros. Assim, ele criou uma comunidade de monges, a Sangha. Inicialmente, apenas homens podiam se tornar monges. Entretanto, sua madrasta, Mahapajapati, convenceu o Buda que resolveu transcender o estilo patriarcal da sociedade vigente e dar às mulheres o mesmo direito que os homens tinham de se ordenar, de tal forma que ela foi a primeira monja do Buda. Esse declarou certa vez que as mulheres tinham a mesma capacidade do que os homens de realizarem Nirvana e, portanto, não havia motivo para discrimina-las.
Desde então, Buda viajou por todo o norte da Índia ensinando todos aqueles que quisessem ouvi-lo. Muitos vinham pedir a ele um discurso, um ensinamento ou um conselho. Reis e imperadores buscaram refúgio no Buda, construindo vários templos e mosteiros para a sua Sangha. Muitos que conheceram Buda pediram para serem ordenados e, assim, vestiam o manto de cor ocre e se dedicavam exclusivamente à vida de praticantes espirituais.
Buda recebeu muitos seguidores - muitos se tornaram monges e outros eram leigos, aldeãos ou imperadores.
Muitos seguidores e monges de Buda eram eminentes, como Ananda e Sariputta. Com o tempo eles também passaram a dar palestras para aqueles que quisessem aprender o Dharma do mestre. Com disciplina, muitos alcançaram o Nirvana assim como ele.
Para isso, Buda Sakyamuni ensinava tudo o que ele via que era útil para alcançar o Nirvana. Além das 4 Nobres Verdades, ele ressaltava que tudo era Impermanente e que, portanto, não devíamos nos apegar a nada. Que deveríamos nos dedicar à meditação, assistir nossas mentes com equanimidade para conhece-las e treina-las durante o dia incessantemente. A prática devia ser gradual e constante, pois não bastava apenas filosofar e raciocinar sobre a efemeridade das coisas: o praticante deveria penetrar tais aspectos em sua vida, sentir e ver isso em sua experiência de vida a todo o momento de tal forma que isso ficasse marcado em sua mente e nunca fosse esquecido, mas sempre percebido, sempre lembrado, carimbado na memória e percebido na prática em todos os momentos. O que devia ser percebido? Que nada era eterno, que tudo ia embora, inclusive os nossos momentos felizes.
Buda também alertava que não devíamos nos preocupar com reflexões especulativas como a origem do mundo ou a morte de quem alcançou o Nirvana - para onde ele iria, se não renasceria? Tais questões deviam ser deixadas de lado se a resposta para elas não podia ser obtida, caso contrário, apenas mais sofrimento seria desenvolvido.
Os poderes supra-humanos também não deveriam ser cobiçados. O praticante devia se dedicar a estabelecer uma prática virtuosa que ajudasse a meditação. Através desta, o praticante deveria desenvolver uma mente silenciosa e feliz para que a Sabedoria pudesse surgir, para que a realidade pudesse ser compreendida. Penetrando e treinando dessa forma constantemente e gradualmente, poderia se compreender Anicca, Impermanência, Dukkha, Insatisfatoriedade, e Anatta, Não-eu: esse último sendo o mais difícil de penetrar. Assim sendo, o ensinamento básico do Buda era como se libertar do sofrimento e como desenvolver Paz Interior.
(Buda): "Tanto antes, como agora, eu declaro somente o sofrimento e a cessação do sofrimento.” - (retirado de Anuradha Sutta - acessoaoinsight)
Sendo perguntado por Mahapajapati como diferenciar o Dharma verdadeiro, que conduz à Paz, dos vários Dharmas que as pessoas alegavam serem o verdadeiro, Buda disse:
(Buda): "Quanto às qualidades que você provavelmente conhece: 'Essas qualidades conduzem ao desapego, não à cobiça; a estar livre dos grilhões, não a estar agrilhoada; à renúncia, não ao acúmulo; à modéstia, não ao engrandecimento pessoal; à satisfação, não à insatisfação; ao isolamento, não ao enredamento; a estimular a energia, não à preguiça; a não ser um incômodo, não a ser um incômodo - você deve definitivamente entender, 'Isto é o Dharma, isto é o Vinaya, essas são as instruções do Mestre.'" - (retirado de Gotami Sutta - acessoaoinsight)
A reputação de Buda logo se espalhou, e muitos vinham vê-lo. Buda tinha muita habilidade em Oratória e sabia adaptar seus ensinamentos de acordo com a pessoa que estivesse o ouvindo. Ele estava aberto a todos, desde os mais nobres reis até os mais pobres mendigos, de castas menosprezadas na sociedade na época. Buda sempre pregava que as castas deveriam ser ignoradas, e que os seres humanos só poderiam ser divididos em duas castas: a dos mundanos, que não tinham atos virtuosos, e a dos nobres, que buscavam purificar suas mentes e agir virtuosamente.
Muitos perguntavam ao Buda porque ele não usava poderes supra-humanos para aumentar a fé das pessoas, e ele dizia que muitos procurariam ridicularizá-lo, ou buscariam dizer que é algum truque tolo. Portanto, Buda se centrava apenas a dar conselhos para estar em Paz - aqueles que estivessem dispostos a colocar tais conselhos em prática, poderiam fazê-lo por si mesmos. Logo, o foco era entender o sofrimento. Se alguém lhe fizesse perguntas metafísicas ou apenas por curiosidade, e não para se libertar do sofrimento, Buda ficava em silêncio e não dizia nada.
Assim, Buda ensinava de acordo com o preparo de seus ouvintes. Ele elogiava a virtude, a investigação, a energia, a diligência pela prática da meditação e a fé nele mesmo, fundamentada no exame de seus ensinamentos. Ele buscava ensinar como devíamos nos desapegar para entender nossas mentes e sua natureza, aceitando o universo como ele era: impermanente.
Assim sendo, Buda também estava chegando ao seu fim aos 80 anos, depois de 45 anos perambulando pela Índia ensinando o seu Dharma. Ele ressaltou aos seus discípulos, como Ananda, seu primo, que eles deviam continuar praticando o Dharma de forma diligente e constante, sem buscar refúgio em coisas impermanentes, pois nelas não haveria possibilidade de conseguir a Paz.
(Buda, também chamado de Tathagata): "Eu agora estou velho, Ananda, com a idade avançada, atribulado pelos anos, avançado na vida, já no último estágio. Este é o meu octogésimo ano. [...] Portanto, Ananda, sejam ilhas para vocês mesmos, refúgios para vocês mesmos, não buscando nenhum refúgio externo; com o Dharma como a sua ilha, o Dharma como refúgio, buscando nenhum outro refúgio.[...]
Monges, esses ensinamentos que compreendi através do conhecimento direto e que tornei do seu conhecimento, vocês devem aprendê-los completamente, cultivá-los, desenvolvê-los e praticá-los frequentemente, que a vida santa se estabeleça e que dure por muito tempo, para o bem-estar e felicidade de muitos, com compaixão pelo mundo, pelo bem, pelo bem-estar e felicidade de devas e humanos." - (sintetizado de Mahaparinibbana Sutta - acessoaoinsight)
E assim disse o mestre, ciente da proximidade do Paranirvana, que é o Nirvana Final, alcançado com a morte do corpo. Tal acontecimento foi precedido por uma refeição, na qual Buda estava a comer carne de porco, quando o seu corpo rejeitou a carne e reagiu:
"E logo depois do Abençoado ter comido a refeição dada pelo prateiro Cunda, uma doença terrível se abateu sobre ele, com diarreia sangrenta e dores terríveis como se estivesse a ponto de morrer. Porém, o Abençoado suportou tudo com atenção plena e plena consciência, sem se queixar." - (retirado de Mahaparinibbana Sutta - acessoaoinsight)
Buda pediu que Ananda o levasse para perto de Kusinara, sob algumas árvores, e ele assim o fez. Vários discípulos, monges e leigos, acompanharam a assembleia que seguia com Buda até as árvores, tristes e já prevendo um luto terrível. O iluminado foi colocado sob uma das árvores e, assim, ele deitou na posição do leão, de lado, com a cabeça apoiada em sua mão. Buda permaneceu sereno, lembrando a todos que ali estavam que havia ensinado tudo o que podia para o bem de todos. Agora era sua hora, ele já havia dado muitos conselhos aos seus discípulos - chegara o momentos deles serem a luz deles mesmos.
"Então, o Abençoado disse para os monges: “Dessa forma, monges, eu os encorajo: todas as coisas condicionadas estão sujeitas à dissolução. Esforcem-se pelo objetivo com diligência”. Essas foram as últimas palavras do Tathagata." - (retirado de Mahaparinibbana Sutta - acessoaoinsight)

Tendo deixado vários ensinamentos e conselhos apontando como poderíamos alcançar a mesma realização do que ele, Buda deixou uma herança que tem sido conservada há dois milênios e meio com o objetivo de nos ajudar a nos libertarmos do sofrimento o quanto antes, nessa mesma vida. Logo, não há lugar para ir, não há de se esperar ser alguém - compreenda o sofrimento agora e liberte-se. Ninguém lhe salvará, e você não poderá encontrar estadia eterna em lugar algum, porque tudo é impermanente. Portanto, o que o Buda nos deixou foram palavras apontando como deveríamos purificar nossas mentes, agir virtuosamente para enxergar a realidade e perceber que esse lugar não é seguro e nem digno de apego, que devemos nos desapegar dele porque não há estadia eterna, não há uma entidade que você poderá ser eternamente - tudo mudará, mudará, e mudará, você não será alguém para sempre e não poderá se fixar em uma casa, porque não há uma casa. Portanto, o Buda nos ensinou a como sermos pássaros que compreendem que não podem morar em uma árvore fixa, porque tanto eles como as árvores morrem. Assim sendo, podemos voar livremente pelo céu, sem estarmos presos a nada. E, por fim, assim como os pássaros seguem a mesma trajetória dos pássaros anteriores, podemos seguir os passos de Buda por nós mesmos e despertarmos para o que ele despertou. E, dessa forma, poderemos ir para o não-ido, voar para onde o sofrimento cessa e seguir pelo céu onde pegadas não são deixadas, mas, ainda assim, as pistas para o caminho se mantêm dentro de nós, onde as asas são nossas mentes. O Buda só apontou para onde e como voar.
O Buda histórico faleceu. Mas a capacidade de despertar, de ser um Buda, continua dentro de todos nós.


Última edição por Administrador em Sex 2 Ago 2013 - 20:20, editado 10 vez(es)
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Mensagem Sex 12 Jul 2013 - 12:58

Por fim terminei a 'síntese' sobre a Vida de Buda rs
Se alguém tiver dúvidas, é só perguntar!
Mais detalhes, curiosidades e palestras dadas pelo Buda serão postadas nesse Fórum em outros Tópicos.
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Beso Cerqueira

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Mensagem Dom 3 Maio 2015 - 10:41

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Uma Síntese da Vida de Buda

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