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 Introdução ao Budismo

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Mensagem Ter 9 Jul 2013 - 8:57

Introdução ao Budismo
Buda não disse para você ser uma pessoa indiferente que não quer mais nada da vida, uma pessoa que ignora tudo a sua volta. Buda aconselhou que você visse a futilidade dos seus desejos sedentos (esse adjetivo é importante, não há como viver sem desejos) para se desapegar deles, mas isso não significa que você não fará mais nada. Você fará, mas sem ser controlado pelos seus apegos. E, só assim, sem tingir a realidade com suas opiniões e anseios, você poderá compreender as coisas como elas de fato são, mesmo que elas sejam de uma forma que seu Ego não quisesse que fosse. Foi por isso que Albert Einstein elogiou essa religião. Assim como ele percebeu que nossas percepções alteram os resultados de experiências científicas, Buda percebeu que nossos desejos nos impedem de compreender aquela que compreende, sentir aquela que sente: a mente em si mesma. Afinal, nós interagimos com o Universo a partir das nossas mentes.
Aqui será apresentada uma Introdução aos aspectos básicos do Budismo. Portanto, não construa suas opiniões apenas a partir deste texto, pois como será visto aqui, tentar compreender o Budismo apenas através do raciocínio intelectual ou das palavras, ainda mais aquelas que só servem de introdução e resumo, é um grande erro - há que se ter um bom conhecimento da doutrina e experimentar coloca-la em prática. Então, aconselho que você esvazie sua xícara de suas opiniões e preconceitos e leia de forma receptiva essa síntese sobre quem foi Sidarta Gautama, o Buda, e quais os motivos básicos que foram importantes para que ele percebesse o que percebeu.
Assim, este é apenas um pequeno resumo sobre os ensinamentos do Budismo e a vida de Buda. Ficaremos felizes em lhe dar mais esclarecimentos sobre essa religião. Para isso, pesquise pacientemente pelo site, envie a nós suas perguntas e leia mais sobre a vida de Buda no Tópico: "Síntese da Vida de Buda".
Esse é um quadro bem superficial. As doutrinas-chaves são apenas algumas das doutrinas essenciais do Budismo e foram bem resumidas. Fundador se encontra entre aspas porque Buda não tinha bem a intenção de fundar uma religião, mas apenas de divulgar práticas que conduziriam à Paz. De qualquer forma, apenas lembre-se que esse quadro é uma mera introdução.
O Budismo é uma religião não-teísta desenvolvida com base nos ensinamentos de Sidarta Gautama, príncipe nascido em Lumbini na região do  sul  do Nepal, próximo da fronteira com a Índia onde ele viria a alcançar a Paz Interior.
Arqueólogos encontraram uma pilastra construída pelo Imperador Asoka com escrituras num dialeto próximo daquele falado pelo Buda. As escrituras indicavam Lumbini, o local em que o Iluminado havia nascido. Esta imagem foi tirada do documentário da BBC sobre Buda. Para assisti-lo, clique aqui.
Antes disso, Sidarta se encontrava mesmo era com uma tristeza interior. Apesar de ser constantemente agraciado com uma vida de prazeres sensuais e luxo, Sidarta não se sentia satisfeito porque ele percebeu que tudo era efêmero e que tudo acabava - que nenhum prazer era muito duradouro. Ele ficou ainda mais angustiado, imerso numa crise existencial, quando concluiu que mesmo ele não viveria para sempre, que sua vida era igualmente finita e que a morte poderia visita-lo a qualquer momento. Em virtude disso, ele resolveu abandonar sua vida real no palácio para seguir o estilo de vida de monges mendicantes da época que se dedicavam à prática espiritual e abandonavam seus pertences materiais para buscarem um fim para o sofrimento humano. Para ele, estar atado a coisas que não duravam era insatisfatório, porque nossas vidas estão sempre oscilando entre alegria e sofrimento, saúde e doença, sendo que todos nós desejamos contentamento duradouro. Assim, ele resolveu se dedicar à vida espiritual na esperança de descobrir como escapar dessa vida insegura e impermanente.
Tendo se submetido a vários mestres espirituais e dominado variadas técnicas de Meditação, arte difundida naquele tempo, Sidarta percebeu que apesar dos prazeres espirituais serem mais duradouros do que os sensuais, eles ainda eram insatisfatórios porque não duravam muito tempo. Então, Sidarta abandonou seus mestres e se dedicou à prática do Ascetismo, castigando seu corpo com práticas dolorosas que muitos acreditavam serem necessárias para a purificação da mente, visto que muitos contemplativos alegavam que o corpo era uma barreira para a realização espiritual. Foi por isso que Gautama se dedicou a essa prática para ver se ela poderia conduzi-lo à Paz.
Porém, depois de quase 6 anos se dedicando à automortificação, Sidarta chegou à beira da morte e percebeu que praticar de forma muito tensa não o levava a nada. Pelo contrário: ele estava quase morrendo! Ele percebeu que o corpo e a mente estavam interligados e que para desenvolver uma mente saudável, seu corpo também deveria estar saudável - ele não era uma barreira para a mente, ele estava ligado à ela. Entretanto, como fazer isso?
Sidarta imaginava que a felicidade suprema que buscava surgia do Desapego, quando nos libertamos de nossos anseios e não somos dominados pela mente. Entretanto, fazendo tudo o que ele não desejava (comer pouco, não tomar banho, passar horas seguidas meditando, ficar sem respirar, entre outras práticas ascéticas), ele não conseguia alcançar a Paz Interior. Como levar uma vida saudável, sem sucumbir aos desejos da mente?
Então, ele ouviu um professor de Cítara (instrumento musical de corda) ensinar ao seu aluno que se ele deixasse a corda muito tensa, ela arrebentaria, porém, se ele a deixasse frouxa, ela não tocaria: para obter um som agradável, a corda deveria ser devidamente afinada.
Da mesma forma, Sidarta percebeu que seguindo os extremos da sensualidade ou ascetismo ele não poderia afinar a sua mente corretamente. Afinal, o caminho frouxo da sensualidade se curvava a todos os desejos da mente, mas o caminho tenso da automortificação acabava se curvando deveras ao desejo vicioso pela Paz e, assim, Sidarta continuava apegado às suas expectativas, controlado pela sua mente e insatisfeito com sua vida. Então, ele percebeu que deveria levar um estilo de vida sóbrio e equilibrado, sem cair no extremo da Cobiça (querer) nem no da Aversão (não-querer) - o Caminho do Meio.
Assim, ele passou a comer o suficiente para manter o seu corpo e começou a se dedicar à Meditação, mas dessa vez ele não se apegava aos prazeres dessa prática, ele apenas observava a sua mente e suas tendências sem ser nem cobiçoso nem aversivo. Isso significa que ele observava os seus pensamentos sem tentar expulsá-los, mas também sem acrescentar novas ideias. Ele apenas deixava seus pensamentos virem e irem, sem se apegar a sua presença ou extinção. Observando sua mente assim, de forma equânime, ela começou a silenciar  e ele alcançou estados de meditação profunda em que ele se sentia tão tranquilo e sem desejos que ele conseguia perceber a realidade da forma como ela de fato era - como ele não era dominado pelas suas próprias opiniões e condicionamentos, ele podia ver as coisas como de fato eram.
(Em uma palestra dada em um retiro em 1999, o monge Ajahn Brahmavamso explica como a tranquilidade proveniente da Meditação é importante para enxergar as coisas como são em vez de tingi-las com nossas opiniões. Veja: "Assim, quando começamos a olhar para a verdade do sofrimento, temos que ser muito corajosos para ver isso. Não apenas corajosos, mas temos que ser muito espertos também. É por isso que praticamos a meditação, porque nos sentimos tão felizes, tão pacíficos que estamos realmente abertos para ver ou ouvir o que não queremos ouvir, o que não queremos ver. É assim que, furtivos nos aproximamos do sofrimento, e finalmente somos capazes de aceitá-lo".) - retirado de acessoaoinsight.
Ele assistia os seus desejos surgirem e desaparecerem em sua mente assim como tudo o que existia: nascendo e morrendo, começando e terminando. Ele percebeu que tudo no mundo era efêmero, que nada durava para sempre. Então, não valia a pena se apegar a nada: deveríamos estar livres dos nossos apegos e a saber viver com nossas coisas sem estar agarrados a elas. Poderíamos buscar novas coisas, mas deveríamos perceber que nada é propriedade de ninguém, tudo é passageiro. Poderíamos conquistar algo, mas deveríamos estar sempre conscientes de que nada tem dono e de que nada dura para sempre do jeito que é.
Mas, por estarmos apegados a nossas opiniões e desejos, só vemos o mundo como nós queremos que ele seja, e quando ele mostra que não é como queremos, sofremos: queremos prazeres eternos, queremos que nossos amigos vivam para sempre, que sejam os mesmos que eram quando os conhecemos e que não tenhamos que trabalhar muito para conseguir o que almejamos; mas, quando as coisas não são assim, encontramos insatisfação. Mas, afinal, tudo acaba - nada dura para sempre.
Buda costumava dizer que nossas mentes deveriam ser como flores de Lótus que florescem a partir do lodo, atravessam a água até se abrirem acima dela, sem serem molhadas. Assim, nós poderíamos começar com uma mente impura, atravessar o sofrimento até abrirmos nossos olhos acima dele, enxergando a realidade claramente sem sermos 'molhados' pelos sentimentos egocêntricos.
Portanto, para alcançar a Paz Suprema, chamada por Buda de Nirvana (cessação, ou seja, extinção do apego), deveríamos adotar uma disciplina equilibrada combinada com a prática da Meditação, que observa a mente de forma desapegada para entende-la da forma como ela de fato é. Com prática e contemplação constantes, deveríamos observar todos os fenômenos continuamente e carimbar claramente em nossas mentes que nada é eterno e que nada é de nossa propriedade - assim, não há nada que seja seguro para nos agarrarmos, porque tudo é instável. A verdadeira segurança e liberdade é não desejar se apegar a coisa alguma.
Penetrando essa verdade, Sidarta despertou para a Realidade do Mundo e do Sofrimento Humano e, devido a isso, tornou-se o Buda, que significa "aquele que despertou", aquele que compreendeu a realidade e a mente.
Depois disso, ele estabeleceu várias regras e conselhos práticos de disciplina para que outras pessoas pudessem fazer a mesma coisa que ele fez e verem por si mesmas porque sofremos. Para isso, se instituiu um conjunto de regras de atitudes de Virtude que, ao serem adotadas e praticadas por um ser humano, o ajudam a se desprender dos seus apegos e a estar satisfeito com pouco. Através dessa disciplina, a Meditação fica mais poderosa, porque a mente fica mais desapegada. Estando assim menos agitada e controlada pelos seus desejos, nela se estabelece o silêncio que permite que vejamos por nós mesmos as coisas de outra perspectiva. Isso é a Sabedoria que, por sua vez, melhora a Virtude que melhora a Concentração e assim por diante num desenvolvimento gradual e cíclico
Afinal, Buda ressaltava que se libertar do sofrimento não era nem uma questão de fé cega nem de mero raciocínio filosófico: não adiantava compreender a realidade por meio das palavras. Ela deveria ser penetrada, sentida e compreendida intensamente e constantemente, momento a momento, para que constantemente estivéssemos conscientes do surgimento e cessação do sofrimento. Portanto, o Nirvana só seria alcançado através da prática. Veja como disse o próprio Buda que o que ele compreendeu não pode ser alcançado apenas pela reflexão:
(Buda): "Este Dharma (palavra com sentido tanto de fenômeno como de compreensão) que eu alcancei é profundo, difícil de ver e difícil de compreender, pacífico e sublime, que não pode ser alcançado através do mero raciocínio, sutil, para ser experimentado pelos sábios. [...] é difícil de ver esta verdade, isto é, o silenciar de todas as formações, o abandono de todas aquisições, o fim do desejo, desapego, cessação, Nirvana. " - (retirado de Ariyapariyesana Sutta - acessoaoinsight)
Assim, ele apenas enxergou a realidade como de fato era e nos aconselhou a como enxerga-la corretamente por nós mesmos. Logo, no Budismo cada um salva a si mesmo. Você não pode esperar que outra pessoa sinta o gosto de algum alimento por você: é você quem deve degustar tal coisa com o seu próprio paladar! Da mesma forma, não podemos esperar que outra pessoa mude o nosso interior: apenas nós temos acesso a ele.
Assim, cada um de nós deve entender por nós mesmos os ensinamentos de Buda que, atualmente, são sumarizados e resumidos nas 4 Nobres Verdades, o seu primeiro ensinamento:
1ª Nobre Verdade: diz que tudo é Insatisfatório porque tudo é efêmero. Com a vida, vem a morte. Com a saúde, a doença. Com a beleza, a feiúra. Para algo existir, sempre haverá seu oposto: ambos os lados estão interligados numa realidade não-dual - nenhum existe sem o outro, ambos são interdependentes. Como nada é estático, nada é seguro. Não existe uma estadia agradável para você se instalar, porque tudo oscila e se altera continuamente. Nada é certo, tudo é incerto. A única coisa de que você pode ter certeza é que nada é certo.
2ª Nobre Verdade: a Insatisfação surge do Apego (na verdade, a palavra que o Buda usou, literalmente, foi Sede, desejo sedento). Se insistirmos e nos apegarmos a apenas um extremo, como a juventude e a beleza, sofreremos. Foi o que o Buda fez: em um momento ele se apegou à Sensualidade, em seguida ele se apegou ao outro extremo, ao do Ascetismo. Entretanto,  esse apego só gera Insatisfação. Como exemplo: se quisermos que nossa felicidade dure para sempre, sofreremos. Afinal, a vida é efêmera até mesmo nisso: ora estamos felizes, ora infelizes.
3ª Nobre Verdade: para alcançar Nirvana, o fim da Insatisfação, dê fim ao Apego. Se você parar de depender de seus desejos que querem que o mundo seja de uma forma que ele não é, então você fará as pazes com a Natureza e poderá estar contente com ela. Se você quiser estar em outro lugar que não o agora, você sofrerá.
4ª Nobre Verdade: para dar fim ao Apego, siga o Nobre Caminho Óctuplo:
1- Entendimento Correto: busque compreender a realidade, perceber a efemeridade dos fenômenos naturais e psicológicos e entender como e por que o sofrimento surge.
2- Pensamento Correto: aja com boas intenções. Não faça algo pensando em obter ganhos, pelo contrário: aja buscando se desapegar, seja bondoso e compassivo e dê o que você puder para derrubar seus apegos egocêntricos, ser gentil aos outros e enxergar a realidade além das suas próprias opiniões.
3- Linguagem Correta: não use as palavras para satisfazer seus desejos. Não minta em seu benefício, não fale coisas inúteis ou fúteis. Fale o que for necessário, verdadeiro e benéfico.
4- Ação Correta: não mate, não roube, não tenha má conduta sexual e não dificulte sua prática com álcool e outras substâncias que nublam a mente.
5- Meio de Vida Correto: garanta sua sobrevivência com trabalhos dignos, sem apelar ao roubo ou ao assassinato.
6- Esforço Correto: afine sua mente e descubra como se esforçar para se desapegar, sem cair nos extremos nem da Cobiça nem da Aversão. Esforce-se para largar os sentimentos que buscam obter ou se livrar de algo: desenvolva compaixão, contentamento e reflexão de forma sóbria. Mas perceba a sutileza: largue os sentimentos ruins, então não cobice-os, mas você deve larga-los sem ser aversivo. Desapegar-se não é ser totalmente contra o apego, isso é apegar-se à ausência do apego - há uma sutileza aqui para ser percebida.
7- Atenção Plena Correta: esteja consciente do que se passa em sua mente. Vigie-a constantemente para que ela não te controle. Esteja atento ao seu corpo e não deixe que ele se curve a posições preguiçosas, mas também não muito tensas. Esteja constantemente vigilante para que sua mente permaneça sempre aberta para entender a realidade. Essa seita do caminho óctuplo também envolve lembrar o que é correto, lembrar como recolocar seu corpo e mudar seus pensamentos. Portanto, observe-se, esteja atento e lembre-se.
8- Concentração Correta: aprenda a silenciar sua mente e a torna-la desapegada, satisfeita com pouco e receptiva à realidade.
Aos 80 anos, sendo prova de seus próprios ensinamentos acerca da Impermanência, Buda também chegou ao seu fim. Para os muitos que manifestaram tristeza, Buda ressaltou que eles deveriam ser um refúgio para eles mesmos e não que deveriam ficar atados a algo que é impermanente - ou seja, não devemos estar apegados a nada. O que ele havia feito foi ensinar como fazer uma pesquisa interior, para a qual as ferramentas todos nós, assim como ele, já possuímos: nossas próprias mentes. Assim, suas últimas palavras foram:
(Buda): “Dessa forma, monges, eu os encorajo: todas as coisas condicionadas estão sujeitas à dissolução. Esforçem-se pelo objetivo com diligência”. - (retirado de Mahaparinibbana Sutta - acessoaoinsight) 
Portanto, o Buda nos deixou os conselhos de como podemos purificar nossas ações e mentes para nos desapegarmos de nossas amarras mentais e enxergarmos a verdade acerca não só da realidade, mas especialmente de quem a percebe: as nossas mentes. Assim, cabe a cada um de nós colocar os ensinamentos em prática e vermos por nós mesmos, porque, como o próprio Buda disse, devemos compreender as coisas através das nossas próprias experiências:
(Buda): "Não se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, 'este contemplativo é o nosso mestre'.  Quando vocês souberem por vocês mesmos que, 'essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem e à felicidade' - só então vocês devem entrar e permanecer nelas". - (retirado de Kalama Sutta - acessoaoinsight)

Não vamos entender nada através da fé cega em alguém, não há ninguém para nos salvar, não há filosofias especulativas que devemos ficar alimentando a todo o momento como intelectuais. Não há prática que deverá ser feita com expectativa por um paraíso posterior, e não há um inferno eterno, porque tudo é impermanente. A única coisa que há é esse momento, e esse, e esse, e esse de novo, todos esses instantes que nascem e morrem. O inferno e o paraíso estão dentro de você neste instante pouco duradouro e se você não aceita-lo como ele é, você sofrerá. O que o Buda nos disse foi para purificarmos nossas mentes, abandonarmos nossos preconceitos e enxergarmos agora, no presente momento, quem realmente somos nós e como, de fato, nossas mentes interagem com esse mundo constituído de fenômenos que constantemente vêm e vão por eles mesmos. Portanto, responsabilize-se por si mesmo e pare de distorcer a realidade: enxergue-a e aceite-a como ela de fato é. Mais do que isso: enxergue-se e aceite-se como você de fato é.


Última edição por Administrador em Dom 6 Mar 2016 - 9:12, editado 1 vez(es)
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Eduardo Frizzo

Discípulos
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Masculino
Idade : 23
Define-se budista? : Sim
Mensagens : 5

Mensagem Dom 2 Ago 2015 - 14:35

Muito bem explicado e fácil de ler ,parabéns
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