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Jeff

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Mensagem Seg 18 Abr 2016 - 17:27

Saudações!

Eu sou o Jeff, tenho 32 anos e sou de uma família que se considera cristã e que por infelicidade acabei seguindo o mesmo caminho. Mas larguei, não volto mais por achar que é uma religião opressiva e controladora.
Atualmente tenho alguns problemas espirituais e pouca paz!
Mas um belo dia acabei lendo o livro do venerável mestre Hsing Yun que fala sobre o budismo humanista e fiquei muito encantando com as palavras daquele livro, o que acabou me incentivando a conhecer mais sobre o budismo em geral.
Espero aprender bastante sobre o budismo aqui e como lidar com situações constrangedoras.

Grato!
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Mensagem Sex 22 Abr 2016 - 7:25

Olá Jeff, seja bem-vindo ao Fórum Sangha Online Bem-vindo!
Conheço muitas pessoas que alegaram terem problemas com o Cristianismo... Acho que o problema está no fato de você sempre ser empurrado para o inferno se não seguir certas regras como os 10 mandamentos ou acreditar em Deus rsrs...
O Budismo atrai muitas pessoas, dentre outros motivos, por seus ensinamentos lógicos e pelo seu convite à investigação. O Buddha não pregava para quem não quisesse ouvir - ele apenas oferecia um desafio para aqueles que quisessem tentar. E o desafio sempre era reconhecer que tipos de intenções / motivações / atitudes conduzem à paz, e quais conduzem ao sofrimento.
Mas ele já colocava um "script" pré-determinado para testarmos as nossas mentes: ele colocou que as intenções que levam ao sofrimento são aquelas que estão ligadas ao desejo por ter o que se quer, ao desejo por controle, ou por afastar o que não se gosta... E depois, na terceira nobre verdade ele diz que as intenções que levam à paz, ou ao abandono do sofrimento, são "caga" (abrir mão sem esperar nada em troca), "patinissaga" (a capacidade de abandonar as coisas, pois tudo será perdido, uma hora ou outra), "mutti" (liberdade em qualquer circunstância) e "analaya" (desapego). O básico do desafio dele é que vejamos por nós mesmos que tudo é incerto, instável e impermanente... Então, quanto mais quisermos controlar o mundo, as pessoas ou as circunstâncias - mais raiva, mais cobiça, mais desejo, mais inquietação teremos no coração. Mas, se pudermos reconhecer, por experiência própria, que a verdadeira fonte de plenitude está em cuidarmos das nossas intenções, em vez de querer cuidar dos outros ou das situações que a vida nos traz, então estaremos prontos para acolher qualquer coisa, porque qualquer coisa é boa o suficiente para cultivar a paz, para cultivar as intenções hábeis. Se as intenções hábeis são o principal, do que precisamos? Um cabelo bonito? Tempo favorável? Pessoas adoráveis e simpáticas?... À medida que a prática se aprofunda, percebe-se que qualquer coisa, verdadeiramente qualquer coisa - mesmo a morte - pode ser acolhida, porque também serve para fazer aquilo que realmente importa - cultivar o bom coração.
É tudo sobre treinar o coração e mente, pelo que tenho visto Risonho
Sobre o Budismo Humanista, não lembro muito sobre essa abordagem... como é?
Paz nas intenções, mesmo que não haja paz no mundo Grato
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Jeff

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Mensagem Sab 23 Abr 2016 - 21:23

Olá, e obrigado pelas palavras!

Bom. Mestre Hsing Yun explica que o Budismo não é uma religião isolada deste mundo e seus cotidianos.
E diz que seu sentido está nas pessoas como sempre esteve.
Bom o livro diz que praticar o Budismo longe do convívio de outros seres humanos, equivale a se afastar da sua essência e da essência do Budismo.
E diz que o Budismo é uma religião baseada na natureza humana, e que a interação com as outras pessoas é o único caminho para o autoconhecimento.
Bom é o Budismo Humanista explicado por ele.
Só gostaria de dizer que eu não entendo nada sobre o Budismo, mas li este livro, Cultivando o Bem do mestre Hsing Yun e fiquei muito admirado com os ensinamentos.
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Mensagem Dom 24 Abr 2016 - 18:53

Obrigado por me ajudar a lembrar rsrs Feliz
Dê tempo a si mesmo para conhecer o Budismo... Aventure-se na sua curiosidade sem pressa!
Provavelmente você verá que algumas tradições fazem práticas que muitas vezes distanciam-se da sociedade... mas no final das contas é para o indivíduo se aprofundar no conhecimento de si mesmo para, então, relacionar-se com os outros.
Com certeza essa prática não é sobre abandonar as pessoas e ir viver isolado... Mas o Buddha elogiava retiros eventuais, porque eles nos ajudam a conhecermos a nós mesmos para, então, nos relacionarmos com os outros. Um mestre que inspira muito minha prática é o Ajahn Brahmavamso. Faz alguns anos que ele fez um retiro de 6 meses em uma pequenina caverna de granito sem entrar em contato com ninguém. Seus discípulos apenas deixavam o "almoço" dele próximo ao local uma vez ao dia e depois recolhiam o recipiente vazio, mas nunca chegavam a vê-lo pessoalmente. Tanto antes como depois do retiro ele continua a ser uma pessoa alegre, sociável, que tem inspirado muitos budistas no sudeste da Ásia e na Austrália, onde fica o monastério dele. Quando saiu do retiro, seus seguidores informam que ele ficou 5 dias incapaz de falar, de tão extasiado e "interiorizado" que ele estava rsrs... Esses tipos de fatos realmente nos fazem questionar qual o sentido da vida - como alguém pode retirar-se durante meses, sem conversar com ninguém, e então voltar completamente pacífico e silencioso e, dali a alguns dias, tornar a dar palestras, realizar projetos sociais e, muitas vezes, a estar em mais de 2 países num mesmo dia?
Só uma provocação para despertar sua curiosidade Sorridente
Deixou dois trechos de Suttas para você:

"o Abençoado se dirigiu aos bhikkhus (monges) desta forma: ‘Bhikkhus, eu quero estar em retiro por três meses. Eu não devo ser abordado por ninguém exceto aquele que me traz a comida esmolada.’
“Sim, venerável senhor,” aqueles bhikkhus responderam e ninguém se aproximou do Abençoado exceto aquele que lhe levou a comida esmolada.
Então, quando havia passado três meses, o Abençoado emergiu do seu isolamento e se dirigiu aos bhikkhus desta forma:
“Bhikkhus, se errantes de outras seitas perguntarem a vocês: ‘Em que permanência, amigos, em geral o Abençoado permanece durante o retiro das chuvas?’ – sendo assim perguntados, vocês deveriam responder a esses errantes assim: ‘Durante o retiro das chuvas, amigos, o Abençoado em geral permanece na concentração através da atenção plena na respiração.’" - http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNLIV.12.php

Mas o Buddha sempre associava o desenvolvimento da Atenção Plena e da Meditação com o desenvolvimento do Amor Bondade e bom relacionamento com os outros seres:


“E como é, bhikkhus, que protegendo a si mesmo, ele protege os outros? Através da perseverança, desenvolvimento e cultivo dos quatro fundamentos da atenção plena. É desse modo que protegendo a si mesmo, ele protege os outros.
“E como é, bhikkhus, que protegendo os outros, ele protege a si mesmo? Através da paciência, não fazendo o mal, através de uma mente com amor bondade e compaixão. É desse modo que protegendo os outros, ele protege a si mesmo." - http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNXLVII.19.php
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Jeff

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Mensagem Qui 23 Jun 2016 - 14:01

14:00:49

Olá Administrador!

Seria sempre bom ter a proteção dos espíritos, ainda mais se fossem do budismo, se é que posso chamar de espírito!

Bom, o que eu queria saber é: Qual a diferença entre a linha Theravada e Mahayana.

E se você teria algum conhecimento sobre um bom livro budista pra principiante.

Desculpe se aqui não é o lugar certo para fazer essas perguntas.

Desde já agradeço!
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Jeff

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Mensagem Qui 23 Jun 2016 - 14:44

Só gostaria de saber como ponho meu avatar?
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Mensagem Dom 26 Jun 2016 - 12:32

Jeff escreveu:
14:00:49

Olá Administrador!

Seria sempre bom ter a proteção dos espíritos, ainda mais se fossem do budismo, se é que posso chamar de espírito!

Bom, o que eu queria saber é: Qual a diferença entre a linha Theravada e Mahayana.

E se você teria algum conhecimento sobre um bom livro budista pra principiante.

Desculpe se aqui não é o lugar certo para fazer essas perguntas.

Desde já agradeço!

Pode-se falar espíritos, ou Devas rsrs... É bom ter a proteção deles, mas eles não podem proteger contra as coisas mais importantes, então não resolve o essencial - por isso o caminho mais importante só pode ser seguido por cada um.  Feliz
Sobre o Theravada e Mahayana, é meio complicado, porque esse tema é muito vasto e há muita discussão e debate em torno disso.
Em suma, Theravada é a escola mais antiga que se baseia nos Suttas do Cânone em Páli, que são as escrituras mais antigas do Budismo. O Theravada teve alguns acréscimos culturais, a depender dos países onde se instalou, e por isso há linhagens diferentes dentro dessa escola.
Com o Mahayana, que veio depois, aconteceu a mesma coisa, mas eu vejo que o Mahayana tem não só mais acréscimos culturais, mas também acréscimos doutrinários. Dentro da Escola Mahayana costuma-se colocar diversas Linhagens, inclusive Budismo Tibetano, Zen, Nitiren Daishounin, Kadampa, Terra Pura, entre tantos outros. Em geral, essas tradições "Mahayanistas" também se baseiam no Cânone em Páli e acrescentam as doutrinas de alguns mestres ícones de cada tradição, sendo que em algumas tradições o Cânone é reinterpretado ou readaptado. 
No Zen, há mestres como Dogen e Suzuki que se tornaram ícones dessa tradição e acrescentaram doutrinas e práticas aos ensinamentos do Buddha, como "zazen", "shikantaza", "kinhin" entre outras práticas japonesas para ajudar na meditação. Essa tradição também incluiu conceitos como "inter-dependência".
No Tibetano também há vários acréscimos ricos, conceitos como "ringpa" que no Dzogchen, linhagem tibetana, representa a natureza de saber e consciência iluminada da mente. Na Escola Tibetana, como na maioria das tradições Mahayana, se valoriza muito a figura do Bodhisatva, que é um indivíduo que "abre mão da própria Iluminação" para ajudar os outros a alcançarem sua Iluminação primeiro. Aí tem várias ideias. Alguns dizem que o Bodhisatva é aquele que alcançou a Iluminação, mas que renuncia ao Parinirvana (morrer sem renascer) para poder renascer mais vezes e ajudar aos outros. Outros colocam que o Bodhisatva é aquele que pratica o Dhamma com afinco, mas não se esforça muito em aspectos como meditação e sabedoria para não alcançar a Iluminação a tal ponto que não possa renascer para ajudar aos outros seres. Essa ideia está ausente no Theravada, onde "Bodhisatva" significa meramente alguém que busca a Iluminação.
No Budismo Terra Pura, existe o conceito de um "reino" em que os praticantes dedicados podem renascer para praticarem o Dhamma com tranquilidade e sem distrações, até que alcancem a Iluminação.

É importante perceber que no Mahayana há muita variedade. Há escolas que apenas acrescentaram algumas coisas aos ensinamentos do Buddha. Há outras que reinterpretaram as escrituras, mudaram o sentido do que o Buddha falou. Outras que pegaram ideias do Buddha e o repetiram sob novos nomes e conceitos, em outras línguas que não o páli e o sânscrito (como japonês ou tibetano). 
Mas tem de ter cuidado, porque eu vejo escolas boas e inadequadas no Mahayana. Há escolas que ensinam coisas até opostas ao que o Buddha ensinou. Aí cada um tem que ter o senso crítico de detectar o que está correto ou não.
Por outro lado, há escolas de muita sabedoria e inspiração. 

No Theravada acontece a mesma coisa. Em geral, o Theravada é mais "seco", sem muitos acréscimos culturais, porque se baseia em menos conceitos e escrituras. Porém, há tradições do Theravada que se corromperam ou distorceram os ensinamentos, ou ainda que se misturaram com tradições culturais que vão contra valores ensinados pelo Buddha.

O importante é você identificar quais escolas ensinam o que de fato o Buddha ensinou, e dedicar-se aquela que melhor traduzir e comunicar os ensinamentos para você. Vejo escolas boas tanto no Theravada como no Mahayana, e essas geralmente dialogam e até citam conceitos umas das outras. Você pode ver lamas tibetanos falando sobre a ideia de Vacuidade do Budismo Zen, ou monges theravada refletindo sobre o conceito de Ringpa presente no Budismo Tibetano Dzogchen. 

Tenha paciência e abertura para conhecer as escolas, mas busque também compreender o que, fielmente, representa os ensinamentos do Buddha. Infelizmente, existem escolas bem intencionadas, mas que se desviaram do que o Buddha ensinou. 

Sobre livros, não conheço muitos para principiantes. No princípio eu me baseei mais em textos de monges e do Cânone em Páli. Mas o que você gostaria de saber? História do Budismo? Como praticar no dia a dia? Meditação? Vida do Buddha? Especifique melhor, às vezes podemos ajudar!  Piscadela
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Jeff

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Mensagem Dom 26 Jun 2016 - 20:37

De certo seria ótimo se adentrar na linha mais correta conforme os ensinamentos do Buda!
É bom ler muito sobre o Budismo, mas é muito bom colocar em prática também.
Eu quero aprender a praticar, ainda mais sobre a meditação, mas minha mente pensa de mais e não sei se isso dificultaria.
Seria bom ouvir músicas budistas e meditar?

Agradeço!
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Mensagem Dom 10 Jul 2016 - 20:04

É difícil dizer que há uma linha mais correta, porque cada linha está cheia de diversas linhas dentro dela rsrs... Tem que investigar bem. Gosto da Theravada porque em alguns países essa tradição é mais simples e sem muitos acréscimos. Acho ela "direta ao ponto" rsrs...

Sobre a mente pensante, isso praticamente todos passam. Tem que ser paciente e ajudar a mente a reconhecer, aos poucos, o prazer do silêncio. Porque, no começo, silêncio é algo assustador para a mente - e por isso ela usa os pensamentos como uma forma de fuga. Ou ainda, somos nós mesmos que recorremos aos pensamentos como uma forma de fuga, ou ainda de prazer. Gostamos de ficar fantasiando, pensando nas fofocas do dia anterior ou como gostaríamos que fosse nosso dia amanhã. Temos prazer em pensar, mas não reconhecemos que esse prazer no qual vivemos está relacionado a coisas que passam, que serão perdidas, que são transitórias. Passamos a vida inteira pensando e aí, no final da vida, se fôssemos ver todo o tempo que gastamos pensando, viríamos que pouquíssimas vezes pensamos em coisas realmente úteis ou de valor, porque, afinal de contas, o que realmente tem valor? As qualidades que cultivamos no coração ou as coisas que conquistamos lá fora? As coisas que conquistamos lá fora só tem valor no sentido em que nos ajudam a fazermos coisas boas, para então as largarmos e seguirmos em frente. 

Então a meditação nos ajuda a pensar no que é realmente benéfico a todos, e também nos ajuda a cultivar essa qualidade do silêncio, que envolve reconhecer o que acontece quando as coisas são acalmadas ou "pacificadas" como o Buddha dizia. Sabedoria vem do silêncio, porque quando as coisas silenciam, descobrimos o que acontece quando elas são abandonadas ou "desativadas". E acontecem coisas incríveis que cada um tem que ver por si mesmo rsrs... Mas o básico que se pode ver é que, quando permitimos que as coisas acalmem e se assentem, surge uma grande satisfação e contentamento na mente. Isso é muito controverso, pois a fé geral é de que quanto mais estímulos ou experiências tivermos no mundo, mais realizados ou felizes seremos. E realmente adrenalina, orgasmos e outras coisas intensas na vida trazem muito prazer... mas quanto essas coisas realmente duram? E por quanto tempo nós, de fato, permanecemos gostando das mesmas coisas? Por isso eu sempre repito: experiências e preferências são impermanentes. Apegar-se a essas coisas é confiar nossa felicidade a coisas que ou acabarão em breve, ou nos enjoaremos em breve. Assim são os prazeres dos 5 sentidos. Agora, quando se cultiva o silêncio, descobrimos que a mente se satisfaz sozinha, por si mesma, apenas porque ela deixou de ligar para os 5 sentidos. É a partir daí que passamos a entender o que é sabedoria.

Só que reconhecer esse prazer leva tempo, porque a mente quer sempre fugir do silêncio pensando e falando  Confuso Como cultiva-se o silêncio? Por meio do acolhimento, paciência, aceitação e generosidade. O silêncio só ocorre quando permitimos que o barulho passe por si mesmo. É esse "permitir o barulho passar" que nós não entendemos, e que todos os meditadores, praticamente, sofrem um tempo para entender. Porque o silêncio só vem quando ficamos contentes com o barulho. Só vem quando acolhemos o barulho, e deixamos ele estar, deixamos ele passar. Porque quando nos incomodamos com o barulho, então só fazemos mais barulho. "Silêncio!" nós pensamos, e isso só gera mais pensamentos. "Eu quero o êxtase da paz da meditação!", e isso só gera mais pensamentos. Então, a forma correta é sentar-se, deixar os pensamentos fluírem, mas sempre manter-se como um observador afastado. Esse é o "pequeno esforço" que fazemos durante a meditação. De nos afastarmos. É como observar crianças brincando de pega-pega num lago. Elas vêm te chamar para brincar também, e você vai lá e tenta fazê-las pararem com a brincadeira, porque você quer ver o lago calmo. Mas quanto mais você tenta pará-las, mais elas saem correndo de você, e mais o lago se agita. Então você desiste, se senta, e quando elas vão te perturbar ou te chamar, você apenas sorri: "Não, obrigado". Não importa se elas te atormentam ou se te ignoram e fazem bagunça no lago, você apenas sorri e permanece observando. Uma hora elas vão se cansar da sua indiferença, e vão se cansar de brincar também, e acabarão indo embora. Então, se você for capaz de continuar aguardando mais um pouco, pacientemente, poderá ter a alegria de ver o lago calmo e natural. 

É por isso que Ajahn Amaro diz: a melhor forma de acalmar os pensamentos é ouvi-los. Não tente calá-los, não tente silenciá-los: deixe-os vir, deixe-os estar, deixe-os passar. É MUITO difícil entender isso na prática. Lendo é maravilhoso, mas quando nos sentamos para meditar, a gente simplesmente não entende. Nós tentamos um pouco, e aí pensamos: "Não estou vendo resultado. Cadê o êxtase?" mas somos nós pensando de novo rsrs... 

Se houver muita dificuldade nesse sentido, tente usar um mantra e direcione sua mente para os espaços entre as palavras ou sílabas, para acostumar sua mente ao silêncio. Use um mantra tipo: "Bud-dha". E dê espaços... "Bud...... dha....... Bud..... dha......" Sempre que você verbalizar uma sílaba, depois dela a mente ficará quieta um pouco antes de começar a pensar de novo, aí você a chama ao silêncio de novo com a próxima sílaba. "Bud.....", e observa o silêncio. "-dha.....", e observa o silêncio.
Ou pode usar a meditação da respiração contando, ou sem contar. Existem vários meios. Mas se houver dificuldade no começo, busque esses tipos de técnicas para chamar a atenção da mente para o silêncio, e aos poucos ela irá se acostumar. Mas o essencial é reconhecer esse tipo de atitude: de acolher qualquer coisa que estiver presente. Este é o cerne da meditação. Ajahn Brahm diz: a essência não está nem no observador nem no observado (respiração, mantra, silêncio), mas naquilo que você coloca entre os dois. Você coloca impaciência, inquietação, ansiedade, ou você coloca aceitação, alegria, contentamento? Aí é que está. O ponto não é mudar o que você está experimentando, mas COMO você está experimentando. Haja silêncio ou pensamentos, raiva ou amor, tristeza ou alegria, olhe com aquele sorriso, e apenas diga "Não, obrigado". Assim, qualquer coisa que você estiver experimentando irá se acalmar e assentar, e só então a sabedoria poderá surgir, porque a sabedoria vem de olhar as coisas quando elas estão pacificadas ou até ausentes. É como aquele símile: um girino, ao tornar-se sapo, ao sair da água obtém uma compreensão do que é água que ele não teria se continuasse dentro dela. Da mesma maneira, quando a mente abandona o mundo e pacifica os 5 sentidos, ela obtém uma compreensão maior sobre o que é o mundo, o que é o corpo, o que é prazer e o que é felicidade. 

Importante é ter paciência com a mente e deixá-la se assentar. Não somos nós que silenciamos a mente - nós apenas permitimos que ela silencie sozinha. Interfira menos, acolha mais.  Tente investiga na própria prática! 

Sobre músicas, é bom evitá-las, porque se não você gera uma dependência para com coisas externas. O importante é você cultivar dentro de si uma paz que não dependa de experiências específicas. Haja música ou silêncio, calor ou frio, humores bons ou ruins na mente, coceiras ou não no corpo - o importante é que você conheça o contentamento e a serenidade que podem coexistir com essas experiências pacificamente.  Grato
Se quiser outras fontes audiovisuais para inspiração:
https://www.youtube.com/watch?v=f09aRoe2fxY - Gangaji diz "pare de olhar para o que deseja". Apenas esteja presente. Apenas acolha o que estiver presente. Nada pode agitar uma mente que sempre está facilmente satisfeita. Independente se houver raiva, orgulho, alegria, inveja, melancolia, euforia, calma ou qualquer outro humor presente, uma mente com poucas exigências dificilmente ficará incomodada. É essa mente simples e acolhedora que buscamos cultivar. "O que quer que esteja presente, é bom o suficiente para sorrir e silenciar".


[Traduzindo: "A melhor maneira de lidar com muitos pensamentos é simplesmente ouvi-los - ouvir a mente. Ouvir é muito mais efetivo do que tentar parar ou cortar os pensamentos."]
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