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 O que você está achando do Budismo?

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O que você está achando do Budismo?
 Estou gostando da religião!
 Uma das poucas religiões que me atraíram.
 Gostei, mas prefiro outras religiões.
 Difícil de entender, continuo pesquisando.
 Interessante, procurarei saber mais sobre!
 Não gostei - não é o que parece.
 Não concordei com muitas ideias!
 Outro - Comente no Tópico!
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AutorMensagem
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Mensagem Sab 29 Jun 2013 - 21:57

O que você está achando dessa Religião Oriental, fundada a aproximadamente 500 a.C.?
Está tendo dificuldades para entende-la? Acha uma religião complicada ou muito simples?
Você simpatizou com o Budismo ou não?
Acha que essa Religião tem alguma mensagem de valor a passar?
Opine!
Montagem realizada com a imagem da estátua de Buda de Hong Kong.


Última edição por Administrador em Sab 31 Ago 2013 - 10:20, editado 6 vez(es)
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Leo

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Mensagem Seg 1 Jul 2013 - 19:12

para mim foi uma das poucas que eu gostei
não é a toa que um monte de cientista e psicólogo elogiam a religião
mesmo que fale de reencarnação, o que eu acredito, tanto o budismo como o espiritismo não são tão irracionais como tantas outras... é o que eu acho Piscadela


Última edição por Leo em Seg 5 Ago 2013 - 16:04, editado 1 vez(es)
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Mensagem Sex 5 Jul 2013 - 11:28

Leo escreveu:
para mim foi uma das poucas que eu gostei
não é a toa que um monte de cientista e psicólogo elogiam a religião
mesmo que fale de reencarnação, o que eu acredito, tanto o budismo como o espiritismo não são tão irracionais como tantas outras... é o que eu acho ;)

Para mim também foi uma das poucas que me atraíram.
O que mais me chamou a atenção foi que Buda pedia que o questionassem, que investigassem o que ele falava, que ninguém deveria acreditar nele sem ver por si mesmo - isso sem dúvida foi determinante para mim e para muitas pessoas para escolher o Budismo.
Além disso, como o próprio Albert Einstein disse, a religião é muito útil para nosso estilo de vida atual.
Apesar de ter ensinado 500 anos a.C., os ensinamentos de Buda se provam atemporais - eles foram feitos para nossas mentes, não para uma sociedade. Então, independente de em que época ou local estejamos, basta sermos seres humanos que entestam com o sofrimento que, os ensinamentos de Buda, já se mostrarão muito valiosos.
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be77

Discípulos
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Mensagem Sab 21 Set 2013 - 19:59

Uma das poucas religiões que me atraíram.

Gostando muito da liberdade de pensamento, e a não necessidade de a fé vir antes de tudo, mas sim de experimentar antes de acreditar.
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Convidado

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Mensagem Seg 4 Nov 2013 - 11:28

Acho que foi a unica religião que não me procurou, eu fui até ela.
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andrepvjr

Discípulos
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Mensagens : 8

Mensagem Seg 4 Nov 2013 - 15:36

Eu gostei muito, MUITO MESMO, mas tem coisas que eu simplesmente não vou conseguir me desapegar (porque eu não quero me desapegar) eu não consigo observar a sociedade, e a vida das pessoas ao meu redor e simplesmente "observar como as coisas são" eu quero e preciso mudar! E isso se aplica a muitas outras coisas e pessoas, então eu acho que não posso compreender o sofrimento e assim aceita-lo como parte integral da minha pessoa e saber lidar com ele o "observando" enquanto ele flui por mim!
Eu não desisti da minha busca pela paz interior, mas infelizmente ela não será através do budismo! (ao menos pelo que eu entendi como objetivo do budismo).

Ps. Deixando bem claro que eu respeito e admiro muito aqueles que se dispõem a se desapegar de tudo para alcançar a sabedoria e ver as cosias como elas são (monges) mas não acredito que posso chegar nem próximo disso!

Ps² Tentando me expressar melhor, eu acho que, pelo que eu entendi do budismo, não existe revolta, não existe descontentamento, e só o conforto e o contentamento, mas eu não consigo ver como viver dessa forma pode ser um beneficio pra mim (eu não sei usar as palavras certas, espero estejam me entendendo). Uma amiga minha disse que eu sou muito 8 ou 80, eu até concordo com ela, mas é porque nesse caso especifico eu não consegui encontrar o meio termo!

_________________________________________________________________________________________________
André Junior, adolescente com crises existenciais, imperfeições, mas que está em busca de melhorar como pessoa. Tanto para si, como para as outras pessoas ao seu redor!
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Administrador

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Mensagens : 488

Mensagem Seg 4 Nov 2013 - 23:03

Você foi sortudo (ou não [?]), porque saiu um texto grande rs. Tentei explicar que Budismo, na verdade, envolve muita iniciativa e Esforço; e que o Desapego não é uma atitude passiva, pelo contrário: é ativa. Ficar buscando satisfazer apegos para sentir felicidade momentânea é que é passivo - e é o que a maioria das pessoas estão fazendo. Você não consegue desapegar porque acha que só será feliz quando alguns desejos se realizarem, mas você precisa enxergar a impermanência nesses desejos para não leva-los tão a sério e ser capaz de encontrar a felicidade independente da concretização dos seus desejos. Isso é desapegar. Consegue fazer isso? Não é fácil porque requer esforço. Então, num certo ponto, a prática não é confortável - é árdua. Você tem que ser paciente e determinado (dois dos dez paramis - perfeições) para enfraquecer esses apegos e descobrir a felicidade maior do que aquela que depende da concretização das suas vontades.
Não sei se consegui captar bem o que você está querendo dizer. Parece que você pensa que no Budismo existe uma certa passividade e conformidade com o mundo, de tal forma que no Budismo os praticantes não buscam mudar muito as coisas, mas apenas "observá-las e aceita-las", mas não é bem assim. No Budismo os praticantes precisam mudar, precisam ser ativos! Não é apenas "se observar e se aceitar do jeito que está mesmo", você tem que mudar seus hábitos. Veja:
[Buda]: “Um monge dedicado ao treinamento da mente superior, no momento apropriado, deve dar atenção a três sinais. Ele deve no momento apropriado dar atenção ao sinal da concentração, no momento apropriado dar atenção ao sinal do esforço energético, no momento apropriado dar atenção ao sinal da equanimidade.
Se um monge dedicado ao treinamento da mente superior der exclusiva atenção ao sinal da concentração, é possível que a mente dele seja capturada pela indolência. Se ele der exclusiva atenção ao sinal do esforço energético, é possível que a mente dele seja capturada pela inquietação. Se ele der exclusiva atenção ao sinal da equanimidade, é possível que a mente dele não fique bem concentrada para a destruição das impurezas." - (retirado de Nimitta Sutta - acessoaoinsight)

Veja os três sinais destacados: concentração, esforço e equanimidade. Se você não souber equilibrar esse trio, a prática não prossegue.
Pelo que você diz, parece que você está vendo o Budismo como muito focado em equanimidade - observar as coisas de maneira passiva sem agir de nenhuma maneira em sua forma de ser e no mundo. Não é bem assim que funciona - Equanimidade é uma parte da prática.
Além disso, existem praticantes que dão muito foco ao sinal do Esforço. Querem Atenção Plena a todo o momento, querem que um obstáculo desapareça com força de vontade, e vão tentando fazer as coisas com Esforço excessivo - essas pessoas ficam tensas.
Outros se apegam muito à mente meditativa e concentrada, e acabam induzindo a mente num estado de torpor e inação - ela não faz mais nada senão meditar, meditar e meditar. Ela deve ser usada para  investigar também!
Você parece estar se apegando a ideia de Equanimidade, mas ela é apenas uma parte.
Observar as coisas como são envolve um esforço ativo. Equanimidade não é indiferença. Na verdade, demora um tempo para entendermos o que é equanimidade verdadeira. Equanimidade surge de uma observação com uma mente pacífica. Essa mente se sente tão completa interiormente, que ela é capaz de observar os fenômenos externos sem tentar buscar coisa alguma neles. É nesse instante que você vê as coisas como de fato são: quando você para de distorcê-las com sua cobiça e aversão.
Para chegar a esse estado, você precisa de Concentração. E, para chegar à Concentração, você precisa de Esforço. É "meio linear" dessa maneira rs
Você está observando as coisas com indiferença, aversão ou um desânimo, pelo que parece (posso estar interpretando mal). Só que nisso você ainda está distorcendo as coisas. Nisso você já está apegado, não vai conseguir desapegar mesmo! Você precisa começar com o Esforço, só que esse Esforço deve ser afinado e equilibrado, devidamente direcionado para o Desapego.
Por que é necessário esforço para desapegar? Porque a mente não quer se desapegar, ela pensa que há certo valor ou prazer em ter cobiça por algumas coisas e aversão por outras.
E como funciona esse esforço de desapegar? Você precisa aprender, primeiramente, a deixar sua mente mais leve. Isso requer aprender (requer tempo), inicialmente, a parar de alimentar sentimentos negativos como raiva e aversão. A indiferença e desânimo são, na verdade, um produto sutil de aversão: há algo desanimador na vida, ou a vida não tem graça, ou há algo que você quer (cobiça) e por não estar conseguindo você se sente desanimado. Você precisa aprender a largar isso.
O problema é que, no começo, ainda não temos habilidade em Desapegar. Então, no começo, Desapegar é meio que "Suportar", tolerar, aguentar. Como assim? Você tenta parar de dar continuidade aos seus hábitos. Se você não consegue se desapegar deles com facilidade, então apenas pare de alimentá-los e "resista". Com a raiva por exemplo, o ideal no Desapego é que você "converta" a raiva em Amor Bondade; mas se para você isso parece difícil, então apenas resista a tentação de alimentar a raiva. Fique inteiramente atento à mente, e não alimente os pensamentos que surgirem, resista a tentação de ir junto com a raiva. No começo isso é desesperador, um esforço extraordinário tem de ser feito - aqui, você não deve focar em equanimidade - para que você possa se separar da sua raiva. Você precisa resistir a tentação de concordar com seus pensamentos: "Ele não pode fazer isso comigo!", perceba: "Isso é sofrimento desnecessário para mim", tente resistir, mantenha-se no lugar. Com o tempo e esforço contínuos, você começa a separar um pouco a raiva de "você", e começa a enxerga-la melhor. É apenas você não sabendo aproveitar uma certa situação, criando sofrimento para si mesmo. Demora para perceber isso, não é uma coisa fácil. E é preciso Esforço, é preciso Esforço para resistir a alimentar sentimentos negativos, para então você começar a se soltar e desapegar lentamente e enxergar esses sentimentos por o que eles são.
Você disse que está tendo problemas com seus amigos. Vou compartilhar alguns problemas que eu tive - haja paciência, que lá vem história rs
Quando criança, eu fui uma pessoa muito tímida - na verdade desde bebê Envergonhado 
E, para ajudar, muitas pessoas usaram do meu jeito quieto para me oprimirem e me excluírem. Sofri muito bullying desde o pré.
Eu acabei me tornando uma pessoa isolada, triste, e que via que a única oportunidade de eu ser feliz seria ter amigos. A partir daí, comecei a fazer de tudo para agradar as pessoas, especialmente por dois motivos: para conseguir amigos e para não mostrar qualquer defeito que pudesse ser uma justificativa para que alguém zombasse de mim.
Nem sempre tive sucesso - sempre que alguém quiser, uma pessoa poderá encontrar defeitos em você. Continuei tímido, e hoje isso ainda é perceptível em mim, apesar de bem menos. Também virei uma pessoa com pouca autoestima, porque eu buscava agradar aos outros, mesmo que isso exigisse que eu atropelasse meus interesses.
Aconteceu que ao final do Ensino Fundamental isso foi mostrando resultado. Eu comecei a arrumar amigos, me encaixar em grupos (uma coisa tão difícil para mim rs) e a ser visto como uma boa pessoa - é claro, eu fazia de tudo para ser um bom amigo, isso porque eu segui rigidamente a seguinte frase: Se quer ter amigos, seja um. Esse "querer", oxe rs.
Então, uma reviravolta: mudança de cidade. Para mim pareceu como se aquilo pelo qual eu mais lutei em toda a minha vida tivesse sido tirado de mim em poucos instantes. Sem amigos outra vez, numa nova cidade, e ainda com aquele jeito tímido e quieto. Não foi de surpreender que eu sofri Bullying de novo - que desespero rs! Mas ainda assim fiz amigos, mas já não era suficiente. Eu estava triste, depressivo, aversivo. Eu fiquei realmente indiferente, porque a vida perdeu o sentido para mim. Eu me sentia encaixado, eu me sentia parte de algo, e lutei aquilo desde a minha pequeninha infância, desde os meus 6, 7 aninhos, até os 14, e simplesmente fim de tudo! Eu fiquei uma pessoa indiferente, que não tinha interesse por nada. Era apenas Casa - Escola, Casa - Escola. Se eu não precisasse ir à Escola, nem iria, era apenas por obrigação. Vivia como um robô, fazendo apenas o necessário, as obrigações; porque não havia nada além disso - não havia nada que eu pudesse fazer e me sentir feliz, não via nada que pudesse fazer isso.
Não demorou muito e mudei de cidade de novo. Acabei reforçando o meu "querer agradar" e o primeiro grupo que me acolheu, logo copiei o estilo deles. Queria me encaixar de novo, não podia continuar daquele jeito! E eu consegui, mas ainda existia alguma insatisfação dentro de mim. Eu não estava sendo eu mesmo. Tudo o que eu fazia era dirigido por ser aprovado, por ser adorado, por ser visto, por ser reconhecido. Tudo o que eu fazia era por esse objetivo, mas para mim não parecia haver nada de errado: o objetivo do ser humano é ser feliz, não é?
Mas não havia verdadeira felicidade nisso. Aconteceu que eu dirigi toma minha felicidade a isto: a ser encaixado em um grupo, a ter amigos. E isso foi muito marcante para mim, porque as pessoas zombavam de mim, e nós já vemos aquilo como sofrimento! Então, o "mundo me ensinou que não ter amigos é sofrimento". Assim, para mim, a única coisa que parecia ter sentido era ter amigos, mesmo que eu tivesse que fazer de tudo para agradá-los.
Mas eu comecei a perceber que não é assim, porque isso era algo pouco duradouro, muitas vezes aconteciam brigas e divergências, era impossível que meus desejos fossem continuamente preservados. Mesmo em relação a minha mãe eu atropelava minhas vontades, para tentar agradá-la e fazer o que ela achava certo. Minha felicidade sempre dependia do que os outros pensavam de mim - isso é timidez. Só que meu foco estava totalmente errado! Eu estava tentando conseguir a aprovação de outras pessoas, sendo que somente eu estou comigo mesmo 24 horas por dia. Eu estava tentando agradar a todos, o que é impossível - nem Buda ou Jesus o fizeram! E eu fui tolo de passar meses vivendo como um robô porque a vida não era como eu queria, isso é, eu não tinha amigos, eu não estava na cidade que queria estar, na escola que queria estar, eu não era visto como queria ser; eu parei de ser feliz porque as coisas que eu queria não eram atendidas. Se você observar isso no seu dia a dia, e fizer um esforço para observar isso durante um tempo, aos poucos (requer tempo e esforço, lembre-se) perceberá que isso é tolo! Tudo é impermanente, nada é durável. Se você fixar sua felicidade como dependendo de conquistar alguma coisa, você sempre será aprisionado pelo sofrimento. Por quê? Porque você faz sua felicidade depender de coisas condicionadas, de coisas que variam, que não duram sempre. Com essa perspectiva de que "ser feliz é ter meus desejos atendidos", você vive oscilando entre sofrimento-felicidade, e a vida segue assim, até que você morre. E o que você leva disso?
Então, eu resolvi parar com isso, mas não foi fácil! Mesmo com a ajuda do Budismo, eu demorei meses, anos para me libertar disso. Continuo trabalhando com resquícios e "sequelas" desses meus traumas que vieram desde a infância, mas hoje vejo a grande diferença que há em mim! Eu digo: hoje tenho poucos amigos, mas tenho mais amigos do que antigamente. As pessoas não entendem quando eu falo assim, mas o que quero dizer é: hoje, menos pessoas são minhas amigas, mas eu me sinto amigo de mais pessoas. Dessa forma, eu considero muitas pessoas como minhas amigas (busco considerar a todas), mesmo que poucas me considerem como um amigo. Apesar disso, hoje sou mais feliz do que antigamente.
Acontece que troquei a Felicidade Mundana pela Felicidade Espiritual, podemos dizer assim. Felicidade Mundana é essa felicidade que só se concretiza com a realização de desejos. Agora, a Felicidade Espiritual é a felicidade que se concretiza com o desapego, que acontece quando você é capaz de enxergar os pontos positivos no momento presente, quando percebe que nada dura, e que, assim, é tolo tentar fazer algo durar mais ou menos.
Só que isso não é fácil, e isso não é feito apenas observando. É, mas não é; porque para "apenas observar", um grande esforço deve ser feito! Você pode estar pensando que apenas parar e refletir é esse "observar" que falamos no Budismo, mas isso é um observar corrompido pelo seu desânimo e tristeza. Você precisa fazer um Esforço para conhecer essas corrupções! Um esforço para se separar delas e um esforço para enfraquece-las.
Hoje, eu não busco mais agradar; nem busco desagradar. Busco apenas fazer o que é mais benéfico a mim e aos outros. Às vezes as pessoas gostam, às vezes não, mas não importa! Não digo que não surge ainda aquele sentimento de "Estão me achando chato", nesse momento é necessário um esforço novamente!
Toda essa minha mudança não foi fácil. Precisei de muito esforço e paciência. Não foi apenas observar durante um tempo e, de repente, meus hábitos mudaram. Você realmente precisa fazer o que você não gostaria de fazer, ou tentar algo que você não tentaria. Você precisa largar o hábito de concordar com seus pensamentos raivosos e fazer um esforço para se separar, e olhar: isso é necessário?
Outro aspecto importante é Contentamento: você precisa aprender a estar contente no agora, não importa o que está acontecendo. Isso é verdadeira liberdade - estar feliz independente do que está acontecendo. Essa é a Felicidade Espiritual de que falei! Com essa qualidade, eu aprendi até a ser meio travesso rs. Numa situação desesperadora, você vê algo positivo e até ri de si mesmo: quanta criatividade em ver o lado positivo numa situação como essa! E isso requer esforço, não é apenas observar.
Se você focar muito em Equanimidade, em só observar, sua mente vai ficar letárgica e indiferente. Você precisa equilibrar as coisas. Equanimidade real traz um certo êxtase na mente, uma paz, uma alegria e um sentimento de plenitude, que parece expandir sua cabeça e seu crânio. É uma sensação de plenitude, independente se seus desejos são concretizados ou não.
Para isso é necessário Esforço. Faça um Esforço para tentar entender os sentimentos que deixam sua mente pesada ou desanimada. De onde elas vêm? Por que elas surgem? Quais são os seus desejos? Faz sentido buscar realiza-los? Como ser feliz independente das condições do momento?
Os meus sentimentos vinham de um trauma da infância. Surgiam porque eu era criticado, porque zombavam de mim, porque eu era excluído, porque eu não conseguia agradar. Meu desejo era ter amigos, era estar encaixado em um grupo, mas não faz sentido buscar isso; porque não se pode agradar a todos, e minha felicidade fica dependendo de condições efêmeras. Como mudar isso e ser feliz a cada momento? Descobrir a felicidade de agir de forma benéfica, independente do que achem! Não é porque estou encaixado num grupo ou porque gostaram do que eu fiz, mas é a felicidade pelo simples prazer de fazer algo bom, que tenha valor, que agregue coisas boas a mim e aos outros. Não é mais questão de agradar ou não agradar, é apenas questão de fazer o que é benéfico às pessoas!
Não é mais questão de que as pessoas façam o que eu quero, mas questão de que eu faça o que é melhor e hábil.

Você também diz que o Budismo parece apelar muito para conforto, que ver as coisas como são como monge não vai te ajudar... Parece que você vê isso como uma certa inatividade, mas não é bem assim. Buda fundou uma enorme organização, Arahants compilaram textos que dão mais de 10 bíblias, atualmente, os monges constroem mosteiros sem terem estudado qualquer coisa de Arquitetura. Eles organizam eventos, retiros, viajam, e fazem vários projetos. Então, não é que Budismo não quer mudar o mundo e só aceita-lo e vê-lo como é, não é assim. Aquela frase que diz que você deve reconhecer o que pode mudar e o que não pode mudar se encaixa perfeitamente no Budismo - o que você pode mudar nesse mundo? O que é inevitável?
É inevitável que se agrade a todas as pessoas. A morte é inevitável. É inevitável que mesmo os bons momentos terminem. É inevitável que as pessoas se despeçam e se separem um dia. Essas coisas são inevitáveis.
Agora, construir um edifício, reunir pessoas, fazer uma mudança através de uma organização, essas coisas são possíveis!
A diferença é que a sua felicidade não é mais fixada em ter seus desejos concretizados. Certa vez, um monge estava construindo um centro budista. Um visitante foi ver a construção que ainda estava visivelmente inacabada, com janelas ainda por fazer, e vários materiais espalhados. O visitante perguntou quanto tempo até terminar, e o monge disse: "O que está feito, está terminado". Percebe o que ele quis dizer? Ele não sabe se ele estará lá para terminar o edifício. Então, o que está feito, está terminado. O amanhã é incerto. Mas nós sempre fixamos nossa felicidade em terminar algo, não é?
"Só vou me sentir em paz quando terminar a faxina! Aí sim!" Isso é Felicidade Mundana. Eu me lembro da Monja Coen contando de uma vez que ela recebeu uma nova monja no mosteiro, e ela perguntou a nova colega: "O que a fez se tornar monja?" e ela respondeu "Vê-la limpando o chão. Nunca vi alguém tão feliz por estar limpando o chão.". Nós estabelecemos que só nos sentiremos felizes quando terminarmos a faxina, mas você é capaz de estar feliz enquanto faz a faxina?
Estabelecemos que só seremos felizes quando agradarmos aos outros, mas você é capaz de estar feliz mesmo quando não agrada? Se você focar no valor do que está fazendo, e não da dualidade agradar x não-agradar, você será capaz disso.
Se você abandonar a ideia dual terminar a faxina x não-terminar, e estiver atento no valor do ato de limpar, a coisa muda. Por que você está limpando? Você enxerga a importância disso? Manter a limpeza e organização? Você enxerga o valor em fazer um suco, em lavar a louça, em fazer uma crítica? Enxerga o valor quando alguém o trata com raiva? Algumas pessoas ouvem uma crítica e querem se defender, outras a usam para crescer. Ou ainda, alguém tenta rebaixá-lo com indiretas, e, em vez de ficar nervoso, você tira um aprendizado daquilo - por que a pessoa deu aquela indireta? Porque ela não está convencida de algo, ela não está segura, está buscando aprovação dos outros. Isso é sofrimento, e essa pessoa, com sua crítica a mim, me ensinou isso.
Eu demorei muito tempo para compreender que deveria parar de tentar agradar aos outros. Eu digo que demorou anos, só que a cada ano fui compreendendo uma coisa aqui, uma ali, até chegar a compreensão que tenho hoje. Assim como você, eu não via sentido em desapegar, por quê? Porque para mim a única possibilidade de ser feliz era realizar meu desejo! Eu já até tinha realizado, e quando a Impermanência da vida me pegou, não percebi que isso faz parte! Alguns vão até a morte pensando que felicidade é concretizar desejos, e no último instante percebem como tudo foi em vão, diante da impermanência da vida. Qual a felicidade que realmente é um refúgio? Seguir esse conceito é que é ser passivo, é que é confortável - porque não temos que lutar contra os hábitos. Desapego implica em sair da zona de conforto, fazer um esforço para vencer seus hábitos, para se libertar da escravidão com seus apegos.
Se alguém está te isolando, e isso te causa sofrimento, questione esse sofrimento. Te isolaram? Ok. Converse e tente ver qual o problema. Se não querem falar, o que fazer? Forçá-los a falar? Não há nada a fazer. Mas mesmo assim, muitos de nós sofremos - "O que eu fiz de errado?". Olhe para esse sofrimento - ele faz sentido? É necessário?
Além de tudo, Budismo requer experimentação. Você tem de experimentar muitas coisas na sua vida, na sua prática. Tem de errar, experimentar várias coisas até encontrar a forma ideal de lidar com o seu sofrimento. Algumas pessoas esperam que basta se esforçar, sem refletir, que tudo dará certo. Outros querem observar os sentimentos por um tempo e esperar que ele suma e não volta de novo - mas volta. Como lidar com isso tudo? Paciência, pois requer tempo; e equilíbrio entre Esforço - Concentração - Equanimidade.
Eu não escrevi tudo isso querendo te converter ao Budismo, tanto que isso seria Felicidade Mundana! "Se ele se converter, fico feliz; se não, fico chateado." Tem que perceber como essa coisa de ter felicidade dependendo se seus desejos se realizam ou não te envolve numa oscilação sem fim. Fixe no valor do que você está fazendo, em suas intenções. Eu estou tentando me lembrar que faço isso para te ajudar, não para te converter. Então, é importante analisar suas intenções - por que algumas delas te levam a sofrer?
Você precisa ter um esforço para ir contra esses hábitos. Quando você enfraquecer esse hábito, seu "observar as coisas como são" estará menos corrompido, e então você enxergará melhor e será capaz de desapegar. Agora, tentar investigar as coisas e manter os seus hábitos não vai adiantar de nada. Não basta Equanimidade, não basta observar. É preciso Esforço, enfraquecer seus hábitos negativos, baixar um pouco a névoa, para enxergar melhor como passar através dela.
Se você focar só em observar, só em Equanimidade, a prática estará incompleta. Faça um Esforço também. O que você acha? Com dúvidas 
O Nobre Caminho Óctuplo começa com Entendimento Correto, que requer a compreensão de que Apego traz Sofrimento. Que apego? Esse que falei - de fazer sua felicidade depender de condições. Isso gera Intenção/Aspiração Correta, o segundo fator, que é a Intenção de Desapego e Compaixão. Por que compaixão? Porque você percebe que a raiva não tem sentido, não tem necessidade e é um fardo impermanente, dura pouco - por que alimentá-lo? Desapego significa parar de condicionar sua felicidade - aprenda a estar feliz em todos os momentos. Aqueles que querem tornar a concretização de seus desejos algo permanente, sofrem. Aqueles que assistem a impermanência continuamente, estão em paz.
Agora, aqueles que assistem a impermanência se apegando, não vão enxergar muitas coisa. Você deve estar observando com uma mente desanimada. Esse desânimo deve ser proveniente da não-realização de algum desejo. Esteja atento a isso. Como isso pode trazer uma felicidade realmente satisfatória e estável? Investigue que mudança de atitude poderia ser feita. Enfraqueça esse desânimo e observe de novo. Esforço, Equanimidade e Concentração são desenvolvidos juntos, apesar da ordem linear que citei no início.
Eu tenho dificuldade para ser sucinto, espero que você goste de ler rs. Posso ter interpretado mal também, mas foi gostoso escrever rs. Pode ser que você ache que eu escrevi coisas sem sentido, não tem problema, cometemos erros! Ou ainda, pode ser que você não me interprete corretamente. Nesse mundo diversificado e impermanente, as possibilidades são inúmeras! Não limite sua felicidade a realização de uma só possibilidade. Reconheça a totalidade da vida. Mas, ao mesmo tempo, isso não é abrir mão de tentar mudar e melhorar o mundo. Você pode fazê-lo, mas reconheça que sucesso e fracasso, ganho e perda fazem parte desse mundo. Portanto, alguns projetos podem dar certo, outros não. Então, não é que você não pode fazer nada e se tornar uma pessoa passiva e inativa - é que você começa a agir não focado em realizar desejos para ser feliz, mas porque você reconhecer o valor do que está fazendo, ao mesmo tempo que está atento à Impermanência dos fenômenos para não se agarrar a eles. Espero que isso ajude um pouco, mas se não ajudar, também não preciso ficar sofrendo por isso Rindo 
E veja bem, eu estou consciente que eu posso ter te mal interpretado, ainda assim eu escrevi esse texto enorme! E se eu não te entendi? Não tem problema, minha felicidade não depende de agradar, ou se você vai se converter ao Budismo ou não! Pode parecer pessimista, mas todos nós vamos morrer. As pessoas ficam assustadas quando alguém diz isso, mas vamos morrer, parece que não vemos isso com honestidade. Do que adianta eu me gabar de converter pessoas ao Budismo, ou de ter sido popular na escola? Ou ainda, do que adianta carregar a tristeza de ter sido zombado, excluído, ou um fracasso em algum projeto? Esses sentimentos de felicidade e tristeza são mundanos. A morte pode ser uma grande mestra. Faça um esforço para largar um pouco esses sentimentos e só então você começará a observar melhor. Na meditação é onde você reserva um tempo para começar com essa tarefa.
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Mensagem Ter 5 Nov 2013 - 15:26

Que isso adoro ler! (deve lembrar que eu comentei na minha pergunta do Yahoo Respostas que quem tem preguiça de ler nem precisava responder) enfim, eu te compreendi perfeitamente, e você me interpretou corretamente também, lendo o seu texto eu percebi alguns erros e equívocos que cometi com relação ao budismo.
Bom devo confessar que essa minha busca pela "paz espiritual" partiu do momento que, como eu havia falado no Yahoo, eu pensei em tirar a minha vida. Mas felizmente (não sendo prepotente) eu sou muito inteligente pra jogar minha vida fora por motivos sentimentais, então tenho buscado "tratar" desses sentimentos! (como um amigo me disse sabiamente, não se toma um decisão permanente por um sentimento passageiro).
Agora voltando a tratar do budismo, eu acho que os textos que eu li (a maioria de sua autoria mesmo aqui no fórum) eu li com esse meu desejo de achar uma solução pras questões sentimentais, e por isso eu foquei em certos pontos do Budismo, e acabei negligenciando outros pontos tão importantes quanto!
Realmente eu relutei um pouco pra seguir em frente porque eu nem sequer havia compreendido que "a felicidade pelo simples prazer de fazer algo bom, que tenha valor, que agregue coisas boas a mim e aos outros. Não é mais questão de agradar ou não agradar, é apenas questão de fazer o que é benéfico às pessoas!"
Eu nunca pensei no "valor" das coisas que eu busco muito menos a "importância" dessas coisas, então eu tinha comigo que seria impossível me desapegar (sem nem mesmo ter tentado) a certas coisas porque eu simplesmente gostaria que o mundo (ou certas coisas que vivencio e presencio) fossem diferentes, tendo a tal "aversão" que você citou. E eu juro que eu pensei que o budismo se tratava de ser passivo em relação com as coisas, mas eu entendi, eu não devo buscar as coisas movido por um sentimento de revolta, ou de aversão, muito menos ser indiferente com relação as coisas. Eu só preciso reconhecer o valor do que eu faço, e as intenções das minhas ações, e assim, estar feliz com o que eu estou fazendo, simplesmente porque é algo bom (independente sem ser afetado pelo sentimento de revolta, e sem ter indiferença que me faria não agir). É isso né?

Obs. Eu só acho importante compreender as coisas por uma simples questão de saber o que deve ser feito e o que não deve ser feito, o que deve ser seguido e o que não deve ser seguido, não por imposição porque "Buda disse ser assim" mas porque eu compreendi isso, concordei, e agora vou me dedicar a pratica! Mas entenda meu ponto, o problema de se seguir algo sem ter compreendido aquilo, é porque talvez, você esteja seguindo ou se dedicando a uma coisa, pensando estar se dedicando a outra! Então peço que tenha essa paciência que tem tido comigo, cada vez mais tenho gostado do que se trata o budismo, acho que agora é  partir pra pratica!


Olha obrigado por tudo, saiba que eu ADORO ler (eu li a maioria dos seus textos aqui no fórum, só falta ler os textos relacionados a lótus, equilíbrio da fé e da observação, e como se torar budista!)
Então espero que eu não tenha parecido agressivo em minhas palavras (como podemos perceber foi falta de entendimento mesmo). E muito em breve criarei um tópico com qualquer duvida relacionada!

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André Junior, adolescente com crises existenciais, imperfeições, mas que está em busca de melhorar como pessoa. Tanto para si, como para as outras pessoas ao seu redor!
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Mensagem Ter 5 Nov 2013 - 19:09

É mesmo, ainda bem que você gosta de ler André rsrs...
Pode ser que o Budismo não seja a metodologia mais plausível as suas tendências, muitas coisas podem acontecer. Aliás, peço desculpas se posso ter me expressado mal em algum ponto - mas não peço desculpas porque estou preocupado com o dilema agradar x não-agradar, mas sim porque, por erros humanos e expressivos, posso ter me expressado mal em algum ponto. É engraçado como mesmo num pedido de desculpas pode haver apego impregnado rs. Então, tudo o que nós tentamos fazer é pelo valor daquela atitude, sem estar apegado a conseguir algo.
Não é que você não possa fazer planejamentos ou revoluções. Você pode fazer revoluções, mas sem revolta; vamos dizer assim, usando a forma como você se expressou rs. Você pode planejar, mas seja capaz de perceber quando é momento de pensar no futuro e quando é apenas capricho ou excesso seu. Você pode tentar mudar o mundo, mas qual o sentido de sofrer se você não conseguir? E qual o sentido de viver pensando na felicidade só quando algo é realizado? Seja feliz durante os projetos, não apenas depois deles serem realizados. Budismo é isto - como dar um fim ao sofrimento?
E o mais importante, de fato, é lembrar que nós vamos morrer. Pode parecer que não, mas isso é uma coisa tão importante. Se nós soubéssemos contemplar a realidade da morte, não estaríamos tão sedentos em conseguir coisas, atados a ideia de que ser feliz é realizar sonhos. Como Gandhi diz, não busque a felicidade no final do caminho, mas no ato de caminhar. E isso é engraçado, porque é dessa maneira que podemos chegar em Nirvana, que é um "final do caminho" rs. Isso é uma coisa muito sutil - nos Suttas se diz "use o desejo para chegar ao fim do desejo". Então, vamos chegando a desejos cada vez mais sutis, a felicidades cada vez mais duradouras. No final, chega um momento em que um último apego desaparece e não surge outro. Isso é a cessação das formações, o fim da busca, o fim da própria tarefa do Desapego, a paz que não é fabricada. E esse "cessar" é o verbo que melhor define Nirvana, mas as pessoas só aceitam dois caminhos: 'eternalizar' ou 'aniquilar', poucos entendem a sutileza de 'deixar cessar'; é algo que todos precisam investigar na própria prática.
Por isso que o que você disse de questionar o Buda é importante. Buda achava isso importante rs. Certa vez ele deu um discurso e então perguntou a Sariputta, "monge-chefe": "Você acredita nisso que estou dizendo?", e Sariputta respondeu: "Não, ainda não acredito porque não vi por mim mesmo.". Buda o elogiou.
Agir sem ser dominado por revolta nem indiferença é uma boa forma de reconhecer como o Budismo deve agir no mundo. O foco do Budismo é dar um fim ao sofrimento. Nós vamos lá, e focamos em: "Cansei da vida, não quero mais nada da vida" - isso é indiferença. Outros, o que a nossa mentalidade parece dar mais sentido, vão por um sentimento eufórico de mudar as coisas através de muito esforço: "Vou fazer de tudo para mudar essa situação, esse é o meu motivo de vida! Com essa mudança serei feliz" - isso é revolta. Parece que só existem esses dois caminhos não é? Ou, quando falamos em metafisica, parece que só existe Eternalismo (morreu, vai a um paraíso eterno) ou Niilismo (morreu e fim); mas no Budismo falamos de Cessação por Causa e Efeito - tudo o que existem são efeitos de condições. Não existe uma Alma. Não existe entidade independente, inerente, toda poderosa. Os fenômenos são impessoais. Tudo o que é formado, se dissolve. Quando se morre, não é o fim, mas também não há estadia alguma que seja eterna, porque "estadias são coisas fabricadas". E por que que quando se morre, não é o fim? Porque o que existe não é apenas o plano físico, e isso é algo que cada um deve ver por si mesmo.
Pode ser que o Budismo não seja "fácil" ou "adequado" para você. Existem vários mapas para chegar a um mesmo ponto, e às vezes você pode preferir a forma como outro mapa se expressa. Mas só há uma Verdade. O Budismo não diz que é o "possessor" dela, porque Verdade não é algo que se possui. Se você quiser seguir outro mestre, não tem problema: (entenda Gotama como o Buda, originalmente nomeado como Siddhatta Gotama, ou Siddharta Gautama)
[Buda]: “Nigrodha, pode ser que você pense: ‘O contemplativo Gotama diz isso apenas para obter mais discípulos.’ Mas você não deve pensar dessa forma. Que o seu mestre continue sendo o seu mestre. Ou você poderá pensar: ‘Ele quer que nós abandonemos as nossas regras.’ Mas você não deve pensar dessa forma. Que as suas regras continuem as mesmas. Ou você poderá pensar: ‘Ele quer que nós abandonemos o nosso modo de vida.’ Mas você não deve pensar dessa forma. Que o seu modo de vida continue o mesmo. Ou você poderá pensar: ‘Ele quer que façamos coisas que de acordo com o nosso ensinamento são erradas e assim são consideradas por nós.’ Mas você não deve pensar dessa forma. Que aquelas coisas que você considera erradas continuem a ser consideradas assim. Ou você poderá pensar: ‘Ele quer nos afastar daquelas coisas que de acordo com o nosso ensinamento são corretas e assim são consideradas por nós.’ Mas você não deve pensar dessa forma. Que aquelas coisas que você considera corretas continuem a ser consideradas assim. Nigrodha, eu não falo devido a nenhuma dessas causas...
Há, Nigrodha, coisas inábeis que não foram abandonadas, contaminadas, que conduzem ao renascimento, aterrorizantes, que produzem resultados dolorosos no futuro, associadas ao nascimento, envelhecimento e morte. É para o abandono dessas coisas que eu ensino o Dhamma. Se você praticar de acordo, essas coisas contaminadas serão abandonadas, e as coisas que conduzem à purificação irão se desenvolver e se incrementar, e você irá alcançar e permanecer, realizando por si mesmo no aqui e agora a plenitude da perfeição da sabedoria.” - (retirado de Udumbarika-sihanada Sutta - acessoaoinsight)
Só que para chegar à Verdade o Buda disse que você vai precisar seguir o caminho: Virtude -> Concentração -> Sabedoria. Existem mestres que advogam somente Virtude, somente ser uma pessoa boa e que tente descobrir a verdade através da filosofia e do pensamento. Muitos advogam só Sabedoria, estimulando o pensar e especular. Outros só ensinam Virtude -> Concentração, alegando que deve se aprofundar na meditação e aproveitar esse prazer. Só que para chegar a Verdade você deve ir além do prazer da Meditação, e usar a mente meditativa para investigar o corpo, sensação, formações mentais e consciência. Você deve investigar a si mesmo, o que você sente, na pele; para realmente entender o que é tudo isso. Se você encontrar outro mestre que ensine esse caminho senão um budista, não há problema algum. Se você achar que não é esse o caminho, tente outros.
Depende de você. A fé no Buda deve ser uma fé inteligente - você poderá ler melhor sobre isso no texto que você falou. Outro termo importante é "vergonha de cometer transgressões", tem praticante que lê isso e começa a desenvolver uma mente com remorso, mas não é isso. Então, é preciso entender na prática o que o Buda disse - mas o Buda não é o único que "possui" a verdade, nem necessariamente o único que a indica.
E veja o exemplo do Buda: ele não ensinou para conseguir alunos, mas para receitar algo que ele indica levar a verdadeira paz. Perceba a intenção dele - não é aquilo de "Consegui isso, serei feliz". Apesar de ele ter essa atitude desapegada, isso não significa que ele não pôde construir mosteiros, viajar quilômetros e ensinar milhares de pessoas na Índia e Nepal o que ele viu. Então, Budismo não advoga indiferença e estagnação, mas nem mudança embasada em apego e revolta. Mude, com desapego. Aja, com boas intenções. Planeje, consciente de que você vai morrer. Reconheça o verdadeiro valor daquilo que é impermanente - isso não é para ficar deprimido e estagnado. Investigue por si mesmo!
Provavelmente só existe uma rota, porque só existe uma Verdade. A questão é que as ênfases são diferentes. "Siga pela esquerda. Use a calçada, próximo às paredes.". Os pontos de referência são diferentes: "Vire à direita do ponto x naquela esquina.". Os alertas são diferentes "Cuidado com um buraco localizado no local y", "Não se deixe enganar pelo objeto localizado ali", por isso o Budismo não é, necessariamente, o único que aponta a verdade. Você precisa testá-lo, talvez ele aponte de uma forma efetiva, quem sabe? rs
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