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 Me perdi do caminho e não consigo encontrar o caminho de volta

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AutorMensagem
HORUZEN

Discípulos

Masculino
Idade: 22
Local: SP
Define-se budista?: Sim
Mensagens: 8

Mensagem Qua 15 Jan 2014 - 4:47

Desculpem pelo tamanho do texto. A verdade é que eu perdi a minha iluminação e estou sozinho envolvido apenas com coisas mundanas. Eu tenho medo de continuar assim o resto da vida e preciso de auxílio.

Agradeço a todos do fórum pela iniciativa. E me desculpo por não ter me apresentado antes. Desculpem a ansiedade, mas tenho 22 anos e já fazem 3 anos que estou nesse estado. E o caminho de vocês tem muito a ver com o meu caminho original. Então eu apenas tenho vocês.


Eu realmente tenho dificuldade de me definir como pessoa pois eu nunca gostei de me definir. Eu tenho dificuldades para contar sobre eventos pois eu apenas vivia eles. Eu tenho dificuldades para expressar minhas ideias atualmente pois eu ainda estou confuso, eu caí no conto do vigário.

Por conta disso eu escrevi tudo o que eu achei que deveria para vocês tirarem suas próprias conclusões.


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PREFÁCIO

Eu havia um instinto de busca superior desde quando eu era pequeno. Eu gostava de observar, dissecar e ver como as coisas funcionam e como devem funcionar. Graças a isso, sem querer, eu acabei desenvolvendo uma prática de meditação espontânea e vivi me expandindo interiormente.

Os anos seguiram e, sem perceber, eu já havia despertado o terceiro olho e atingido o estado do nirvana. Mas por tudo isso ter acontecido de uma forma espontânea demais e sem qualquer tipo de trabalho complementar; apenas contando com a grande disciplina interior que eu havia criado, eu acabei deixando algumas brechas abertas e acabei caindo, caindo feio. E perdi tanto o meu olho quando o estado do nirvana. E hoje estou completamente "humano". Digo, antes eu havia conquistado uma consciência transcendente, entendem? Mas em algum momento eu comecei a ser corrompido pela ganância e graças à ela eu acabei perdendo tudo o que eu levei, aproximadamente, 13 anos para conquistar.

A história é longa (dei apenas a introdução). Mas eu não conheço ninguém que entende dessas coisas além de mim e realmente preciso de ajuda. Apenas piorei pedindo ajuda aqui fora e eu realmente quero melhorar. Se deixem guiar pelas minhas palavras e tirem suas próprias conclusões.

Farei o possível para escrever com calma, para ser objetivo e não poupar vocês dos detalhes.

----

A História

Me lembro que obtive consciência perceptiva quando havia uns 5 anos de idade. Eu era uma criança que vivia mais em seu interior do que em seu exterior. Era bastante imaginativo e criativo.

Eu morava em uma casa de grande porte. Casa essa que era de meus avós. Havia um grande quintal no fundo e eu sempre brincava lá fora. Não sabia o porque, mas aquelas arvores, matos, plantações eram bastante acolhedoras.

O meu maior entretenimento era divagar sobre as coisas. Eu não me prendia à coisas pequenas e mundanas, eu preferia pensar além. Mas era algo totalmente instintivo.

Na escola, por exemplo, eu comecei a me enturmar no primeiro ano. A partir do segundo já não era algo muito interessante para mim, pois aquilo tudo parecia muito pequeno, entendem? Aquilo tudo acabava me distraindo daquilo que realmente me trazia prazer, que era o conhecer.

Eu não costumava brincar com outras crianças. Nem no intervalo. Eu andava para lá e para cá divagando, divagando. As vezes parecia que eu estava mergulhando no meu consciente. Era algo muito profundo mesmo. Mas eu sempre consegui me manter mais em meu interior mas me manter ligado no exterior, para que eu não tropeçasse, caísse, cometesse faltas e falhas em geral. Pois eu vi que esse ligamento externo era necessário, porém, apenas nas coisas necessárias.

O tempo foi passando e eu acabei me tornando cada vez mais disciplinado espiritualmente, mentalmente e psicologicamente.  Acabei até descobrindo a meditação ao acaso. Fechei meus olhos, me concentrava para ver o que acontecia e comecei a enxergar cores,  esferas coloridas. Aquilo era gostoso então eu continuei. Acabei até mesmo agregando esse estado de meditação no dia a dia, sem ao menos precisar estar sentado. Até que eu acabei desenvolvendo um transe perpetuo.

Eu havia percebido que eu teria que achar alguma forma de conciliar esse estado "divino" com a minha vida humana normal. E também já havia aprendido que nós devemos controlar a nossa mente para que ela não nos controle. Sendo assim, encontrei meios de conseguir conciliar as duas coisas.

Exemplo: O maior mal do ser humano é que, para conseguir lidar com certas coisas, ele adota posturas e atitudes que acabam afetando outras pessoas. E isso, todas as coisas na nossa vida, se torna uma bola de neve. Se levado ao meio social... Vocês entenderam.

Eu sabia que se eu fizesse isso eu acabaria me corrompendo. Também sabia que se eu deixasse fazerem isso comigo sem fazer nada eu também poderia me corromper por me sentir inferiorizado. No minímo, perderia o meu foco.

Sendo assim, eu comecei a usar o artifício de pensar que eu era superior à aquela pessoa nesse fator isolado. Visto que eu não precisava prejudicar ninguém para me sentir bem. Eu conseguia me sentir bem apenas me desenvolvendo, valorizando as minhas qualidades.

Eu não me sentia mal em usar esse método pois a minha intenção era apenas administrar a minha mente, para ligar e desligar os botões certos, para assim tirar o maior proveito dela. E funcionou. Porém, eu era inocente demais para saber que isso poderia me subir a cabeça.

Após isso eu e minha mãe nos mudamos para a Cohab II.

Eu sofria muito Bullying nesse prédio. Os garotos eram todos maiores do que eu e por algum motivo não iam com a minha cara. Eu apenas ficava na minha, brincava na minha. Era um garoto alegre, sempre sorridente. E eu não iria deixar que isso tudo me tirasse do meu caminho. Eu sabia que se eu desse uma chance para as trevas entrarem em meu coração, o prejuízo seria devastador. Eu não saí do meu caminho. Graças à minha fé.

Passou um tempo e acabei sendo enganado por um cara que morava nesse prédio. E graças a isso eu fui abusado sexualmente.
Novamente, eu não deixei isso me abalar. Eu também não sentia raiva dele, apenas sentia misericórdia, pois as pessoas não são ruins, elas apenas estão perdidas.

Essa é a primeira parte essencial da história. Eu tinha uns 10 anos e, após isso, a única coisa impactante (que é a principal da história) aconteceu quando eu tinha 19 anos. Mas eu gostaria de resaltar que durante essa epóca eu fiz alguns amigos mas cultivei apenas poucos deles. E mesmo esses poucos... A amizade acabou morrendo. Pois eu vivia apenas para mim mesmo, pelo meu desenvolvimento. Digo, eu fazia o bem, compartilhava, era um amigo de verdade. Mas eu não era apegado à simplesmente nada aqui fora.

Estou dizendo isso pois foi graças à isso que acabei criando problemas de relacionamento em minha família.

Falando em minha família, tem a minha mãe.

Minha mãe é uma pessoa que nasceu com um grande potêncial espirítual. Mas esse potêncial não foi muito bem direcionado.

Ela sempre foi muito inocente também e graças à isso sofreu muito lá fora. Sofreu discriminação, sofreu traições e também foi abusada. E, graças a isso, ela se corrompeu e acabou se tornando uma sociopata ferroz, daquelas que conseguem perturbar e tirar a paz de qualquer um.

Eu sempre soube que ela não era uma pessoa ruim. Mas eu via o dano que ela causava com minhas irmãs. E acredite, ela pegava pesado e foram poucas as vezes que ela teve a razão de reclamar de alguma coisas. E mesmo assim, repito, pegava muito pesado.

Graças à isso eu acabei desenvolvendo uma bolha em relação à ela. A gente nunca conversava, nunca se falava. Começamos a ter contato verbal verdadeiro quando eu fiz meus 16 anos, mais ou menos, mas eram contatos bem curtos e grossos, se é que me entendem.

--

Quanto eu tinha 19 anos eu fui trabalhar na firma da minha irmã mais velha. Eu estava no ápice da minha vida. Estava muito feliz e bem resolvido.

Raramente eu e minha mãe brigávamos. Mas também não conversávamos muito. Eu não a odiava, mas ela simplesmente não existia para mim. Eu era grato, de coração, mas preferia nem sequer deixar entrar uma luzinha de amor e consideração explicito, pois eu sabia que isso poderia me fazer dançar.

Nessa época eu já estava egocêntrico demais. E autoconfiante demais para controlar esse ego. Aliás, eu o controlava, mas não o bastante. Tava assim pois durante todos esses anos eu obtive sucesso em tudo, eu era visado, eu era gostado. Era o cheiro da vitória. Eu estava alucinado.

Foi aí que comecei a retroceder:

Nessa época eu comecei a fumar maconha, visto que o mesmo abre as portas da percepção. Eu acabei ficando alucinado com a idéia de conseguir chegar ainda mais longe do que eu já havia chegado, então eu comecei a usar (Ganância). Costumava a usar para assistir filmes, seriados e etc... para aumentar a experiência. Até aí, "tudo bem".
 
Mas aí eu comecei a usar cocaína. E graças à ela eu comecei a faltar no serviço. Comecei a fazer as coisas de qualquer jeito até que por conta de um mal entendido, eu não voltei a trabalhar no mês de janeiro.

Nisso eu briguei com a minha mãe. E fui morar com uma mulher de 46 anos. Fiquei lá um tempo. Mas não foi muito saudável também.

Voltei para casa. Fiquei meses sem trabalhar. Recebia pressão. Tentei diversas coisas. Continuei parado. Minhas irmãs mais velhas em meu ouvido e tititi.

Eu comecei a me sentir culpado por tudo isso. Eu fui longe demais, fiz uma burrada das grandes e acabei comprometendo muita, muita coisa. Aí, sem perceber, o sistema mental que eu havia criado para lidar com as coisas; tirando os atribuintes negativos de mim, acabou me pegando de jeito, o tiro saiu pela culatra: Eu acabei me culpando cada vez mais para que eu me sentisse menos culpado (entenderam?).

Aí eu decidi fumar um baseado para abrir essas portas que eu mantive trancadas durante toda a minha vida. Eu queria ver tudo aquilo que eu havia ignorado, tudo aquilo que eu havia deixado para trás.

Resultado? Acabei pirando. Acabei ficando louco.

Eu também estourei a bolha que eu tinha em relação à minha mãe. E como eu havia dito, ela é uma pessoa pesada na queda. Eu estava totalmente sem bases, eu estava zerado. Longe de eu ser uma vitíma, mas eu estava sem proteção alguma... E levei, levei e levei.

O tempo passou, faz 3 anos que estou nessa situação. Não uso mais maconha, não uso mais cocaína, mas ainda continuo nessa situação.

Claro que foi errado eu ter usado drogas. Mas eu percebi que eu regredi realmente pois eu comecei a pensar e a dar ouvido à coisas inúteis, à coisas que começaram a me afastar do meu caminho. É como se eu tivesse feito uma lavagem cerebral em mim mesmo para me autoflagelar ao invés de continuar o meu caminho, aprendendo com os erros, e fazendo melhor.

Agora o prejuízo já foi dado, caras.  Eu estou muito melhor do que estava a meses atrás. As coisas estão mais claras para mim. Mas eu continuo paralisado, desmotivado. Eu sinto como se eu estivesse morto por dentro. Eu perdi toda a disciplina, todo o clareamento que obtive e agora eu faço parte da mediocridade do planeta.

Eu decidi começar a meditar. Mas sozinho eu não consigo. Já tentei relatar o meu problema para amigos e pessoas próximas, mas só piorou a minha situação, eles não são tão espiritualizados.

Eu estava pensando em passar um tempo dentro de um templo budista, morando lá. Eu pesquisei na internet e vi que conseguiria apenas pagando uma certa quantia, confere? Independente disso, vocês conhecem algum centro budista em São Paulo?

Decidi praticar Kung Fu também. Pois eu estou com medo de ser eu mesmo. Estou com medo de tudo e inclusive de mim. O Kung Fu trabalha em nossa mente e em nosso corpo. Eu havia uma sincronia perfeita com ambos e vejo que este é o caminho para mim.

Este ano eu estou estudando para finalizar os últimos três anos do colégio e também ingressar no curso de psicologia ano que vem.

Também pretendo fazia academia esse ano.

O que eu quero de vocês é apenas a opinião e também sugestões de estudo. Por favor, tentem me ajudar a onde vocês vêem que podem. Pois eu sei o potencial que eu tenho e não quero ficar assim para o resto da minha vida. Eu posso até conseguir o melhor emprego, a melhor esposa e o melhor carro. Mas isso não vai valer de nada se eu não conseguir evoluir novamente ao estágio que eu tinha evoluído. Tudo isso aconteceu pois eu não tinha instrução, eu tinha potencial, mas não tinha instrução. Acabei me utilizando de um método desnecessário que foi a minha ruína. Mas detalhe que eu não estou parado nesse momento onde errei, mas sim que regredi muito, muito como a pessoa que eu era. Hoje eu estou totalmente humanizado e negativado. Terei que recomeçar.

As dúvidas principais são:

Alguém presente está afim de adotar um pupilo? Eu realmente preciso de um mestre e farei qualquer coisa para demonstrar o meu valor.

Os senhores conhecem algum centro budista que fica em São Paulo Capital? Eu apenas encontrei o centro de Kung Fu que fica na liberdade mediante as pesquisas.

Alguém poderia passar alguma experiência pessoal que quase te tirou do caminho? Que te abalou? E como superou?

Não consigo conciliar a minha busca pela iluminação com as minhas relações familiares. Minhas irmãs estão me apoiando pois vou me dedicar aos estudos esse ano (não consigo conviver com pessoas no trabalho), mas minha mãe continua pegando no meu pé, como se não fosse bom o bastante, e eu acabo me desviando e corrompendo.

Dêem todas as suas opiniões sobre o meu caso. Vamos conversar sobre, por favor. Sintam-se livres de criticar o que quiserem.


Eu realmente não sei como agradecer pois eu sei que eu estou pedindo muito, muito mesmo. Mas estou falando sério. Se a minha vontade é grande então minhas atitudes acabarão sendo também.

Não sei como agradecer. Sem compromissos, claro. Obrigado.
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Mensagem Qui 16 Jan 2014 - 18:48

Olá Horuzen!
Seu caso é complicado... Não só do aspecto psicológico, mas também espiritual. De qualquer forma, vou fazer algumas colocações que acho que são importantes.
Primeiramente, o conceito que o Buddha ensinou de Nirvana/ Nibbana é um pouco diferente do que o que você parecia conhecer. No Budismo, Nirvana é algo Incondicionado, isto é, independente de condições e causas. O Buddha disse que tudo o que é condicionado surge de uma causa - isso é o Efeito. Porém, como a causa não pode estar sempre presente, ou sempre intacta, o Efeito nunca é permanente - logo, todas as coisas condicionadas são impermanentes. Nirvana não está sujeita a essa lei, ela é atemporal e, portanto, independente de condições. A nossa prática não é bem uma condição para conseguir Nirvana, é mais uma condição para se desapegar de tudo o que é condicionado - quando esse desapego é total, alcançamos o que o Buddha chamou de "sublime, cessação das formações, silenciar das formações, Nibbana". Então a nossa prática não é uma condição para Nibbana, mas é para nos desapegarmos do Condicionado. Quando ocorre esse desapego total, alcançamos o Incondicionado, onde não há mais grilhão que nos prenda a Lei de Causa e Efeito.
O Buddha disse que a Mente é intrinsecamente pura, mas que ela acabou sendo contaminada por corrupções. Isso só é possível porque a mente também é algo condicionado. Por isso Eihei Dogen dizia que a Iluminação consiste no desapego não só do corpo, mas também da mente. "Citta é anicca" - Citta é impermanente, onde Citta se refere a Mente, a consciência.
Então, não é possível "perder Nirvana" no conceito budista. Seguindo os ensinamentos do Buddha, o que você alcançou foi estágios profundos de meditação, mas quando você se apega a eles, você se desvia do caminho.
O Caminho Budista pode ser mais enxugado ainda do que o Nobre Caminho Óctuplo em: Virtude - Meditação - Sabedoria. Através de uma vida virtuosa, desapegada e bondosa purificamos nossa mente e ações. Com uma mente purificada, contente, simples e satisfeita, a meditação é mais poderosa. Após tais meditações, a mente fica com bastante energia e deve ser dirigida para enxergar os fenômenos como de fato são. Através disso, desenraizamos as contaminações, as arrancamos pela raiz.
Meditação é um processo de cessação gradual. Quanto maior a sua capacidade de Desapego, mais fundo a meditação vai. Se você sabe usar seus pensamentos sem apego, você consegue pensar neles apenas o necessário, apenas por compaixão, e depois larga-los e se dedicar a alegria da cessação. Quando a mente é treinada assim, ela salta para o silêncio com facilidade e vem o êxtase. Geralmente usamos um objeto para auxiliar nesse processo de cessação, e o mais comum é a respiração. A respiração também vai 'cessando', ela fica cada vez mais sutil para o sentido do tato, enquanto os outros quatro cessam mais rapidamente, porque nenhuma atenção está sendo dada a eles, eles são desapegados completamente. Mas isso é muito diferente de dormir, porque há uma presença alegre e energizada consciente da mente em si mesma que está unificando-a, em vez de permitir mergulhar em sonhos como acontece quando dormimos.
Quando a respiração sai do campo de percepção dos sentidos, os mestres dizem que chegamos aos Nimittas, que são traduzidos como "sinais" de meditação profunda que são a porta de entrada para Jhana, o aspecto do último fator do nobre caminho óctuplo, samma-samadhi. Os Nimittas podem ser táteis ou visuais, mas nenhuma relação têm com os 5 sentidos - mas apenas com o sexto, a mente. Mas nós temos a sensação de que são táteis ou visuais devido ao agregado da Percepção - quando chegamos nessas meditações profundas, a mente procura no campo da memória alguma coisa que identifique aquela experiência, e nossa memória associa aquilo com o sentido do Tato ou Visão, mas nesse campo os 5 sentidos estão sendo totalmente silenciados, sobrando somente a mente. Então, tais Nimittas são provenientes da mente, mas a sensação é que são táteis ou visuais.
Parece que você chegou nesse estágio. O mais comum é que se vejam Nimittas visuais, que costumam ser esferas luminosas, como uma pérola ou uma lua cheia - com a prática, os mestres dizem que se pode manipulá-los, e conseguir Nimittas de vários fenômenos. De qualquer maneira, o essencial é continuar a cultivar a alegria por mais desapego, estando plenamente presente e permitindo os Nimittas se estabilizarem e silenciarem. Quando o grau de desapego alcança certo ápice, a Mente mergulha nos Jhanas, que são os estados meditativos profundos que o Buddha disse que é o apogeu do Nobre Caminho Óctuplo. Em Jhanas, os mestres dizem, não há Volição. Praticamente não há como movimentar a mente, a faculdade de escolher é desligada, e a mente repousa em si mesma. Existem 8 Jhanas, que também são um processo de cessação gradual, mas no primeiro Jhana o corpo já "cessou", e o que se têm são 5 faculdades. No segundo Jhana duas são abandonadas, e assim vai a prática da meditação.
Porque essa prática é importante? Primeiro porque vemos por nós mesmos o que é a Origem Dependente. Quando se compreende isso totalmente, alguém alcança o primeiro estágio da Iluminação (Sotapanna). Quando se realiza isso, se alcança o quarto, Arahant - aquele que alcançou Nirvana.
E o que diz a Origem Dependente?
"Da ignorância como condição, as formações [surgem]. Das formações como condição, a consciência. Da consciência como condição, a mentalidade-materialidade (nome e forma). Da mentalidade-materialidade (nome e forma) como condição, as seis bases dos sentidos. Das seis bases dos sentidos como condição, o contato. Do contato como condição, a sensação. Da sensação como condição, o desejo. Do desejo como condição, o apego. Do apego como condição, o ser/existir. Do ser/existir como condição, o nascimento. Do nascimento como condição, então o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento."
Formações são Formações Volitivas, o Karma. Ou seja, por Ignorância de como as coisas de fato são, há a produção de Karma. Karma gera Consciência. Mentalidade-materialidade são objetos mentais e objetos materiais, de acordo com Ajahn Brahmavamso. Isso origina os seis sentidos, que dão origem ao Contato. Com o Contato, Sensação. E assim vai.
No primeiro Jhana você já entende muito da Origem Dependente. No Primeiro Jhana 5 sentidos cessarão, e nisso cessa o contato com o mundo sensual. Devido a isso, cessa o Desejo pelo mundo sensual.
Quando a mente sai de Jhana, essas contaminações como Apego, e outros obstáculos, como Ansiedade e Torpor (que são parte dos 5 Obstáculos que sustentam a Ignorância, do começo da Origem Dependente) não funcionam por um tempo. Elas ficam inativadas. Existem milhares de histórias sobre isso. Um exemplo é um monge que saiu de Jhana e deu de cara com uma cobra venenosa. Ele disse que não surgiu medo em sua mente, somente paz - e não poderia surgir, porque depois de Jhana a mente paralisa certas funções. Isso dá um grande Insight, porque se percebe que a mente é muito condicionada pelas formações. Além disso, se percebe como a cessação de algo faz cessar a outra coisa. Logo, nada é eterno, mas nada é aniquilado.
É como gelo - não é que você destrói gelo, mas quando há 0ºC, as partículas são sólidas, se passa disso, as partículas são líquidas e tem-se água. Então, em uma condição há gelo, em outra não há. Essa é uma comparação grotesca, mas mostra porque Aniquilação não faz sentido no Budismo. O ensinamento essencial é "Quando há isso, aquilo existe. Com a cessação disso, aquilo cessa".
Então, nós precisamos usar a mente reforçada pela meditação para investigarmos os fenômenos. A medida que sabedoria aumenta, Virtude melhora e a meditação também. Quando chegarmos nas meditações profundas dos Jhanas, será quando conseguimos desativar os obstáculos por um bom tempo - e aqui surgem os fortes Insights. Esses Insights revelam várias coisas que nos conduzem ao Desapego. O desapego total é Nirvana, o desprendimento de tudo o que é condicionado.
O problema é que parece que você não direcionou a meditação para a frutificação da sabedoria da maneira equilibrada e ideal, mas acabou se apegando ao prazer meditativo. Mas mesmo os Jhanas são condicionados - tanto que são prazeres impermanentes, não é? Você pode passar por um êxtase meditativo durante 1 semana, mas se sair disso e ainda houver contaminações em suas mente ou apego a algo - isso não é Nirvana. Nirvana é Incondicionado, o fim dos apegos. O prazer meditativo é impermanente, não importa o quanto dure.
Meditação é algo a ser usado para que Sabedoria possa nascer. Se se apega à meditação, então ela foi usada da maneira errada. Isso era o que os yogis faziam na época do Buddha - ficavam se apegando ao êxtase meditativo mas não o dirigiam devidamente para a investigação dos fenômenos e para inclinar a mente para o desapego das formações. Mas o Buddha sempre diz que, depois de um Jhana, uma coisa benéfica é refletir que as formações são como um câncer, uma flecha; e que o sublime é o silenciar das formações, Nibbana. Isso é inclinar a mente através da reflexão para o Desapego.
Então, o conceito budista de Nirvana é um pouco diferente, não sei se você entendeu  Sorridente 
Quanto a pratica espiritual no mundo, ela é realmente difícil, mas o Buddha pediu para que usássemos as formações e convenções sociais com sabedoria. O Buddha, como exemplo, foi um grande administrador. Fundou uma enorme organização de monges, regras, e divulgação do Dhamma. Ajahn Chah foi outro grande exemplo. Graças a ele o Budismo Theravada chegou, em poucas décadas, na Europa, Austrália e E.U.A. - imagine, ele treinou vários monges e eles foram sozinhos para países ocidentais, majoritariamente cristãos, construíram edificações para os monastérios e apresentaram uma religião pouco conhecida para muitas pessoas.
O que eu quero dizer é que dá para viver no mundo e praticar a espiritualidade - aliás, isso é uma coisa muito importante. Aversão e Desapego do mundo são coisas diferentes. Muitos praticantes pegam aversão do mundo e querem evita-lo, mas os grandes mestres são aqueles que conseguem usá-los.
Ajahn Chah era visto algumas vezes como uma pessoa raivosa. Ele às vezes usava uma voz grossa com seus discípulos, mas era considerado um Iluminado. Mas como pode um Iluminado ficar com raiva? Na verdade ele não tinha raiva - ele aparentava raiva para despertar seus discípulos, mostrar que eles estavam falando sério, porque ele sabia que de acordo com o condicionamento deles, uma pessoa fala sério quando está gritando.
Uma pessoa pode alcançar a Iluminação e esperar a morte chegar - pra que se preocupar em comer ou ensinar o Dhamma, se ela vai morrer de qualquer jeito? Mas não, ela vai usar o mundo com sabedoria para ajudar outros seres antes de morrer.
Então, é preciso ser "espertinho" rs. É preciso usar o mundo sem criar contaminações na mente.
Eu lembro que quando as pessoas me ofendiam, eu retrucava, sem contaminação ou raiva alguma: "Aonde essa raiva está te levando?", mas isso nunca funcionava. Qual é! [rs] As pessoas estão nervosas e você vai lá e tenta dar ensinamentos? [rs] Isso simplesmente não vai funcionar. Então, geralmente eu faço duas coisas - ou eu rio, ou eu fico quieto. Por quê? Porque isso funciona com a maioria das pessoas devido aos condicionamentos delas. Uma vez tentaram me humilhar dizendo que ia acontecer algo ruim, eu ri e disse: "Puxa! É verdade! Como me virarei se isso acontecer?" e falei rindo. As pessoas não sabem o que dizer! Porque elas não esperam isso! Elas esperam que você retruque - "Como assim? Não vai acontecer! Eu não sou idiota! Sei me virar sozinho!", "Você vai ver a burrada que você vai fazer!", e assim as pessoas vão argumentando continuamente. Mas se você for esperto e usar a linguagem com sabedoria, pode deixar as pessoas confusas.
Mas depende do contexto, às vezes é melhor ficar em silêncio. Isso é bom quando alguém está estourado. Esfregam algo na sua casa, como exemplo. Eles esperam que você revide, e aí argumentam de novo. Mas se você fica em silêncio, pode ser que a pessoa ouça o eco do que ela disse para você e perceba o que fez. Isso é muito bom.
Perceba que eu mostrei 3 possibilidades - ensinar o caminho correto, rir ou ficar em silêncio. Nos três a sua mente pode ser mantida em paz, livre da raiva, mas o primeiro não é hábil, devido ao condicionamento dos outros. Isso é "usar o mundo".
Ajahn Brahmavamso é um monge que ficou famoso na Austrália, porque ele usa humor e um modo gentil de divulgar o Dhamma no Ocidente. Outro monge tão sábio quanto ele poderia ir divulgar o Dhamma onde ele foi, mas se ele não usasse humor, poderia não ter o mesmo sucesso. Por quê? Como se ambos tem sabedoria e praticaram os ensinamentos do Buddha? É porque Ajahn Brahm soube condicionar a si mesmo com esperteza para agir no mundo, e ele fez isso tudo pelos ensinamentos do Buddha.
Então, essa é outra coisa muito boa que podemos aprender com a prática - a usar o mundo. Não sinta que praticar no mundo é errado. O Buddha pediu que nos desapegássemos dessas coisas, como comida, corpo, mas não quer dizer que porque você desapegou de comida não vai comer, não é? Os Iluminados comem com a intenção de manter seus corpos e ensinar o Dhamma. Então, tente encontrar formas melhores de viver no mundo. Duas formas de falar podem ambas ter sabedoria, mas uma pode ser mais hábil que a outra dependendo do condicionamento das pessoas comuns.
"Eu acabei me culpando cada vez mais para que eu me sentisse menos culpado", cuidado com isso [rs]. "Eu estou com raiva, que maldição! Droga, eu odeio ficar com raiva!" - isso é raiva por estar com raiva rs. Tem outra coisa muito engraçada. Você está meditando e percebe que está brigando para um pensamento sair. Mas "brigar com pensamentos" é aversão, e isso não dá certo, então você fica aversivo a aversão - "Droga, eu não deveria ser aversivo aos pensamentos!" [rs].
O Buddha ensinou que precisamos usar dos poderes, o Poder da Reflexão e o Poder da Meditação para condicionarmos a mente de maneira benéfica, de tal forma que alcancemos meditações cada vez mais profundas para investigarmos os fenômenos e conhecermos o funcionamento da mente, a Origem Dependente, a Lei de Causa e Efeito e como essa coisa de condicionar a mente funciona.
A chave para isso é Desapego de tudo o que aumenta nossas contaminações, como cobiça, aversão. A melhor base para isso é, para mim, os 5 obstáculos: Desejo Sensual; Má Vontade; Ansiedade e Inquietação; Preguiça e Torpor; Dúvida.
Desejo Sensual é sempre buscar felicidade no mundo sensual, no mundo dos sensos, dos sentidos - Visão, Tato, Paladar, Olfato e Audição. O Buddha alertou que refletíssemos que esse mundo sensual é impermanente, que a morte é inevitável e que os prazeres proporcionados por essas coisas são pequenos e insatisfatórios. Apego pela comida, por exemplo - quanto tempo dura o prazer gerado por comer? Apego por música - isso gera até dependência emocional em algumas pessoas! Elas não conseguem se acalmar se não puderem ouvir música x. Então, precisamos perceber que devemos usar o mundo para transcende-lo. Eu gosto de dizer isso: "use o mundo, não seja usado por ele". Use o mundo para a prática espiritual, em vez de deixar o mundo controlar sua mente: "Estou triste, vou comer algo para isso passar...". Buscar felicidade nessas coisas é perigoso. O Buddha dizia que é como um cachorro faminto que recebe um osso lambuzado de sangue - há o cheiro maravilhoso de sangue para o cão, mas não há carne, é só osso. Então, aparentemente aquilo é prazeroso, mas nunca satisfaz o apetite do cachorro. O prazer sensual é a mesma coisa - nós tentamos nos completar através deles, mas eles só nos deixam cada vez mais vazios e sedentos.
Mas Desejo Sensual envolve muita coisa, eu o vejo como o obstáculo mais importante, porque envolve preocupação com o corpo (por isso o Buddha pedia para meditarmos sobre o interior do corpo) e com coisas do mundo, como nossa reputação (O que as pessoas pensam de mim? Obsessão por isso é a Timidez, não é? rs), nosso dinheiro, entre outros. Então, precisamos compreender que o Mundo dos 5 Sentidos é para ser utilizado pela prática do Dhamma, e que a nossa felicidade não deve depender dele, por ser muito incerto. O mundo dos 5 sentidos não está sob nosso controle, não é o meu Eu, não controlamos ele, então deixar que nossa felicidade dependa de ele estar de forma x causará sofrimento.
Quando surgir um apego ao mundo sensual, devemos usar os poderes de Reflexão ou Meditação para afrouxar a Cobiça ou Aversão e deixar aquele sentimento cessar - isso é o Desapego. Eu vou dar um exemplo simples que me surgiu na cabeça. Uma vez me deu uma vontade de comer bolacha, mas na verdade eu não precisava comer - já tinha comido o suficiente. Então eu pensei: "Não, isso é um apego desnecessário.". Isso foi insuficiente. O sentimento continuou forte, o apego latejando. Não aguentei e fui até a geladeira e peguei o pacote. Minha Atenção Plena me alertou: "Ei, está aí? Está plenamente atento? Quer ficar brincando no Samsara até quando?" [rs]. Aí eu fiquei parado ali e, do nada, me surgiu essa ideia brilhante: "Sabe qual o gosto dessa bolacha? O gosto da Impermanência.", eu gostei muito dessa resposta - qual o gosto de todos os alimentos que comemos? Gosto da Impermanência. Não importa o quão gostosa ou ruim seja uma comida, todas elas carregam o sabor da Impermanência. Eu nunca tinha pensado aquilo antes, e por ter sido uma ideia nova, minha mente se sentiu inspirada e aquele apego afrouxou, então foi fácil eu soltar e estabelecer a Atenção Plena. Sorri, pensei na Renúncia e alimentei Contentamento ali, enquanto o apego afrouxava até cessar e sumir.
Hoje eu tenho pouco problema com comida. Os apegos surgem bem menos, mas ainda surgem. Eu até emagreci por causa da prática budista rs! E esses apegos surgem menos na mente, porque você ensina ela continuamente através da reflexão e meditação. Você reflete e afrouxa o apego, então o "solta" e permite ele sumir sozinho. Isso requer Paciência e também um certo Contentamento por ter percebido e desapegado - Contentamento é MUITO importante.
Então, com Reflexão e Meditação você se recondiciona. Depois de uma meditação em que sua mente está descansada ou até extasiada, você pode contemplar a natureza do corpo, ou da comida. Pensar como o prazer é impermanente. Se você é uma pessoa raivosa, pode fazer meditação de amor-bondade. Se você tem problemas de Ansiedade, traga algum problema a mente e quando a sensação de Ansiedade surgir, pense: "Isso é uma distorção da mente. Esse problema é impermanente. Não preciso ficar ansioso por isso, pois isso só me traz sofrimento. Sempre quando essa sensação surgir, eu permitirei estar, permitirei cessar. Pode silenciar sozinha, minha cara sensação, eu permanecerei aqui, satisfeito e contente em estar plenamente presente e desapegado.", então, fique plenamente presente mas dando atenção para o prazer da renúncia ou de estar no agora, e a ansiedade some sozinha.
É também preciso ser criativo nessas reflexões. Às vezes a mesma reflexão repetidamente deixa a mente muito forte, outras vezes você precisa de reflexões novas, como a que eu fiz. E é sempre preciso equilibrar entre desvantagens do apego e vantagens do desapego. Se você ficar só pensando "Apego é sofrimento, Apego é sofrimento", a mente vai ficar cansada - "Puxa! Tudo isso é sofrimento! Onde eu posso encontrar alguma felicidade?". Mas se você pensar só em: "Desapego é a felicidade. Eu me sinto contente em desapegar." a mente pode ficar muito negligente. É preciso equilibrar.
Má Vontade é raiva. Ansiedade e Inquietação é preocupação com o futuro ou passado, basicamente. Preguiça e Torpor é desânimo - é preciso aprender a despertar energia e felicidade, mas também é ideal saber dormir o suficiente. Dúvida geralmente vem de falta de Paciência - quando Samadhi virá? O que é Nirvana? Por que esse apego não some logo? (Aqui é Dúvida misturado com Ansiedade rs) Qual esse problema surgir, sempre volte a mente para o Contentamento: "Estarei plenamente presente. Pode estar quanto tempo quiser.", e uma hora cessa sozinho.
Com o seu "culpa por se sentir culpado" é a mesma coisa. Use uma reflexão - "Com esse sentimento de culpa não poderei me recolocar na prática correta." ou "Não importa o que eu fiz, o que importa é o que eu tenho agora. Não lidarei com o momento presente com culpa ou remorso, caso contrário não poderei avançar na prática espiritual.", "Esse sentimento é pesado. Eu permito que você cesse sozinho. Estar aqui e agora é minha felicidade", e esteja contente por estar ali, mesmo com aquele sentimento ruim. Para lidar com Ansiedade e Inquietação é basicamente isso - Contente por ter percebido a contaminação e focar nesse Contentamento, deixando o resto lá tentando te incomodar [rs].
Sempre investigue seu sofrimento para ver de que obstáculo ele vem. Use as reflexões e seja criativo. Busque trazer a felicidade do desapego para si mesmo e para os outros através de atitudes, palavras e pensamentos com intenções benéficas. Use as convenções sociais com sabedoria. Não tenha nem Cobiça (querer) nem Aversão (não-querer) por o que é condicionado, investigue-os baseado nas leis da Impermanência e Não-eu. Cultive as qualidades como Contentamento, Paciência, Renúncia e Bondade. Não se apegue a suas conquistas. Meditação é algo a ser usado, não para se gabar. "Eu sou um meditador incrível. Eu alcancei o segundo Jhana, você só o primeiro." o Buddha alertou que isso traz sofrimento, que isso é apego a algo condicionado - o prazer meditativo. Devido a esse apego, você continuará renascendo. Esse é o Ensinamento.
Através do desapego constante embasado em Sabedoria, e não em força, podemos alcançar o Incondicionado. Logo, Nibbana não é algo a ser perdido. Na verdade, Nibbana vem de perceber que não há nada a se perder, nada a se ganhar, porque tudo o que existe são coisas surgindo, existindo e cessando. Como dizia Ajahn Chah - "Não há nada.", ele também enfatizava a qualidade de impermanência e incerteza das coisas e dizia "Apenas isso.". rs  Feliz 
Se não tiver entendido algo que eu disse, comente. Eu só queria que você entendesse corretamente Nirvana do jeito que Buddha ensinou e qual é a metodologia de prática budista para recondicionar a própria mente. Eu usei isso para minha timidez, pode ser usado com problemas de depressão, que tem síndrome de pânico, usou drogas, cada um tem o próprio caso. O Buddha deu reflexões básicas e, a partir delas, podemos ser criativos e usar várias frases e estímulos que inclinem a mente para a renúncia.
Quanto a centros budistas em São Paulo, posso te passar os endereços depois, mas não sei muito a respeito. Mas, visto que você teve experiências meditativas profundas, o ideal é que você tenha orientação de mestres que meditaram por bastante tempo mesmo.
Boa sorte em sua prática! Que você possa ensinar a sua mente a felicidade do desapego, do relaxamento, do permitir cessar, e do usar as formações e convenções sem ser condicionado por elas.  Grato 
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HORUZEN

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Mensagem Sab 25 Jan 2014 - 20:16

Eu entendi o que o senhor disse, adm. Não vou entrar em por menores pois não há muita importância objetiva neles, mas o que o senhor disse me ajudou e muito e venho lendo e relendo todo o texto, em partes, pois alguma coisa aqui e ali sempre escapam pela extensividade condensada de conhecimento. Mas aos poucos a gente vai decifrando, rsrs.

Mas a minha maior dificuldade, atual, é usar as formações e convenções sem acabar sendo condicionadas por elas. Não sei, é como se eu estivesse esquecido alguma coisa que não me deixava condicioná-las anteriormente. Acredito que, visando os fatos, isso foi algo que acabei deixando de lado aos poucos por conta do Ego que havia criado.

Sobre os centros, Ok. Mas mantenha o seu ritmo e esperarei por isso pacientemente. Todos nós temos as nossas coisas a fazer.

Muito obrigado pela força.
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Mensagem Seg 27 Jan 2014 - 20:06

Pelo que você disse, eu imagino que você tinha uma convicção muito forte na felicidade trazida pela prática da meditação, e tal convicção devia ser tão forte, que seu incômodo com as coisas do mundo eram muito fúteis. O problema é que, ao que parece, você não usou o prazer meditativo, mas se deixou cegar por ele e acabou se tornando, de fato, egocêntrico. E o prazer meditativo vem justamente da capacidade de saber desapegar - mas, se você se apega ao prazer da meditação, isso pode se fortalecer aos poucos até que você perca tal capacidade de se aprofundar na mente. A medida que isso acontece, é uma forte tendência que sua mente busque felicidade em outro lugar - aliás, a partir do momento em que ela começou a se tornar egocêntrica, usando a meditação não para o Desapego, mas para o Apego, ela já estava buscando felicidade no lugar errado, e é muito provável que tal Ego quisesse reconhecimento de outras pessoas ou no mundo também. Isso pode ter feito com que você se tornasse vulnerável aos pensamentos do mundo, não sei rs
No Buddhanet dá para pegar alguns endereços dos Centros:
Templo Budista Higashi Hongwanji
Address: Av. Cursino, 753 04133-000, Saúde - São Paulo   Sao Paulo
Tradition: Mahayana
Phone: (011) 5061-4766
E-mail: mario.tln@terra.com.br
Contact: Rev. Fukashi Urabe
Templo Budista Jodoshu Betsuin Nippakuji de São Paulo
Address: Av. Paula Ferreira, 1133 02915-100m Piqueri - São Paulo  Sao Paulo
Tradition: Mahayana
Phone: (11) 876-5771
Contact: Rev. Yomei Sasaki
Templo Budista Koyasan Shingonshu Koyaji Nambei Betsuin da America do Sul
Address: Rua Coronel Joâo de Oliveira Melo 741   Vila Antonieta Sao Paulo 03474-020
Tradition: Mahayana
Affiliation: Shingon Buddhist International Institute
Phone: 55-11-2726-5622
E-mail: arturonoguni@hotmail.com
Contact: Rev. Taishin Sugimoto  
Templo Budista Sul-América da Jodo Shinshu
Address: Honpa Hongwanji R. Changuá, 108 Vila Mariana, São Paulo 04141-070, São Paulo - SP  Sao Paulo
Tradition: Mahayana
Phone: (11) 275-8231
Contact: Rev. Hakko Inoue  
Templo Tzong Kuan de São Paulo
Address: Rua Rio Grande 498 Vila Mariana Sao Paulo, SP 04018-001  Sao Paulo
Tradition: Mahayana, Chinese Ch'an
Phone: (55-11) 5084-0363
CEBB São Paulo
Address: Maestro Cardim, 1024 - Paraíso São Paulo Estamos localizados atrás do Shopping Paulista (metrô Vergueiro ou Brigadeiro).  São Paulo - SP Sao Paulo
Tradition: Mahayana
Affiliation: CEBB - Lama Padma Samten
E-mail: cebbsp@cebbsp.org
Website: http://www.cebbsp.org
Notes and Events:
O Grupo de Estudos Budistas Bodisatva, é um grupo de práticas ligado ao CEBB, que tem a direção do Lama Padma Samten. O Lama Samten foi ordenado por  Chagdud Tulku Rinpoche eme 1996, é brasileiro e foi professor de física na UFRGS, por 25 anos. Lama Samten conduz diversos grupos de prática por todo Brasil.
Mahabodi Centre
Address: Rua Morato Coelho, 910 CEP 05417-000 São Paulo - SP  Sao Paulo
Tradition: Vajrayana, Tibetan, New Kadampa
Affiliation: Manjushri Mahayana Buddhist Centre, Ulverston, UK
Spiritual Director: Lama Geshe Kelsang Gyatso  
Nalanda Sao Paulo
Address: Rua Paris, 62 - Sumaré Rua Edson, 616 - Campo Belo, São Paulo, SP Fernando - (11) 9119 2026 / (11) 3721.5904  Sao Paulo
Tradition: Theravada
Website: http://nalanda.org.br/programacao/sao-paulo
Contact Person: Adriana - (11) 3863.2153
Sanatana Dharma Sarana
Address: Casa do Dharma R. Dona Antônia de Queiroz, 532/23 01307-010, São Paulo  Sao Paulo
Tradition: Mahayana
Phone: (11) 256-2824
Contact: Arthur Eid
Sao Paulo Shambhala Meditation Group
Address: R. Joao de Souza Dias 394/102 Sao Paulo, SP 04618-002, Brazil   Sao Paulo
Tradition: Vajrayana, Tibetan, Kagyu
E-mail: york@shambhala-brasil.org
Spiritual Director: Sakyong Mipham Rinpoche
Hosshin Zen Dojo
Address: Galvão Bueno 779 apt. 2 Liberdade, São Paulo, SP Brazil   Sao Paulo
Tradition: Mahayana, Soto Zen
E-mail: monjacoen@hotmail.com
Spiritual Director: Monja Coen de Souza  
Contact: Albino Taishin  
Instituto Nyingma do Brasil
Address: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 224 - Alto de Pinheiros   São Paulo- Sao Paulo 05461-010
Tradition: Vajrayana, Tibetan, Nyingma
Affiliation: Nyingma Institute - Berkeley, Ca, U.S.A.
Phone: (11) 3864-4785/(11) 3021-9376
Fax: (11) 3673-0292
E-mail: nyingma@nyingma.com.br
Website: http://www.nyingma.com.br
Contact: Paula M. F. Rozin  
Spiritual Director: Head-Lama Tarthang Tulku Rinpoche  
Cezen - Centro Zen de Estudos e Meditação
Address: Travessa Meroipe 25 São Paulo, SP 04012-020  Sao Paulo
Tradition: Mahayana, Soto Zen
Phone: (55-11) 575-7842
Teacher: Daigyo Moriyama, Luce Bachoux  
Contact: Espaço Kiyokawa
Casa de Dharma
Address: Rua Augusta, 2333 cj.9 entre a Al.Franca e Al.Tietê São Paulo - SP - Brazil  São Paulo - SP Sao Paulo
Tradition: Theravada,
Phone: 55-11-3256-2824
Fax: 55-11-3256-2824
E-mail: casadedharma@yahoo.com.br
Website: http://casadedharmaorg.blogspot.com/
Contact: Arthur Shaker
Centro Budista Djampel Pawo
Address: Rua Sá de Miranda, 128 - Vila Olímpia São Paulo, Brasil   Sao Paulo
Tradition: Vajrayana, Tibetan, Gelugpa
Phone: 55 11 30457932
E-mail: contato@djampelpawo.org
Website: http://www.djampelpawo.org
Spiritual Director: Ven. Lama Kalden Tulku Rimpoche  
Contact: Debora Peccoraro  Email  (Phone: 11 30457932)

Acho que deixei uns para trás. Você pode olhar com mais calma no link do Buddhanet, é uma enciclopédia mundial do Budismo rs. Mas aí estão alguns grandes centros de SP que eu vi. Espero que seja útil  Feliz 
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HORUZEN

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Mensagem Ter 28 Jan 2014 - 1:13

Você acertou na mosca. Nem sei o que dizer, de coração.

Obrigado por tudo, Adm.
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Me perdi do caminho e não consigo encontrar o caminho de volta

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